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O
Palácio do Catete, foi construído para ser a casa na metrópole da
família do Barão de Nova Friburgo (veja a biografia completa
do Barão de Nova Friburgo na página inicial deste site), e nesta época ele ficou
sendo conhecido como Palácio de Nova Friburgo. Os trabalhos tiveram início com a
demolição da casa de número 150 (não o número atual), da Rua do
Catete, que fazia parte das terras da família Valdetaro
(estas terras antes pertenciam ao Sr. Luiz Antonio Fernandes e foram adquiridas
pelos Valdetaros em 1787), começando
a seguir, as obras de construção por assim dizer, com a escolha não
muito comum, de construí-la a beira da rua e não próximo a praia ou
no centro do terreno, promovendo assim maior privacidade e
aproveitamento do terreno. O Palácio de linhas neoclássicas foi
projetado em 1858 pelo arquiteto Carl Friedrich Gustav Waehneldt de
origem prussiana. A construção terminou oficialmente em 1866,
mas conta-se, que por mais de 10 anos as obras de acabamento
continuaram.
Existe
uma história que diz que a esposa do barão, a Baronesa de Nova Friburgo
(que além de esposa era sua prima Laura Clementina da Silva Pinto),
queria que houvesse janelas entre o porão e o solo na calçada para que
ela pudesse ver as pessoas passarem na rua. Bom, não é bem assim, o que
aconteceu foi que durante a construção a baronesa pediu ao marido que a
mansão fosse construída na frente do terreno (Rua do Catete)
e não no centro do terreno ou nos fundos, mais próximo a praia (a areia da
praia chegava onde fica atualmente as grades que estão ao fundo do palácio
na avenida que tem o nome de Praia do Flamengo), isso porque
ela alegava, que lá na casa de Cantagalo, “ela só via mato”,
e aqui na
corte, ela queria ver pessoas das janelas, enfim, o movimento da rua.

Muitas
pedras empregadas na construção, vieram das pedreiras da Rua Pedro
Américo e Rua Bento Lisboa
(que se chamavam Rua da Pedreira da Glória
e Rua da Pedreira da Candelária respectivamente), outras foram trazidas
de Portugal. O casal Clemente Pinto, pouco usufruiu da
suntuosa mansão, ele, o
barão, morreu em 1869, logo após em 1870, morre a baronesa, como
herdeiro do palácio, fica seu filho mais velho o Conde de São
Clemente (Antonio Clemente Filho), o filho mais novo, o Conde de Nova
Friburgo (Bernardo Clemente Pinto Sobrinho), segue como herdeiro de
outra propriedades.
O
Conde de São Clemente, vende a mansão (palácio) em 1890 para um
grupo de investidores, que fundam a Companhia Grande Hotel
Internacional, esta companhia não conseguiu êxito em transformar o
palácio em um luxuoso hotel. Ocorreu na transição entre o Império e
a República o "fenômeno" econômico conhecido como,
"encilhamento". Esse fenômeno foi uma forte especulação
financeira que inviabilizou muitos projetos, dentre eles, a empreitada do
hotel; a empresa foi a falência e seus títulos foram adquiridos pelo
Conselheiro Francisco de Paula Mayrink, que 5 anos mais tarde pagou suas
próprias dívidas com esses títulos que incluíam a propriedade do
imóvel junto ao Banco do Brasil (na época o nome oficial era Banco da República do
Brasil). Nessa época a Sede do Governo, era no Palácio
Itamaraty que fica na atual Avenida Marechal Floriano no
centro da cidade do Rio de Janeiro. Em
1897 o Presidente Prudente de Morais
(Prudente José de Morais
Barros),
ficou doente, e durante a sua convalescença assumiu o seu vice, o Dr.
Manuel Vitorino (Manoel Vitorino Pereira), ele comprou o palácio por
mais de "1.000 contos de réis" e transferiu o governo para
lá
(ele
aproveitou e se transferiu também). Oficialmente ele foi Sede do
Governo Federal de 24 de fevereiro de 1897 até 1960 quando a Capital
e
o Distrito Federal foram transferidos para Brasília. Só
para esclarecer: o primeiro
Presidente da República,
Marechal Deodoro da Fonseca, ocupou junto com
o Governo Provisório, o antigo prédio do Senado do
Império, indo depois para o Palácio Itamaraty, só no
governo Prudente de Morais (1894-1898) como foi dito acima, é que o
palácio passou a
ser usado como local do poder e Sede da Presidência da República e
residência oficial do presidente.

O
Palácio do Catete em 1897
Foto
de Marc Ferrez, observe que no lugar da águias tradicionais, encontram-se
musas que foram encomendadas à época a Fundição Val D'osne na França

A
foto acima mostra o Palácio do Catete em 1906, durante as obras de
colocação de trilhos para o tráfego de bondes na Rua do Catete, além do palácio
pode-se ver o antigo Colégio Rodrigues Alves e a Casa da Guarda Palaciana,
atual Museu do Folclore.
Foto
gentilmente cedida pelo internauta Dercio Rocha.

O
Palácio do Catete em 1910
Observe
que aqui já estão de volta as famosas águias

As
águias do atual Museu da República (Palácio do Catete), em 2003.

Fonte/chafariz
que ficava no meio da Rua do Catete e hoje se encontra dentro do Museu da
República.
Na
Rua do Catete, no antigo "Largo do
Valdetaro", em frente ao Palácio
do Catete, na direção do atual Hotel
Monte Blanco, havia desde 7 de julho de 1854 um chafariz, que por ocasião
das obras de reforma para a transformação da mansão em Palácio
Presidencial (1896), foi transferido para o interior do terreno e nele
foi esculpido o monograma com as iniciais BNF (Barão de Nova
Friburgo), estando lá até hoje.
A
mansão foi construída com o intuito exclusivo de residência, os
outros usos posteriores imputados a construção, Palácio Presidencial
e residência dos presidentes e mais tarde museu, foram fruto de obras
de reformas e adaptações. Estas obras foram levadas a cabo pelo
Engenheiro Aarão Reis (nada mais nada menos que o engenheiro que
projetou a Cidade de
Belo Horizonte), e com a colaboração intensa dos pintores
Araripe de Macedo, Antonio Parreiras (Antônio Diogo da
Silva Parreiras) e Décio Villares (Décio Rodrigues Villares que
executou o desenho da bandeira brasileira). Esta
transformação da mansão em Palácio Presidencial incluiu a
iluminação elétrica, aproveitando a "usina" geradora da
Rua
Dois de Dezembro para a eletrificação dos
bondes (foi um dos
primeiros imóveis a receber luz elétrica no pais), foram instalados
561 pontos de luz de 8 "velas", 563 de 16 "velas" e
117 de 32 "velas". Uma explicação: quando surgiram as
primeiras lâmpadas elétricas no Brasil, a letra "V" que
significa "volts" era erroneamente interpretada como sendo a
quantidade de "velas" que a lâmpada elétrica substituiria.
Portanto uma lâmpada de 8 "velas" equivaleria a 8 velas
acesas. Essas lâmpadas comparadas as de hoje, eram fraquíssimas, o que
mesmo com essa quantidade de pontos de luz (cerca de 1.240), o palácio
era muito escuro. Na construção original, haviam águias, mas não as
que hoje lá estão, no lugar, havia águias de latão, que foram
substituídas por estátuas de "musas", representando: O
verão, o outono a justiça etc, em 1910 foram substituídas
novamente por águias, só que desta vez de bronze, obra do escultor
Rodolfo Bernadelli (José Maria Oscar Rodolfo Bernardelli) e as esculturas foram derretidas para a fundição
dos bancos do jardim. A remodelação dos jardins do palácio ficou a
cargo do engenheiro Paulo Villon. A construção ficou conhecida como o
"Palácio das Águias", mas o apelido não "vingou". Assim, por
63 anos o Palácio do Catete, foi o centro do poder e das decisões
políticas do país, além de residência oficial dos presidentes
(ainda que em alguns momentos, um ou outro presidente optou por viver no Palácio
Guanabara). Neste tempo o palácio era dividido da seguinte maneira: No
térreo funcionava a Secretaria da Presidência, a Sala de Audiências
Públicas e a Sala de Reuniões Ministeriais. No segundo andar, ficavam
as salas de recepções oficiais e diplomáticas e a capela. No terceiro
piso, ficavam os aposentos particulares do presidente.
Em
1960 por iniciativa do Presidente Juscelino Kubitschek
(Juscelino
Kubitschek de Oliveira), último presidente tomar posse no Catete, o
palácio foi transformado no Museu da República; e a Capital
da República e o Distrito Federal foram transferidos para Brasília.
O
museu dispõe de "quiosques" de multimídia e um bom centro de
referência, colocando a disposição do público os seus mais de 20.000
livros, 7.000 peças e 80.000 documentos.
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