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Nome:
Padre José de Anchieta
Local
e data de nascimento: São Cristóvão da Laguna - Tenerife nas Ilhas Canárias
- Espanha,19 de março de 1534.
Local
e data da Morte: Reritiba atual Cidade de Anchieta - ES-Brasil ,9 de
junho de 1597.
Filho de João
Lopes de Anchieta, um revolucionário que tomou parte na Revolta
dos Comuneiros contra o Imperador Carlos V, na Espanha;
e um grande devoto da Virgem Maria. Sua mãe chamava-se Mência
Dias de Clavijo y Larena, natural das Ilhas Canárias, filha
de ex-judeus.
Anchieta tinha,
por parte do pai, a ascendência nobre da família dos Anchieta Bascos
do norte da Espanha, também conhecido como País Basco
até hoje; e pelo avô materno, Sebastião de Larena, um
"cristão novo" (judeu convertido) do Reino de Castela.
Sua ascendência judaica foi determinante para o enviarem para estudar
em Portugal e não na Espanha, onde a Inquisição era
mais rigorosa. Anchieta viveu com os pais até os 14 anos,
depois mudou-se para Coimbra - Portugal, onde foi estudar
filosofia no Colégio das Artes, anexo à Universidade de
Coimbra. Da família de 12 irmãos, teve além dele, mais dois
sacerdotes: O Padre Pedro Nuñez e Padre Melchior.

Esta
é a casa onde Anchieta nasceu que é conhecida como "Casa
Verdugo" na ilha de Tenerife
Muito jovem, Anchieta
aprendeu a ler e a escrever ainda na ilha de Tenerife, além de
noções básicas do latim. Freqüentou a universidade de Coimbra,
onde aperfeiçoou seu latim, estudou dialética e filosofia, o que lhe
facilitou o ingresso na Companhia de Jesus, recém fundada por
Inácio de Loyola, um parente distante da família Anchieta
(aos 17 anos).
Entre os jesuítas sua primeira
atividade era ajudar na celebração de missas, e ele chegava a ajudar
em mais de 10 missas por dia, trabalhando mais de 16 horas. Porém, tanta dedicação causou-lhe
alguns problemas de saúde, que se agravaram e se transformaram em
constantes dores nas juntas e ossos do corpo, principalmente na coluna. Imaginando que as dores
eram provas divinas, o padre dedicava-se ainda mais ao trabalho. O
resultado foram dores por lesões permanentes que o acompanharam por
toda a vida. Por essas dores ele se interessou em embarcar para o Brasil,devido ao fato de o clima ser mais ameno que o da
Europa.
Chegou ao Brasil
em 1553, junto com outros padres que se opunham a Contra-reforma
religiosa na Europa, que tinham em mente a idéia de catequizar os
habitantes das novas terras descobertas. Ele veio na esquadra de Dom
Duarte da Costa, Segundo Governador Geral do Brasil. Junto
com ele, vieram mais 6 padres jesuítas, todos doentes.
Não encontrou a cura para seus
males e dores, mas se dedicou a catequizar os índios brasileiros e para
isso, foi viver no meio deles, aprende com o Padre
Auspicueta as primeiras palavras do Abanheenga, língua geral dos índios
tupis e guaranis, aprendendo seus idiomas, seus costumes e
lendas. Ele foi o primeiro a perceber que existia uma raiz comum nos diversos
idiomas indígenas falados em nossa terra. Ele, é que consagrou o termo
"tupi", para designar a essa raiz comum entre os idiomas
indígenas. a partir desse entendimento, ele elaborou a gramática da
língua e assim ficou mais fácil compreendera os diversos ramos lingüísticos.
Ele
escreveu muitas cartas que servem de estudo do seu período histórico
no Brasil, que servem de referência até hoje e escreveu o livro
Arte de Gramática da Língua Mais usada na Costa do Brasil.

Capa
do livro Arte de Gramática da Língua Mais usada na Costa do Brasil
escrito pelo padre José de Anchieta
O fenômeno da catequese da
feita pelos religiosos aos povos indígenas é muito criticada pelos
especialistas, visto que ela foi acabando lentamente com a cultura
desses povos.
Ensinava latim português e
latim para os índios, cuidava dos feridos, dava conselhos, escrevia
poesias e autos em vários idiomas, inclusive o "tupi";
assim
conquistou a confiança dos nativos. Ele é considerado por muitos como
o fundador do teatro brasileiro, ele se inspirava nos autos do
português Gil Vicente (foto abaixo a esquerda),
nas festas, recepções e comemorações dos indígenas. Muitos
consideram seu trabalho lírico, melhor que a do mestre Gil Vicente que
o inspirou.
O Estilo de verso utilizado
por Anchieta, é a "redondilha maior", versos de no máximo 7
sílabas e as estrofes são de 5 sílabas ou quintilha. As vezes ele se
utilizava da "redondilha menor", versos ligeiros de 5
sílabas. Parece complicado, mas na época era uma forma muito popular
de forma poética. A novidade de Anchieta era que na abertura e na
finalização dos autos, ele se utilizava de danças, musica e canto,
que corresponderia as cerimônias indígenas, ele se utilizava também
passos de dança de origem espanhola e portuguesa além das indígenas,
mas como o seu "público" aqui no Brasil era variado,
compostos de portugueses degredados, índios e padres, seus autos faziam
o maior sucesso. A foto a direita a baixo que eu sempre tive curiosidade
em saber porque era tão utilizada quando eu era pequeno nos trabalhos
escolares, é uma alusão a composição do Poema à Virgem Maria "De
Beata Virgine Dei Matre Maria", que ele
teria escrito na areia., durante um período de 5 meses em que foi
mantido prisioneiro dos indios tamoyos em Ubatuba, São Paulo.
Ele andou bastante por onde são
os Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e em 1554, por
ordem do Padre Manuel da Nóbrega começou a construir o Colégio de São Paulo
(foto
a esquerda abaixo),
que daria origem à
cidade de São Paulo. Em 1555, no dia 25 de janeiro, foi rezada a
primeira missa da fundação. Ali, Anchieta abrigou 13 padres
jesuítas e vários alunos, praticamente todos indígenas. O local
recebeu o nome de São Paulo, que era o santo cuja festa a Igreja
comemorava naquele dia.
Em 1567, com a
morte do Padre Manuel da Nóbrega, é nomeado Provincial
do Brasil, o cargo mais alto da Companhia de Jesus. Como Provincial,
viajou todo o Brasil orientando os trabalhos da Companhia de
Jesus no Brasil.

Morte
de Estácio de Sá em 20 de fevereiro de 1567, quadro de Antonio Parreiras.
José
de Anchieta ministrando os últimos Sacramentos a Estácio de Sá, ferido no
rosto por uma flecha envenenada, sentado de cabelos brancos, Mem de Sá, o indígena
em pé é Araribóia, na entrada segurando uma cruz está Manoel da
Nóbrega.
O cortejo fúnebre
por ocasião da morte do Padre Anchieta,foi acompanhado por mais
de 3.000 índios, num percurso de 90 quilômetros, de Reritiba até
Vitória - ES.

Cerimônia
de Beatificação do Padre José de Anchieta, na Basílica de São Pedro -
Vaticano pelo Papa João Paulo II
Foi
beatificado, ou seja, hoje o correto é chamá-lo de Beato José de
Anchieta pelo Papa João Paulo II, no dia 22 junho de 1980,
sem provas de seus milagres. O processo de beatificação já se
arrastava por mais de 300 anos, a despeito do fato do "milagre"
das "três almas salvas" onde em único dia ele conseguiu converter
ao cristianismo um homem a morte (o índio Diogo em Santos
- SP), um velho e um menino deficiente
mental...
 
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