Bairro do Catete - Os Presidentes no Palácio
- Getulio Vargas (Como Ditador)
Washington
Luis
Dr.
Júlio Prestes
Governador
Antonio Carlos
Estácio
Coimbra
João
Pessoa
João
Neves da Fontoura
Flores
da Cunha
Lindolfo
Collor
Juarez
Távora
Epitácio
Pessoa
Anayde
Beiriz
Cristina
Maristany
Agamenon Magalhães
Ariano
Suassuna
Osvaldo
Aranha
Góis
Monteiro
Newton EstillacLeal
Miguel Costa
Getúlio
Vargas recebe 669 mil votos, contra 1.100.000 votos de Prestes;
alegando fraudes a Aliança Liberal, depõe o Presidente, e impede
a posse dos vencedores.
Juraci Magalhães
A
maioria dos internautas que apreciam história, artes e cultura, não
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motivo quase sempre os sites vencedores são de conteúdo duvidoso
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General
Tasso Fragoso
General
Mena Barreto
Cardeal
Leme
O
Palácio São Joaquim, construído em 1912, residência
oficial do Cardeal do Rio de Janeiro (antes, neste mesmo
lugar havia o Solar da Glória de propriedade do Barão
do Meriti). O Palácio São Joaquim foi projetado pelo Engenheiro
Adolfo Morales de Los Rios, que morou na Rua Buarque de
Macedo (veja o significado do nome das ruas na página inicial
deste site), foi construída por iniciativa do Cardeal
Arcoverde (Joaquim Arcoverde Albuquerque Cavalcanti),
primeiro Cardeal Brasileiro. No Palácio São Joaquim
foi realizada a primeira reunião do que mais tarde seria a CNBB
(Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
Contra-Almirante Isaías de Noronha
O
jornal O País, no Rio de Janeiro é atacado por simpatizantes da
Aliança Liberal.
Os
soldados vão para as ruas no Rio de Janeiro, porém não ocorrem
combates.
José
Linhares
De
1930
- 1945 - Getúlio Dorneles Vargas.
Nasceu em São Borja
- RS
a 19/04/1882 e morreu no Rio de Janeiro a 24/08/1954.
Ninguém
sabe o motivo, mas ele alterou a data de seu nascimento para 1883;
esse fato só se tornou público por ocasião do centenário de seu
nascimento quando o padre da paróquia em que ele foi registrado divulgou
essa curiosidade.
Assume
através de um golpe militar, com poderes de ditador, fica no
governo por quase 15 anos, fechou o Congresso, a Câmara dos
Deputados, nomeou interventores para assumir os cargos de Governadores
dos Estados.
Em
15 de novembro de 1926, assume a pasta da fazenda no ministério do presidente Washington
Luis, presidente este que mais tarde ajudaria a depor.
Washington
Luís e seu Ministério. A sua esquerda o Vice-Presidente Melo Viana, na
terceira fila a esquerda o então Ministro da Fazenda Getúlio Vargas.
Em
17 de junho de 1929, é assinado um pacto entre os líderes políticos do Rio
Grande do Sul e de Minas Gerais, que proporia um nome gaúcho como
alternativa a sucessão do presidente Washington Luis, visto este ter
indicado como candidato do governo o paulista Julio Prestes.
Em
29 de julho de 1929, Getúlio Vargas escreve para o PresidenteWashington
Luis:
"...A
escolha do meu nome pelo Estado de Minas Gerais e sua aceitação por
parte do Rio Grande não traduziam hostilidade alguma ao Dr. Júlio
Prestes, de cuja candidatura até então não se havia falado, nem V.
Ex.ª, cujo ponto de vista no caso não era igualmente conhecido. Não
aceitei a indicação do meu nome pelo Estado de Minas Gerais como
candidato de combate, que não desejo, que nenhum brasileiro poderá desejar,
sobretudo nesta hora, quando tudo recomenda uma política de completo
apaziguamento, da qual dependerá, em última análise, o próprio êxito da
propaganda governamental de V. Ex.ª ..."
"...Quando
escrevo Minas, me refiro ao PRM na sua incontestável maioria. Se
depois do entendimento com V. Ex.ª, o Partido Republicano Mineiro
se declarar satisfeito com a fórmula que for encontrada e disso me der
conhecimento expressamente, eu não terei a menor dúvida em desobrigá-lo do
compromisso que voluntariamente assumiu."
Minas é contra a indicação de um nome paulista, pois queria um mineiro como candidato, como alternativa,
Antonio Carlos (Antônio Carlos Ribeiro de Andrada), governador de
Minas Gerais, apoiaria um candidato vindo do Rio Grande do Sul, que poderia ser
Getúlio Vargas ou Borges de Medeiros (Antônio Augusto
Borges de Medeiros). A este pacto, deu-se o nome de Aliança Liberal.
Mesmo
assim Getúlio é oficiosamente candidato a presidência.
Estácio
Coimbra (Estácio de Albuquerque Coimbra), governador de Pernambuco, não aceita ser vice na chapa de Getúlio
Vargas.
João
Pessoa, governador do Estado da Paraíba, é sondado para concorrer
na chapa de Vargas e aceita, pois também não concorda com a indicação
do candidato oficial do governo o Dr. Júlio Prestes.
As
chapas se formam, de um lado o candidato governista JulioPrestes
tendo como vice Vital Soares (Vital Henrique Batista Soares)governador da Bahia; de outro lado Getúlio
Vargas e como vice João Pessoa, governador da Paraíba.
O
candidato do governo prometia a continuidade da reforma monetária iniciada no
governo de Washington Luís.
Getúlio,
com o slogan "mais do povo que do candidato", prometia
"anistia plena, geral e absoluta" e aumento dos salários dos
militares e dos funcionários públicos.
Na
Câmara dos Deputados, alguns políticos insinuam que não aceitarão Júlio
Prestes como presidente.
No
Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros, líder gaúcho declara:
"...
Não pensamos aqui em revolução, sim, que isso fique bem claro, no Rio
Grande não se pensa em revolução. Os rio-grandenses aceitarão o
resultado das urnas..."
"...A
nação pode estar certa de que o Rio Grande não esquecerá jamais os
seus deveres. O Partido Republicano, por todos os seus chefes, e eu,
pessoalmente, tudo faremos para impedir um gesto de desvario. Não iniciaremos,
nem auxiliaremos nenhum movimento contra a ordem constitucional...". (mais
tarde ele fará tudo ao contrário e tomará o poder junto com os outros
líderes da revolução)
Em
Minas o discurso do governador Antonio Carlos, é no mesmo tom, ou
seja não apoiaria nada que fosse contra o resultado das urnas.
O
candidato a vice-presidente pela Aliança Liberal na chapa de Vargas,
João Pessoa,
declara o seguinte:
"...Nunca
contarão comigo para um movimento armado. Prefiro 10 Júlio Prestes a
uma revolução".
Em
outubro de 1929 ocorre o "crack" (quebra), da Bolsa de Valores de Nova York,
os Estados Unidos quebrou e o Brasil também.
Os
fazendeiros de café passam a apoiar a candidatura de oposição - Getúlio
e Pessoa.
A
1º de março de 1930, acontece a eleição para presidente.
Terminada
a apuração, os resultados são: Getúlio Vargas 669.000 votos; Julio
Prestes 1.100.000 votos.
Muitos
foram os protestos com relação aos resultados; porém dada a diferença
avassaladora de votos, os líderes da AliançaLiberal, sabiam que
deviam acatar esses resultados.
Borges
de Medeiros e Getúlio Vargas a princípio aceitam o resultado da
campanha, porém João Neves da Fontoura, Osvaldo Aranha, Flores
da Cunha (José Antônio Flores da Cunha), Maurício Cardoso (Joaquim
Maurício Cardoso) e Lindolfo Collor (Lindolfo Leopoldo Boekel
Collor), do Partido
Republicano, não concordaram com a passividade da Aliança Liberal
em aceitar a derrota nas urnas.
Influenciado
de diversas maneiras por João Neves da Fontoura, Borges de Medeiros
passa a aceitar a idéia de uma possível sublevação.
Osvaldo
Aranha encomenda armas no valor de 16.000 contos de réis na Tchecoslováquia;
essa quantia deveria ser paga da seguinte maneira 8.000 pelo Rio Grande do
Sul, 6.000 por Minas Gerais e 2.000 pela Paraíba.
Os
primeiros planos foram traçados: A revolução deveria estourar simultaneamente
em todo Território Nacional; no norte, Juarez Távora seria o
líder, em Minas a liderança caberia ao Capitão Leopoldo Néri da
Fonseca e em São Paulo o responsável seria Siqueira Campos.
No sul, mais tarde contariam com o comando de Borges de Medeiros e Getúlio
Vargas.
O
ex-Presidente da República Epitácio Pessoa, se compromete a fazer com
que seu sobrinho João pessoa, governador da Paraíba pagasse os
2.000 contos de réis de sua cota na compra das armas no exterior.
O
Governador de Minas Gerais Antonio Carlos, envia emissários ao Rio
Grande do Sul para pagar sua parte na compra das armas e para ouvir as duas
alas; a do Partido Republicano e da Aliança Liberal, e também
para receber instruções dos próximos passos do golpe.
Em
1º de junho de 1930, Getúlio Vargas escreve um manifesto pedindo
serenidade nas atitudes, aparentemente se opondo a um Golpe de Estado. O
movimento pela revolução se esvazia por um momento.
Por
esta época, todo o comércio do sertão paraibano, era escoado através do
porto do Recife em Pernambuco; JoãoPessoa terminou
com esse processo o que acarretou em um maior custo para os coronéis do sertão
escoarem as suas mercadorias e produtos agrícolas, além disso ele aumentou os
impostos; tudo isto retirou muito o poder dos coronéis sertanejos da Paraíba.
O Município de Princesa, cujo o principal cacique político era o velho Coronel
José Pereira de Lima, que fora correligionário político de João Pessoa e
que recentemente havia rompido relações com ele, proclama a sua
independência! É, é isso mesmo a Cidade de Princesa no sertão da Paraíba
proclamou a sua independência. Uma curiosidade, o cangaceiro Lampião
odiava o Coronel
José Pereira, por considera-lo seu traidor e "perverso, falso e
desonesto".
Em
9 de junho de 1930, os políticos José Pereira de Lima, José Frazão
Medeiros Lima e Manuel Rodrigues Sinhô, assinaram um decreto que proclamava
a independência do Município de Princesa, separando-se assim do resto
do Estado da Paraíba, submetendo-se apenas a autoridade do Governo
Federal.
João
Pessoa, reage a situação na Cidade de Princesa, com muitas
represálias políticas. O advogado João Duarte Dantas sertanejo da
cidade paraibana de Teixeira, correligionário
do Coronel José Pereira fez duras críticas a João Pessoa e sofre perseguição de tal ordem que foge para Pernambuco.
Em
julho de 1930, o ex-governador da Paraíba e candidato derrotado na
recente eleição para vice-presidente, João Pessoa é assassinado
dentro da Confeitaria Glória, na Rua Nova (esquina com a Rua
da Palma), no Recife. Os dias que se seguiram ao assassinato de João
Pessoa, foram cheios de controvérsias, sobretudo nos jornais. Mesmo o crime
tendo ocorrido em público e cheio de testemunhas, os jornais publicaram o nome
do assassino como sendo João Suassuna, líder da Cidade de Catolé do
Rocha (João Dantas, na verdade era amigo de Suassuna), um amigo de Estácio Coimbra
então governador de Pernambuco, ambos desafetos de Pessoa; o
assassino foi o advogado João Duarte Dantas, que por problemas políticos
regionais, teve sua vida devassada a mando de João Pessoa, inclusive com
seu apartamento na antiga Rua Direita nº 519 (atual Rua Duque de
Caxias, próximo do Ponto de Cem Réis) invadido bem no centro da
capital, pela polícia no dia 10 de julho; nesta invasão, algumas correspondências
trocadas entre ele e sua noiva Anayde Beiriz, foram publicadas em jornais.
O jornal A União, publicou uma série de sérias acusações contra
familiares de João Dantas, inclusive ao patriarca, Dr. Franklin
Dantas. (Franklin Dantas Correia de Góis)
Diziam
que a reunião na confeitaria teria sido por motivos políticos graves, aquisição
de armas para a insipiente revolução etc... Até hoje em muitos livros,
revistas especializada e sites a cronologia dos fatos é confusa, como se João
Pessoa ainda fosse candidato quando morreu por exemplo. O fato é que as
eleições já haviam acabado e o resultado proferido oficialmente.
Na
verdade ele tinha o hábito de tomar o famoso chá das 5 na Confeitaria Glória,
com amigos nos finais de semana sempre que visitava o Recife; no entanto,
neste dia em especial, provavelmente ele teria ido encontrar-se com uma certa
cantora, com a qual mantinha um romance, pois pouco antes, ele havia comprado jóias
na Joalheria Krauser,
que foram encontradas em seu bolso. Rapidamente o nome da Capital do Estado
da Paraíba foi mudada para João Pessoa (antes chamava-se Parahyba)
e a bandeira do estado ganhou o lema NEGO, palavra atribuída ao próprio
João Pessoa, como resposta ao pedido de apoio ao candidato Julio
Prestes, feito por Washington Luis. No livro Anayde – Paixão
e Morte na Revolução de 30 – Editora Record (Página 49), essa
cantora seria a soprano Cristina Maristany.
Às
17 horas do sábado, 26 de julho de 1930, o presidente da Paraíba, João
Pessoa entra na confeitaria, acompanhado do Professor Agamenon Magalhães
e de Caio Lima Cavalcanti, pouco tempo depois, João Dantas
acompanhado do seu cunhado Moreira Caldas,
entrou no salão da confeitaria decidido e falou: "Sou João Dantas,
a quem tanto humilhastes e maltratastes". Usando o corpo do amigo de Pessoa,
AgamenonMagalhães como escudo, disparou contra o peito do político
paraibano, João Pessoa caiu sem falar uma palavra, cruzou os braços
sobre o peito, foi quando Dantas disparou mais uma vez, ferindo o
ante-braço do presidente da Paraíba. Um certo tenente Queiroz
entrou em luta corporal com Dantas, o motorista do morto Antônio
Pontes de Oliveira, sacou um revólver
e disparou, ferindo a testa do assassino.
Agamenon
Magalhães em matéria publicada no jornal A Noite, afirma que
ao ser atingido João Pessoa teria gritado: "Canalha! Não se mata
assim, covardemente, um homem!".
Corpo
de João Pessoa. Observe que um dos tiros perfurou o ante-braço e não no pulso
como relata alguns estudiosos do caso.
Dantas
e o cunhado foram presos e levados para a Casa de Detenção na Paraíba,
onde foram espancado e degolados. Oficialmente eles cometeram suicídio. O corpo de JoãoPessoa foi levado para a capital da Paraíba; isso fez com que
todo o Estado ficasse um caos, um inferno, tumultos, tiroteios, incêndios,
bombas explodiam por toda a parte; os distúrbios só começaram a melhorar
depois que o corpo foi transladado para o Rio de Janeiro no navio Rodrigues
Alves.
Três
dias depois a noiva de Dantas bebe veneno de cobra e morre. João
Suassuna, foi assassinado mais tarde, por Miguel Laves de Souza, com
um tiro, na esquina da Rua Riachuelo com a dos Rua Inválidos no Rio
de Janeiro. JoãoSuassuna era o pai de Ariano Suassuna,
autor do Auto da Compadecida.
Chegando
o cadáver de João pessoa ao Rio de Janeiro, os partidários da
revolução, que estavam quietos, se aproveitaram da situação, atribuindo a
morte do governador da Paraíba ao governo de Washington
Luís insuflando as massas e políticos.
Os
que eram a favor do golpe de norte a sul se reanimaram.
O
mineiro Antonio Carlos tenta redigir um manifesto atribuindo a morte de João
Pessoa a Washington
Luís, é contido por Getúlio Vargas.
Juarez
Távora dá impulso a preparação da revolução no nordeste do país.
Em
agosto de 1930 Borges de Medeiros é persuadido por Osvaldo Aranha
e adere ao movimento sem restrições.
É
marcada uma data para a revolução: 25 de agosto de 1930, porém foi adiada por
não terem os revolucionários tido tempo de organizar um plano de ação
confiável.
Os
generais do Estado-Maior são contatados para aderirem, porém eles se
declararam em posição de neutralidade ante a possibilidade de aderir ao
movimento ou trair o presidente e a constituição.
O
Estado Maior da revolução, se instala em Porto Alegre; João Alberto,
Miguel Costa, Osvaldo Aranha e Newton EstillacLeal;
sob o comando do Tenente-Coronel Góis Monteiro (Pedro Aurélio de Góis
Monteiro, que havia sido
convencido a abraçar a causa por Osvaldo Aranha).
A
nova data foi marcada para o início da revolução: 17:30h do dia 3 de outubro
de 1930. Esta hora tão precisa assim, foi em virtude de os revolucionários
esperarem a saída (final do expediente) do General Gil de Almeida do
quartel onde comandava a 3ª Região Militar (na capital gaúcha) que
não havia aderido ao golpe.
E
assim foi. Em
3 de outubro de 1930 estoura oficialmente a revolução que deporia o Presidente
da República Washington Luis.
João
Alberto, comanda com 60 homens o ataque da principal posição militar de Porto
Alegre, o Morro do Menino Deus, onde havia um grande arsenal e um
enorme paiol de munições. O assalto não foi muito difícil, pois os soldados
do quartel já haviam sido seduzidos para o golpe.
Coube
ao Tenente Setembrino Palma (comandando 8 guardas civis) o assalto contra
o esquadrão de cavalaria, que reagiu; seu comandante o Capitão Jaime
Argolo Ferrão, morreu atirando contra os golpistas.
O
Capitão Agenor Barcelos Feio, comandante da Guarda Civil,
(comandando 50 guardas) Osvaldo Aranha e Floresda Cunha
partiram para tomar o Quartel General do Exército em Porto Alegre.
Esta ação foi interessante; alguns dias antes, os revoltosos (funcionários do
município e alguns soldados) fingiram fazer obras de consertos de tubulações
de água e esgoto na Rua General Canabarro e na Rua do Riachuelo
(nos fundos do quartel), acabaram cavando trincheiras sem chamar a menor
atenção do quartel; os sete soldados que guardavam o Q.G., não
conseguiram resistir aos 50 homens e ao elemento surpresa. Os edifícios
vizinhos foram ocupados pelos revoltosos, assim como algumas residências
próximas e até mesmo a Igreja Nossa Senhora das Dores foram ocupadas por soldados
sublevados.
O
General Gil de Almeida, recebeu uma carta de Getúlio Vargas
(pelas mãos do General Valdomiro de Lima), pedindo que se rendesse
honrosamente e que seria respeitada sua patente e sua dignidade de militar fiel
ao governo federal. Assim que o Quartel General se rendeu, foi a vez de
partir para a tomada do Arsenal de Guerra que ficava na mesma rua.
Às
14:00h do dia 4 de outubro Porto Alegre estava nas mãos dos golpistas.
Entre
os dias 4 e 5 de outubro de 1930, as cidades de São Borja, Alegrete,
Uruguaiana, Itaguaí, São Luís, Santo Ângelo, Cruz
Alta, Passo Fundo, Cachoeira, Santa Maria, São
Gabriel, Bagé, Jaguarão, Rio Grande, e Pelotas
se submeteram a revolução, ou seja praticamente todo o Estado do Rio Grande
do Sul, foi conquistado em cerca de 3 dias.
Em
4 de outubro de 1930 Getúlio Vargas publica um manifesto à nação com
o seguinte texto:
"Ninguém
ignora os persistentes esforços por mim empregados desde o início da campanha
da sucessão presidencial da República, no sentido de que o prélio eleitoral
se mantivesse rigorosamente no terreno da ordem e da lei. Jamais acenei para a
revolução, nem sequer proferi uma palavra de ameaça. Ainda mesmo quando
percebi que a hipertrofia do Executivo, inteiramente descomedido, absorvendo os
outros poderes, aniquilava o regime e assumia, de maneira ostensiva, a direção
da pugna eleitoral, em favor da candidatura de meu opositor, tentei uma
solução conciliatória..."
"...Estive
sempre pronto a assumir, com a renúncia de quaisquer aspirações
políticas e da própria posição que ocupo, a responsabilidade integral
dos atos determinantes da luta, a fim de que a coletividade colhesse, assim,
algum benefício e não se sacrificassem interesses de terceiros."
Getúlio
também através de cartas, "proclamações" e declarações, dispara
acusações contra o governo, alegando fraudes nas eleições e manipulação na
diplomação de deputados eleitos legitimamente, porém impedidos de tomar
posse.
Como
tentei deixar claro mais acima, o assassinato de João Pessoa, não teve
ligações com o Palácio do Catete, porém em uma declaração Vargas
deixa "no ar", como sendo de responsabilidade de Washington Luis,
a morte do paraibano:
"...na
Paraíba, foi ainda amparada e criminosamente estimulada pelos poderes
públicos a ação do cangaço, que terminou, como é notório, no miserável
assassínio do imortal João Pessoa".
Além
de discursos quase poéticos como se pode ver neste trecho:
"...Entreguei
ao povo a decisão da Comenda, e este, cansado de sofrer, rebela-se contra os
seus opressores. Não poderei deixar de acompanhá-lo, correndo todos os riscos
em que a vida será o menor dos bens que lhe posso oferecer...".
Em
Minas Gerais a revolução começou na mesma hora e dia que em Porto
Alegre, porém os líderes achavam que todas as tropas mineiras iriam aderir
ao golpe de imediato; isso não aconteceu, centenas de soldados do 12º
Regimento de Infantaria, enfrentaram os revoltosos por 5 dias em Belo
Horizonte, tornando-se assim possivelmente a batalha mais dramática e
sangrenta da revolução de 1930, com cerca de 100 mortos. Após lutas e
tiroteios nas ruas da capital mineira, os 385 homens fieis a Washington Luis,
resistiram heroicamente, só se rendendo por falta de víveres e por não
saberem o que estava acontecendo no resto do país, pois eles ficaram sem
comunicações. A resistência mineira se deu basicamente em Belo Horizonte;
a tropa de Ouro Preto aderiu a revolução sem maiores problemas, a de São
João Del Rei, rendeu-se após um pequeno tiroteio.
A
1:05h da manhã do dia 4 de outubro de 1930 a revolução começa na capital da Paraíba;
o Tenente Agildo Barata Ribeiro e o Tenente Juraci Magalhães,
junto com alguns civis, assaltaram o quartel do 22º Batalhão de Caçadores,
cujo o comandante, o General Lavanère-Wanderley e mais 5 soldados
morreram em combate. No mais, praticamente todo o Estado da Paraíba
aderiu sem maiores resistências.
Na
mesma madrugada do dia 4 de outubro, explode a revolução no Recife,
populares e uns poucos oficiais, tomaram de assalto um depósito de armas do exército e
alguns prédios públicos; aproveitando que a polícia havia tomando uma
posição de neutralidade se recolhendo a seus quartéis. Na noite do dia 3 um
pouco antes da revolução começar oficialmente em Pernambuco, o Tiro
de Guerra 333 com cerca de 100 homens, saiu em manobras militares regulares,
porém esses soldados já haviam aderido ao levante; comandados por um certo
sargento chamado Heli (desculpem, não consegui descobrir o nome completo
dele), demoraram para retornar ao centro do Recife propositalmente,
aguardando a chegada do líder da revolução no nordeste Juarez Távora,
vindo da Paraíba onde a revolução já havia se consumado. Além disso,
como na capital pernambucana, havia muita adesão popular ao golpe, a permanência
deste contingente nas ruas próximas, atraíam muitos populares armados.
Quando
o Tenente Juarez Távora chegou, ele e mais o Tiro de Guerra 333,
dirigiram-se ao quartel do 21º Batalhão de Caçadores do Recife, onde
esperavam receber apoio desta guarnição; na verdade foram recebidos a bala.
Desta forma Juarez volta a Paraíba para pedir reforços. O 333
(como ficou conhecido o Tiro de Guerra 333), recuou para uma rua próxima
fora de alcance dos tiros de fuzil. Neste momento temeu-se que em Pernambuco
a revolução não tivesse êxito.
Porém
o Capitão Muniz de Faria da Polícia doRecife, que havia
sido reformado por motivos políticos, juntou 17 homens e bravamente tomou de
assalto o arsenal da Rua Soledade, que estava sendo guardado por cerca de
6 praças. Assim, com munição e mais armas, o povo e os soldados, puderam
prosseguir a luta; enquanto os revoltosos comemoravam o recebimento das armas,
chega ao local (Rua Soledade), o Chefe de Polícia Coronel do
Exército Wolmer da Silveira
de carro acompanhado de mais alguns oficiais, tendo sido recebido a rajada de
metralhadoras, fugiu as pressas e um dos seus acompanhantes foi preso pelos
sublevados.
Neste
momento, o governo só contava com os seguintes contingentes: O Regimento de
Cavalaria de João de Barros, o Batalhão do Derby, e o Batalhão
de Caçadores sob o comando do Coronel Negreiros, que ainda resistia.
Em
4 de outubro de 1930, a noite, o Governador de Pernambuco, Estácio
Coimbra, recebe a notícia que JuarezTávora com reforços
vindo da Paraíba havia tomado a Cidade de Olinda; o governador,
sua família, todo seu secretariado e funcionários do alto escalão, seguem
para o porto do Recife, por onde fogem e deixam a capital.
Em
5 de outubro, um domingo, a luta continua pelas ruas do do Recife, às 11 o Quartel
do Derby, hasteava a bandeira branca rendendo-se.
Também
em 5 de outubro, às 16:00h o Quartel de Cavalaria João de Barros
rende-se.
O
21º Batalhão de Caçadores não se rende, levando consigo depósitos do
Banco do Brasil, embarca deixando o Recife, permanecendo no
quartel, apenas alguns soldados e oficiais que aderiram ao movimento.
Quando
Juraci Magalhães e Agildo Barata chegam ao Recife vindo da
Paraíba com 680 homens, pouco resta a fazer na capital de Pernambuco.
Poucos núcleos de resistência persistem, mas pouco a pouco vão se rendendo ou
sendo neutralizados pelos revoltosos.
Na
manhã de 6 de outubro de 1930, rendem-se os últimos que ainda lutavam a favor
da legalidade; os guardas da Casa de Detenção do Recife.
Às
9:00h do dia 6, um domingo, o povo aclama Carlos Lima Cavalcanti como seu
governador revolucionário no Palácio das Princesas.
Durante
estes acontecimentos no Recife, uma coluna domina Natal no Rio
Grande do Norte; assim como os estados do Ceará, Piauí e Maranhão.
Estes 3, não oferecem resistência dignas de nota.
Juarez
Távora, comanda revolucionários que vão para Alagoas, Sergipe
e Bahia, fazendo com que todas as cidades por onde passou aderissem ao
golpe.
Em
14 de outubro de 1930, soldados revolucionário de Minas Gerais, invadem o Estado
doEspírito Santo, não encontrando muita resistência, pois várias
autoridades civis e militares eram a favor do golpe; em 5 dias todo o
território capixaba estava dominado.
Pequenos
contingentes mineiros invadem o Estado do Rio de Janeiro.
Neste
momento, o PresidenteWashington Luis,
só tem ao seu lado, o Estado de São Paulo, o Distrito Federal (Município
do Rio de Janeiro) e o Estado do Pará. Além da Marinha que
era fiel ao presidente e a constituição.
Tropas
legalistas de São Paulo, invadem algumas cidades do Triângulo
Mineiro.
O
Estado Maior da Revolução, fica estacionado em Ponta Grossa no Estado
do Paraná.
O
Encouraçado São Paulo espera ordens do governo federal para bombardear
o Recife.
Na
cidade de Itararé, as duas tropas militares se entrincheiram, de um lado
as tropas paulistas, de outro as tropas revolucionárias, mormente as vindas do Rio
Grande do Sul.
A
população de Itararé foge diante ao grande movimento militar em sua
cidade. Na cidade estão 3.000 soldados da força pública paulista, mais 1.600
soldados do exército regular que não aderiu a revolução; aviões da força
pública de São Paulo, ficaram em um campo perto da cidade aguardando a
ordem de decolagem, estes aviões estavam protegidos por 2 canhões Krupp
de 75 milímetros; assim como a estação de trem da cidade estava sendo
guardada por mais 4 canhões desse tipo.
No
rio Itararé, na margem defendida pelos revoltosos (a 18 km de distância
do centro de da Cidade de Itararé, em um povoado no Paraná chamado
Sengés), foi instalado pelo General Miguel Costa (Major
da força pública de São Paulo que a revolução comissionou com a
patente de General ) o QG da
revolução, com 7.800 homens, 18 canhões Krupp de 75 mm. Não se iluda
com as patentes de Miguel Costa, ele era um excelente militar, bravo,
corajoso, e muito experiente; tendo lutado na Coluna Prestes.
O
plano de defesa da Cidade de Itararé ficou a cargo do Coronel Pais de
Andrade, estabelecendo duas linhas de defesa, uma ao longo da margem do Rio
Itararé próxima a cidade, a outra na margem oposta, que deveria fazer incursões
nas linha inimigas, fazer prisioneiros e obter informações estratégicas
desses prisioneiros.
Do
lado revolucionário, a estratégia ficou a cargo do General Miguel Costa.
Em
20 de outubro a marinha adere ao movimento revolucionário.
Revolucionários
e Legalistas lutaram por 20 dias na região de Itararé, destaque
para a valentia da cavalaria e a infantaria de ambos. A custa de cerca de 100
baixas entre mortos e feridos os revolucionários conseguiram uma pequena
vantagem. Na conquista da Fazenda Morungava, posição estratégica para
a tentativa de tomar a Cidade de Itararé, Miguel Costa fez seus
homens lutarem 14 horas seguidas. Enquanto isso os homens comandados pelo General
Alexínio Bitencourt, conseguem surpreender os legalistas pela retaguarda. O
Coronel Pais de Andrade telegrafa para a Capital Paulista,
indagando sobre se deveria atacar para não sucumbir; recebeu a resposta de
defender a posição a qualquer custo.
Estando
cercado, o Coronel Pais de Andrade, muda sua tática, partindo para
guerra de guerrilha, fazendo incursões sistemáticas com poucos homens nas
linhas inimigas, semeando terror e desestabilizando psicologicamente os
combatentes revolucionários.
Em
22 de outubro de 1930 foi redigida a intimação de deposição ao presidente da
república. Inicia-se a coleta de assinaturas de generais que apoiavam o golpe.
Em
23 de outubro, são dadas as ordens a serem cumpridas no dia seguinte após a
saída do presidente do palácio. O General Mena Barreto instalaria seu Quartel
General no Forte de Copacabana, o General Leite Castro ficaria
responsável pelos fortes de Niterói e deveria ter seu comando na Fortaleza
de Santa Cruz e o General Firmino Cruz, deveria continuar no quartel
de São Cristóvão. O General Pantaleão Teles ficaria incumbido
de persuadir os oficiais da Vila Militar do Rio de Janeiro.
Às
22:00h de 23 de outubro de 1930 o General Sezefredo dos Passos, informa
oficialmente ao presidente que a revolução já era um fato consumado.
Todas
as fortificações militares deveriam hastear a Bandeira Nacional acompanhado de
uma salva de 15 tiros, um para cada unidade da federação que já reconhecia a
vitória da revolução.
Em
24 de outubro de 1930, depois de lançada de avião panfletos sobre a cidade do Rio de
Janeiro com a Ordem de Operações nº 1, os generais fiéis ao presidente tentam convencê-lo de
que é inútil resistir, porém Washington Luis, não aceita as
alegações, mesmo sob pena de haver derramamento de sangue em plena capital
federal. O presidente teria dito: "Só saio daqui morto!".
O
presidente é avisado que o Palácio do Catete seria bombardeado. Ele
responde: Podem bombardear! Porém pediu que sua família saísse da sede do
governo.
Os
Generais Tasso Fragoso, Mena Barreto e Malan d´Angrone
tentam dialogar com o presidente, para que não haja mais derramamento de
sangue. O presidente não demonstra medo pelo que possa acontecer caso não se
entregue.
Palácio
do Catete (atual Museu da República), cercado por tropas.
O
Cardeal Dom Sebastião Leme (Sebastião Leme da Silveira Cintra), consegue convencer o PresidenteWashington Luis a
deixar o Palácio do Catete e entregar o poder. Segue de carro até o fim
da Rua do Catete, para o Palácio São Joaquim, residência oficial
do Cardeal, onde aguardaria seu destino. Mais tarde no mesmo dia segue para o Forte
de Copacabana.
O
Presidente Washignton Luis deixa o Palácio do Catete, acompanhado do Cardeal
Dom Sebastião Leme.
Em
24 de outubro, o PresidenteWashington Luis, é oficialmente deposto.
Uma
Junta Militar, constituída pelo Contra-Almirante Isaías de Noronha,
pelos Generais Tasso Fragoso e Mena Barreto passa a governar o
país.
Washington
Luis é preso no Forte de Copacabana, sendo exilado na Europa alguns
dias depois, junto com o ex-Prefeito do Distrito Federal (Rio de
Janeiro), Antonio Prado Júnior.
Os
revolucionários em Itararé interceptam comunicações de rádio muito
confusas a respeito da deposição do presidente no Rio de Janeiro.
Também
em 24 de outubro de 1930 o Deputado Glicério Alves, vai parlamentar com
os legalistas em Itararé tentando um cessar-fogo, caso não conseguisse,
os revolucionários desfechariam um ataque definitivo a cidade às 12:00 do dia
25 de outubro.
Glicério Alves
Miguel
Costa, Góis Monteiro e Getúlio Vargas
A
artilharia do Forte de Copacabana, foi levada para a areia da praia.
Em
24 de outubro, os revolucionários marcham para o Palácio Guanabara, que
estava sendo guardado por um Batalhão da Polícia Militar, sem
condições de resistir, arrancam ramos de árvores do palácio e as agitam ao
vento dando vivas a revolução.
Às
7 horas da manhã do dia 25 Glicério Alves entrega o ultimato de
rendição a Pais de Andrade, lendo o documento que pedia a rendição
incondicional, o coronel se irrita, porém aceita parlamentar diretamente com o General
Miguel Costa.
Chegando
ao Quartel General, revolucionário, junto aos inimigos, Pais de
Andrade se comunica com o alto escalão militar no Rio de Janeiro e
é informado da deposição do presidente. Sendo assim, vendo que não havia
mais sentido na luta, oficialmente se rende aos revolucionários.
Em
28 de outubro o comboio que levava Getúlio Vargas para o Rio de
Janeiro chega a Itararé.
Em
31 de outubro de 1930, após a vitória da Revolução na qual foi um dos
líderes, Getúlio Vargas chega ao Rio de Janeiro, aclamado freneticamente pelo povo.
Um mês depois é empossado no
Palácio do Catete, como chefe do
Governo Provisório.
Em
3 de novembro de 1930, o General Tasso Fragoso em nome da junta
governativa, entrega oficialmente o Governo a Getúlio Dorneles Vargas.
Após
o término dos conflitos, civis e militares confraternizam pelas ruas do Rio de
Janeiro.
Desde
o início do governo provisório de Getúlio, fica claro suas tendências
ditatoriais. (na verdade, mesmo antes da vitória do golpe de estado, ele ainda
como deputado já havia mostrado simpatia pelos movimentos totalitários na Europa
daquela época).
O
governo "provisório" de Getúlio Vargas se prolonga, as
reclamações começam.
Os
paulistas, os verdadeiros derrotados no golpe, começam a se inquietar.
Vargas
convida o paulista José Maria Whitaker para Ministro da Fazenda
com a clara intenção de acalmar os ânimos em São Paulo.
Em
São Paulo, o Interventor do Estado Coronel João Alberto Lins de
Barros e o secretário estadual de fazenda Marcos de Sousa Dantas,
reorganizam o Instituto do Café levando para o Governo Federal
muitas das atribuições que antes era da alçada da elite cafeeira de paulista.
Óbvio que os cafeicultores do Estado de São Paulo não gostaram.
Em
fevereiro de 1931, por decreto, fica o Ministério do Trabalho incumbido
das compras de café retidos em 30 de junho, antes do começo da safra. Pesados
impostos são cobrados para a produção, comercialização e a exportação de
café; os paulistas se inquietam cada vez mais.
Em
maio de 1931 o governo baixa novo decreto aumentando o controle sobre a
comercialização do café. Criou restrições nas operações da Bolsa
de Santos. Sócios da mesma companhia não poderiam se apresentar como
comprador e vendedor simultaneamente. As operações da Bolsa deveria ser
o único espaço para comprar e vender café, sendo proibido qualquer operação
fora do horário do pregão, e a Câmara Sindical de Corretores ficou
proibida de alterar o horário de operação da Bolsa de Santos.
Em
abril de 1931 a Academia Brasileira de Letras e a Academia de
Ciências de Lisboa firmam um acordo que normaliza regras para o idioma português
nos dois paises.
Após
algumas confusões em substituições do interventor federal em São Paulo,
Getúlio Vargas nomeia um nome de respeito no estado, Pedro de Toledo.
De fato Toledo apazigua durante um curto período os ânimos. Porém na
2ª quinzena de maio, boatos de que através de Osvaldo Aranha, o Governo
Federal queria impor auxiliares a Pedro de Toledo, que eram de
desagrado popular, acarretam protestos e tumultos populares.
No
final de 1931, por Decreto Lei nº 20451, fica restrito apenas ao Banco
do Brasil, as operações de câmbio em Território Nacional.
As
relações entre São Paulo e o Governo Federal que já estavam
péssimas, pioram com a troca de José Maria Whitaker por Osvaldo
Aranha na pasta da fazenda.
Do
ponto de vista político/econômico, Getúlio privilegia,
fundamentalmente os interesses gaúchos.
O
governo provisório de Vargas ameaçava tornar-se permanente e com ares
ditatoriais.
Os
temas eram: A constituição deveria ser respeitada (daí o nome Revolução
Constitucionalista) e Governo Civil e Paulista para São Paulo.
Descontentes
de Minas Gerais e do próprio Rio Grande do Sul aceitam apoiar a
insurreição de São Paulo.
Pode-se
afirmar, sem medo de estar muito fora da realidade, que todo o Estado de São
Paulo estava mobilizado para a revolução. Milhares de voluntários de
todas as classes sociais se puseram a disposição.
O
Quartel General da revolução, se instala na Chácara do Carvalho,
próximo a capital paulista.
Pedro
de Toledo, tentando evitar derramamento de sangue, pede aos revoltosos que
desistam. Não logrando êxito; através de telegrama exonera-se do cargo de
interventor federal.
O
primeiro manifesto escrito da revolução é assinado pelo General Isidoro
Dias Lopes e pelo Coronel Euclides Figueiredo.
"...
Doutor Getúlio Vargas - Os Milhões de habitantes de São Paulo e Mato Grosso,
sublevados em armas e em espírito, e os milhões de habitantes de todas
as outras regiões de todo o Brasil, não menos sublevados em espírito contra a
ditadura, que nominalmente presidis, dão à vossa impatriótica e imoral
permanência aparente à testa do governo do país o cunho de uma impatriótica
e imoral usurpação ao sufrágio universal..."
Cópias
foram enviadas aos Generais Tasso Fragoso, Mena Barreto e Isaías
de Noronha, e depois foi enviada uma carta pedindo que esses generais
recebessem o governo de Getulio Vargas. Claro que Getúlio não
entregou o poder nem os generais receberam.
(os
manifestos, cartas, telegramas e proclamações, são muito grandes para
disponibilizar aqui no site)
Como
sempre nesses casos esperou-se adesão de outros estados, porém isso não
ocorreu. (talvez se os paulistas tivessem esperado um pouco mais, recebessem
apoio de algumas tropas e armamentos de Minas Gerais, Rio Grande do
Sul e Mato Grosso)
Na
explosão do movimento, as forças paulistas contavam, entre metralhadoras de
mão e fuzis, cerca de 40.000 peças. Cada soldado tinha munição para dar
apenas 100 disparos.
O
sanitarista Manuel José Ferreira, foi enviado pelos rebeldes aos Estados
Unidos, para comprar armas, tendo autorização para gastar até U$
1.500.000 (um milhão e meio de dólares); no entanto, como a América do
Norte não reconhecia o estado de guerra no Brasil, foi vendida
apenas uma pequena quantidade de armas, que neste caso, as leis americanas
permitiam ser vendida a qualquer um.
Manoel
Ferreira comprou, lá mesmo nos Estados Unidos o Iate Ruth, no
qual embarcou as armas leves; fuzis, cartuchos e espoletas. No Navio
Jaboatão, embarcou armas pesadas; 50 canhões anti-aéreos por exemplo. As
duas embarcações foram apreendidas quando tentaram desembarcar suas cargas no
litoral paulista, indo aumentar o já enorme arsenal de Getúlio Vargas.
O
General Bertoldo Klinger, comandante das tropas de Mato Grosso, escreve
uma carta ao Ministro da Guerra General Augusto Inácio do Espírito Santo,.
protestando contra a sua nomeação. O ministro o reformou e o destituiu de seu
comando; Klinger, pede calma a seus ex-comandados não incitando as
tropas mato-grossenses a revolução. Isso deixou os revoltosos de São Paulo
furiosos, culpando o General Bertoldo Klinger, por todos os eventos
desastrosos ocorridos neste momento. O General, é claro, se defendeu. Até hoje
nenhum historiador sério arrisca afirmar se Bertoldo Klinger teve ou
não culpa pela precipitação dos acontecimentos que levaram São Paulo
a ser derrotado na Revolução Constitucionalista.
Mas
o fato é que as tropas federais, eram muito superiores em número e em
armamentos que dos rebeldes.
Getúlio
Vargas ainda tinha a seu favor a opinião pública dos outros estados da
federação, pois ele desenvolveu uma forte campanha publicitária, acusando os
paulistas de separatistas, coisa que os outros brasileiros não aceitavam.
Em
9 de julho de 1932 irrompe a Revolução Constitucionalista em São
Paulo. Segundo o Palácio do Catete, deveria ser esmagada em 3 dias,
durou praticamente 3 meses.
Toda
a população paulista se mobilizou; foi criada o Serviço de Abastecimento
das Tropas em Operação, responsável por fornecer fardamento e
alimentação e também coordenar o tratamento de feridos e o alistamento de
voluntários.
Pouco
mais de 72.000 mulheres aprontaram em 20 dias mais de 60.000 uniformes (no final
dos combates elas já haviam confeccionados mais de 450.000 fardas), além de
material para curativos. Também serviram de enfermeiras e garçonetes para
servir aos soldados que voltavam do campo de batalha.
A
Escola Politécnica de São Paulo virou um verdadeiro arsenal, e uma
produtora de armas, algumas curiosas, como a matraca,
um peça de madeira com metal móvel que agitada produzia um som muito parecido
com o som de uma metralhadora, fazendo com que o inimigo imaginasse, que estava
sob fogo inimigo, muitas vezes sem nem ao menos estivesse sob ataque. (a
matraca, hoje é muito utilizada por vendedores ambulantes em parques para
chamar a atenção das crianças da venda de algodão doce e outras guloseimas e
também brinquedos).
No
Rio de Janeiro o chefe de polícia do Distrito Federal, João
Alberto, prendia qualquer entusiasta a Revolução Constitucionalista.
Em Minas o ex-presidente Artur Bernardes não consegue
arregimentar pessoas o suficiente para aderir a as forças de São Paulo.
No Rio Grande do Sul, Flores da Cunha é convencido a permanecer
ao lado de Getúlio Vargas.
O
plano original da revolução era atacar o Rio de Janeiro, porém sem
apoio, ficaram a mercê das tropas getulistas, que enviou imenso contingente
para o Vale do Paraíba, onde se travou uma indefinida guerra de
trincheira. As vantagens se alternavam entre revolucionários e getulistas.
As
grandes batalhas se deram em território mineiro (Serra da Mantiqueira) e
em território paranaense (Itararé e Ribeira).
Como
Getúlio Vargas foi muito bem sucedido em sua campanha de convencer os
resto do Brasil, que o movimento em São Paulo era um movimento
separatista, ele conseguiu granjear enorme apoio com envio de tropas de vários
pontos do país. A farsa de que o movimento seria separatista foi tão bem feita
que ocorreram absurdos como o de alguns interventores, declararem que os
italianos (devido a forte presença de imigrantes italianos), em São Paulo,
estariam pretendendo criar ali um estado fascista, sob ordens de Benito
Mussolini. Na verdade, muitos soldados entraram em combate acreditando
piamente que enfrentariam soldados estrangeiros (italianos) que haviam tomado o
controle do Estado de São Paulo.
O
General Valdomiro Castilho de Lima, liderava as tropas gaúchas,
catarinenses e paranaenses que invadiam São Paulo por Sorocaba.
Na Serra da Mantiqueira, houve um momentâneo impasse devido a uma
declaração feita pelo General Firmino Antonio Borba dizendo-se simpatizante
ao movimento paulista, este impasse logo foi superado pelas forças fiéis a Getúlio.
São
presos pelas forças de Getúlio, o ex-presidente Artur Bernardes
e Borges de Medeiros, com isso os paulistas perdem as esperanças de
apoio de outros estados.
Um
grupo de 500 estudantes baianos, que se manifestam favoráveis ao movimento
constitucionalista são facilmente contidas pelas forças getulistas.
São
Paulo, se defende como pode em Sorocaba.
O
cerco ao estado é sufocante. Eurico Dutra avança por Campinas
com as tropas getulistas.
Alguns
líderes da revolução começam a tratar da paz em separado do conjunto da revolução.
O comandante da Força Pública de São Paulo, Coronel Herculano de
Carvalho entra em entendimentos com Góis Monteiro, comandante das
forças do sul. Isso permite que tropas federais entrem nas Cidades de Itapetinga
e Guaratinguetá.
As
forças paulistas desesperadas começam a se render.
Em
1º de outubro de 1932 o General Bertoldo Klinger se entrega ou como
preferem alguns estudiosos, deserta.
Também
em outubro de 1932, Plínio Salgado, lança o manifesto em que explica a
ideologia Integralista.
Muitos
soldados se sentem traídos.
Aos
poucos os chefes imediatos simplesmente dava por encerrada a luta e os soldados
paulistas voltam para casa.
Os
principais líderes da Revolução Constitucionalista são exilados na Europa.
Os
constitucionalistas que ficaram, só após a deposição das armar foram saber
através de jornais de outros estados, que eram acusados de separatistas. Mais indignação,
pois na verdade isso nunca foi cogitado, ao menos oficialmente.
O
General Valdemar de Lima se torna interventor no Estado de São Paulo,
e pede "esqueçamos ressentimentos".
No
final de 1933 instala-se a Assembléia Constituinte no Palácio
Tiradentes no Rio de Janeiro, atual Câmara dos Deputados Estadual.
Foto
de uma reunião realizada em Blumenau do Movimento Integralista, Plínio Salgado
sentado bem acima do emblema com a letra grega sigma.
Também
em 1933 Plínio Salgado publica o livro Diretrizes Integralistas;
dentre muitas coisas, em sua descrição de um Estado Integralista,
constava que o país deveria ter um único partido (é claro, o partido
Integralista) e um único chefe.
Em
16 de julho de 1934 os constituinte votam a nova Constituição do Brasil.
Em
1934, Getúlio Vargas promulga a Carta Magna, nitidamente
orientada pela Constituição Alemã de 1919 promulgada na Cidade de
Weimar. (a antiga Constituição de 1891, a primeira da República
sofreu grande influência da Constituição Americana). Essa
Constituição de curta duração, teve uma curiosidade, as discussões sobre a
redação do texto constitucional não tinham fim, não por questões políticas
ma sim devido a ortografia, devido a alterações no português em 1931. A Assembléia
Constituinte determina através do artigo 26 das disposições transitórias
que: "... a constituição teria a mesma ortografia da Carta de 1891e que
fica esta ortografia adotada no país".
Os
banqueiros de São Paulo começam a apoiar o regime.
Getúlio
acaba com o Instituto do Café e facilita empréstimos junto ao Tesouro
Federal aos cafeicultores. Assim, começou finalmente a conquistar
politicamente setores importantes da elite e do povo paulista.
Osvaldo
Aranha lança a agremiação política União Cívica Nacional, porém
ela dura muito pouco.
Eleito
em 16 de julho de 1934, assume
para o quadriênio 1934 -3 de maio de 1938 (prazo que deveria deixar
oficialmente o poder); constitucionalmente, porém é "eleito"
por um "Colégio Eleitoral". Este Colégio
Eleitoral era a própria Assembléia Constituinte, concorreram ao
pleito; Borges de Medeiros que recebeu 59 votos e o Almirante
Protógenes Guimarães que recebeu 2 votos; além é claro de Getúlio
Dorneles Vargas que recebeu 175 votos.
Em
outubro de 1934, visita o Brasil, o Monsenhor Paccelli, quer viria
a ser mais tarde o Papa Pio XII.
Em
1935, Getúlio Vargas viaja a Argentina, em retribuição a visita
do General Agustín Justo ao Brasil em 1933.
Em
março de 1935, é criada a ANL (Aliança Nacional Libertadora),
em julho do mesmo ano é posta na clandestinidade, porém suas atividades mesmo
assim, suas atividades se intensificam. Seu primeiro presidente foi Hercolino
Cascardo, o mesmo que durante o governo Artur Bernardes liderou a
revolta do Encouraçado São Paulo (vide o link Artur Bernardes na
coluna Os Presidentes no Catete, na página inicial deste site). Porém a
liderança histórica coube ao comunista Luís Carlos Prestes que
oficialmente era o Presidente de Honra da agremiação.
Em
novembro de 1935, ocorre o movimento comunista liderado pela Aliança
Nacional Libertadora, que entrou para a história como "Intentona
Comunista". (in.ten.to.na
- s. f. 1. Pop. Plano insensato, intento insano. 2. Conluio de motim ou revolta.
fonte Dicionário Michaelis)
De
início, a A.N.L, tinha como proposta a união dos partidos políticos de
esquerda, para lutar contra o Movimento Integralista, que vinha crescendo
desde 1932. O Integralismo, tinha nítidas cores nazistas, seus membros usavam
uniformes, com braçadeiras que ao invés da suástica, hitlerista, usavam a
letra grega sigma; suas saudações eram igualmente com o braço direito estendido,
porém obviamente não saudavam Adolf Hitler; bradavam palavra indígena Anauê!
O
significado ou tradução da palavra "anauê", é até hoje
tema de inúmeras e acaloradas discussões, não me cabe definir, porém eu
aceito, que a palavra signifique algo parecido como Viva! ou tentando ser
um pouco mais específico o mesmo que Hurra! Saudação entre soldados
ingleses que espalhou-se pelo mundo nas duas grandes guerras.
Na
noite de 23 de novembro de 1935, a revolução (intentona), começa em Natal,
Capital do Rio Grande do Norte, sargentos e soldados do 21º Batalhão
de Caçadores, prenderam seus oficiais superiores e depois de lutarem por
quase 19 horas, venceram a resistência da Polícia Militar do Estado, o
Governador Rafael Fernandes e seu staff se exila no consulado do Chile;
não existe mais dúvida, que a grande maioria dos soldados rebelados, não
sabia dos reais motivos da intentona, pensavam na realidade que era um movimento
para depor o governador e por em seu lugar o ex-governador Mário Câmara.
Os revoltosos dominam a capital e criam um comitê popular revolucionário.
Sertanejos
do sertão do Caicó, liderados pelo chefe político local Dinarte
Mariz, marcham para a capital, para retomar o controle da cidade, no caminho
receberam apoio de voluntários.
Em
25 de novembro de 1935, em Serra Caiada, ocorre o embate entre os
soldados revoltosos e sertanejos de Dinarte Mariz, os sertanejos vencem e
ainda ficam com boa parte do armamento dos soldados.
Em
26 de novembro de 1935, ocorre combates no povoado de Panelas e na Serra
Doutor, ambos vencidos pelos sertanejos; desta forma os soldados sublevados
abandonam a causa; na capital os soldados recebem a notícia que o 20º
Batalhão de Caçadores de Alagoas e a Polícia Militar do Estado da Paraíba,
estavam prontos para invadir o Rio Grande do Norte, assim, abandonam
também a capital.
Em
24 de novembro de 1935, irrompe no Recife a revolução; se aproveitando
das ausências do governador do Estado, o sr. Carlos Lima Cavalcânti, do
comandante da 7ª Região Militar e do chefe de polícia, sub-oficiais e
sargentos, atacam a cadeia pública e as delegacias de polícia.
O
Secretário de Segurança Pública de Pernambuco o Capitão Malvino Reis Neto
e o sub-comandante da Brigada Militar Afonso Albuquerque de Lima,
comandam a repressão ao movimento, no dia 25 de novembro, chegam reforços de
tropas fiéis ao governo; os revoltosos debandam para o interior, seus
principais lideres são presos.
Em
26 de novembro de 1935, Getúlio Vargas decreta o estado de sítio em
todo território nacional.
Em
27 de novembro de 1935 é a vez do Rio de Janeiro sofrer com a revolta
dos soldados, aderem a princípio partes do Quartel General, o Centro
de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), o Batalhão de
Transmissões, o 2º Regimento de Infantaria o Batalhão de Guardas,
a Polícia Municipal, o Grupo de Obuses, a Escola de Aviação
Militar do Campo dos Afonsos e o 3º Regimento de Infantaria da Praia
Vermelha; no entanto na "hora H", somente o 3º
Regimento de Infantaria da Praia Vermelha e a Escola de Aviação Militar
do Campo dos Afonsos, realmente aderiram ao levante. Agildo Barata, Álvaro
de Souza e José Leite Brasil deram o sinal para que o 3º
Regimento de Infantaria da Praia Vermelha, se rebelasse; desde este momento
esta unidade passou a chamar-se 3º Regimento Revolucionário, os
primeiro tiros foram disparados por Álvaro de Souza, Davi de MedeirosFilho, Raul Pedroso e Leivas Otero, que atacaram a Companhia
deMetralhadoras do 2º Batalhão, que resistiu; houve também
resistência da Companhia de Metralhadoras do 1º Batalhão. Mário de
Souza, Durval de Barros e Celso Tovar Bicudo de Castro
invadiram a galeria do pavilhão central e prenderam os oficiais legalistas. Os
dois batalhões se renderam às 6:30 h da manhã, porém grande contingente
legalista se aproxima para abafar o levante.
Os
seguintes oficiais participaram do ataque a Escola de Aviação,
Capitães Agliberto Vieira de Azevedo e Sócrates Gonçalves da Silva;
os Tenentes Dinarco Reis, Carlos Brunswich França e José Gaia
da Cunha e o Aspirante Válter Benjamim da Silva; conseguiram
penetrar na escola e aos gritos de Viva a Revolução! dispararam os
primeiros tiros. O 1º Regimento de Aviação, sob o comando de Eduardo Gomes
resistiu, morrem o Capitão Armando Melo, o Tenente Paladini e o Tenente
Bragança (legalistas) morreram e o próprio Eduardo Gomes foi ferido
na mão. mesmo com essa aparente vantagem, os rebeldes abandonaram o local.
Pela
manhã a aviação e a artilharia pesada fiéis a Getúlio Vargas
promovem um bombardeio infernal ao 3º Regimento na Urca, causando um
grande incêndio; isto foi determinante para o fim dos planos dos comunistas,
soldados leais ao governo estavam em posição na Praia de Botafogo e Praia
Vermelha, em várias ruas do Centro do Rio de Janeiro, soldados
desfilavam como prisioneiros de guerra dos militares legalistas.
Em
5 de março de 1936, o líder da Intentona Comunista é preso em uma casa no Bairro
do Méier no Rio de Janeiro.
Com
o fim das intenções comunistas no Brasil, o Movimento Integralista,
liderado por Plínio Salgado desde 1932 ganha força em todo o
território nacional.
Após
a derrota dos comunistas, o Brasil sofreu uma fortíssima onda de repressão
política que nunca havia sido vista, as perseguições chegaram a beira do
terrorismo de estado.
Em
outubro de 1936, cria o Conselho Federal do Serviço Público, através
da lei 284.
Em
1937 já queria alterar a Constituição, prorrogar o próprio mandato e
fechar o Congresso, a 10 de novembro de 1937, foi exatamente o que ele
fez, inclusive dissolvendo os partidos políticos; esta fase ficou
conhecida como a "Ditadura do Estado Novo". O
Brasil ganha uma nova CartaMagna desta vez é uma "Constituição
Outorgada"; destaque desta foi a extinção do cargo de Vice-Presidente
da República. Em caso de impedimento do presidente (leia-se Getúlio
Vargas), o governo seria exercido pelo Presidente da Câmara dos
Deputados.
Em
14 de junho de 1937, Getúlio Vargas recebe uma comissão de
"camisas verdes" forma popular com a qual os integralistas eram
chamados. Neste encontro, foi comunicado a Vargas a intenção de lançar
o nome de Plínio Salgado para concorrer as eleições presidenciais de
janeiro de 1938. ainda neste encontro o presidente deixa bem claro ter simpatia
pelo movimento.
Enquanto
isso:
O
Supremo Tribunal Federal passa a ser denominado Corte Suprema.
Não se iluda, havia um Tribunal de Segurança Nacional para julgar quem
fosse contra ao regime de Getúlio Vargas.
Cria
a Justiça Eleitoral. Com Tribunal Superior Eleitoral no Distrito
Federal e Tribunal Regional Eleitoral nas capitais dos estados e no Território
do Acre.
Reduz
a idade do voto de 21 para 18 anos.
O
voto é extensivo as mulheres.
A
campanha eleitoral para a presidência da República continua apaixonante e
acalorada os candidatos são Armando Sales (paulista/conservador), José
Américo de Almeida (paraibano/representante dos estados mais miseráveis) e
Plínio Salgado (São Bento do Sapucaí - SP representando o Movimento
Integralista com ramificações em todo o Brasil).
O
Rio Grande do Sul mais uma vez se vê diante de tensões internas.
Os
Generais Góis Monteiro e Eurico Dutra fazem articulações no
meio militar para o continuísmo de Vargas no poder.
Getúlio
pessoalmente pede o apoio dos Integralistas através de Plínio Salgado
para o golpe que o manteria no poder.
Em
2 de outubro de 1937 é decretado o "estado de guerra" no Brasil, em
virtude da descoberta do plano Cohen
Em
1938 cria o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística).
Em
1938 é criado o DASP, Departamento Administrativo do Serviço
Público, em substituição ao Conselho Federal do Serviço Público,
criado em 1936.
Em
1939 cria a Justiça do Trabalho. Através do artigo 122 da
Constituição.
Em
1939 cria o IRB - Instituto de Resseguros do Brasil.
Em
1940 cria o Ministério do Trabalho e o "Salário
Mínimo".
Em
1942, cria a Companhia Vale do Rio Doce.
Em
1º de maio de 1943 cria a Consolidação das Leis do Trabalho, (a CLT).
Em
1944 cria as férias remuneradas, a semana de 48 horas de
trabalho e a Carteira Profissional e ainda funda a C.S.N.
(Companhia Siderúrgica Nacional).
Em
1945 Getúlio Vargas renuncia ao poder e se retira para a sua
cidade natal São Borja. Assumiu o Ministro José Linhares (nasceu em Baturité- CE em 1886 e morreu em 1957 em
Caxambu - MG), até
a realização das novas eleições.
Em
alguns momentos o governo foi exercido a partir do Palácio Guanabara.