Pequena História do Catete - Museus & etc...
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Palácio no início do Século XX

O Palácio do Catete no Século XIX

Barão de Nova Friburgo

Barão de Nova Friburgo

Desembargador Manuel de Jesus Valdetaro

Desembargador Valdetaro

Baronesa de Nova Friburgo

Baronesa de Nova Friburgo

Conde de São Clemente

Conde de São Clemente

(Antonio Clemente Filho)

Conde de Nova Friburgo

Conde de Nova Friburgo

(Bernardo Clemente Pinto Sobrinho)

Conselheiro Mairink

Francisco de Paula Mayrink

Manuel Vitorino

Manoel Vitorino Pereira

Antonio Parreiras

Antonio Parreiras

 

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Décio Vilares

Décio Vilares

Retrato pintado em Paris por Rodolfo Amoedo em 1882

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juscelino Kubitschek

Juscelino Kubitschek

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 O Palácio do Catete

(Museu da República)

Rua do Catete, 153

O Palácio do Catete, foi construído para ser a casa na metrópole da família do Barão de Nova Friburgo (veja a biografia completa do Barão de Nova Friburgo na página inicial deste site), e nesta época ele ficou sendo conhecido como Palácio de Nova Friburgo. Os trabalhos tiveram início com a demolição da casa de número 150 (não o número atual), da Rua do Catete, que fazia parte das terras da família Valdetaro (estas terras antes pertenciam ao Sr. Luiz Antonio Fernandes e foram adquiridas pelos Valdetaros em 1787),  começando a seguir, as obras de construção por assim dizer, com a escolha não muito comum, de construí-la a beira da rua e não próximo a praia ou no centro do terreno, promovendo assim maior privacidade e aproveitamento do terreno. O Palácio de linhas neoclássicas foi projetado em 1858 pelo arquiteto Carl Friedrich Gustav Waehneldt de origem prussiana. A  construção terminou oficialmente em 1866, mas conta-se, que por mais de 10 anos as obras de acabamento continuaram.

Existe uma história que diz que a esposa do barão, a Baronesa de Nova Friburgo (que além de esposa era sua prima Laura Clementina da Silva Pinto), queria que houvesse janelas entre o porão e o solo na calçada para que ela pudesse ver as pessoas passarem na rua. Bom, não é bem assim, o que aconteceu foi que durante a construção a baronesa pediu ao marido que a mansão fosse construída na frente do terreno (Rua do Catete) e não no centro do terreno ou nos fundos, mais próximo a praia (a areia da praia chegava onde fica atualmente as grades que estão ao fundo do palácio na avenida que tem o nome de Praia do Flamengo), isso porque ela alegava, que lá na casa de Cantagalo, “ela só via mato”, e aqui na corte, ela queria ver pessoas das janelas, enfim, o movimento da rua.

Palácio do Catete, foto do início do século XX

Muitas pedras empregadas na construção, vieram das pedreiras da Rua Pedro Américo e Rua Bento Lisboa (que se chamavam Rua da Pedreira da Glória e Rua da Pedreira da Candelária respectivamente), outras foram trazidas de Portugal. O casal Clemente Pinto, pouco usufruiu da suntuosa mansão, ele, o barão, morreu em 1869, logo após em 1870, morre a baronesa, como herdeiro do palácio, fica seu filho mais velho o Conde de São Clemente (Antonio Clemente Filho), o filho mais novo, o Conde de Nova Friburgo (Bernardo Clemente Pinto Sobrinho), segue como herdeiro de outra propriedades.

O Conde de São Clemente, vende a mansão (palácio) em 1890 para um grupo de investidores, que fundam a Companhia Grande Hotel Internacional, esta companhia não conseguiu êxito em transformar o palácio em um luxuoso hotel. Ocorreu na transição entre o Império e a República o "fenômeno" econômico conhecido como, "encilhamento". Esse fenômeno foi uma forte especulação financeira que inviabilizou muitos projetos, dentre eles, a empreitada do hotel; a empresa foi a falência e seus títulos foram adquiridos pelo Conselheiro Francisco de Paula Mayrink, que 5 anos mais tarde pagou suas próprias dívidas com esses títulos que incluíam a propriedade do imóvel junto ao Banco do Brasil (na época o nome oficial era Banco da República do Brasil). Nessa época a Sede do Governo, era no Palácio Itamaraty que fica na atual Avenida Marechal Floriano no centro da cidade do Rio de Janeiro. Em 1897 o Presidente Prudente de Morais (Prudente José de Morais Barros), ficou doente, e durante a sua convalescença assumiu o seu vice, o Dr. Manuel Vitorino (Manoel Vitorino Pereira), ele comprou o palácio por mais de "1.000 contos de réis" e transferiu o governo para lá (ele aproveitou e se transferiu também). Oficialmente ele foi Sede do Governo Federal de 24 de fevereiro de 1897 até 1960 quando a Capital e o Distrito Federal foram transferidos para Brasília. Só para esclarecer: o primeiro Presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca, ocupou junto com o Governo Provisório, o antigo prédio do Senado do Império, indo depois para o Palácio Itamaraty, só no governo Prudente de Morais (1894-1898) como foi dito acima, é que o palácio passou a ser usado como local do poder e Sede da Presidência da República e residência oficial do presidente.

Palácio do Catete século XIX

O Palácio do Catete em 1897

Foto de Marc Ferrez, observe que no lugar da águias tradicionais, encontram-se musas que foram encomendadas à época a Fundição Val D'osne na França

Colocação dos trilhos de bondes na Rua do Catete em 1906

A foto acima mostra o Palácio do Catete em 1906, durante as obras de colocação de trilhos para o tráfego de bondes na Rua do Catete, além do palácio pode-se ver o antigo Colégio Rodrigues Alves e a Casa da Guarda Palaciana, atual Museu do Folclore.

Foto gentilmente cedida pelo internauta Dercio Rocha.

Palácio do Catete século XIX

O Palácio do Catete em 1910

Observe que aqui já estão de volta as famosas águias

As águias do Palácio do Catete (Museu da República)

As águias do atual Museu da República (Palácio do Catete), em 2003.

Chafariz que outrora ficava a Rua do Catete e hoje está dentro dos Jardins do Museu da República (Palácio do Catete)

Fonte/chafariz que ficava no meio da Rua do Catete e hoje se encontra dentro do Museu da República.

Na Rua do Catete, no antigo "Largo do Valdetaro", em frente ao Palácio do Catete, na direção do atual Hotel Monte Blanco, havia desde 7 de julho de 1854 um chafariz, que por ocasião das obras de reforma para a transformação da mansão em Palácio Presidencial (1896), foi transferido para o interior do terreno e nele foi esculpido o monograma com as iniciais BNF (Barão de Nova Friburgo), estando lá até hoje.

A mansão foi construída com o intuito exclusivo de residência, os outros usos posteriores imputados a construção, Palácio Presidencial e residência dos presidentes e mais tarde museu, foram fruto de obras de reformas e adaptações. Estas obras foram levadas a cabo pelo Engenheiro Aarão Reis (nada mais nada menos que o engenheiro que projetou a Cidade de Belo Horizonte), e com a colaboração intensa dos pintores Araripe de Macedo, Antonio Parreiras (Antônio Diogo da Silva Parreiras) e Décio Villares (Décio Rodrigues Villares que executou o desenho da bandeira brasileira). Esta transformação da mansão em Palácio Presidencial incluiu a iluminação elétrica, aproveitando a "usina" geradora da Rua Dois de Dezembro para a eletrificação dos bondes (foi um dos primeiros imóveis a receber luz elétrica no pais), foram instalados 561 pontos de luz de 8 "velas", 563 de 16 "velas" e 117 de 32 "velas". Uma explicação: quando surgiram as primeiras lâmpadas elétricas no Brasil, a letra "V" que significa "volts" era erroneamente interpretada como sendo a quantidade de "velas" que a lâmpada elétrica substituiria. Portanto uma lâmpada de 8 "velas" equivaleria a 8 velas acesas. Essas lâmpadas comparadas as de hoje, eram fraquíssimas, o que mesmo com essa quantidade de pontos de luz (cerca de 1.240), o palácio era muito escuro. Na construção original, haviam águias, mas não as que hoje lá estão, no lugar, havia águias de latão, que foram substituídas por estátuas de "musas", representando: O verão, o outono a justiça etc, em 1910 foram substituídas novamente por águias, só que desta vez de bronze, obra do escultor Rodolfo Bernadelli (José Maria Oscar Rodolfo Bernardelli) e as esculturas foram derretidas para a fundição dos bancos do jardim. A remodelação dos jardins do palácio ficou a cargo do engenheiro Paulo Villon. A construção ficou conhecida como o "Palácio das Águias",  mas o apelido não "vingou". Assim, por 63 anos o Palácio do Catete, foi o centro do poder e das decisões políticas do país, além de residência oficial dos presidentes (ainda que em alguns momentos, um ou outro presidente optou por viver no Palácio Guanabara). Neste tempo o palácio era dividido da seguinte maneira: No térreo funcionava a Secretaria da Presidência, a Sala de Audiências Públicas e a Sala de Reuniões Ministeriais. No segundo andar, ficavam as salas de recepções oficiais e diplomáticas e a capela. No terceiro piso, ficavam os aposentos particulares do presidente.

Em 1960 por iniciativa do Presidente Juscelino Kubitschek (Juscelino Kubitschek de Oliveira), último presidente tomar posse no Catete, o palácio foi transformado no Museu da República; e a Capital da República e o Distrito Federal foram transferidos para Brasília.

O museu dispõe de "quiosques" de multimídia e um bom centro de referência, colocando a disposição do público os seus mais de 20.000 livros, 7.000 peças e 80.000 documentos.