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	<title>Site do Bairro do Catete</title>
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		<title>Dom Pedro II &#8211; Biografia</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 19:11:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Nome: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga. Local e data de nascimento: Paço de São Cristóvão (Quinta da Boa Vista) &#8211; Rio de Janeiro às 2:30 da madrugada do &#8230; <a href="http://www.bairrodocatete.com.br/dompedroii1.html">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nome: <strong>Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.</strong></p>
<p>Local e data de nascimento:<strong> Paço de São Cristóvão (Quinta da Boa Vista) &#8211; Rio de Janeiro </strong>às 2:30 da madrugada do dia<strong> </strong>2 de dezembro de 1825.</p>
<p>Local e data da Morte:<strong> </strong>No quarto nº 18 do<strong> Hotel Bedford </strong>em<strong> Paris </strong>- 5 de dezembro de 1891.</p>
<p><strong>     Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga </strong>era o 7º filho de <strong>Dom Pedro I </strong>(<strong>Dom Pedro IV </strong>de<strong> Portugal</strong>) e da imperatriz<strong> Dona Maria Leopoldina, </strong></p>
<table width="223" border="1" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td width="213">
<p align="center">Domingos Borges de Barros, Visconde de Pedra Branca, pai da Condessa de Barral</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>herdou o direito ao trono brasileiro devido a morte de dois irmãos mais velhos, <strong>Dom Miguel</strong> e <strong>Dom Carlos. </strong>Mais tarde o dia de seu nascimento se torna <strong>Dia Nacional da Astronomia</strong> por ser ele um amante das ciências e astrônomo amador.</p>
<p>Em dezembro de 1826 com 1 ano de idade, perde sua mãe a Imperatriz <strong>Dona Maria Leopoldina</strong>.</p>
<p>Em 10 de Março de 1826, morre seu avô <strong>Dom João VI</strong>, estando sepultado no <strong>Mosteiro de São Vicente de Fora.</strong></p>
<p>Em 7 de Janeiro de 1830 sua avó <strong>Dona Carlota Joaquina de Bourbon</strong>, esposa de <strong>Dom João VI de Portugal</strong>, falece em <strong>Queluz</strong>, <strong>Portugal</strong>, aos 55 anos. (veja a biografia completa de <strong>Carlota Joaquina</strong> na página inicial do site na coluna &#8220;<strong>Biografias Relacionadas com o Bairro</strong>&#8220;)</p>
<p>Em 5 de abril de 1831 <strong>Dom Pedro I</strong> demite todo o ministério considerado liberal e formado apenas por brasileiros natos.</p>
<p>Na madrugada do dia 7 de abril de 1831 <strong>Dom Pedro I</strong> entrega ao <strong>Major Miguel de Frias</strong> o decreto onde abdica do trono a favor de seu filho, porém ele conta com apenas 5 anos de idade (completaria 6 anos em dezembro deste ano), A Constituição determinava que para ocupar o trono brasileiro o imperador deveria ter 18 anos ou então país deveria ser governado por um príncipe da família imperial de no mínimo 25 anos. O problema é que as princesas <strong>Dona Januária</strong> tinha 9 anos, <strong>Dona Paula</strong> estava com 8 anos de idade e <strong>Dona Francisca</strong> tinha apenas 6 anos. Como opção, constava também da Constituição a alternativa de uma <strong>Regência Trina</strong>,<strong> </strong>eleita pela <strong>Assembléia-Geral</strong>, visto que o príncipe herdeiro, <strong>Dom Pedro II </strong>era menor de idade; desta forma ele é tutorado primeiramente por <strong>José Bonifácio de Andrada e Silva</strong> chamado de &#8220;<strong>O Patriarca da Independência</strong>&#8220;. A família do ex-imperador se recolhe a bordo do navio inglês <strong>Warspite</strong>, que estava ancorado na <strong>Baía de Guanabara</strong>.  Pouco a pouco pequenas embarcações saídas do <strong>Cais de São Cristóvão</strong> levaram a bordo <strong>O Duque de Santa Cruz</strong>, <strong>Dona Maria da Glória</strong> e a irmã de <strong>Dom Pedro</strong>, <strong>Marquesa de  Loulé</strong>.</p>
<p>Em 13 de abril de 1831 seu pai <strong>Dom Pedro I</strong> e sua madrasta <strong>Dona Amélia</strong> partem definitivamente para <strong>Portugal</strong> na fragata inglesa<strong> Volage</strong>, navio para o qual se haviam transferido no dia 11 de abril.</p>
<p>O nome de <strong>José Bonifácio</strong> foi determinado por <strong>Pedro I</strong> ele foi seu tutor de 1831 a 1833.</p>
<p>Ainda em 1831 <strong>Brasil </strong>é governado por uma <strong>Regência Trina Provisória</strong>. Que era composta por: <strong>Nicolau de Campos Vergueiro</strong> (o <strong>Senador Vergueiro</strong>), <strong>José Joaquim Carneiro de Campos</strong> (<strong>Marques de Caravelas</strong>) e o <strong>Brigadeiro Francisco de Lima e Silva</strong>.</p>
<p>Em 3 de junho de 1831 a <strong>Assembléia-Geral</strong> elege a <strong>Regência Trina Permanente</strong>. Que era composta de: <strong>José da Costa Carvalho</strong>, <strong>João Bráulio Muniz</strong> e novamente o <strong>Brigadeiro Francisco de Lima e Silva</strong> que permaneceu no cargo.</p>
<p>Conta-se que quando seu pai abdicou ao trono<strong> Pedro</strong> estava a alguns quilômetros de distância do <strong>Rio de Janeiro</strong>, <strong>Bonifácio</strong>, foi ao seu encontro e anunciou solenemente que já faziam algumas horas ele passara a ser sua majestade o imperador do <strong>Brasil</strong>. No trajeto de volta ao<strong> Rio</strong>, começou a chover, <strong>Pedro</strong> uma criança correu até um casebre em busca de abrigo, bateu a porta e uma velhinha gritou de dentro da casa:</p>
<p>- Quem está aí?</p>
<p>- Abra logo vovó, eu sou <strong>Pedro, João, Carlos, Leopoldo, Salvador, Bibiano, Francisco, Xavier, de Paula, Leocádio, Miguel, Gabriel, Rafael, Gonzaga, de Alcântara</strong>!</p>
<p>- Cruuuuzes! Como é que eu vou arranjar lugar aqui para tanta gente?!</p>
<p>Em 12 de julho de 1831 o <strong>26º Batalhão de Infantaria</strong> que estava aquartelado no <strong>Mosteiro de São Bento</strong>, os soldados se sublevaram, porém o então <strong>Ministro de Justiça Padre Diogo Antonio Feijó</strong>, mandou a <strong>Guarda Municipal</strong> cercar o convento, os soldados se renderam e foram enviados para a <strong>Bahia</strong>.</p>
<p>Em agosto de 1831 devido a diversas e diversas revoltas, confusões e badernas o <strong>Padre Feijó</strong> cria a <strong>Guarda Nacional</strong>, que passou servi-lhe muitas vezes para controlar as situações.</p>
<p>Em 1º de abril de 1832, o <strong>Major Miguel de Frias</strong>, que estava preso na <strong>Fortaleza de Villegagnon</strong> por já ter se revoltado anteriormente, consegue sublevar a guarnição da prisão. Junto com outros oficiais que lá estavam presos, deixou a fortaleza e desembarcaram em na <strong>Praia de Botafogo</strong>, rapidamente chegaram ao <strong>Campo de Santana</strong>, que na época era praticamente o centro de cidade. Lançou um manifesto onde declarava deposto o governo, nomeava novos regentes e convocou uma <strong>Assembléia Constituinte</strong>. O governo enviou para detê-lo o <strong>Tenente-Coronel Francisco Teobaldo Sanches Brandão</strong>, que tinha sob seu comando<strong> Luís Alves de Lima</strong>, <strong>Francisco de Lima e Silva</strong> e <strong>Polidoro Quintanilha Jordão</strong>, que a frente das tropas regulares do governo não tiveram maiores problemas de controlar a situação.</p>
<p>Em 1832 o <strong>Brasil</strong> é visitado pela primeira vez por <strong>Charles Darwin</strong>.</p>
<p>Em 15 de dezembro de 1833, <strong>José Bonifácio</strong> foi destituído como tutor de <strong>Dom Pedro II</strong>,<strong> </strong>sendo designado pela <strong>Assembléia-Geral do Império</strong> para substituí-lo o <strong>Marquês de Itanhaém </strong>(<strong>Manuel Inácio de Andrade Souto Maior</strong>)<strong> </strong>que ficou no cargo até 1840.</p>
<p>Em 12 de agosto de 1834 as reformas feitas pela Assembléia Legislativa chamada de  <strong>Ato Adicional à Constituição Política do Império</strong>, instituí a <strong>Regência Una</strong> que é entregue ao <strong>Padre Diogo Antonio Feijó</strong>. Este <strong>Ato Adicional</strong> decretou várias mudanças na política brasileira, mas eu vou destacar apenas uma, que foi a criação do <strong>Município Neutro do Rio de Janeiro</strong> separando-se assim da <strong>Província do Rio de Janeiro</strong>. Que mais tarde com a proclamação da república se tornaria o <strong>Distrito Federal</strong>.</p>
<p><strong>     José Bonifácio</strong> é acusado de tentar promover a volta de <strong>Dom Pedro I</strong>, com intuito de tornar-lo regente durante a adolescência de <strong>Dom Pedro II</strong>, foi preso em 15 de dezembro de 1833, e deportado para a <strong>Ilha de Paquetá.</strong></p>
<p>Em  24 de setembro de 1834, morre em <strong>Portugal </strong>seu pai <strong>Dom Pedro I</strong>.</p>
<p align="center">
<div id="attachment_128" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/mortedompedro.jpg"><img class="size-medium wp-image-128" title="Morte de Dom Pedro I - Palácio do Grão-Pará" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/mortedompedro-300x273.jpg" alt="Morte de Dom Pedro I - Palácio do Grão-Pará" width="300" height="273" /></a><p class="wp-caption-text">Morte de Dom Pedro I - Palácio do Grão-Pará</p></div>
<p>Em 1834, a condenação de <strong>José Bonifácio</strong> foi confirmada pela Assembléia Geral, sendo absolvido mais tarde, passando a residir na <strong>Cidade de Niterói &#8211; RJ</strong>.</p>
<p>Em abril de 1835 cumprindo as determinações do <strong>Ato Adicional</strong> de 1834 foram realizadas eleições para escolher o regente único. Concorreram ao cargo o <strong>Padre Antonio Feijó</strong> (à época senador pelo <strong>Rio de Janeiro</strong>), <strong>Francisco de Paula e Holanda Cavalcanti de Albuquerque</strong>, <strong>Pedro de Araújo Lima</strong> e <strong>Bernardo Pereira de Vasconcelos</strong>. Com 2.826 votos foi venceu o <strong>Padre Feijó</strong>. Também nesta sessão foi reconhecida pela Assembléia, <strong>Dona Januária</strong>, como Princesa Imperial.</p>
<p>Em 20 de setembro de 1835 eclode na <strong>Ponte da Azenha</strong> (próximo a <strong>Porto Alegre</strong>) a <strong>Guerra dos Farrapos</strong> no <strong>Rio Grande do Sul. O Coronel Bento Gonçalves da Silva </strong>vence as forças regulares e entra na capital.</p>
<p>Em 12 de outubro de 1835 o <strong>Padre Diogo Antonio Feijó</strong>, toma posse como regente único do império do <strong>Brasil</strong>.</p>
<p>Entre 1835 e 1840 ocorreu no <strong>Pará</strong> a rebelião conhecida como <strong>Cabanagem</strong>, contra o centralismo do Império.</p>
<p>Em 10 de setembro de 1836, nos <strong>Campos dos Menezes </strong>os farroupilhas proclamam a <strong>República Rio-Grande</strong>.</p>
<p>Em novembro de 1836 o <strong>Padre Feijó</strong> demonstra publicamente sua insatisfação com nada mais nada menos que o <strong>Papa</strong>, por ele não aprovar a indicação do <strong>Padre Antonio Maria de Moura</strong> para o bispado do <strong>Rio de Janeiro</strong>. Ambos eram a favor do fim do celibato para os sacerdotes e <strong>Feijó</strong> ainda ia mais longe, desejando separar a <strong>Igreja Católica Brasileira</strong> da de <strong>Roma</strong>.</p>
<p>Também em 1836  o <strong>Brasil</strong> foi visitado pela segunda vez por <strong>Charles Darwin</strong>.</p>
<p>Em 19 de setembro de 1837 o<strong> Padre Feijó</strong> renuncia a seu cargo de regente único; assume interinamente <strong>Pedro de Araújo Lima.</strong></p>
<p>Em 7 de novembro 1837, acontece a <strong>Sabinada </strong>na <strong>Bahia</strong>.</p>
<p>Em 2 de dezembro de 1837 no <strong>Rio de Janeiro</strong> é Inaugurado o <strong>Imperial</strong> <strong>Colégio</strong> <strong>Pedro II</strong>, sob a inspiração de <strong>Bernardo Vasconcelos</strong>.</p>
<div id="attachment_129" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/colegiopedroii.jpg"><img class="size-medium wp-image-129" title="Imperial Colégio Pedro II no Rio de Janeiro" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/colegiopedroii-300x233.jpg" alt="Imperial Colégio Pedro II no Rio de Janeiro" width="300" height="233" /></a><p class="wp-caption-text">Imperial Colégio Pedro II no Rio de Janeiro</p></div>
<p>Em 22 de abril de 1838 <strong>Araújo Lima</strong> é confirmado (por eleição da assembléia) no cargo de regente único. Começa assim a segunda regência una.</p>
<p>Em 1838 eclode a <strong>Balaiada</strong> no <strong>Maranhão</strong>.</p>
<p>Seus estudos prosseguem no<strong> Brasil</strong>.</p>
<p>Com diversos mestres ilustres de seu tempo, o jovem imperador instruiu-se em português e literatura, francês, inglês, alemão, geografia, ciências naturais, música, dança, pintura, esgrima e equitação. Mais tarde, adulto estudou muitas outras disciplinas como hebraico e astronomia e posteriormente estudou grego, árabe, tupi, sânscrito, hebraico e provençal.</p>
<p>Dentre seus professores estavam:</p>
<p>A Camareira-mor<strong> Dona</strong> <strong>Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho</strong>, mais tarde <strong>Condessa de Belmonte </strong>com quem<strong> </strong>começou a estudar.</p>
<p>O carmelita <strong>Frei Pedro de Santa Mariana</strong> <strong>e Souza</strong> mais tarde <strong>Bispo de</strong> <strong>Crisópolis</strong>, que Ihe ensinou a doutrina católica, latim e matemática. Às vezes <strong>Frei Pedro</strong> tinha que apagar a luz para impedir que <strong>Pedro </strong>ficasse lendo a noite toda.</p>
<p>Seu professor de francês era o <strong>Padre Renato Boiret</strong>. De Alemão era <strong>Roque Schuch</strong>. De Inglês era <strong>Nathaniel Lucas. </strong>De Dança foram<strong> Joseph Lacombe </strong>e<strong> Lourenço Lacombe. </strong>Desenho e Pintura respectivamente<strong> Simplício Rodrigues de Sá </strong>e<strong> Félix Émile Taunay</strong> e de esgrima, nada mais nada menos que o futuro <strong>Duque de Caxias</strong>! (nesta época ele ainda era o <strong>Coronel Luís Alves de Lima</strong>)</p>
<p><strong>     Cândido José de Araújo Viana</strong>, professor de português e literatura. Mais tarde ele se tornaria o <strong>Marques de Sapucaí</strong>, titulo conhecidíssimo em virtude da avenida de mesmo nome na qual se realizam os desfiles das <strong>Escolas de Samba</strong> no carnaval do <strong>Rio de Janeiro</strong>.</p>
<p>Veja as determinações do <strong>Marques de Itanhaém</strong> para a educação de <strong>Dom Pedro II:</strong></p>
<p align="center"><strong>(Obs: são 12 artigos, caso fique cansativo, pule essa parte.)</strong></p>
<p align="center"><strong>&#8220;Instruções para serem observadas pelos Mestres do Imperador<br />
na Educação Literária e Moral do Mesmo Augusto Senhor.&#8221;</strong></p>
<p><em>Artigo 1.</em></p>
<p>Conhece-te a ti mesmo. Esta máxima&#8230; servirá de base ao sistema de educação do Imperador, e uma base da qual os Mestres deverão tirar precisamente todos os corolários, que formem um corpo completo de doutrinas, cujo estudo possa dar ao Imperador idéias exatas de todas as coisas, a fim de que Ele, discernindo sempre do falso o verdadeiro, venha em último resultado a compreender bem o que é a dignidade da espécie humana, ante a qual o Monarca é sempre homem, sem diferença natural de qualquer outro indivíduo humano, posto que sua categoria civil o eleve acima de todas as condições sociais.</p>
<p><em>Artigo 2.</em></p>
<p>Em seguimento, os Mestres, apresentando ao Seu Augusto Discípulo este planeta que se chama terra, onde nasce, vive e morre o homem, lhe irão indicando ao mesmo tempo as relações que existem entre a humanidade e a natureza em geral, para que o Imperador, conhecendo perfeitamente a força da natureza social, venha a sentir, sem o querer mesmo, aquela necessidade absoluta de ser um Monarca bom, sábio e justo, fazendo-se garbo de ser o amigo fiel dos Representantes da Nação e o companheiro de todas as influências e homens de bem do Pais.</p>
<p><em>Artigo 3.</em></p>
<p>Farão igualmente os Mestres ver ao Imperador que a tirania, a violência da espada e o derramamento de sangue nunca fizeram bem a pessoa alguma&#8230;</p>
<p><em>Artigo 4.</em></p>
<p>Aqui deverão os Mestres se desvelar para mostrarem ao Imperador palpavelmente o acordo e harmonia da Religião com a Política, e de ambas com todas as ciências; porquanto, se a física estabelece a famosa lei da resistência na impenetrabilidade dos corpos, é verdade também que a moral funda ao mesmo tempo a tolerância e o mútuo perdão das injúrias, defeitos e erros; essa tolerância ou mútuo perdão, sobre revelar a perfeição do Cristianismo, revela também os quilates das almas boas nas relações de civilidade entre todos os povos, seja qual for sua religião e a forma do seu governo&#8230;</p>
<p><em>Artigo 5.</em></p>
<p>Lembrem-se pois os Mestres que o Imperador é homem; e partindo sempre dessa idéia fixa, tratem de lhe dar conhecimentos exatos e reais das coisas, sem gastarem o tempo com palavras e palavrões que ostentam uma erudição estéril e prejudicial, pois de outra forma virá o seu discípulo a cair no vicio que o Nosso Divino Redentor tanto combateu no Evangelho, quando clamava contra os doutores que invertiam e desfiguravam a lei, enganando as viúvas e aos homens ignorantes com discursos compridos e longas orações, e se impondo de sábios, embora sendo apenas uns pedantes faladores.</p>
<p><em>Artigo 6.</em></p>
<p>Em conseqüência os Mestres não façam o Imperador decorar um montão de palavras ou um dicionário de vocábulos sem significação, porque a educação literária não consiste decerto nas regras da gramática nem na arte de saber por meio das letras; em conseqüência os Mestres devem limitar-se a fazer com que o Imperador conheça perfeitamente cada objeto de qualquer idéia enunciada na pronunciação de cada vocábulo&#8230;</p>
<p><em>Artigo 7.</em></p>
<p>Julgo portanto inútil dizer que as preliminares de qualquer ciência devem conter-se em muito poucas regras, assim como os axiomas e doutrinas gerais. Os Mestres não gastem o tempo com teses nem mortifiquem a memória do seu discípulo com sentenças abstratas; mas descendo logo às hipóteses, classifiquem as coisas e idéias, de maneira que o Imperador, sem abraçar nunca a nuvem por Juno, compreenda bem que o pão é pão e o queijo é queijo.</p>
<p>Assim, por exemplo, tratando das virtudes e vícios, o Mestre de Ciências Morais deverá classificar todas as ações filhas da soberba distinguindo-as sempre de todas as ações opostas que são filhas da humildade. E não basta ensinar ao Imperador que o homem não deve ser soberbo, mas é preciso indicar-lhe cada ação, onda exista a soberba, pois se assim não o fizer, bem pode acontecer que o Monarca venha para o futuro a praticar muitos atos de arrogância e altivez, supondo mesmo que tenha feito ações meritórias e dignas de louvor, e isto por não ter, em tempo, sabido conhecer a diferença entre a soberba e a humildade.</p>
<p><em>Artigo 8.</em></p>
<p>Da mesma sorte, tratando-se das potências e das forças delas, o Mestre de ciências físicas fará uma resenha de todos os corpos computando os grãos de força que tem cada um deles, para que venha o Imperador a compreender que o poder monárquico se limita ao estudo e observância das leis da Natureza&#8230; e que o Monarca é sempre homem e um homem tão sujeito, que nada pode contra as leis da Natureza feitas por Deus em todos os corpos, e em todos os espíritos.</p>
<p><em>Artigo 9.</em></p>
<p>Em seguimento ensinarão os Mestres ao Imperador que todos os deveres do Monarca se reduzem a sempre animar a Indústria, a Agricultura, o Comércio e as Artes; e que tudo isto só se pode conseguir estudando o mesmo Imperador, de dia e de noite, as ciências todas, das quais o primeiro e principal objeto é sempre o corpo e a alma do homem; vindo portanto a achar-se a Política e a Religião no amor dos homens. E o amor dos homens é que é o fim de todas as ciências; pois sem elas, em vez de promoverem a existência feliz da humanidade, ao contrário promovem a morte.</p>
<p><em>Artigo 10.</em></p>
<p>Entendam-me porém os Mestres do Imperador. Eu quero que o meu Augusto Pupilo seja um sábio consumado e profundamente versado em todas as ciências e artes e até mesmo nos ofícios mecânicos, para que ele saiba amar o trabalho como principio de todas as virtudes, e saiba igualmente honrar os homens laboriosos e úteis ao Estado. Mas não quererei decerto que Ele se faça um literato supersticioso para não gastar o tempo em discussões teológicas como o Imperador Justiniano; nem que seja um político frenético para não prodigalizar o dinheiro e o sangue dos brasileiros em conquistas e guerras e construção de edifícios de luxo, como fazia Luís XIV na França, todo absorvido nas idéias de grandeza; pois bem pode ser um grande Monarca o Senhor D. Pedro II sendo justo, sábio, honrado e virtuoso e amante da felicidade de seus súditos, sem ter precisão alguma de vexar os povos com tiranias e violentas extorsões de dinheiro e sangue.</p>
<p><em>Artigo 11.</em></p>
<p>Sobretudo, recomendo muito aos Mestres do Imperador, hajam de observar quanto Ele é talentoso e dócil de gênio e de muita boa índole. Assim não custa nada encaminhar-lhe o entendimento sempre para o bem e verdade, uma vez que os Mestres em suas classes respectivas tenham com efeito idéias exatas da verdade e do bem, para que as possam transmitir e inspirar ao seu Augusto Discípulo.</p>
<p>Eu não cessarei de repetir aos Mestres que não olhem para os livros das Escolas, mas tão somente para o livro da Natureza, corpo e alma do homem; porque fora disto só pode haver ciência de papagaio ou de menino de escola, mas não verdade nem conhecimento exato das coisas, dos homens, e de Deus.</p>
<p><em>Artigo 12.</em></p>
<p>Finalmente, não deixarão os Mestres do Imperador de lhe repetir todos os dias que um Monarca, toda a vez que não cuida seriamente dos deveres do trono, vem sempre a ser vitima dos erros, caprichos e iniqüidades dos seus ministros, cujos erros, caprichos e iniqüidades são sempre a origem das revoluções e guerras civis; e então paga o justo pelos pecadores, e o Monarca é que padece, enquanto que seus ministros sempre ficam rindo-se e cheios de dinheiro e de toda sorte de comodidades. Por isso cumpre absolutamente ao Monarca ler com atenção todos os jornais e periódicos da Corte e das Províncias e, além disto, receber com atenção todas as queixas e representações que qualquer pessoa lhe fizer contra os ministros de Estado, pois só tendo conhecimento da vida pública e privada de cada um dos seus ministros e Agentes é que cuidará da Nação. Eu cuido que não é necessário desenvolver mais amplamente estas Instruções na certeza de que cada um dos Mestres do Imperador lhe adicionará tudo quanto lhe ditarem as circunstâncias à proporção das doutrinas que no momento ensinarem. E confio grandemente na sabedoria e prudência do Muito Respeitável Senhor Padre Mestre Frei Pedro de Santa Mariana, que devendo ele presidir sempre a todos os atos letivos de Imperador como seu Aio e Primeiro Preceptor, seja o encarregado de pôr em prática estas Instruções, uniformizando o sistema da educação do Senhor Dom Pedro II, de acordo com todos os outros Mestres do Mesmo Augusto Senhor&#8221;.</p>
<p align="center"><em>Paço da Boa Vista no Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1838.</em><em></em></p>
<p align="center">Marquês de Itanhaém &#8211; Tutor da Família Imperial</p>
<p>     Falece na <strong>Cidade de Niterói </strong>(<strong>RJ</strong>) <strong>José Bonifácio</strong> no dia 6 de março de 1838.</p>
<p>Devido aos problemas políticos da época, sugeriram a antecipação da maioridade de <strong>Pedro</strong>, tendo ele sido formalmente consultado se desejava ser emancipado ou esperar mais 3 anos ele respondeu &#8220;Quero já!&#8221;.</p>
<p>Em 1840 adquire um aparelho de daguerreotipia (a futura máquina fotográfica), em março do mesmo ano, motivado pelas demonstrações que o abade francês <strong>Louis Compte</strong> lhe fizera em janeiro, quando introduzia a fotografia no <strong>Brasil</strong>, adquiriu seu próprio equipamento, oito meses antes que outros similares fossem finalmente comercializados no país<strong> </strong>sendo então o primeiro brasileiro a praticar fotografia. Também foi grande como mecenas e colecionador de fotografias, exercendo papel essencial para o florescimento da fotografia no <strong>Brasil. </strong>Posteriormente foi o primeiro soberano do mundo a conceder uma honraria a um fotógrafo, ao atribuir o título de <strong>Photographos da Casa Imperial </strong>à dupla <strong>Buvelot &amp; Prat</strong>, a 8 de março de 1851. Como colecionador, constituiu o maior acervo privado das Américas durante o século XIX, a base para o estudo da história da fotografia no <strong>Brasil</strong>, reunindo ainda imagens de grandes pioneiros internacionais. Quando de seu exílio do país, após a Proclamação da República, doou seu acervo fotográfico para a <strong>Biblioteca Nacional</strong>, no <strong>Rio de Janeiro</strong>, que o preserva, desde 1892, com o título de <strong>Coleção Thereza Christina Maria</strong>; são 21.742 fotos que <strong>Dom Pedro II</strong> juntou durante todo o seu reinado.</p>
<p>Uma pequena explicação sobre a <strong>Coleção Tereza Cristina</strong>:</p>
<p>A coleção fotográfica mencionada no parágrafo acima é uma coisa, outra coisa é a &#8220;<strong>Coleção Tereza Cristina</strong>&#8221; exposta quase permanentemente no <strong>Museu Nacional</strong> (<strong>Museu Nacional/UFRJ</strong> &#8211; <strong>Quinta da Boa Vista</strong>, <strong>São Cristóvão</strong> &#8211; <strong>Rio de Janeiro</strong>), esta coleção foi organizada no século XIX a partir de duas origens distintas:</p>
<p>Uma parte do acervo veio do <strong>Real Museo Borbonico</strong> (hoje <strong>Museo Nazionale DI Napoli</strong>), com peças presenteadas pelo irmão da imperatriz <strong>Tereza Cristina</strong>, <strong>Fernando II Rei das Duas Sicílias</strong>.</p>
<p>Outra parte veio da própria imperatriz que financiou e promoveu escavações arqueológicas na localidade de <strong>Veio, </strong>outrora município romano de origem etrusca.</p>
<p>Proclamado maior de idade as 15:30mim de 23 de julho de 1840, encerrando longo processo de confrontos regenciais, o senado antecipou a maioridade de <strong>Dom Pedro II </strong>ao proclamá-lo imperador aos 14 anos. Para uns, foi a reafirmação da &#8220;força do parlamento&#8221;; para outros, uma manobra política: o &#8220;golpe da maioridade&#8221;.</p>
<p>Em 24 de julho de 1840 <strong>Dom Pedro II</strong> escolhe seu primeiro ministério.</p>
<p><strong>     Dom Pedro II </strong>é coroado em 18 de julho de 1841, um ano depois de ser emancipado.</p>
<p>Em 19 de janeiro de 1841 o <strong>Maranhão</strong> finalmente foi pacificado pelas mãos do <strong>Coronel Luís Alves de Lima</strong> que em função deste acontecimento recebeu o título de<strong> Barão de Caxias</strong>.</p>
<p>Desde 1841, e pelos próximos 48 anos, foi fixada a renda para a Família Imperial saída dos cofres públicos que seria de 67 contos de réis por mês. Curiosamente, uma das primeiras medidas do <strong>Marechal Deodoro da Fonseca</strong> foi aumentar o salário do presidente da república (ou seja ele mesmo) para 120 contos de réis por mês, quase o dobro do que recebia toda a Família Imperial.</p>
<p>Em 1841 é criado o primeiro hospital psiquiátrico do país, o <strong>Dom Pedro II</strong>, no <strong>Rio de Janeiro.</strong></p>
<p>Em 1842, nomeou o português <strong>Padre Antônio Ferreira Viçoso</strong> para bispo de <strong>Mariana</strong> e o paulista <strong>Padre Antônio Joaquim de Melo</strong> para <strong>São Paulo</strong>, dois sacerdotes extremamente fiéis à monarquia, mas que tinham outra formação: eram reformistas e fieis ao <strong>Papa</strong>.</p>
<p>Em 16 de Março de 1843 a <strong>Cidade de</strong> <strong>Petrópolis </strong>foi fundada pelo Imperador <strong>Dom Pedro II</strong>.</p>
<p>Em 1843, o <strong>Brasil </strong>se tornou o segundo país a adotar um selo como forma de taxa de serviço postal, uma invenção inglesa de 1840.</p>
<p>Em 30 de maio de 1843 casa-se por procuração em <strong>Nápoles</strong>, com a princesa napolitana <strong>Teresa Cristina Maria Giuseppa Gaspare Baltassare Melchiore Gennara Francesca de Padova Donata Bonosa Andrea d?Avellino Rita Luitgarda Geltruda Venancia Taddea Spiridione Rocca Matilde de Bourbon, </strong>filha do rei<strong> Francisco I Rei das Duas Sicílias.</strong></p>
<p>Em 2 de setembro de 1843 chega ao<strong> Brasil</strong>,<strong> Dona Teresa Cristina</strong>. Ela veio a bordo da fragata <strong>Constituição</strong>.</p>
<p>Tiveram quatro filhos, mas só sobrevivem<strong> Dona Isabel</strong> (<strong>Princesa Isabel</strong>) e<strong> Dona Leopoldina Teresa</strong>.</p>
<p><strong>     Bento Lisboa</strong> foi o encarregado de tratar do casamento de <strong>Dom Pedro II </strong>com o auxílio do futuro cunhado <strong>Luis</strong>, várias tentativas foram realizadas em busca de uma esposa, como na <strong>Áustria, Espanha e Rússia</strong> mas não haviam muitas princesas disponíveis afim de vir morar no <strong>Brasil.</strong></p>
<p>Alguns contemporâneos de <strong>Dom Pedro II </strong>contaram da sua decepção diante da Imperatriz que veio na base de contrato da <strong>Europa </strong>e que em nada parecia com os retratos que foram enviados ao <strong>Brasil</strong> para a apreciação de <strong>Dom Pedro</strong>. <strong>Dona Teresa Cristina</strong> seria feia, baixa, gorda e mancava de uma perna; além disso quase 4 anos mais velha que ele. Sob o impacto do primeiro encontro (e se for verdade o que contam, bota impacto nisso) o jovem monarca desolado chorou nos braços de sua aia/professora, a <strong>Condessa de Belmonte</strong>. Ela, a condessa estava com 63 anos.</p>
<p>Teria dito a condessa ao imperador: &#8220;Cumpra seu dever, meu filho&#8221;.</p>
<p>Só para esclarecer: O título oficial dela era <strong>Condessa de Belmonte</strong>, porém hoje em dia em ruas, praças e avenidas é mais comum encontrar <strong>Condessa Belmonte</strong>, sem a preposição.</p>
<p>Seu mordomo <strong>Paulo Barbosa</strong> <strong>da Silva</strong> teria dito: &#8220;Lembre-se da dignidade de seu cargo&#8221;.</p>
<p><strong>     Paulo Barbosa</strong> foi a pessoa que sugeriu o nome de<strong> Petrópolis</strong> para a cidade serrana do <strong>Estado do Rio de Janeiro</strong>, cidade essa que a família imperial amava. Ele também participou de atividades políticas como o <strong>Clube da Joana</strong>, uma associação de pessoas com o intuito de exercer influência sobre <strong>Dom Pedro</strong>; este <strong>Clube</strong> tina este nome por suas reuniões serem feitas na casa do mordomo <strong>Paulo Barbosa</strong> que ficava as margens do <strong>Rio Joana</strong> no atual <strong>Bairro do Maracanã</strong> &#8211; <strong>Rio de Janeiro</strong>. (este rio também passa pelos bairros do <strong>Rio comprido</strong> e <strong>Vila Isabel</strong>)</p>
<p>Em 10 de agosto de 1843 morre o <strong>Padre Feijó</strong>.</p>
<p>Em 1844 chega ao <strong>Brasil</strong> o <strong>Conde de Áquila</strong>, irmão mais jovem de <strong>Dona Teresa Cristina </strong>que deveria casar-se com a <strong>Princesa Dona Januária</strong>.</p>
<p>Em 1845 nasce seu filho <strong>Dom Afonso</strong>.</p>
<p>Também em 1845, junto com<strong> Davi Canabarro</strong>, <strong>Luís Alves de Lima</strong> consegue por ordem no <strong>Rio Grande do Sul</strong> após a <strong>Revolução Farroupilha</strong>, o que lhe valeu o título de <strong>Conde de Caxias</strong>.</p>
<p>Ainda em 1845 iniciou a construção da residência de verão da família imperial em <strong>Petrópolis</strong> (o atual <strong>Museu imperial</strong>), um sonho de seu pai<strong> Pedro I</strong>.<strong> </strong>Três anos depois, o imperador e sua família já desfrutavam os ares da serra. Mas só em 1860 o palácio foi concluído. Depois da proclamação da República, em 1889, o <strong>Palácio de Verão</strong> foi alugado a colégios religiosos. Muito de sua rica mobília sumiu e, hoje, boa parte dos móveis que lá estão expostos são de outras residências do imperador. Em 1943, <strong>Getúlio Vargas</strong> adquiriu o prédio e abriu o museu.</p>
<p>Em 1845 o imperador <strong>Dom Pedro II</strong> e a <strong>Imperatriz Tereza Cristina</strong> assistiram ao primeiro rodeio que se tem notícia no <strong>Brasil</strong>, nos alagados de <strong>Campinas São José</strong> &#8211; <strong>SC</strong>, onde <strong>Dom Pedro</strong> chegou até a dançar num fandango.</p>
<p>Em 1845 foi decretada pelo<strong> Imperador Dom Pedro II</strong> a lei &#8220;<strong>Regimento das Missões</strong>&#8220;, que criou os cargos de <strong>Diretores de Índios</strong>. Este cargo era administrado por um fazendeiro político, e aliado ao Imperador, deixando cada vez mais fácil o roubo das terras indígenas.</p>
<p>Em 30 de março de 1846 visita a <strong>Cidade de Jundiaí </strong>(<strong>SP</strong>)<strong> </strong>com grande comitiva.</p>
<p>Em 1846, surgiu no extinto <strong>Largo do Valdetaro</strong> no <strong>Bairro do Catete </strong>(<strong>Rio de Janeiro</strong>), a &#8220;<strong>Sociedade Recreativa Dançante Cassino Fluminense</strong>&#8220;, lá haviam bailes, e conta-se que o <strong>Imperador Dom Pedro II</strong> e a <strong>Imperatriz Tereza Cristina</strong> costumavam freqüentar, como se pode notar, eles não eram tão jovens assim como vários autores contam em seus livros, ele o imperador estava com 21 anos e a imperatriz com 25; inclusive já eram casados, dificilmente eles freqüentariam neste mesmo ano, pois a imperatriz estava grávida, ou seja eles provavelmente freqüentaram o local mais tarde entre uma gravidez e outra da imperatriz.</p>
<p>Às 18:26h da tarde do dia 29 de julho de 1846 os canhões do <strong>Morro do Castelo</strong>, no <strong>Rio de Janeiro</strong>, anunciaram o nascimento no palácio de <strong>São Cristóvão</strong> &#8211; <strong>Rio de Janeiro</strong> da <strong>Princesa Isabel </strong>(<strong>Dona</strong> <strong>Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança</strong>). Ela viria a ser a primeira e única mulher que governou o <strong>Brasil.</strong></p>
<p>As filhas de <strong>Dom Pedro</strong>, <strong>Isabel </strong>e<strong> Leopoldina</strong>, tiveram como professora a <strong>Condessa de Barral </strong>(<strong>Luisa Margarida Portugal de Barros</strong>), que muitos pesquisadores consideram o grande e verdadeiro amor do imperador. Além de cartas de amor com referências a &#8220;noites especialíssimas&#8221; os dois trocavam seus diários entre si. Infelizmente só sobraram os textos escritos pelo imperador, os da condessa desapareceram e admite-se a hipótese de terem sido queimados por <strong>Dom Pedro</strong>. Nunca houve identificação intelectual entre o imperador e a imperatriz, já com a <strong>Condessa de Barral </strong>era diferente, ambos eram amantes das artes e letras, algumas vezes <strong>Pedro</strong> escrevia a ela em francês e a condessa fazia correções nos textos do imperador.</p>
<p>Registrando em seu diário, a primeira vez em que viu a condessa, e se referindo a forma como ela fez a reverência a frente dele, <strong>Pedro</strong> diz: &#8220;&#8230;ela fez a reverência de forma <strong>soberanamente submissa</strong>&#8230; transformava a reverência em obra de arte&#8221;.</p>
<p>A <strong>Condessa de Barral</strong>, <strong>Condessa da Pedra Branca</strong> por parte de pai, <strong>Marquesa de Monferrat</strong> por casamento, era baiana, porém foi criada na <strong>Europa</strong>, filha do diplomata<strong> Domingos Borges de Barros </strong>(<strong>Visconde de Pedra Branca</strong>) e no<strong> Brasil </strong>foram famosos suas festas (saraus) regados a boa música e conversas intelectuais.</p>
<p>Foi casada com o fidalgo francês, o <strong>Chevalier de Barral</strong> que também era <strong>Visconde de Barral</strong>, filho do <strong>Conde de Barral</strong> que também era o <strong>Marquês de Monferrat</strong>; casou por amor, pois já havia recusado um casamento por conveniência arranjado pela família.</p>
<p>Provavelmente só após a morte do marido, em 1868, que a condessa se tornou amante do imperador. Até então, o tom das cartas mostra um relacionamento platônico.</p>
<p>Em sua casa na <strong>Rue D&#8217;Anjou</strong> em <strong>Paris</strong> freqüentaram grandes nomes da cultura, dentre eles nada mais nada menos que <strong>Frederic Chopin</strong>.</p>
<p><strong>     Dom Pedro II</strong> no<strong> Brasil </strong>trocava correspondência com <strong>Louis</strong> <strong>Pasteur, Alexander Graham Bell, Richard Wagner </strong>dentre outros, ou seja a afinidade entre eles era enorme.</p>
<p>Esta relação entre <strong>Dom Pedro</strong> e a <strong>Condessa de Barral</strong>, rendeu uma peça teatral chamada <strong>Os Olhos Verdes do Ciúme</strong>, texto de <strong>Caio de Andrade</strong>; e <strong>Jô Soares</strong> utiliza<strong> Dom Pedro</strong> e a condessa como argumento histórico para o livro e o filme <strong>O Xangô de Baker Street</strong>. (no livro e no filme ele trata a personagem como <strong>Maria Luiza </strong>e lhe atribui o título de baronesa). Graças a intervenção junto ao imperador, é que <strong>Carlos Gomes</strong> conseguiu matrícula no <strong>Conservatório de Música</strong> de <strong>Francisco Manuel da Silva</strong> o compositor do <strong>Hino Nacional Brasileiro</strong>, este conservatório é que deu origem a atual <strong>Escola Nacional de Música</strong>.</p>
<p>Em 20 de julho de1847 através do decreto 523 o <strong>Brasil</strong> teve o sistema Monárquico Parlamentar de governo elaborado e definido, criando o cargo de Presidente do Conselho de Ministros. O que seria hoje como o cargo de Primeiro Ministro.</p>
<p>1847 faleceu seu filho <strong>Dom Afonso</strong>.</p>
<p>Também em 1847 nasce sua filha<strong> Dona Leopoldina Tereza</strong>. (é muito importante, não confundir esta com a<strong> Imperatriz Leopoldina, </strong>esposa de<strong> Dom Pedro I</strong>). <strong>Dona Leopoldina</strong>, casou em 1864, com o <strong>Duque de Saxe</strong>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 30 de abril de 1854, inaugura a <strong>Estrada de Ferro Petrópolis</strong>, fundada por <strong>Irineu Evangelista de Souza</strong>, <strong>Barão</strong> e depois <strong>Visconde de Mauá</strong>, patrono do <strong>Ministério dos Transportes</strong>. Foi no ato de inauguração da nossa primeira ferrovia que o <strong>Imperador Dom Pedro II</strong> batizou a primeira locomotiva a vapor do Brasil de <strong><em>&#8220;Baronesa&#8221;</em></strong> , em homenagem à esposa do <strong>Barão de Mauá</strong>, <strong>Dona Maria Joaquina</strong>, a <strong>Baronesa de Mauá</strong>. Após servir o <strong>Imperador Pedro II</strong>, por muitos anos, foi retirada de tráfego em 1884, voltando ao serviço algum tempo depois, para transportar um visitante ilustre, o <strong>Rei Alberto da Bélgica</strong>.</p>
<p>Em 1855 o <strong>Rio de Janeiro</strong> é atingido violentamente pelo &#8220;<strong>Cólera Morbus</strong>&#8221; o mesmo ocorreu em <strong>Portugal</strong> neste mesmo ano. Em todo o país mais de 200.000 pessoas foram vitimadas por esta terrível doença; no <strong>Rio</strong>, muitos infectados ficaram na <strong>Enfermaria São Sebastião</strong> da <strong>Santa Casa da Misericórdia</strong> que foi visitada por <strong>Dom Pedro II</strong>.</p>
<div id="attachment_130" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/enfermariasaosebastiao.jpg"><img class="size-medium wp-image-130" title="Visita de Dom Pedro aos doentes de Cólera-Morbo de François-René Moreaux - Museu da Cidade - RJ" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/enfermariasaosebastiao-300x193.jpg" alt="Visita de Dom Pedro aos doentes de Cólera-Morbo de François-René Moreaux - Museu da Cidade - RJ" width="300" height="193" /></a><p class="wp-caption-text">Visita de Dom Pedro aos doentes de Cólera-Morbo de François-René Moreaux - Museu da Cidade - RJ</p></div>
<p>Em 1856 manda importar dromedários e camelos para o <strong>Ceará</strong>, coisa que não deu certo.</p>
<p>No dia 2 de outubro de 1857, um decreto emitido pelo <strong>Conselheiro Tolentino</strong>, por ordem do Imperador, <strong>Magé</strong> tornou-se Cidade.</p>
<p>Em 1857 chega ao <strong>Brasil </strong>a convite do imperador o <strong>Padre Huet</strong>, um professor surdo que trouxe um método de ensino, fundando a primeira escola de surdos o <strong>INES</strong> &#8211; <strong>Instituto Nacional de Educação de Surdos</strong>, no <strong>Rio de Janeiro</strong>.</p>
<p>Das inúmera viagens por todo o território nacional que o imperador fez, a propósito de suas posições sobre a escravidão, registro aqui a seguinte passagem:</p>
<p>Numa viagem ao interior de <strong>Minas Gerais</strong>, o Imperador observou, no meio da multidão que o cercava, uma negra que fazia grande esforço para se aproximar dele, mas as pessoas à sua volta não deixavam. Compadecido, ordenou que a deixassem passar.</p>
<p>- Meu senhor, meu nome é <strong>Eva</strong>, uma escrava fugida, e vim aqui pedir a Vossa Majestade a minha liberdade.</p>
<p>O Imperador mandou tomar nota dos dados necessários, e prometeu que a libertaria quando regressasse a corte. E realmente mandou entregar à negra o documento de alforria.</p>
<p>Algum tempo depois, estando em uma das janelas do <strong>Palácio de São Cristóvão</strong>, viu um guarda tentando impedir que uma negra idosa entrasse. Sua memória incrível reconheceu imediatamente a ex-escrava mineira, e ordenou:</p>
<p>- Entre aqui, <strong>Eva</strong>!</p>
<p>A negra seguiu, entrou, e entregou ao imperador um saco de abacaxis, colhidos na roça que plantara depois de liberta.</p>
<p>No início de seu reinado, faz viagens diplomáticas às províncias mais conflitadas.</p>
<p>Protege artistas e escritores e mantém correspondência com cientistas e artistas de várias partes do mundo.</p>
<p>Em 1858 é inaugurada a estrada de ferro <strong>Dom Pedro II</strong>.</p>
<p>Entre os anos de 1859 e 1860, faz uma viagem antológica pelo nordeste brasileiro incluindo o <strong>Rio São Francisco</strong>. Atravessou grande parte do território nacional, do <strong>Rio de Janeiro</strong> à <strong>Paraíba</strong>, muitas vezes montado em lombo de burro ou a bordo embarcações rudimentares e frágeis. Quando passou pela <strong>Bahia</strong>, escreveu em seu diário: &#8220;Na <strong>Fazenda dos Olhos D&#8217;agua</strong> fiquei mal acomodado na senzala &#8211; nome que convém à casa que aí há &#8211; mas sempre arranjei cama em lugar de rede e dormiria bem, apesar das pulgas, cujas mordeduras só senti outro dia de manhã, se não fosse o calor, e a falta de água que é péssima aí, tardando a de <strong>Vichy</strong>, que vinha na bagagem pela falta de condução.&#8221;</p>
<p>Em 1860 <strong>Dom Pedro II</strong> visita o <strong>Espírito Santo</strong>.</p>
<p>Em 12 de janeiro de 1861, <strong>Dom Pedro II</strong> criou a casa de penhor <strong>Monte Socorro</strong> <strong>da</strong> <strong>Corte</strong> e a <strong>Caixa Econômica da Corte</strong>, duas instituições financeiras que acabaram se fundindo. Desde a época imperial, portanto, damas brasileiras e alguns nobres sem fortuna passaram a recorrer à essa modalidade de empréstimo; empenhando jóias. Esta instituição, mais tarde se tornaria a <strong>Caixa Econômica Federal</strong>.</p>
<p>A <strong>Caixa Econômica</strong>, teve como primeiro cliente do novo banco, garantido pela <strong>Corte de Dom Pedro II</strong>, <strong>Antônio Alvarez Pereira Coruja</strong>, o gaúcho <strong>Comendador Coruja</strong>, que abriu poupança para seus filhos e virou nome de agência da <strong>Caixa Econômica</strong> no <strong>Rio Grande do Sul</strong> (por lá ele também tem nome de rua). Desde o primeiro depósito do <strong>Comendador Coruja</strong>, a <strong>Caixa</strong> foi sinônimo de garantia por 129 anos consecutivos, até a chegada ao poder de <strong>Fernando Collor de Mello</strong> que confiscou os ativos financeiros de toda a população incluindo as cadernetas de poupança.</p>
<p>Em 1861, o navio inglês <strong>Príncipe de Gales</strong> afundou na costa do <strong>Rio Grande do Sul</strong>, sendo sua carga pilhada pelos brasileiros. O governo inglês, através de seu representante no <strong>Brasil</strong> o diplomata <strong>William Christie</strong>, exigiu uma indenização de 3.200 libras esterlinas.</p>
<p>As coisas pioraram quando três oficiais ingleses, embriagados e à paisana, foram presos por promoverem desordens. <strong>William Christie</strong> exigiu a soltura dos oficiais e a punição dos policiais que os prenderam. Tinha início nesse momento o episódio que ficou conhecido como a &#8220;<strong>Questão Christie</strong>&#8220;.</p>
<p><strong>     Dom Pedro</strong> aceitou indenizar os ingleses pelos prejuízos na pilhagem do navio inglês no litoral gaúcho e soltar os oficiais. Mas, recusou-se a punir os policiais brasileiros. <strong>Christie</strong> ordenou o aprisionamento de cinco navios brasileiros, o que gerou indignação e atitudes de hostilidade dos brasileiros em relação aos ingleses aqui radicados. As relações diplomáticas e comerciais entre<strong> Inglaterra</strong> e <strong>Brasil</strong> foram rompidas em 1863 por iniciativa de <strong>Dom Pedro</strong>, sendo reatadas dois anos mais tarde. O imperador aceitou receber o embaixador da <strong>Rainha Vitória</strong>, que veio apresentar desculpas formais e pedir o reatamento das relações diplomáticas, diante do fortalecimento do <strong>Paraguai</strong> na região platina.</p>
<p>Em 26 de junho de 1862, <strong>Dom Pedro II</strong> promulgava a Lei Imperial nº 1157 que oficializou em todo o território nacional, o sistema métrico decimal francês. O <strong>Brasil</strong> foi uma das primeiras nações a adotar o novo sistema, que seria utilizado em todo o mundo.</p>
<p>Também em 1862, ordenou o replantio de toda a vegetação nativa onde hoje é a <strong>Floresta da Tijuca</strong> no <strong>Rio de Janeiro</strong> a maior floresta urbana do mundo. Totalmente devastada em função do plantio de café, comprometeu as nascentes dos rios e alterou o equilíbrio climático da época.</p>
<p>A <strong>Princesa Isabel</strong> casou, dizem, totalmente apaixonada em 1864 com <strong>Luiz Felipe Gastão Orléans</strong>, o <strong>Conde d&#8217;Eu</strong>, ela contava com 18 anos.</p>
<p>Em fevereiro de 1864, <strong>Dom Pedro II</strong> inaugurou, no <strong>Bairro da Glória</strong>, a <strong>Estação Elevatória de Tratamento de Esgotos do Rio de Janeiro</strong>. (leia um pouco mais sobre este assunto na página inicial do site, na coluna &#8220;<strong>Biografias Relacionadas com o Bairro</strong>&#8220;, na biografia de <strong>Frederico Russel</strong>).</p>
<p>Em 1864 estoura a <strong>Guerra do Paraguai</strong> que se estende até 1870.</p>
<p>Em 7 de maio de 1865 após uma obra que se arrastou lentamente por 106 anos, foi inaugurado com a presença de <strong>Dom Pedro II</strong> e da <strong>Imperatriz Teresa Cristina</strong> a<strong> Igreja de São Francisco de Paula</strong>, no atual <strong>Largo de São Francisco</strong> pertencente a <strong>Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula</strong> fundada no <strong>Rio </strong>em 1752.</p>
<p>Em 1866, um decreto imperial de <strong>Dom Pedro II</strong> autorizava o funcionamento da <strong>Companhia de Seguros Marítimos e Terrestres Garantia</strong>, que muito mais tarde após fusões e mudanças de razão social veio a se tornar o <strong>UNIBANCO</strong>. A seguradora se propunha a cobrir riscos marítimos e fluviais, de incêndios produzidos por raios e de inundações, mas a ênfase era sobre os seguros de navegação.</p>
<p>No dia 11 de dezembro de 1868 sob o comando do <strong>General Osório o Brasil</strong> vence o <strong>Paraguai</strong> na <strong>Batalha do Avaí</strong>.</p>
<p>Em 1868, a <strong>Princesa Isabel</strong> resolveu fazer um milagroso tratamento a base de água mineral, a ultima novidade na <strong>Europa</strong> para tratamento de infertilidade, pois até então ela não havia engravidado o que abalava o seu casamento. Viajou para <strong>Minas Gerais</strong> com seu marido o <strong>Conde d&#8217;Eu</strong>, o <strong>Dr. N. Feijó</strong>, e alguns amigos para experimentar as águas minerais da <strong>Cidade de Caxambu</strong>, ninguém sabe como, mas a cura chegou logo; pouco depois ela geraria três filhos para garantir a perpetuação dos <strong>Orléans e Bragança</strong>: <strong>Dom Pedro de Alcântara Príncipe de Grão Pará</strong> (titulo do herdeiro do trono imperial do <strong>Brasil</strong>), <strong>Dom Antonio</strong> e <strong>Dom Luiz</strong>, bonitos, corados e saudáveis.</p>
<p>E 1869 o <strong>Conde d&#8217;Eu</strong> foi nomeado por <strong>Dom Pedro</strong> comandante-em-chefe das tropas brasileiras na <strong>Guerra do Paraguai</strong>.</p>
<p>Em 1870, fazendeiros, políticos, jornalistas e intelectuais lançam no <strong>Rio de Janeiro</strong> o <strong>Manifesto Republicano</strong>.</p>
<p>Também em 1870, foi redigido o <strong>Manifesto Republicano</strong> na cidade de <strong>Itu</strong> &#8211; <strong>SP</strong>.</p>
<p>No mesmo ano de 1870  a enfermeira baiana <strong>Ana Néri</strong> (<strong>Ana Justina Néri</strong>) recebe do imperador <strong>Dom Pedro II</strong> uma pensão vitalícia, com a qual educa quatro órfãos recolhidos no <strong>Paraguai</strong>.</p>
<p>Em 1870, surgiu o <strong>Partido Republicano</strong>, o <strong>Marques de São Vicente</strong> (<strong>José Antônio Pimenta Bueno</strong>) presidia o <strong>Conselho de Ministros</strong>, comentou com o imperador, não achar adequado que republicanos ocupassem cargos públicos <strong>Dom Pedro II</strong> falou ao ministro: &#8220;O país que se governe como entender e dê razão a quem tiver&#8221;. E, como <strong>Pimenta Bueno</strong> insistiu, encerrou a questão com a seguinte frase: &#8220;Ora, se os brasileiros não me quiserem como imperador, irei ser professor&#8221;.</p>
<p>Em 1871 morre aos 24 anos de idade sua filha <strong>Dona Leopoldina Teresa</strong>.</p>
<p>A 25 de maio de 1871 faz sua primeira viagem internacional; não era muito simples para ele se ausentar do <strong>Brasil</strong>, ele tinha que pedir autorização a Câmara, e os políticos relutavam em conceder, pois temiam deixar o trono nas mãos da <strong>Princesa Isabel</strong>, que contava com apenas 24 anos.</p>
<p>A 12 de junho, quando desembarcou em <strong>Lisboa</strong>, ocorreu o seguinte episódio, havia a necessidade de quarentena para todos os viajantes provenientes das <strong>Américas</strong>, ele foi informado que essa medida não se aplicava a ele, então teria dito: Porque não? a ordem não é para todos? E assim ele ficou sob quarentena como todos os demais passageiros.</p>
<p>Em 28 de setembro de 1871, é aprovada a <strong>Lei do Ventre Livre</strong>, libertando os filhos dos escravos que nascessem a partir desta data. A lei é assinada pela <strong>Princesa Isabel</strong>, porém a promulgação historicamente é atribuída a <strong>Dom Pedro</strong>.</p>
<p>Em 1872, mandou prender os bispos <strong>Dom Vital</strong> e <strong>Dom Macedo Costa</strong>, por desafiarem o poder real no episódio conhecido como &#8220;<strong>Questão Religiosa</strong>&#8220;. Julgados e condenados pelo <strong>Supremo Tribunal</strong> (1875), depois foram anistiados pelo imperador.</p>
<p>Também em 1872 foi feito o primeiro recenseamento no <strong>Brasil</strong>, que contava com uma população total de 9.930.478 sendo 5.123.869 de homens e 4.806.609 de mulheres e cerca de 1.500.000 de escravos. Os resultados não incluem 181.583 habitantes, estimados para 32 paróquias, nas quais não foi feito o recenseamento na data determinada. (dados do <strong>IBGE</strong>).</p>
<p>Entre 1871 e 1887, faz várias viagens ao exterior visitando <strong>América do Norte</strong>, a<strong> Rússia</strong>, a <strong>Grécia</strong> e vários outros países da <strong>Europa</strong>, sempre pagando suas próprias despesas.</p>
<p>Em <strong>Alexandria</strong>, <strong>Egito</strong>, existe uma <strong>Igreja </strong><strong>Greco-Melquita</strong><strong> Católica</strong> (<strong>Rito Bizantino</strong>) dedicada a <strong>São Pedro</strong>, construída por um emigrante libanês no <strong>Egito</strong>, <strong>Conde Miguel </strong><strong>Debbane</strong> (1806-1872) e <strong>Cônsul Honorário do Brasil em Alexandria</strong>. A igreja foi construída em 1868 em honra de <strong>Dom Pedro II</strong>, e em 1871 o Imperador visitou <strong>Alexandria</strong> e a igreja. Ainda nos dias de hoje são celebradas missas em memória do Imperador e do <strong>Conde Miguel </strong><strong>Debbane</strong>.</p>
<div id="attachment_131" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/pedropiramide.jpg"><img class="size-medium wp-image-131" title="Dom Pedro II em visita as Pirâmides do Egito" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/pedropiramide-300x224.jpg" alt="Dom Pedro II em visita as Pirâmides do Egito" width="300" height="224" /></a><p class="wp-caption-text">Dom Pedro II em visita as Pirâmides do Egito</p></div>
<p>Em 26 de janeiro de 1873 falece <strong>Dona Amélia de Leuchtenberg</strong>, 2ª esposa de <strong>Dom Pedro I</strong>, <strong>Imperatriz do Brasil</strong> e <strong>Duquesa de Bragança</strong> em <strong>Queluz</strong>, <strong>Portugal</strong>, aos 61 anos.</p>
<p>Surgiu em 16 de abril de 1873 na <strong>Cidade de Itu</strong> &#8211; <strong>SP</strong>, o <strong>Partido Republicano Paulista</strong> (<strong>PRP</strong>).</p>
<p>Em 1874 foi inaugurado o cabo submarino entre o <strong>Brasil</strong> e a <strong>Europa</strong>, usado nas comunicações telegráficas.</p>
<p>Em 1876 fez a sua segunda e mais longa das viagens ao exterior, durou 18 meses, a <strong>Imperatriz Teresa Cristina</strong> teve problemas de saúde e foi atendida na <strong>Europa</strong> pelo famoso médico neurologista <strong>Jean Martin Charcot</strong>, que foi professor de <strong>Freud</strong>. Nessa mesma viagem, <strong>Dom Pedro II</strong> aproveitou para passear pelos <strong>Estados Unidos</strong>, onde se encantou com os arranha-céus, os trens e o desenvolvimento da agricultura; esteve na companhia do presidente americano <strong>Rutherford Hayes</strong> e escreveu no seu diário: &#8220;Seu aspecto é grosseiro. Pouco fala. A nora é muito amável. A mulher feia e vesga faz o que pode para ser amável. O filho parece rapaz muito inteligente.&#8221; Nessa mesma viagem visitou <strong>Rússia</strong>, <strong>Criméia</strong>, <strong>Constantinopla</strong> e <strong>Atenas</strong>. Visitou também o <strong>Líbano</strong>,<strong> Síria</strong> e <strong>Palestina</strong>, a bordo do navio de bandeira brasileira &#8220;<strong>Aquiíla</strong><strong> Imperial</strong>&#8220;; mesmo estando com uma comitiva de cerca de 200 pessoas, não foi gasto um centavo do dinheiro público. Segundo o livro &#8220;<strong>Líbano &#8211; Guia Turístico e Cultural</strong>&#8220;, em sua estada no <strong>Líbano</strong>, de 11 a 15 de novembro de 1876 em <strong>Beirute</strong> ficou hospedado no &#8220;<strong>Hotel </strong><strong>Belle</strong><strong> Vue</strong>&#8220;. <strong>Pedro</strong> o Imperador escreveu a seu amigo, o <strong>Embaixador Francês Joseph Gobineau</strong>, que ficara em <strong>Atenas</strong>, <strong>Grécia</strong>: &#8220;Tudo vai bem&#8230; A partir de hoje começa um mundo novo. O <strong>Líbano</strong> ergue-se diante de mim com seus cimos nevados, seu aspecto severo, como convém a essa sentinela da <strong>Terra Santa</strong>&#8230;&#8221;</p>
<p>Uma curiosidade: Durante 127 anos nenhum outro chefe de estado brasileiro esteve no <strong>Oriente Médio</strong>, só em 2003 o <strong>Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva</strong> esteve por lá para viagens com o propósito de realizar acordos comerciais.</p>
<p>Em 1876, o artesão cervejeiro <strong>Henrique Kremer</strong> já como fornecedor oficial do <strong>Palácio Imperial</strong>, resolve batizar seu estabelecimento como <strong>Imperial Fábrica de Cerveja Nacional</strong>, o nome nunca &#8220;pegou&#8221;, sua cerveja sempre foi chamada de <strong>Bohemia</strong> pela população e <strong>Bohemia</strong> continua até hoje. Ninguém sabe porque o povo chamava esta cerveja de <strong>Bohemia</strong>.</p>
<p>Em maio de 1876 <strong>Dom Pedro</strong> compareceu a <strong>Exposição Internacional Comemorativa ao Centenário da Independência dos Estados Unidos</strong> na <strong>Filadélfia</strong> (<strong>EUA</strong>), comprou passagem em navio de linha regular, como sempre fazia quando viajava; recusava o cruzador como escolta que o Parlamento lhe oferecia, e viajava em navio de passageiros. Quando o navio se aproximou das águas territoriais norte-americanas, uma esquadra americana o esperava, para escoltá-lo até o porto. O presidente americano <strong>Ulisses Grant</strong> fez questão de que o Imperador brasileiro cortasse junto com ele a fita de abertura, inaugurando a exposição.</p>
<p>Visitando a exposição foi até a mesa onde estava o professor <strong>Graham Bell</strong> e seu invento, uma coisa chamada telefone. <strong>Dom Pedro II</strong> começou a fazer perguntas sobre a novidade, assim ele conseguiu despertar interesse e aceitação dos juizes do concurso de invenções da exposição para o aparelho. (não é claro, mas parece que <strong>Dom Pedro</strong> era um dos juizes).</p>
<p>Ele já conhecia o professor, tendo assistido uma palestra sobre surdos-mudos ministrada por <strong>Graham Bell</strong>.</p>
<p>Os juízes da exposição (que ao final auferiam prêmios aos vencedores), começaram a se interessar.</p>
<p>O telefone foi examinado. <strong>Graham Bell</strong> estendeu um fio de um lado a outro da sala, e colocou <strong>Dom Pedro</strong> na extremidade onde ficava a parte receptora do aparelho e dirigiu-se ao transmissor, após um momento de total silêncio o <strong>Imperador do Brasil </strong>que tinha o receptor ao ouvido exclamou de repente:</p>
<p>- Meu Deus, isto fala!</p>
<p>Ficou fascinado e encomendou alguns aparelhos para poder se comunicar entre as suas residências. Na <strong>Cidade de Petrópolis</strong> (<strong>Região Serrana do Rio de Janeiro</strong>) existe, um pouco antes de se chegar ao centro da cidade, uma ponte chamada de &#8220;<strong>Ponte Fones</strong>&#8221; este nome existe em função de <strong>Dom Pedro</strong> ter mandado instalar ali uma caixa com um aparelho telefônico rudimentar.</p>
<p>Em 1877 o <strong>Brasil</strong> adere ao tratado de criação da <strong>União Postal Universal</strong>, selado em <strong>Berna</strong>, na <strong>Suíça</strong>, três anos antes.</p>
<p>Em 1877 se inicia uma seca no <strong>Nordeste</strong> brasileiro de proporções nunca antes relatada, que perdura até 1879, nesse período a falta de chuvas causou aproximadamente 300.000 vítimas.</p>
<p>A 1º de janeiro de 1878 nasce <strong>Dom Luís</strong>, seu neto o <strong>Príncipe Perfeito</strong>, 2º filho e herdeiro da <strong>Princesa Isabel</strong>.</p>
<p>No primeiro sábado de cada mês, recebia, todo o corpo diplomático.</p>
<p>Todos os sábados concedia audiência pública, recebendo a todos, ricos e pobres, nobres e plebeus.</p>
<p>Todas às quintas-feiras o Imperador tinha o hábito de jantar com a <strong>Princesa Isabel</strong>, no <strong>Palácio Guanabara</strong> (no <strong>Bairro das Laranjeiras</strong>, <strong>Rio de Janeiro</strong>), para onde seguia com a Imperatriz às 4 horas da tarde, escoltado pela guarda imperial.</p>
<p>Não era previsto no protocolo que os guardas seriam alimentados pela cozinha do palácio, acontece que o Imperador desconhecia este fato.</p>
<div id="attachment_132" class="wp-caption aligncenter" style="width: 210px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/dompedroempe.jpg"><img class="size-medium wp-image-132" title="Dom Pedro II" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/dompedroempe-200x300.jpg" alt="Dom Pedro II" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Dom Pedro II</p></div>
<p align="center">Foto de Dom Pedro &#8220;idoso&#8221; de Joaquim Pacheco Rio de janeiro S.D.</p>
<p>     Certo dia, um soldado da guarda estava com fome e resolveu arranjar alguma coisa para comer. Foi aos fundos do palácio e entrou na sala de jantar. Pegou umas bananas, e quando ia apanhar também uma garrafa de vinho deu de cara com o Imperador. Colocou sobre a mesa as bananas, fez continência e disse:</p>
<p>- Vossa Majestade me perdoe. Estava com fome, vi estas bananas e não me contive.</p>
<p>- Por que não esperou o jantar, seu guarda?</p>
<p>- Saiba Vossa Majestade que aqui não nos fornecem jantar, e os que não têm dinheiro para comprar alguma coisa passam fome.</p>
<p>O Imperador ficou consternado mas nada disse. Pouco depois veio o jantar do palácio para os guardas, e daí em diante nunca mais isto se repetiu.</p>
<p>Em 1879 o Imperador decretou a <strong>Lei de Extinção dos Aldeamentos</strong> solicitada pela <strong>Câmara de Cimbres</strong> para resolver os conflitos gerados pelas invasões das terras indígenas.</p>
<p>Em 6 de setembro de 1881, o<strong> Imperador Dom Pedro II</strong> recebeu uma comissão de espíritas do <strong>Rio de Janeiros</strong>, pedindo o fim das perseguições e injustiças contra os seguidores desta religião.</p>
<p>Em 1883 <strong>Dom Pedro II</strong> inaugura os serviços da <strong>Estrada de Ferro Carangola</strong>, a cerimônia se realiza na <strong>Cidade de Itaperuna</strong>.</p>
<p>Em outubro de 1884 inaugura a <strong>Estrada de Ferro do Corcovado</strong> que foi a primeira ferrovia eletrificada do <strong>Brasil</strong>.</p>
<p>Em 1884  a partir de um decreto do imperador, a odontologia brasileira tornou-se profissão de nível universitário.</p>
<p>Em 1885 é promulgada a <strong>Lei Saraiva-Cotegipe</strong> (lei dos sexagenários), que torna livres os escravos com mais de 60 anos de idade.</p>
<p>Em 1886, <strong>Dom Pedro II</strong> e <strong>Dona Tereza Cristina</strong>, inauguram o ramal <strong>Cascavel</strong> &#8211; <strong>Poços de Caldas</strong>, da <strong>Estrada de Ferro Mogiana</strong>.</p>
<p>A 27 de junho de 1887, por decisão do <strong>Imperador Dom Pedro II</strong>, surgia a <strong>Imperial Estação Agronômica</strong>, mais tarde chamada de <strong>Instituto Agronômico</strong>.</p>
<p>Em sua última viagem como imperador (1887), com muitos problemas de saúde, partiu para a <strong>França</strong>, <strong>Alemanha</strong> e <strong>Itália</strong>. Em <strong>Milão</strong>, foi acometido de uma pleurite (inflamação da pleura, tecido que envolve os pulmões) é levado para <strong>Aix-les-Bains</strong>, onde permaneceu em tratamento. Antes de poder voltar ao <strong>Brasil</strong>, na sua ausência, a <strong>Princesa Isabel</strong> assinou a <strong><em>Lei Áurea</em></strong> que acabou com a escravidão no <strong>Brasil </strong>a 13 de maio de 1888; a princesa contava com 42 anos de idade.</p>
<p>No dia 13 de maio de 1888 ao ouvir a notícia da assinatura da <strong>Lei Áurea</strong>, <strong>Dom Pedro II</strong> enviou um telegrama a filha:</p>
<p>&#8220;Abraço a <strong>Redentora</strong>. Seu pai, <strong>Pedro</strong>&#8220;.</p>
<p><strong>     José do Patrocínio</strong>, orador popular da libertação, escreveu em seu livro:</p>
<p>&#8220;Os reis criam princesas. O imperador criou uma mulher&#8221;.</p>
<p>Na noite de 15 de junho de 1889 <strong>Dom Pedro II</strong> saia do <strong>Teatro Sant&#8217;Ana</strong>, na <strong>Praça Tiradentes nº 19</strong> (<strong>Rio de Janeiro</strong>) após um concerto. Um homem, o português de <strong>Coimbra</strong> chamado <strong>Adriano do Vale</strong>, grita: &#8220;<strong>Viva a República</strong>!&#8221; e disparou um tiro contra o imperador, o tiro não atingiu ninguém; todos ficaram indignados com o episódio, segundo consta até os republicanos acharam o acontecido lamentável. <strong>Dom Pedro</strong> não deu muita importância ao caso, inclusive pedindo calma a sua guarda pessoal ao deter o agressor. <strong>Adriano</strong> foi absolvido de todas as acusações uma semana após a proclamação da república. (<strong>O Teatro Santana</strong> é o mesmo <strong>Teatro Carlos Gomes</strong> dos dias atuais, ele foi inaugurado em 1º de fevereiro de 1872, o nome é uma homenagem a esposa do seu proprietário <strong>Pedro Ferreira de Oliveira Amorim</strong>, mais tarde foi remodelado e reinaugurado com o nome de <strong>Carlos Gomes</strong>).</p>
<p>Em setembro de 1889, <strong>Deodoro da Fonseca</strong>, que servia em <strong>Mato Grosso</strong>, voltou ao <strong>Rio de Janeiro</strong>, no momento em que ocorria novos choques entre o governo e os militares.</p>
<p>Em 9 de novembro de 1889, a oficialidade do<strong> Rio de Janeiro</strong>, se reunia no <strong>Clube Militar</strong>, confiaram a <strong>Benjamin Constant</strong> a chefia do movimento destinado a combater as medidas governamentais do <strong>Visconde de Ouro Preto</strong> (<strong>Affonso Celso de Assis Figueiredo</strong>) chefe do gabinete de ministros, considerados ofensivas ao exército. Teria estado presente nesta reunião um certo <strong>Alferes Cardoso</strong> (alferes seria o equivalente ao posto de tenente nos dias de hoje) que ao aventarem a possibilidade do imperador se recusar a ir para o exílio ele teria dado a sugestão de fuzilar <strong>Dom Pedro II</strong>; detalhe: Este <strong>Alferes Cardoso</strong> era o avô do ex-presidente da república <strong>Fernando Henrique Cardoso</strong>.</p>
<p>O <strong>Visconde de Ouro Preto</strong>, além de ter sido o chefe do gabinete de ministros era um lançador de &#8220;modinhas&#8221;, ele é freqüentemente citado na história da musica popular brasileira, principalmente nas origens do &#8220;choro&#8221; ou &#8220;chorinho&#8221;.</p>
<p>Na noite de 9 de novembro de 1889 ocorre na <strong>Ilha Fiscal</strong> ilha da <strong>Baía de Guanabara</strong> o último baile do império, com cerca de 3.000 convidados. O baile era homenagem do império aos tripulantes do couraçado chileno <strong>Almirante Cochrane</strong>. O espaço não foi projetado para esta quantidade de pessoas e o aperto foi enorme, para dançar foi um sacrifício e ao final da festa ficaram ao chão muita coisa; segundo a <strong>Revista Ilustrada</strong> foram deixados para trás no assoalho do castelo e no solo da ilha os seguintes apetrechos: &#8220;17 travesseiros, 6 almofadinhas, oito raminhos de corpete, 13 lenços de seda, 9 de linho, 15 de cambraia, 9 dragonas, 3 coletes de senhoras, 17 ligas, 8 claques, 16 chapéus de cabeça e grande quantidade de algodão em rama&#8221;. Nas quatro grandes mesas montadas para a ceia do <strong>Baile da Ilha Fiscal</strong>, os convidados encontraram nove copos de diferentes tamanhos. Destinavam-se aos 39 tipos de vinhos oferecidos pelo <strong>Visconde de Ouro Preto</strong>, presidente do Conselho de Ministros e responsável pela festa.</p>
<div id="attachment_133" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/baile.jpg"><img class="size-medium wp-image-133" title="&quot;O Último Baile da Monarquia&quot;" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/baile-300x199.jpg" alt="&quot;O Último Baile da Monarquia&quot;" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;O Último Baile da Monarquia&quot;</p></div>
<p align="center"> Último Baile da Monarquia Aurélio Figueiredo &#8211; Museu Histórico Nacional &#8211; RJ</p>
<p>     Na noite do dia 10, após uma longa discussão, <strong>Constant</strong> convenceu <strong>Deodoro</strong>, então gravemente enfermo, a participar de uma conspiração para a deposição do <strong>Gabinete do Visconde de Ouro Preto</strong>. Na ocasião, foi acertado que o golpe seria dado na noite de 17 de novembro.</p>
<p>Quando servia no <strong>Rio Grande do Sul</strong>, o <strong>Marechal Deodoro</strong> disputou com <strong>Gaspar Silveira Martins</strong> os favores de uma lindíssima gaúcha, e perdeu a parada. Por isso nutria um ódio de morte por <strong>Silveira Martins</strong>. E, só se dispôs a assinar o Decreto Nº 1 que implantava a República, na tarde de 15 de novembro quando <strong>Benjamin Constant Botelho de Magalhães</strong> lhe segredou (era tudo mentira) que <strong>Dom Pedro II</strong> ia nomear <strong>Silveira Martins</strong> como Primeiro-Ministro, em substituição ao <strong>Visconde de Ouro Preto</strong>. (veja na página inicial do site na coluna &#8220;Significado do Nome das ruas, mais informações sobre <strong>Silveira Martins</strong>).</p>
<p><strong>     Dom Pedro II</strong> foi deposto a 15 de novembro de 1889 com a Proclamação da República; o governo provisório deu-lhe 24 horas para deixar o país, e assim ele fez; foi com a família para <strong>Portugal</strong> no dia 17.</p>
<p>Foi enviada uma carta/telegrama pelos republicanos através do <strong>Coronel Mallet</strong> exigindo seu exílio, abaixo um trecho da mesma:</p>
<p align="center">     &#8220;&#8230; o governo provisório espera de vosso patriotismo o sacrifício de deixardes o território brasileiro, com a vossa família, no mais breve possível. Para esse fim se estabelece o prazo máximo de vinte e quatro horas que contamos não tentareis exceder&#8221;.</p>
<p align="center">     Mesmo depois de proclamada a república, ninguém quis levar a carta para <strong>Dom Pedro</strong>, com a notícia de que ele não era mais imperador do Brasil. A família imperial estava no palácio de <strong>Petrópolis</strong>, ao tomar conhecimento dos fatos ocorridos no dia 15, vieram para o <strong>Palácio do Paço</strong> na atual <strong>Praça XV</strong> (<strong>Rio</strong>).</p>
<p align="center">     Às 14:30h do dia 16 de novembro, o <strong>Major Sólon Ribeiro</strong> (<strong>Frederico Sólon Sampaio Ribeiro</strong>, pai de <strong>Ana de Assis</strong> a esposa de <strong>Euclides da Cunha</strong>), foi ao encontro do imperador no <strong>Paço da Cidade</strong>, que teve que ser acordado. Dizem os relatos que a <strong>Imperatriz Tereza Cristina</strong> chorou, que a <strong>Princesa Isabel</strong> ficou muda e que o imperador apenas desabafou: &#8220;estão todos loucos&#8221;.</p>
<p align="center">     Uma curiosidade: Antes desta carta enviada já pelos republicanos o <strong>Visconde de Ouro Preto</strong> enviou um telegrama ao imperador, porém, o telegrama em que o Chefe do Gabinete de Ministros noticiava a <strong>Dom Pedro II</strong> o golpe de 15 de novembro foi &#8220;atrasado&#8221; nos correios, por ordem de <strong>Floriano Peixoto</strong>. Mais tarde, no exílio sabendo deste fato <strong>Dom Pedro II</strong> declarou que se tivesse recebido no prazo correto o telegrama, teria saído de <strong>Petrópolis</strong> e ido para o <strong>Sul de Minas</strong>, e dali resistiria ao golpe.</p>
<p align="center">     Escreveu um bilhete pedindo que lhe trouxessem um exemplar de <strong><em>Os Lusíadas</em></strong> que ganhara do <strong>Senador Mafra</strong>, este livro se encontrava no <strong>Palácio de São Cristovão</strong>. A obra era uma raridade; além de ser uma primeira edição, tinha um autógrafo de nada mais nada menos de <strong>Luís de Camões</strong>, que tinha sido proprietário do livro. Foi a única coisa que pediu que viesse de <strong>São Cristóvão</strong>. (mais tarde já na <strong>Europa</strong>, ele mandou buscar alguns objetos pessoais e na iminência de ver documentos e livros importantes e raros serem leiloados ou destruídos ele doa tudo para a <strong>Biblioteca Nacional</strong>).</p>
<p align="center">     O <strong>Coronel Mallet</strong> exigiu que a família imperial embarcasse no meio da noite, o que provocou protestos de <strong>Dom Pedro II</strong>, que pretendia assistir à missa pela manhã, antes de partir: &#8220;Não sou negro fugido. Não embarco a essa hora!&#8221; mas, de nada adiantou. O <strong>Major Sólon Ribeiro</strong> evacuou o <strong>Paço Imperial</strong> que estava cheio de populares e a família imperial foi obrigada a embarcar em plena madrugada.</p>
<p align="center">     Antes de viajar, no dia 17 de novembro, <strong>Dom Pedro II</strong> escreveu uma mensagem para o povo brasileiro:</p>
<p align="center">     &#8220;Cedendo o império as circunstâncias, resolvo partir com toda a minha família para a <strong>Europa</strong> amanhã, deixando esta pátria de nós estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranhado amor e dedicação durante quase meio século, em que desempenhei o cargo de chefe de estado. Ausentando-me, eu com todas as pessoas de minha família, conservarei do <strong>Brasil</strong> a mais saudosa lembrança, fazendo votos por sua grandeza e prosperidade&#8221;.</p>
<p align="center">     Antes mesmo da chegada da família à <strong>Europa</strong> diante da recusa de <strong>Dom Pedro</strong> em aceitar uma pensão de cinco mil contos, o governo baixou o decreto 78A, banindo o ex-imperador com toda a sua família do território nacional, com a proibição de ter bens no <strong>Brasil </strong>e dando-lhes um prazo para liquidar os que aqui possuíssem.</p>
<p align="center">     De 8 de agosto a 5 de dezembro de 1890, foi realizado o infeliz leilão de arte do <strong>Paço de São Cristóvão</strong>, feito com os bens da família imperial durando 5 meses, ao todo, foram realizados 18 pregões, incluindo os três leilões efetuados na <strong>Fazenda Imperial de Santa Cruz</strong>, todos os bens leiloados foram avaliados em 190:000$000, esta quantia não era suficiente para comprar duas carruagens do Imperador.</p>
<p align="center">     A Família Imperial exilada chegava a <strong>Lisboa</strong>. Antes de desembarcar, o Imperador quis despedir-se de todos os oficiais de bordo, entregando uma lembrança pessoal aos três oficiais mais graduados, o resto da tripulação, presenteou com uma quantia em dinheiro, tendo tido o cuidado de mandar organizar uma lista com os nomes de todos os marinheiros e empregados de bordo.</p>
<p align="center">      Como sempre, nenhum detalhe escapou:</p>
<p align="center">     &#8211; Falta o homem que trata dos bois. Não o esqueça.</p>
<p align="center"> Em 28 de dezembro de 1889 em um hotel da <strong>Cidade de Porto</strong> &#8211; <strong>Portugal </strong>morre a <strong>Imperatriz Teresa Cristina</strong>. Nos seus últimos instantes de vida, confidenciou à <strong>Baronesa de Japurá</strong>:</p>
<p>- <strong>Maria Isabel</strong>, eu não morro de doença. Morro de dor e de desgosto.</p>
<p align="center">     Após a morte da esposa 40 dias após chegar a <strong>Europa</strong> vive então entre <strong>Cannes</strong>, <strong>Versalhes</strong> e <strong>Paris</strong>, onde freqüentava concertos, conferências e o Instituto de <strong>França</strong>, ao qual se associara.</p>
<p>     Passou a viver no <strong>Hotel Bedford</strong> em <strong>Paris</strong>, com o tempo, foi se acostumando a sua nova vida de <strong>Sr. Alcântara</strong> como passou a ser chamado e também se acostumou à cidade, adquirindo um hábito; saía do hotel e alugava um coche, seguia até próximo à universidade. Ali ficava na <strong>Biblioteca Nacional Nazarino</strong>, que se tornou seu recanto preferido na cidade. Nesta biblioteca passou por um pequeno contra tempo, necessitou preencher a ficha de sócio da biblioteca que lhe daria direito ao empréstimo de livros, nela devia declarar seu nome e sua profissão, porém seu nome era comprido demais e não cabia na pequena ficha. Quanto à profissão, era difícil explica-la.</p>
<p>Em 1889 termina o livro <strong>Poesias de Sua Majestade</strong> <strong>O Senhor D. Pedro II</strong>.</p>
<p>Em novembro de 1891, uma ferida no pé fez com que não pudesse mais sair do hotel. No final do mês, contraiu uma pneumonia, e a 5 de dezembro morria o Imperador do <strong>Brasil</strong>.</p>
<p>Faleceu no quarto número 18 do mesmo <strong>Hotel Bedford</strong>, antes pediu um travesseiro onde havia terra brasileira para servir de apoio a sua cabeça.</p>
<p>Seus restos, trasladados de <strong>Paris</strong> para <strong>Lisboa</strong>, foram depositados no <strong>Convento de São Vicente de Fora</strong>, junto aos da esposa.</p>
<p>Em 1898 é publicado seu livro <strong>Sonetos do Exílio</strong>.</p>
<p>Em 1920 foi revogada a lei do banimento que impedia até mesmo o retorno de seus restos mortais para o <strong>Brasil</strong>.</p>
<p>Em 1921, o <strong>Conde D&#8217;Eu</strong> retorna ao <strong>Brasil </strong>para trazer os restos mortais do casal de ex-imperadores para serem depositados na <strong>Catedral do Rio de Janeiro</strong> depois foram transferidos para a <strong>Catedral de Petrópolis</strong> (1925) e definitivamente enterrados em 1939.</p>
<p>Em 28 de dezembro de 1921 o decreto 4.419 determina o translado para o <strong>Brasil </strong>dos restos mortais da <strong>Princesa Isabel</strong>.</p>
<p>Em 1932 foram publicadas as <strong>Poesias Completas de Dom Pedro</strong> <strong>II</strong>.</p>
<p>Transcrevo aqui as palavras de <strong>Priscila Morales</strong> no <strong>Novo Dicionário Dinâmico da Língua Portuguesa</strong>:</p>
<p>&#8220;Nenhum monarca desceu do trono com tanta dignidade e moral tão elevada quanto Pedro II. Foi um soberano inatacável, cultivava o direito, a justiça e a tolerância como pontos básicos de seu governo. Recusou uma pensão que a República lhe oferecera, jamais acusou aos que o traíam e nunca, no exílio, deixou um só momento de interessar-se pelos problemas da pátria distante. Protetor das artes e das letras, fomentador da imigração, difusor da instrução pública, amigo do progresso, Pedro II ainda hoje merece o respeito e a admiração dos brasileiros.&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Tenente-Coronel João Frederico Russel</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 18:44:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nome: João Frederico Russel. Local e data de nascimento: Não disponível porém é de ascendência inglesa. Local e data da Morte: Não disponível. Contratador dos trabalhadores dos esgotos no Rio de Janeiro, também fez parte da diretoria da City (The &#8230; <a href="http://www.bairrodocatete.com.br/russel.html">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nome:<strong> João Frederico Russel.</strong></p>
<p>Local e data de nascimento:<strong> </strong>Não disponível porém é de ascendência inglesa.</p>
<p>Local e data da Morte: Não disponível.</p>
<p>Contratador dos trabalhadores dos esgotos no <strong>Rio de Janeiro</strong>, também fez parte da diretoria da <strong>City</strong> (<strong>The City of Santos Improvements &amp; Company Ltd</strong>.), empresa fundada em 1880 em <strong>Londres </strong>com o intuito de explorar diversos serviços públicos na <strong>Cidade de Santos</strong> no <strong>Estado de São Paulo</strong>.</p>
<p>Um mês depois de fundada em <strong>Londres</strong> &#8211; <strong>Inglaterra</strong> a companhia adquire a <strong>Companhia Melhoramentos de Santos</strong>, que em 21 de fevereiro de 1870 tinha contratado com a municipalidade a prestação de serviços de distribuição de água, iluminação a gás e transporte de passageiros e cargas sobre trilhos, passando a prestar esses serviços. O <strong>Coronel Russel</strong> foi lntegrado  a diretoria da <strong>Companhia Melhoramentos de Santos</strong> em 1868. (pelas datas, não dá para sentir cheiro de &#8220;cambalacho&#8221;?).</p>
<p>O <strong>Coronel e Engenheiro Russel</strong> foi quem tomou a iniciativa de que os dejetos da <strong>Cidade do Rio de Janeiro</strong> fossem recolhidos em encanamentos coligados e recolhidos em embarcações para serem lançados fora da barra ou seja, em mar aberto, fora da <strong>Baía de Guanabara</strong>. Isto data de 1860, antes o esgoto era recolhido nos quintais das residências em carroças de lixo e lançadas na praia mais próxima.</p>
<p>Depois que o <strong>Coronel Russel</strong> deixou de prestar o nauseabundo serviço de contratar outros para mexer nos esgotos dos <strong>Cariocas</strong>; sabe quem assumiu a tarefa? <strong>A City Improvements</strong>, que lhe sucedeu e instalou, ali perto na atual <strong>Rua do Russel</strong>, a primeira de sua estações de tratamento de esgotos, hoje escondida entre os jardins do <strong>Bairro da Glória</strong>.</p>
<p>Na verdade, onde hoje fica a <strong>Rua do Russel</strong>, ficava a<strong> Praia do Russel</strong>, completamente aterrada  por ocasião das obras, primeiro da abertura da <strong>Avenida Beira Mar</strong> e depois com as obras para a construção do <strong>Parque do Flamengo</strong>. Na arte ao lado, você pode ver como era a <strong>Praia do Russel</strong> em 1878 numa pintura de <strong>Fachinetti</strong> (<strong>Nicolau Antonio Fachinetti</strong>) e após alguns momentos se pode ver, onde deveria estar a praia; a foto foi tirada exatamente do mesmo ponto de vista que o pintor tinha no século XIX; atrás das árvores na foto moderna está o <strong>Pão de Açúcar</strong> nas mesmas proporções e perspectiva.</p>
<div id="attachment_124" class="wp-caption aligncenter" style="width: 300px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/animacaorusselgif.gif"><img class="size-full wp-image-124" title="Animação Rua do Russel - Praia do Russel" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/animacaorusselgif.gif" alt="Animação Rua do Russel - Praia do Russel" width="290" height="164" /></a><p class="wp-caption-text">Animação Rua do Russel - Praia do Russel</p></div>
<p>A <strong>Cidade de Niterói</strong>, no <strong>Estado do Rio de Janeiro</strong>, conheceu o bonde ainda de tração animal em 1871, estando entre as sete primeiras cidades do país que contavam com tal melhoria. A primeira concessão foi dada ao <strong>Tenente Coronel Russel</strong>.</p>
<p>E olha só o que eu achei: Lei provincial (<strong>São Paulo</strong>) nº 65, de 09/05/1868 Art. 1º<br />
Resumo: Autoriza a <strong>Câmara Municipal de Santos</strong> a contratar com o <strong>Dr. Thomaz Cochrane</strong>, <strong>Tenente Coronel João Frederico Russel</strong> e o engenheiro civil<strong> Eduardo Everett Benest</strong>, ou com quem melhores condições oferecer, a iluminação a gás, abastecimento de água potável e esgoto da cidade.</p>
<p>A casa do tenente coronel <strong>Russel</strong> ficava na hoje <strong>Rua do Russel</strong>, exatamente onde atualmente fica o <strong>Hotel Glória.</strong></p>
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		<title>Carlota Joaquina Biografia</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 18:31:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Carlota Joaquina &#8211; Primeira Parte Nome: Carlota Joaquina de Bourbon e Bragança. Local e data de nascimento: Palácio de Aranjuez &#8211; Madrid a 25 Abril de 1775. Local e data da Morte: Queluz &#8211; Lisboa a 7 Janeiro 1830. Dona &#8230; <a href="http://www.bairrodocatete.com.br/carlotajoaquina1.html">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Carlota Joaquina</strong><strong> &#8211; Primeira Parte</strong></p>
<p>Nome: <strong>Carlota Joaquina de Bourbon e Bragança</strong>.</p>
<p>Local e data de nascimento:<strong> Palácio de Aranjuez &#8211; Madrid </strong>a 25 Abril de 1775.</p>
<p>Local e data da Morte: <strong>Queluz &#8211; Lisboa</strong> a 7 Janeiro 1830.</p>
<div id="attachment_118" class="wp-caption aligncenter" style="width: 135px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/carlotajoaquina.jpg"><img class="size-full wp-image-118" title="Dona Carlota Joaquina" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/carlotajoaquina.jpg" alt="Dona Carlota Joaquina" width="125" height="165" /></a><p class="wp-caption-text">Dona Carlota Joaquina</p></div>
<p><strong>Dona Carlota Joaquina</strong> era filha primogênita (primogênita sim, porém sua mãe sofreu vários abortos) do rei <strong>Carlos IV de Espanha </strong>e da rainha <strong>Dona Maria Luísa Teresa de Parma e Bourbon</strong>. Dizem, que logo após o seu nascimento, <strong>Dona Luiza</strong> <strong>de Parma</strong> sua mãe, a levou na presença do famoso místico <strong>Conde de Sant Germant </strong>para que ele lesse na mão da pequenina<strong> Carlota</strong> o seu futuro, o seu destino, teria dito <strong>Sant Germant</strong>: &#8220;&#8230;Senhora, vossa filha será rainha sem coroa, será mulher sem amor e será mártir, martirizando os outros&#8230;&#8221;. Se é verdade que isso aconteceu, foi um resumo fantástico do que seria a vida de <strong>Dona Carlota Joaquina</strong>. Se casou em 8 de Maio, tendo 10 anos de idade; casou por procuração, com <strong>Dom João VI</strong>; uma união simplesmente por interesse de negócios entre os dois países; ele, contava com  18 anos.</p>
<p><strong>O Casamento. </strong></p>
<p>Para realizar o projeto chamdo de <strong>Floridablanca</strong> pelo qual se conseguiria uma alian&amp;cceipe <strong>Dom João</strong> a princesinha <strong>Carlota</strong>; e <strong>Portugal</strong> daria ao <strong>Príncipe Dom Gabriel</strong>, filho do<strong> Rei Carlos III</strong>,<strong> Dona Mariana Vitória</strong> irmã de <strong>Dom João</strong>; na época destes acordos <strong>Dona Carlota </strong>tinha 8 anos de idade e <strong>Dona Mariana</strong> tinha 15; esses casamentos levaram dois anos para se consumarem; só ocorreram após a assinatura do &#8220;tratado&#8221; entre a <strong>Rainha Maria Vitória</strong> de <strong>Portugal</strong> e o <strong>Rei Carlos III </strong>de <strong>Espanha</strong>. Em 17 de março de 1785<strong> </strong>o <strong>Conde de Louriçal</strong> que era ministro português na corte de<strong> Madrid</strong> pediu a mão de <strong>Dona Carlota</strong> para casamento em nome de <strong>Dom João</strong>; e o <strong>Conde Fernan Nunes</strong> embaixador espanhol em <strong>Lisboa</strong> pediu a mão da infanta portuguesa <strong>Dona Mariana Vitória</strong> em nome do príncipe <strong>Dom Gabriel</strong>. Carlota teve que submeter-se aos chamados &#8220;exames públicos&#8221; para o acordo matrimonial, quando respondeu durante 4 dias, cerca de uma hora por dia a perguntas sobre religião, geografia, história, gramática, língua portuguesa, (não se esqueça que ela era espanhola) espanhol e francês; as apresentações dos dois casais aconteceram no dia  8 de maio de 1775 na cidade portuguesa de <strong>Vila Viçosa</strong> na fronteira com a <strong>Espanha</strong>. No dia seguinte, o casamento foi aceito pela Igreja através da benção dada por um cardeal. Os festejos duraram quatro dias, durante o dia se realizavam torneios  e touradas, e a noite haviam reuniões musicais que na época se chamavam &#8220;serenins&#8221;, bailes e representações líricas. Dentro desses festejos, durante uma das noites de núpcias, a princesa <strong>Carlota</strong> agrediu o esposo, mordeu-lhe fortemente a orelha e atirou um castiçal no rosto do marido. Depois desse episódio, foi feito um ato adicional ao contrato de casamento, permitindo que <strong>Dona Carlota</strong> pudesse ter sua primeira relação sexual com o marido aos 14 anos podendo voltar atrás caso assim ela quisesse ou seja: se ela quisesse fazer sexo antes dos 14 anos, poderia. Um certo <strong>Padre José Agostinho de Macedo</strong>, imprimiu uns folhetos contando esse caso da noite de núpcias de forma brincalhona e sarcástica com o titulo &#8220;<strong>O gato que cheirou e não comeu</strong>&#8221; (o texto é de um mau gosto terrível é tão grosseiro que eu não tive coragem de reproduzir aqui); a princesa, indignada com o escrito mandou dar uma surra de chicote nas nádegas do padre, despi-lo em praça pública e aplicar uma &#8220;seringada&#8221; de pimenta do reino no seu clérigo traseiro e depois soltá-lo nu no <strong>Bairro das Marafonas</strong>. O <strong>Padre José Agostinho</strong> foi socorrido por uma atriz cômica do <strong>Teatro da Rua dos Condes</strong>, <strong>Maria da Luz</strong> que depois veio a ser amante do vigário humilhado. O matrimônio, é claro, foi um fracasso.  A vida sexual do casal só começou realmente, cinco anos depois, quando <strong>Carlota</strong> menstruou pela primeira vez.</p>
<p>Apesar dos desentendimentos permanentes do casal, não só no campo pessoal, mas também no aspecto político, eles conseguiram passar 36 anos casados, embora durante os últimos anos da união não houvesse mais convivência entre eles.</p>
<p><strong>Seus filhos.</strong></p>
<p>Mãe de nove filhos (mas comentava-se que pelo menos cinco deles não eram filhos de <strong>Dom João</strong>), um deles <strong>Pedro,</strong> que seria imperador do <strong>Brasil</strong>; foram eles:</p>
<p><strong>     Dona Maria Teresa Francisca de Assis Antonia Carlota Joana Josefa Xavier de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga de Bragança</strong>. Nasceu a 29 abril 1793 em <strong>Queluz &#8211; Portugal</strong>, se casou com  seu primo <strong>Pedro Carlos Antonio de Bourbon e Bragança</strong> (que faleceu em 26 de Maio de 1812) a 13 Maio de 1810 no <strong>Rio de Janeiro</strong>. Em segundas núpcias casou com<strong> </strong>com o seu cunhado e tio, o<strong> Infante Dom Carlos Maria Isidro</strong>, <strong>Duque de Madrid</strong> e <strong>Conde de Montemolin e Molina</strong>, que em 1834 enviuvara da <strong>Infanta Dona Maria Francisca de Assis</strong>. <strong>Dona Maria Teresa</strong> morreu a 17 Janeiro de 1874 em <strong>Trieste</strong>.</p>
<p><strong>     Dom Antonio de Bragança e Bourbon </strong>(<strong>Dom Antonio Pio</strong>). Foi <strong>Príncipe da Beira</strong>. Nasceu a 21 Março de 1795 em <strong>Queluz &#8211; Portugal</strong> e morreu a 11 Junho de 1801.</p>
<p><strong>     Dona Maria Isabel Francisca de Bragança</strong>, nasceu no <strong>Palácio de Queluz </strong>a 19 maio de  1797 em <strong>Queluz &#8211; Portugal</strong>, casou com o <strong>Rei Dom Fernando VII de Espanha</strong> seu tio, que já enviuvara de <strong>Dona Maria Antonia de Bourbon y Lorena</strong>, <strong>Princesa de Nápoles</strong>; a 29 Setembro de 1816 e morreu a 29 dezembro de 1818 em <strong>Madrid &#8211; Espanha</strong>.</p>
<p><strong>     Dom Pedro I de Bragança</strong> (<strong>Pedro IV</strong> de<strong> Portugal</strong>),<strong> </strong>nasceu a 12 Outubro de 1798 em <strong>Portugal</strong>, casou em 1817 com <strong>Maria Leopoldina Von Habsburg-Lothringen</strong> e morreu a 24 Outubro de 1834 em <strong>Portugal</strong>. Teve um segundo casamento com<strong> Amélia de Beauharnais. </strong>Foi esse aí que proclamou a independência do <strong>Brasil</strong> e foi o seu primeiro imperador.</p>
<p><strong>     Dona Maria  Francisca Assis de Bragança</strong>, nasceu no <strong>Palácio de Queluz</strong> em 22 de Abril de 1800, casou em 1816, com o seu tio, <strong>Dom Carlos Maria Isidro</strong>, <strong>Infante de Espanha</strong>, falecido em 1815 e morreu em <strong>Gosport</strong> &#8211; <strong>Inglaterra</strong>, a 4 de setembro de 1834, estando sepultada na capela-mor da igreja católica da mesma cidade inglesa.</p>
<p><strong>     Dona Isabel Maria de Bragança</strong>, nasceu no <strong>Palácio de Queluz &#8211; Portugal</strong>, a 4 de julho de 1801; faleceu em <strong>Benfica &#8211; Portugal</strong>, a 22 de abril de 1876, estando sepultada no <strong>Panteão de São Vicente de Fora</strong>. Nunca casou, tendo sido regente do reino, de 6 de Março de 1826 a 26 de Fevereiro de 1828. Após a vitória da causa liberal manteve-se afastada da vida política.</p>
<p><strong>     Dom Miguel I de Bragança</strong>, nasceu a 26 outubro de 1802 em <strong>Queluz &#8211; Portugal</strong>; foi batizado com o nome de:<strong> Dom <em>Miguel</em> Maria do Patrocinio João Carlos Francisco de Assis Xavier Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo Infante de Portugal; </strong>depois do golpe seu nome ficou sendo: <strong>Dom <em>Miguel</em> I Maria do Patrocinio João Carlos Francisco de Assis Xavier Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo Rei de Portugal e Algarves</strong>, casou em 1851 com <strong>Adelheid zu Löwenstein</strong>-<strong>Wertheim Rosenberg</strong> e morreu a 14 novembro de 1866 em <strong>Carlsruhe</strong>, junto a<strong> Bronnbach &#8211; Viena</strong>. Foi esse cara aí que tentou depor o próprio pai. Se auto proclamou rei em 11 de Agosto de 1828; e foi deposto e enviado para o exílio por <strong>Dom PedroNasceu no Palácio de Queluz, a 25 de Junho de 1805; faleceu em Santarém &#8211; Portugal a 7 de janeiro de 1834; sepultada na Igreja do Milagre, de Santarém, e depois transladada para o Panteão de São Vicente de Fora.</strong></p>
<p><strong>Dona Ana de Jesus Maria Luíza Gonzaga Joaquina Micaela Rafaela Sérvula Francisca Antônia Xavier de Paula Bragança e Bourbon</strong>, nasceu no <strong>Palácio de Mafra</strong> a 23 outubro de 1806, casou em 5 dezembro de 1827 com <strong>Nuno José Severo de Mendonça Rolim de Moura Barreto</strong> (<strong>2.º Marquês de Loulé</strong>) e morreu a 22 junho de 1857 em <strong>Roma</strong> &#8211; <strong>Itália</strong>.</p>
<p><strong>   </strong>  Em 1081 durante o episódio que entrou para e história como <strong>A Guerra das Laranjas</strong>, no qual a <strong>Espanha</strong> deu apoio a <strong>França</strong> para invadir <strong>Portugal</strong>, <strong>Carlota Joaquina</strong> sai em defesa do marido e de <strong>Portugal</strong>, alertando seu pai por carta do perigo que todos corriam ao se envolverem com <strong>Napoleão</strong>; não deu outra, 7 anos depois toda a família real espanhola estava presa por ordem de <strong>Napoleão Bonaparte</strong>, menos é claro, ela que era casada com o <strong>Dom João VI</strong> e fugiu para o <strong>Brasil</strong>.</p>
<p><strong>Sua Aparência e sua Personalidade.</strong></p>
<p><strong>     Infante da Espanha</strong>, <strong>Rainha de Portugal</strong> e <strong>Imperatriz Honorária do Brasil</strong>, <strong>Carlota Joaquina de Bourbon</strong> só tinha um aspecto em comum com seu marido; a feiúra aterradora; conta um artigo da época que:</p>
<p><strong>    </strong> &#8220;&#8230;A mulher era quase horrenda, ossuda, com uma espádua acentuadamente mais alta do que a outra, uns olhos miúdos, a pele grossa que as marcas da bexiga (<em>bexiga</em>: o mesmo que varíola. Nota do autor), ainda fazia mais áspera, o nariz avermelhado. E pequena, quase anã&#8230; Uma alma ardente, ambiciosa, inquieta, sulcada de paixões, sem escrúpulos, com os impulsos do sexo alvoroçados&#8230;&#8221;.</p>
<p><strong>     Dona Leopoldina</strong>, uma de suas noras, que casou com <strong>Dom Pedro I</strong>, Imperador do Brasil, quando a viu pela primeira vez, achou-a tão feia que &#8220;baixou os olhos como não querendo voltar a vê-la; as marcas da varíola, o corte de cabelo, cordões e mais cordões de pérolas e pedras preciosas enroladas em seus cabelos, pendendo de seus cachos gordurosos como cobras&#8221;. (trecho entre aspas extraído do diário de <strong>Dona Leopoldina</strong>).</p>
<p><strong>     </strong>Uma de suas filhas, <strong>Dona Maria Tereza</strong>, em conversa com <strong>Dona Leopoldina</strong>, revela na lata a personalidade de sua mãe:</p>
<p><strong>     </strong>&#8220;Nossa Mãe <strong>Dona Carlota Joaquina</strong>, temos de respeitá-la, mas é preferível sair do seu caminho. Você vai ouvir seus gritos até nas ruas mais distantes, quando ela tem um ataque de raiva, porque não lhe trazem jovens fortes&#8230; Ela é uma <strong>Bourbon</strong> e teve de casar com um <strong>Bragança</strong>, que não é uma estirpe boa. Com os portugueses tudo é indefinido&#8230; Pouca ambição, pouco espírito de luta. Os nossos pais não nos amam, eles nos separaram; <strong>Pedro</strong> (<strong>Dom Pedro I</strong>. Nota do autor) teve sorte de poder viver com o pai. Nós, as moças, as minhas duas irmãs e meu irmão <strong>Miguel</strong> tivemos de viver com ela&#8230; Meu pai mandou prendê-la num convento (o <strong>Convento da Ajuda</strong> no <strong>Rio de Janeiro</strong>, Nota do Autor), porque não podia mais confiar nela. Ela se oferece aos criados&#8230; No <strong>Convento da Ajuda</strong> tentaram conter o seu desejo com uma alimentação especialmente leve, mas voltou ainda mais briguenta, mais desajustada. <strong>Montevidéu</strong> ela quer só para si, ela a espanhola&#8230; Queria vender suas jóias para poder pagar uma conspiração que derrubasse nosso pai. Isso ela já havia feito em <strong>Lisboa</strong>, queria conseguir afastar o marido do trono, declarando-o incapaz&#8230; Os comerciantes na praça fofocam sobre a ninfomaníaca; ela encomenda manteiga irlandesa e trigo alemão, o veludo e as cortinas de tule da <strong>Itália</strong>, e manda o porteiro ir até a agência, para que lhe mandassem garotos. Ela mesma desce até o porto quando chegam navios da <strong>Europa</strong>; tem um interesse especial por aqueles que se declaram médicos, querendo que lhe expliquem e desenhem as partes do corpo humano&#8230; A maioria tem medo de tal mulher; e eu também&#8221;. Dizia a infeliz filha.</p>
<div id="attachment_119" class="wp-caption aligncenter" style="width: 257px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/conventodaajuda2.gif"><img class="size-full wp-image-119" title="Convento da Ajuda" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/conventodaajuda2.gif" alt="Convento da Ajuda" width="247" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">Convento da Ajuda</p></div>
<p align="center">Próximo de onde hoje é o final da Avenida Rio Branco.</p>
<p align="center">(Rio de Janeiro)</p>
<div id="attachment_120" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/conventodaajuda.jpg"><img class="size-medium wp-image-120" title="Convento da Ajuda" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/conventodaajuda-300x194.jpg" alt="Convento da Ajuda" width="300" height="194" /></a><p class="wp-caption-text">Convento da Ajuda</p></div>
<p align="center">Foto tirada de outro ângulo. No centro aproximado desta foto, fica hoje a <strong>Cinelândia</strong> (no <strong>Centro da Cidade</strong>). A rua enviesada, é a <strong>Rua da Ajuda</strong> propriamente dita, ainda existe um pequenino pedaço dela atrás do prédio da sede do <strong>BANERJ</strong> (<strong>Banco do Estado do Rio de Janeiro</strong>, recentemente privatizado pelo <strong>Banco Itaú</strong>).</p>
<p><strong>     </strong>Mesmo antes de a família real vir para o <strong>Brasil</strong>, <strong>Carlota</strong> insultava o rei insinuando que nenhum de seus filhos seriam dele; <strong>Pedro</strong> seria filho de um certo fidalgo chamado <strong>Marialva</strong> e <strong>Miguel</strong>,<strong> </strong>filho de um jardineiro do <strong>Palácio de Ramalhão</strong> que supostamente <strong>Carlota</strong> teria mandado matar após ter engravidado dele. Em conseqüência desses desentendimentos formou-se uma verdadeira rede de intrigas na corte, e este circuito que atuava entre as duas partes se tornava assunto predileto das fofocas do <strong>Rio de Janeiro</strong>. Se estava mau humorada, mandava chicotear transeuntes que não se ajoelhavam quando ela passava com seu cortejo.</p>
<p><strong>A Chácara de Botafogo</strong>.</p>
<p><strong>     </strong>Não era sem razão, portanto, que o real casal habitasse casas diferentes, ela na <strong>Chácara de Botafogo</strong> (esquina da antiga <strong>Estrada do Catete</strong>, atual <strong>Rua Marques de Abrantes</strong> com a <strong>Praia de Botafogo</strong>), ele em <strong>São Cristovão</strong> (na atual <strong>Quinta da Boa Vista/Museu Imperial</strong>).</p>
<p><strong>    </strong> A <strong>Chácara de Botafogo</strong> (também conhecida como <strong>Palácio de Botafogo</strong>) pertencia ao <strong>Sr. José Fernandes</strong>, filho do famoso contratador de diamantes <strong>Dr. Fernandes</strong> e da mais famosa ainda, a ex-escrava <strong>Chica da Silva</strong>.</p>
<p><strong>    </strong> Quando da chegada da família real no <strong>Rio de Janeiro</strong> vindo da <strong>Bahia</strong>, as melhores casa, mansões chácaras e palacetes foram desapropriados para hospedar os fidalgos da corte portuguesa; não a família real na pessoa de seus membros mais diretos, a esses, a própria elite da sociedade carioca havia oferecido imóveis como &#8220;presentes&#8221; aos reis e sua família, assim foi com a <strong>Quinta da Boa Vista</strong> em <strong>São Cristovão</strong> (presente de um riquíssimo negociante português chamado <strong>Elias Silva</strong>, um judeu convertido ao catolicismo que obteve sua fortuna a base do tráfico de escravos e que após este &#8220;presente&#8221; ao <strong>Rei</strong> ganhou inúmeros cargos e comendas da família real e ficou conhecido como &#8220;<strong>O Turco</strong>&#8220;), uma casa na <strong>Ilha de Paquetá</strong>, a bela chácara de <strong>São Domingos</strong> na <strong>Praia Grande</strong> (presente de uma certa mulata, herdeira de muitos bens de seu falecido esposo o <strong>Sr. José Nunes</strong>), e outra na <strong>Ilha do Governador</strong> (presente de outro negociante rico). Quanto aos outros membros da parasita corte portuguesa, fidalgos ou não, esses foram viver em casas, chácaras e mansões desapropriadas pelo <strong>Príncipe Regente</strong> para esses fim.</p>
<p><strong>     </strong>O membro da corte andava pelas ruas acompanhado de um funcionário da coroa portuguesa, olhava para uma casa que lhe conviesse e dizia ao meirinho:</p>
<p><strong>    </strong> &#8211; Quero Esta!</p>
<p><strong>     </strong>O Oficial de Justiça que o acompanhava comunicava ao infeliz proprietário do imóvel que tinha a partir daquele momento 24 horas para deixar o imóvel e todos os móveis; a casa era marcada com um giz ou tinta azul com a sigla <strong><em>PR</em></strong>, que queria dizer <strong>Príncipe Regente</strong>, mas que os cariocas transformavam como sendo <strong><em>Ponha-se na Rua</em></strong><em>.</em></p>
<p><strong>     </strong>No caso da <strong>Chácara de Botafogo</strong>, aconteceu o seguinte:</p>
<p>O <strong>Diretor da Balança Real</strong>, um cargo sem nenhuma significância, foi procurar uma casa para ele e sua família; meteu-se pela <strong>Estrada do Catete</strong> indo dar na <strong>Praia de Botafogo</strong>; olhando para a belíssima chácara no centro de um lindo jardim estilo inglês, avisou ao &#8220;meirinho do rei&#8221; que queria essa chácara; o funcionário entrou e informou ao <strong>Sr. José Fernandes</strong>:</p>
<p><strong>     </strong>- Em nome do <strong>Regente</strong>, eu intimo o <strong>Sr. José Fernandes</strong> a ceder este imóvel ao <strong>Sr. Trancoso</strong> diretor do erário público!</p>
<p>- Certo senhor meirinho eu já esperava, aceitou o <strong>Sr. José Fernandes</strong> e continuou:</p>
<p>- O <strong>Sr. Trancoso</strong> vai querer os móveis também?</p>
<p>O funcionário do tesouro do rei olhando os móveis de jacarandá e pau-santo respondeu:</p>
<p>- Certamente <strong>Sr. Fernandes</strong>&#8230;</p>
<p>- Tudo bem, é seu. E os meus quadros? E meus vasos de <strong><em>Sèrves</em></strong>? (região onde se produzia os melhores cristais da <strong>Europa</strong>).</p>
<p>- Isto está incluído na mobília&#8230;</p>
<p>- E os meus livros?</p>
<p>- Também&#8230;</p>
<p>- E meu oratório com as imagens dos santos de minha devoção?</p>
<p>- Também, afinal eu sou cristão&#8230;</p>
<p>-  Então fique com tudo&#8230;</p>
<p>- E minha escrava, arrumadeira, a cozinheira e o meu pajem?</p>
<p>- Também fico com eles <strong>Sr. Fernandes</strong>&#8230;</p>
<p>Então o</p>
<table width="223" border="1" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td width="213">
<p align="center">José Severo de Mendonça Rolim de Moura Barreto, 9.º Conde de Vale de Reis, 2.º Marquês de Loulé e 1.º Duque de Loulé.</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>Sr. José Fernandes</strong> foi até o quarto e buscou a sua esposa, uma mulata mineira de <strong>Diamantina</strong>, gorducha, e perguntou:</p>
<p>- <strong>Sr. Trancoso</strong>, essa é a minha esposa, o senhor também vai querer requisita-la em nome do <strong>Príncipe Regente</strong>?</p>
<p>O <strong>Diretor da Balança Real</strong> olhou, olhou e disse:</p>
<p>- Infelizmente a autorização do rei não permite isso. Se fosse permitido eu&#8230;</p>
<p>- Eu te enfiava uma faca na cara! Gritou a mineira gorducha&#8230; interrompendo a fala do <strong>Sr.Trancoso</strong>.</p>
<p>A tarde, neste mesmo dia, o <strong>Sr. José Fernandes</strong>, tendo perdido sua mansão, foi até ao <strong>Convento do Carmo</strong> (na atual <strong>Rua do Carmo</strong>), onde <strong>Dona Carlota Joaquina</strong> estava instalada provisoriamente e disse a ela:</p>
<p>- Senhora, a residência mais bonita de <strong>Botafogo</strong> está a sua disposição, com mobília, escravos e serviçais, permita que a ofereça a vossa majestade!</p>
<p>- Aceito! Respondeu <strong>Carlota</strong>.</p>
<p><strong>     </strong>No dia seguinte pela manhã, <strong>Trancoso</strong> e toda a sua família saíram de carruagem pela <strong>Estrada do Boqueirão da Glória</strong> (aproximadamente o que é hoje a <strong>Rua da Glória</strong>), entraram pela <strong>Estrada do Catete</strong>; <strong>Trancoso</strong>, todo satisfeito e orgulhoso chegou na chácara e deu de cara com a Princesa já instalada em sua nova residência.</p>
<p><strong>    </strong> &#8211; O que fazem aqui? Perguntou <strong>Dona Carlota</strong> a <strong>Trancoso</strong>.</p>
<p>- Beijar a mão de vossa majestade gaguejou o funcionário do erário da coroa.</p>
<p>- Ora, vá pentear macacos! Esbravejou a princesa. Estou cheia de rapapés e &#8220;beija-mãos&#8221;; ponha-se daqui pra fora com sua tropa e não me apareça mais aqui.</p>
<p><strong>O Chalaça.</strong></p>
<p><strong>    </strong> Era sabido por todos das aventuras amorosas de <strong>Carlota Joaquina</strong>, &#8220;amorosa&#8221;, é uma maneira de dizer, pois ao que se saiba era só sexo, nada mais. Além do mais ela representava constante perigo a autoridade do príncipe. O regente conseguia espiões para vigia-la e a princesa subornava outros tantos para estar sempre abastecida de informações do que ocorria no <strong>Palácio Real</strong> e na <strong>Quinta da Boa Vista</strong>.</p>
<p><strong>  </strong>   É aí que entra o <strong>Sr. Francisco Gomes da Silva</strong> que tinha o apelido de <strong>Chalaça</strong> (chalaça=Dito de zombaria. 2. Dito picante. 3. Frase graciosa e satírica. Fonte: <strong>Dicionário Michaelis</strong>), sua alcunha seria o equivalente hoje em dia apelidar alguém de <strong>Palhaço</strong>. Ele, a princípio trabalhava para <strong>Carlota</strong>, mas depois foi pressionado pelo regente e passou a espionar sua mulher para ele; depois de vários relatórios feitos por <strong>Chalaça</strong> sobre as atividades sexuais da esposa, o príncipe regente teria em certa ocasião dito em público:</p>
<p><strong>    </strong> &#8220;&#8230;Na vida de <strong>Carlota</strong>, a moralidade morreu&#8230;&#8221;.</p>
<p><strong>     Francisco Gomes</strong> que era filho do ourives da casa real, espionava <strong>Carlota</strong> a partir de suas idas e vindas a <strong>Chácara de Botafogo</strong> (também conhecida como <strong>Palácio de Botafogo</strong>), que era a residência da princesa. Ele era reposteiro do paço, cargo que cuidava do equipamento decorativo das residências oficiais do rei. Tendo o espião <strong>Chalaça</strong> descoberto muitas das peripécias sexuais de <strong>Carlota</strong>, relatou tudo ao marido <strong>Dom João</strong>; <strong>Carlota</strong> então foi tomada de um ódio figadal pelo puxa-saco do rei e seu traidor.</p>
<p><strong>     </strong>Certa vez <strong>Dona Carlota Joaquina</strong> subornou uma criada de sua filha, a princesa <strong>Maria Teresa</strong> para espionar o <strong>Chalaça</strong>; eis que essa criada, descobriu que de 13:00 ás 14:00h da tarde, horário da sesta do rei e dos príncipes; <strong>Francisco Gomes</strong> o <strong>Chalaça</strong> se encontrava com a dama de honra da casa real <strong>Eugênia Costa</strong> (que era casada com <strong>Antonio Costa</strong> fornecedor comercial do <strong>Palácio Real</strong>) para seções de sexo na salinha de costura da princesa <strong>Maria Teresa</strong>.</p>
<p><strong>     </strong>Foi numa quarta-feira a tarde que <strong>Dona Carlota Joaquina</strong> montou em um de seus cavalos e, saindo pela <strong>Estrada do Catete</strong> (atual <strong>Rua do Catete</strong>), cruzou o <strong>Largo do Machado</strong>, entrou pela <strong>Estrada do Boqueirão da Glória</strong> (atual proximidades da <strong>Rua da Glória</strong>); a direita ela tinha um caminho mais longo, porém mais saudável, beirando a <strong>Praia do Russel</strong> (atual <strong>Avenida Beira Mar</strong> e parte do <strong>Aterro do Flamengo</strong>), a <strong>Praia Areia de Espanha</strong> (atual <strong>Avenida Augusto Severo</strong> e <strong>Monumento aos Pracinhas</strong>), e logo chegaria ao <strong>Paço</strong> (na atual <strong>Praça XV</strong>), mas, ela preferiu encurtar caminho, passando pelo fétido brejo próximo ao aqueduto dos <strong>Arcos da Lapa</strong> e tomando a <strong>Rua da Ajuda</strong>, e assim, num átimo como se dizia na época ela saiu da <strong>Chácara de Botafogo</strong> e apareceu nos aposentos do rei seu marido.</p>
<p><strong>    </strong> &#8211; João, disse <strong>Carlota</strong>, você mandou <strong>Francisco Gomes</strong> seu criado de confiança para me espionar e, confiando nele, disse que a moralidade em mim, havia morrido, agora vou lhe mostrar que essa tal moralidade que você tanto preza também é moribunda aqui no palácio. Quer Ver? Vamos até ali, na sala de costura de nossa filha.</p>
<p><strong>    </strong> &#8211; Você perdeu o juízo <strong>Carlota</strong>?</p>
<p>- Vamos ver, vamos ver&#8230; Respondeu <strong>Carlota</strong>.</p>
<p>O rei, vestindo roupão e chinelos, dirigiu-se a sala de costura. Lá estavam os dois amantes, <strong>Chalaça</strong> e <strong>Eugênia</strong> num canapé de jacarandá (pequeno e estreito sofá, em geral estofado com palhinha), no exato momento em que <strong>Francisco</strong> apertava contra o seu peito os gordos seios da dama de honra da casa real.</p>
<p>- Que canalhice é essa? Gritou o rei indignado com a cena.</p>
<p>- Perdão senhor, perdão! Disseram os dois ao mesmo tempo, de joelhos e tentando beijar as mãos de <strong>Dom João</strong>.</p>
<p>- Retirem-se para os seus aposentos! Isso é uma vergonha! Querem transformar o palácio num bordel? Gritou o rei enquanto os amantes se recompunham.</p>
<p>- <strong>João</strong>, disse <strong>Carlota Joaquina</strong> ao esposo, fico satisfeita do seu empregado de confiança ter dado uma grande demonstração de comportamento moral, te deixo aqui neste suave recanto de moralidade e volto para a minha casa, paraíso de devassidão segundo seus espiões. E sorrindo cinicamente saiu, voltando a <strong>Chácara de Botafogo</strong>.</p>
<p><strong>     </strong>O rei ficou muito contrariado com o episódio, não que ele não soubesse que coisas semelhantes ocorriam por todo o palácio, mas sim por ter presenciado e de <strong>Carlota</strong> ter sabido antes dele dos amantes na saleta de costura. Ele não gostava dessa devassidão, mas tolerava, por não ter muito o que fazer.</p>
<p><strong>     </strong>No dia seguinte ao ocorrido, <strong>João</strong> soube que <strong>Chalaça</strong> e <strong>Eugênia</strong> haviam fugido do palácio para uma chácara no <strong>Cosme Velho</strong> (hoje um bairro próximo ao <strong>Bairro do Catete</strong> de onde sai o bondinho para o <strong>Corcovado</strong> e o <strong>Cristo Redentor</strong>; na verdade, bem próximo de onde ficava a chácara de <strong>Dona Carlota</strong>). Ele mandou chamar o <strong>Ministro Thomaz Antonio</strong>.</p>
<p><strong>     </strong>- Thomaz, disse o rei, deu-se ontem aqui, um fato vergonhoso e impróprio desta casa. Surpreendi o reposteiro <strong>Francisco Gomes da Silva</strong> abraçado e aos beijos com a dama <strong>Eugênia</strong>, e acabo de saber agora que ambos fugiram deste <strong>Paço</strong>. Eles não podiam continuar no serviço e eu pretendia despedi-los simplesmente, sem escândalo. Mas diante do que aconteceu eu punirei o sedutor. Fiz esta minuta. Leve-a ao corregedor do crime e que o castigo se torne público como público já é o escândalo que esse malandro provocou.</p>
<p><strong>     </strong>Dois dias depois <strong>Carlota Joaquina</strong>, na sua residência de <strong>Botafogo</strong>, recebia a visita da filha <strong>Maria Teresa</strong> que lhe levava um exemplar da <strong>Gazeta do Rio de Janeiro</strong>.</p>
<p><strong> </strong>    &#8211; Então, filha, que novidades há no <strong>Paço</strong>?</p>
<p>- A maior de todas é o rapto da <strong>Eugênia Costa</strong>. Ela foi seduzida pelo reposteiro <strong>Francisco Gomes</strong>, e, tiveram a petulância de erigir minha saleta de costura, enquanto dormíamos a sesta, em templo de amor.</p>
<p>- E o que aconteceu ao <strong>Gomes</strong>?</p>
<p>- Ah! O <strong>Gomes</strong> foi bem castigado. Leia isto na &#8220;<strong><em>Gazeta do Rio</em></strong>&#8220;. Trouxe-lhe o jornal, porque sei que há de agradar-lhe uma notícia.</p>
<p>Pegando o jornalzinho oficial, <strong>Carlota</strong> <strong>Joaquina</strong>, gozando um de seus prazeres, que era a vingança, leu pausadamente, em voz alta:</p>
<p>&#8220;- Sr. Corregedor do crime.</p>
<p><strong>    </strong> &#8211; Não devendo ficar impune o desatino em que caiu o reposteiro da Câmara Real <strong>Francisco Gomes da Silva</strong>, de aleivosamente aliciar e raptar uma dama de honor, é el-rei nosso senhor servido que vossa mercê faça intimar o sobredito reposteiro que não entre mais no <strong>Paço</strong> e que deve sair para fora da Corte, numa distância de dez léguas (seriam cerca de 60 Km hoje em dia. Nota do autor), até segunda ordem. O que participo a vossa mercê para que assim o execute. Deus guarde a vossa mercê. <strong>Thomaz Antonio</strong>.&#8221;</p>
<p><strong>     </strong>(mais tarde <strong>Chalaça</strong> se &#8220;exilou&#8221; em<strong> Itaboraí</strong>, hoje, uma cidade a cerca de 40 km do centro do <strong>Rio de Janeiro</strong>, mas que na época ficava muito distante, pois não havia a <strong>Ponte Rio-Niterói</strong>, que hoje atravessa a <strong>Baía de Guanabara</strong> fazendo com que o percurso entre o <strong>Rio</strong> e <strong>Itaboraí</strong> tenha se encurtado muito).</p>
<p><strong>     </strong>- Aí está, minha filha, como o rei, seu pai e meu marido, sem o querer, reconhece nos seus protegidos e meus inimigos, a devassidão e imoralidade que eles me atribuem. Eu, uma devassa, eles uns santos&#8230; Olha, minha filha, cá e lá más favas há. Ainda tenho esperanças de ver o favorito <strong>Lobato</strong> desmascarado. E há de ser, se <strong>Deus</strong> quiser&#8230; (<strong>Lobato</strong> foi eleito inimigo mortal de <strong>Carlota</strong> desde 1805 quando ele através de uma denúncia do <strong>Frei Franciscano Antonio de Andrade</strong> anunciou ao príncipe regente a tentativa de golpe de <strong>Carlota</strong>)</p>
<p>Era assim que a princesa cuidava de seus inimigos.</p>
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		<title>Chica da Silva (Xica da Silva)</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 19:53:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Nome: Francisca da Silva Oliveira Local e data de nascimento: Distrito de Milho Verde &#8211; (Serro) pertencente a época ao Arraial do Tijuco ou &#8220;Tejuco&#8221; onde hoje se situa a Cidade de Diamantina no Estado de Minas Gerais (Brasil) ano não disponível, porém provavelmente nasceu em &#8230; <a href="http://www.bairrodocatete.com.br/chicadasilva1.html">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nome: <strong>Francisca da Silva Oliveira</strong></p>
<p>Local e data de nascimento:<strong> Distrito de Milho Verde</strong> &#8211; (<strong>Serro</strong>) pertencente a época ao <strong>Arraial do Tijuco ou &#8220;Tejuco&#8221; </strong>onde<strong> </strong>hoje se situa a <strong>Cidade de Diamantina no Estado de Minas Gerais</strong> (<strong>Brasil</strong>) ano não<strong> </strong>disponível, porém provavelmente nasceu em<strong> </strong>1732.</p>
<p>Local e data da Morte: Na tumba de número 16<strong>, </strong>da <strong>Igreja da Irmandade</strong> <strong>Ordem 3ª de São Francisco de Assis</strong> &#8211; <strong>Arraial do Tijuco &#8211; MG -</strong> (atual <strong>Cidade de Diamantina</strong>) a 15 de fevereiro de 1792. O Site JusBrasil afirma que ela morreu em 1796 no <strong>Arraial do Tejuco</strong>, onde viveu.</p>
<p>Obs.: <strong>Milho Verde</strong>, ficava a meio caminho entre o <strong>Arraial do Tijuco</strong> (atual <strong>Diamantina</strong>) e a <strong>Vila do Príncipe</strong> (hoje <strong>Cidade do</strong> <strong>Serro</strong>).</p>
<p align="center">(<strong>as datas desta biografia não são confiáveis n.a.</strong>)</p>
<p><strong>     Francisca da Silva </strong>era filha do relacionamento extra-conjugal do português <strong>Antônio Caetano de Sá</strong> e da escrava baiana, <strong>Maria da Costa</strong>. É possível que essa informação seja incorreta, talvez <strong>Maria da Costa</strong> tenha nascido na <strong>África,</strong> na <strong>Costa da Mina. </strong>(A chamada <strong>Costa da Mina </strong>era um território africano à beira do <strong>Oceano Atlântico </strong>no golfo da <strong>Guiné. </strong>Foi ocupado pelos ingleses que ali estabeleceram importantes entrepostos comerciais, que passaram a ser defendidas pelas guarnições das fortalezas que antes pertenciam a <strong>Portugal</strong>, dentre as quais as de <strong>São João Batista de Ajudá</strong>).</p>
<p>Muitos escravos da região da <strong>Costa da Mina</strong> na <strong>África</strong>, foram traficados para <strong>Minas Gerais</strong> pelo fato destes escravos a princípio terem experiência em mineração, porém em todo <strong>Brasil</strong>, poucos foram os escravos vindos desta região africana em particular.</p>
<p>Foi escrava do <strong>Sargento-Mor</strong> <strong>Manoel Pires Sardinha </strong>(um <strong>Sargento &#8211; Mor</strong> era responsável por dois grupos de 20 arqueiros cada um; muito provavelmente era apenas o nome da patente militar, pois não haviam mais arqueiros regulares no exército português; mal comparando seria como hoje o militar ter a patente de Capitão de Corveta e não comandar corveta alguma) de quem tornou-se amante &#8211; alguns historiadores se referem ao português <strong>Manoel Sardinha</strong> como ele sendo também médico além de possuir lavoura no <strong>Tijuco</strong>. Neste relacionamento teve dois filhos: <strong>Plácido Pires Sardinha</strong>, que mais tarde se formou em engenharia em <strong>Coimbra</strong> e <strong>Simão Pires Sardinha</strong>, também educado na <strong>Europa </strong>que mais tarde ocupou vários cargos no alto escalão da corte e existem histórias sem comprovação de que ele teria feito parte da inconfidência mineira. (muitos autores não fazem referência ao filho <strong>Plácido</strong>).</p>
<p><strong>     </strong>Quando<strong> Simão</strong> nasceu em 1751, ela estava na casa dos 19 anos e o <strong>Sargento</strong> <strong>Sardinha</strong> já era sexagenário. No registro de batismo de <strong>Simão Pires Sardinha</strong>, seu pai não assumiu a paternidade, porém lhe deu alforria e mais tarde em testamento reconheceu o filho como um de seus herdeiros. (ele tinha dois outros filhos &#8220;oficiais&#8221;).</p>
<p>Depois ela veio a ser escrava do<strong> Padre Rolin</strong> (<strong>José da Silva Oliveira</strong>),<strong> </strong>foi por essa época que ela conheceu o <strong>Contratador de Diamantes</strong> João Fernandes de Oliveira (alguns autores incistem na tese de que a seu pedido foi libertada pelo padre, mas documentos descobertos provam que ela foi alforriada por João Fernandes.</p>
<p>A primeira vez que a história de <strong>Chica da Silva</strong> veio ao grande público foi através de um livro de 1868 (76 anos após a sua morte), &#8220;<strong>Memórias do Distrito Diamantino</strong>&#8221; escrito pelo advogado <strong>Joaquim Felício dos Santos</strong>; antes deste livro a vida de <strong>Chica</strong> sempre foi desconhecida e vivia mais como lenda ou histórias da esfera regional mineira. O livro faz uma descrição por demais negativa de <strong>Chica</strong>, por exemplo; ele a descreve desta maneira &#8220;uma mulata alta, corpulenta, boçal e careca&#8221;!</p>
<p>Este mesmo <strong>Joaquim Felício dos Santos</strong>, que como mencionei, era advogado, em 1860 se torna o representante legal dos herdeiros de <strong>Chica da Silva</strong> na ação de posse dos bens no <strong>Brasil </strong>do <strong>Desembargador João Fernandes</strong>. Com um pouco de imaginação se pode presumir que em havendo algum descontentamento por parte de algum dos filhos de <strong>Chica</strong> e de <strong>João</strong> <strong>Fernandes</strong>, ele poderia por raiva ou despeito escrever coisas absurdas a respeito da mãe deles, pode ser apenas uma suposição, mas bem serve para explicar o porque dele escrever coisas tão negativas sobre a ex-escrava.</p>
<p>Lendo o livro se tem a impressão de tendencialismo, inveja, &#8220;<em>pinimba</em>&#8221; ou coisa que o valha. Alguns estudiosos afirmaram que quando <strong>José Felício</strong> escreveu seu livro ainda haviam pessoas vivas que conheceram <strong>Chica da Silva</strong>&#8230; É possível? Sim. É provável? Não. Como disse ele escreveu o livro 76 anos após a morte da escrava; mas foi baseado nisto que afirma-se que as descrições físicas dela não poderiam estar erradas.</p>
<p>Posteriormente em 1924, a escritora <strong>Nazaré Meneses</strong>, autora de notas sobre a nova edição do livro de <strong>Felício dos Santos</strong>, diz que não poderia ser ela horrenda, visto ter agradado tanto o <strong>Contratador de Diamantes João Fernandes</strong>, jovem, bonito e rico.</p>
<p>O jornalista <strong>Antônio Torres</strong> escreveu apontamentos sobre <strong>Diamantina</strong> (antigo <strong>Arraial do Tijuco</strong> ou &#8220;<strong>Tejuco</strong>&#8220;) no início do século XX , deixou registrado em seus escritos que o cadáver de <strong>Chica da Silva</strong> foi descoberto alguns anos depois de sua morte intacto, conservando ainda &#8220;a pele seca e negra&#8221;; quem via ficava horrorizado segundo <strong>Torres</strong>; na verdade foi a partir destes escritos de <strong>Antônio Torres</strong>, que a vida de <strong>Chica da Silva</strong> despertou interesse não só do público em geral como também de historiadores, organizadores de roteiros turísticos, romancistas e escritores de peças de teatro, porém o que poucos prestam a atenção, é que <strong>Antonio Torres</strong> escrevia basicamente sobre &#8220;tradições orais&#8221;, &#8220;dizem que&#8221;, &#8220;contam que&#8221; no entanto se não fosse por estes relatos você provavelmente não estaria lendo agora esta biografia.</p>
<p>Daí pra frente virou festa, cada um mostrando uma <strong>Chica</strong> de acordo com suas fantasias e imaginações; de uma maneira geral nenhum destes trabalhos foram baseados em pesquisas históricas consistentes.</p>
<p>No ano de 1720 nasce <strong>João Fernandes</strong> seu futuro marido.</p>
<p>A vida de <strong>Chica da Silva</strong> pode ser comparada a de qualquer conto de fadas europeu, como a estória da <strong>Gata Borralheira</strong> por exemplo, só que no caso de <strong>Francisca da Silva</strong>,<strong> </strong>foi real, aconteceu de verdade, ainda que sua história tenha inspirado, livros e filmes ficcionais.</p>
<p>Em 1753 <strong>João Fernandes</strong> chega ao <strong>Arraial do Tijuco</strong>.</p>
<p>No mesmo ano de 1753, <strong>Chica da Silva</strong> foi comprada pelo desembargador da Coroa <strong>João Fernandes de Oliveira.</strong></p>
<p>Negra, escrava, semi-analfabeta, tinha tudo para na sua época ter vivido no mais completo anonimato, conheceu o contratador de diamantes, o rico <strong>Comendador João Fernandes de Oliveira</strong> lá mesmo onde nasceu no <strong>Arraial do Tijuco</strong> (<em>Ty-Yuc</em> &#8211; liquido podre, lama, brejo), a atual <strong>Cidade de Diamantina </strong>em<strong> Minas Gerais</strong>.</p>
<p>Alguns a descrevem linda e sensual, e com essa sensualidade teria conseguido tudo o que queria do comendador; outros, a descrevem como feia e sem atributos físicos, porém inteligente e ardilosa.</p>
<p>Como eu disse, o contratador a libertou. Qual o motivo? Por ela ser feia e sem graça?</p>
<p>Me parece meio sem sentido.</p>
<p>Em 1754 atravéz de Carta de Alforria liberta pelo Contratador João Fernandes.</p>
<p>Ela, podia não ser mais escrava, mas o comendador era um homem poderoso, poderia ter a escrava que quisesse na cama e obriga-la a fazer tudo o que quisesse na alcova.</p>
<p>Ao que parece, além de bela, <strong>Chica</strong> deveria ter certos apelos sexuais talvez únicos para tal poder de sedução junto ao contratador. Isso sem contar que ela já havia sido &#8220;mulher&#8221; de outro branco com o qual tivera dois filhos.</p>
<p>Desde 1754, <strong>Chica da Silva</strong> passou a se chamar <strong>Francisca da Silva de Oliveira</strong>.</p>
<p>Com isso, <strong>Francisca</strong> se tornou uma pessoa poderosa, autoritária inclusive, recebendo o apelido de &#8220;<strong>Chica Mandona</strong>&#8221; ou &#8220;<strong>Chica que Manda</strong>&#8220;. Ela chegou a ser senhora de escravos! O contratador satisfazia os seus mínimos desejos e vontades; só para se ter uma idéia ele mandou construir a famosa <strong>Chácara de Chica da Silva</strong> no <strong>Bairro da Palha</strong>, também chamada de palácio, onde havia um jardim com plantas exóticas vindas da <strong>Europa</strong> e cascatas artificiais, além de um suntuoso teatro onde atores contratados na corte e no <strong>Rio de Janeiro</strong> (note que nessa época a corte ainda não havia sido transferida para o <strong>Rio de Janeiro</strong>), vinham encenar as peças mais famosas da época.</p>
<p>Alguns dos córregos e riachos do sítio foram represados no intuito de formar um lago artificial para que <strong>Chica</strong> pudesse navegar em uma réplica de navio feito só para que ela tivesse a sensação de navegar, visto que ela nunca havia conhecido o mar. (Existe muita controvérsia a respeito deste episódio, muitos afirmam que isso nuca ocorreu).</p>
<p>A <strong>Ordem Terceira do Carmo</strong> havia começado a empreitada de construir uma nova igreja, a <strong>Igreja Nossa Senhora do Carmo</strong>. O <strong>Sr. João Fernandes</strong>, se indispôs com outros membros da irmandade, devido ele ter escolhido um terreno próximo a &#8220;<strong>Casa do Contrato</strong>&#8220;, onde trabalhava, dessa forma ele acabou assumindo sozinho a construção.</p>
<p>Existe uma curiosidade sobre essa construção; a torre da igreja foi construída nos fundos e não na frente como é de praxe, uns dizem que era uma tentativa de burlar uma lei que proibia os negros de passarem além da torre da igreja ao entrarem para assistir as missas, desta forma, como a torre fica ao fundo, <strong>Chica da Silva</strong> poderia entrar em qualquer parte do templo; outros afirmam que <strong>Francisca </strong>teria pedido ao seu homem, que construísse a torre ao fundo para não ouvir o badalo do sino, eu fico com a primeira opção, pois o som do sino é ouvido em quase todo o centro da <strong>Cidade de Diamantina</strong> (ao menos quando eu estive lá na década de 1970 era assim), e a casa onde os dois moravam fica bem próximo da igreja, ou seja, ela ouviria o barulho de qualquer forma, não seria o fato do referido sino estar a frente ou ao fundo que mudaria esse fato.</p>
<p>Ela gostava de andar rodeada de escravas e possuía sua própria capela particular; a <strong>Capela de Santa Quitéria</strong> que não mais existe, algo muito incomum naqueles tempos.</p>
<p>Teve 13 filhos com <strong>João Fernandes</strong> (alguns historiadores se referem apenas a 12 filhos; na verdade só foram encontrados documentos referentes a 11), todos foram reconhecidos por ele inclusive seus dois enteados tiveram a melhor educação da época.</p>
<ol start="1">
<li><strong>Francisca de Paula</strong> &#8211; abril de 1755 (data de batismo), o padrinho foi o antigo proprietário de <strong>Francisca</strong> o <strong>Sargento &#8211; Mor Manuel Pires Sardinha</strong>.</li>
<li><strong>João Fernandes</strong> &#8211; 1756.</li>
<li><strong>Rita</strong> &#8211; 1757.</li>
<li><strong>Joaquim</strong> &#8211; 1759.</li>
<li><strong>Antonio Caetano</strong> -1761.</li>
<li><strong>Ana</strong> <strong>Quitéria</strong>- 1762.</li>
<li><strong>Helena</strong> &#8211; 1763.</li>
<li><strong>Luiza</strong> &#8211; 1764.</li>
<li><strong>Antônia</strong> &#8211; 1765 (data provável).</li>
<li><strong>Maria</strong> &#8211; 1766.</li>
<li><strong>Rita</strong> <strong>Quitéria </strong>- 1767.</li>
<li><strong>Mariana</strong> &#8211; 1769.</li>
<li><strong>José Agostinho Fernandes</strong> &#8211; 1770, este morou no <strong>Rio de Janeiro</strong>, e por ocasião da vinda da família Real portuguesa para o <strong>Brasil</strong>, teve sua linda chácara desapropriada, para que Dona Carlota Joaquina fizesse dela sua residência, esta chácara ficou conhecida como &#8220;<strong>Chácara de Botafogo</strong>&#8221; ou &#8220;<strong>Palácio de Botafogo</strong>&#8220;, se localizava no final da &#8220;<strong>Estrada do Catete</strong>&#8221; esquina com <strong>Praia de Botafogo</strong>. (leia maiores detalhes em &#8220;Pequena História do Catete&#8221; ou na biografia de <strong>Carlota Joaquina</strong>, ambas a partir da página inicial deste site).</li>
</ol>
<p>Em 1767 enviou para o <strong>Educandário Macaúbas</strong> as filhas mais velhas, <strong>Francisca de Paula </strong>(com 12 anos), <strong>Rita Quitéria</strong> (com 10 anos) e <strong>Ana Quitéria</strong> (com 5 anos) por cada matricula, ela pagou o dote de 900 mil-réis em barras de ouro e mais uma anuidade para despesas de 60 mil-réis. Cada uma de suas filhas levou uma escrava e as três contavam com mais um casal de escravos que ficavam do lado de fora do educandário.</p>
<p>Em 1770, morre seu &#8220;sogro&#8221; em <strong>Portugal</strong>.</p>
<p>Também em 1770 <strong>João Fernandes</strong> retorna a <strong>Portugal</strong> para não mais voltar.</p>
<p>As outras 4 filhas do casal: <strong>Helena</strong>, <strong>Luiza</strong>, <strong>Maria</strong> e <strong>Quitéria</strong> também foram para o educandário, não sei os anos de matrícula de cada uma, porém em 1780 todas já estavam lá; foi neste ano que <strong>Chica da Silva</strong> retirou todas as suas filhas do internato e as trouxe para viver com ela, provavelmente em função da morte do comendador no ano anterior. Também pode ter sido pelo motivo dela ter perdido a confiança na instituição, pois sabe-se que neste ano houve alterações nos regulamentos do educandário feitas pelo <strong>Bispo Domingos da Encarnação</strong> <strong>Pontevel</strong> visando &#8220;moralizar&#8221; o recolhimento.</p>
<p>Os quatro meninos, inclusive <strong>Simão</strong> (enteado de <strong>João Fernandes</strong>), foram educados na <strong>Europa</strong>. <strong>João</strong>, o filho mais velho do casal<strong>, </strong>estudou em <strong>Coimbra </strong>e tornou-se herdeiro do pai. <strong>Simão</strong> concluiu seus estudos em <strong>Roma</strong>, e se tornou almoxarife do reino.</p>
<p>Cada filha recebeu uma fazenda de herança e várias delas realizaram bons casamentos.</p>
<p>Em 1779 falece <strong>João Fernandes </strong>em sua casa de <strong>Lisboa</strong>.</p>
<p><strong>     Francisca da Silva Oliveira</strong> pertenceu as mais importantes irmandades e confrarias da região na época, irmandades estas tanto de &#8220;brancos&#8221; como de &#8220;negros&#8221;: <strong>Irmandade do Santíssimo</strong> (<strong>Tejuco,</strong> para brancos), <strong>Irmandade de São Miguel e Almas</strong> (para brancos), <strong>Irmandade Nossa Senhora do Carmo</strong> (<strong>Vila do Príncipe</strong>, para brancos),<strong> Irmandade de São Francisco </strong>(<strong>Tejuco</strong>, para brancos), <strong>Irmandade Terra Santa </strong>(para brancos), <strong>Irmandade das Mercês</strong> (para mulatos), e a <strong>Irmandade Nossa Senhora do Rosário</strong>, nesta, só para negros ocupou vários cargos importantes, inclusive duas vezes como juíza e uma vez como irmã da mesa diretora.</p>
<p>Morreu em <strong>Diamantina</strong>, provavelmente sem a pompa a que estava acostumada, mas certamente com uma vida muito confortável, inclusive deixando um polpudo testamento para seus inúmeros filhos. Está sepultada na <strong>Igreja da Irmandade</strong>  <strong>Ordem 3ª de São Francisco de Assis </strong>(foto abaixo de <strong>Júnia Furtado</strong>), onde duas de suas filhas também foram sepultadas anos mais tarde.</p>
<p>Em maio de 2009 o Projeto Sempre Memória do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) expôs a Carta de Alforria de Chica da Silva. O documento foi exposto no Palácio da Justiça de Minas Gerais (Av. Afonso Pena, 1420, Centro, Belo Horizonte). Depois ele percorreu várias outras instituições sempre exposto ao público.</p>
<div id="attachment_110" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/igrejachica.jpg"><img class="size-medium wp-image-110" title="Igreja da Irmandade Ordem 3ª de São Francisco de Assis foto de Júnia Furtado" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/igrejachica-300x271.jpg" alt="Igreja da Irmandade Ordem 3ª de São Francisco de Assis foto de Júnia Furtado" width="300" height="271" /></a><p class="wp-caption-text">Igreja da Irmandade Ordem 3ª de São Francisco de Assis foto de Júnia Furtado</p></div>
<p align="center">
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		<title>Machado de Assis</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 19:39:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nome: Joaquim Maria Machado de Assis Local e data de nascimento: Morro do Livramento &#8211; Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839. Local e data da Morte: Dia 29 de setembro de 1908, às 3h 45 da &#8230; <a href="http://www.bairrodocatete.com.br/machadodeassis1.html">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nome: Joaquim Maria Machado de Assis</strong></p>
<p><strong>Local e data de nascimento: </strong><strong>Morro do Livramento</strong> &#8211; <strong>Rio de Janeiro</strong>, RJ, em 21 de junho de 1839.</p>
<p><strong>Local e data da Morte: </strong>Dia 29 de setembro de 1908, às 3h 45 da madrugada, na casa do <strong>Cosme Velho nº 18 &#8211; Bairro do Cosme Velho</strong> &#8211; <strong>Rio de Janeiro</strong>.</p>
<div id="attachment_101" class="wp-caption aligncenter" style="width: 252px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/assinaturamachado.gif"><img class="size-full wp-image-101" title="Assinatura de Machado de Assis" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/assinaturamachado.gif" alt="Assinatura de Machado de Assis" width="242" height="39" /></a><p class="wp-caption-text">Assinatura de Machado de Assis</p></div>
<p>Filho do operário <strong>Francisco José Machado de Assis </strong>(um mulato, filho de escravos que era pintor e dourador), e da portuguesa nascida na <strong>lha de São Miguel</strong>, nos <strong>Açores</strong> <strong>Maria Leopoldina Machado da Câmara </strong>(que veio a usar o nome de casada <strong>Maria Leopoldina Machado de Assis</strong>).</p>
<p><strong>Machado</strong> nasceu e foi criado numa chácara na qual seus pais trabalhavam, que ficava no <strong>Morro do Livramento </strong>(atual zona portuária do <strong>Rio de Janeiro</strong>, próximo ao <strong>Bairro da Saúde</strong>), essa imensa chácara ia desde o mar onde hoje ficam as docas e os armazéns até o <strong>Campo da Aclamação</strong> (<strong>Campo de Santana</strong>/<strong>Praça da República</strong>) essa enorme propriedade pertencia a <strong>Maria José de Mendonça Barroso</strong> <strong>Pereira</strong>, que era viúva do <strong>Brigadeiro Bento Barroso Pereira</strong>, um homem que tinha sido muito poderoso, senador do Império, por duas vezes foi <strong>Ministro da Guerra</strong> e uma vez <strong>Ministro da Marinha.</strong> <strong>Dona Maria José </strong>era muito generosa, e os agregados da fazenda como os pais do <strong>Machado de Assis</strong> disputavam a sua proteção, e assim conseguiram que ela fosse sua madrinha de batismo; a mulher foi duas vezes homenageada durante o batismo do moleque. Como madrinha, daria ainda o seu nome ao afilhado; seu nome <strong>Joaquim Maria</strong> é uma homenagem a <strong>Dona Maria José</strong> e ao padrinho, o funcionário do Paço Imperial <strong>Joaquim Alberto de Sousa da Silveira</strong>. Nessa chácara ele viveu até os 15 anos de idade perdeu a mãe muito cedo, pouco se conhece da sua infância e início da adolescência pois <strong>Machado de Assis</strong> não gostava de falar a respeito, na verdade ele não tocava no assunto nem com seu amigos mais chegados; sabe-se que ele ajudava nas missas na <strong>Igreja da Lampadosa </strong>(na atual <strong>Av Passos</strong> no <strong>Centro do Rio de Janeiro</strong>),<strong> </strong>que foi baleiro (vendedor ambulante de balas e confeitos), e sabe-se também que<strong> </strong>aos 10 anos de idade, já sabia de cor a &#8220;<strong>Canção do Exílio</strong>&#8220;, de <strong>Gonçalves Dias</strong>; entre os 14 e 15 anos, foi íntimo do <strong>Padre Antonio José da Silveira Sarmento</strong>, um famoso professor da época, que contribuiu para a formação espiritual do rapaz. Mais tarde, <strong>Machado</strong> dedicou dois poemas ao padre, confessando que, durante um ano, o sacerdote lhe fora &#8220;um modesto preceptor e um agradável companheiro&#8221;.</p>
<p>Ainda vivendo na chácara do <strong>Morro do Livramento</strong>, em 1845 morre sua única irmã <strong>Maria</strong> <strong>Machado de Assis</strong> que contava com 4 anos, vítima de sarampo (durante uma epidemia que assolou o <strong>Rio de Janeiro</strong>) em 1849 morre a sua mãe, morreu &#8220;tísica&#8221; (provavelmente tuberculose), <strong>Machado de Assis</strong> estava com 10 anos de idade.</p>
<p>Então, seu pai viúvo, se casa pela segunda vez em 1854, dessa vez com a mulata <strong>Maria Inês</strong> e se muda com a família para um sobrado na <strong>Rua</strong> <strong>São Luís Gonzaga</strong> <strong>nº 48</strong>, no <strong>Bairro de São Cristóvão</strong>. Nem tudo são espinhos; em <strong>São Cristovão</strong> ele conheceu uma tal de <strong>Madame Gallot</strong>, proprietária de uma padaria no bairro que passou a lhe ensinar o idioma francês. <strong>Machado</strong> tinha 15 anos.</p>
<p>Foi baleiro, balconista de uma papelaria por 3 dias, caixeiro, revisor, funcionário público; sempre com pouco dinheiro para poder ler tudo o que queria, freqüentava bibliotecas públicas da Corte; dessa forma ele se tornou sócio do <strong>Real Gabinete Português de Leitura</strong> uma lindíssima e riquíssima em obras literárias biblioteca, existente até hoje no <strong>Largo de São Francisco</strong>, que emprestava livros para os sócios; com pouco tempo para ler, aproveitava todos os momentos disponíveis; trabalhando no centro da cidade, para voltar para casa, lia dentro de uma barca, que fazia o trajeto: <strong>Cais Pharoux</strong>, ou <strong>Cais dos Franceses</strong>, como então se dizia (fotos abaixo), a <strong>São Cristóvão</strong> onde residia.</p>
<div id="attachment_102" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/caisfharoux.jpg"><img class="size-medium wp-image-102" title="Cais Pharoux" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/caisfharoux-300x206.jpg" alt="Cais Pharoux" width="300" height="206" /></a><p class="wp-caption-text">Cais Pharoux</p></div>
<p>As vezes fica difícil localizar com precisão alguns pontos históricos no <strong>Rio de Janeiro </strong>devido a grande modificação geográfica sofrida pelas obras de urbanização feitas ao longo dos séculos, mas o <strong>Cais Pharoux</strong> ficava aproximadamente onde hoje são as adjacências da região da <strong>Praça XV</strong>; tentando ser mais preciso, ficaria nas proximidades de onde está o <strong>Museu Histórico Nacional</strong>. Na primeira foto acima você vê o <strong>Cais Pharoux </strong>e o <strong>Mercado da Praia do Peixe</strong>, aproximadamente em 1893/1894 foto de <strong>Juan Gutierrez</strong>. Podemos ver algumas embarcações ancoradas; um pouco atrás, na <strong>Praça XV de Novembro</strong>, um edifício redondo chamado de &#8220;rotunda&#8221; onde esteve exposto o quadro do grande panorama do <strong>Rio de Janeiro</strong>, de <strong>Vitor Meireles</strong> e outra do belga <strong>Langerock</strong>; à sua esquerda o <strong>Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas</strong>, onde trabalhou o <strong>Machado de Assis</strong> e <strong>Manuel Buarque de Macedo</strong>,<strong> </strong>portanto, entende-se a sua opção de ir de &#8220;barca&#8221; para o <strong>Bairro de São Cristovão</strong> onde morava nessa época; na extrema esquerda quase imperceptível nesta fotografia se vê com algum esforço o antigo <strong>Hotel Pharoux</strong> (ou, como era chamado popularmente, <strong>Hotel dos Franceses</strong>). O morro ao fundo era o <strong>Morro do Castelo.</strong></p>
<div id="attachment_103" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/caispharoux1.jpg"><img class="size-medium wp-image-103" title="Cais Pharroux" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/caispharoux1-300x225.jpg" alt="Cais Pharroux" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Cais Pharroux</p></div>
<p>Na foto acima se pode ver melhor o <strong>Cais Pharoux</strong> e o <strong>Mercado da Praia do Peixe</strong>, foto tirada entre os anos de 1893/1894 por <strong>Juan Gutierrez</strong>. Embarcações a vela ancoradas ou aportando; um pouco do movimento do mercado; atrás, vê-se a chaminé da <strong>Alfândega</strong>.</p>
<p><strong>Machado</strong> lia um pouco de tudo, mas é sabido de algumas de suas leituras preferidas: <strong>Garret</strong>, <strong>Castilho</strong>, <strong>Alexandre Herculano</strong>, <strong>Camilo</strong> e os grandes românticos franceses. Nesta época começou a escrever poesias, a primeira publicada, em um jornalzinho intitulado <strong>Periódico dos Pobres</strong>, na edição de 3 de outubro de 1854; foi um &#8220;Soneto&#8221; dedicado à &#8220;<strong>Ilustríssima Senhora D.P.J.A</strong>&#8221; foi assinado como sendo de <strong>J. M. M. Assis</strong> (ele estava com 15 anos); no texto do poema ele se refere a <strong>Dona Petronilha</strong>, nome que mostra as duas primeiras letras da senhora homenageada, a outra parte do enigma, ficará provavelmente como mistério, para sempre.</p>
<p>Em 1855, frequentava a <strong>Livraria e Tipografia </strong>do<strong> mulato Paula Brito</strong>, segundo consta, um sujeito muito humano, onde depois trabalhou como caixeiro; livraria é mais uma forma de expressão, pois a loja vendia de tudo, remédios, chás, fumo-de-rolo, porcas e parafusos etc. Além de servir de ponto de encontro, lá funcionava a <strong>Sociedade Petalógica</strong> (<strong><em>peta</em></strong>=(ê), s. f. 1. <strong>Mentira</strong>, patranha <strong>Fonte: dicionário Michaelis</strong>), ou seja, a <strong>Sociedade Petalógica</strong> era uma espécie de &#8220;clube de mentirosos&#8221;, lá se mentia por brincadeira, para se divertir, por irreverência aos acontecimentos; <strong>Machado de Assis</strong> se referiu a <strong>Sociedade Petalógica</strong> assim: &#8220;lá se discutia de tudo, desde a retirada de um ministro até a pirueta da dançarina da moda&#8221; e continua: &#8220;desde o dó do peito de <strong>Tambelick</strong> até os discursos do <strong>Marquês do Paraná</strong>&#8220;.</p>
<p>Na Sociedade ele teve contato com homens mais ricos e poderosos, desta forma ele aprendeu a se comportar em ambientes mais sofisticados, teve contato com vários escritores importantes como: <strong>Araújo Porto-Alegre </strong>(por mais estranho que possa parecer, o nome dele leva hífen mesmo), <strong>Joaquim Manuel de Macedo</strong>, <strong>Francisco Otaviano</strong> e <strong>José de Alencar</strong>, com <strong>Francisco Otaviano</strong> e <strong>José de Alencar</strong> fez amizade que durou anos. <strong>Brito</strong> passou a editar o jornal de modas e variedade <strong>A Marmota Fluminense</strong>, onde <strong>Machado</strong> se tornou colaborador freqüente, nesse jornal ele viu publicado seu segundo poema, &#8220;<strong>Ela</strong>&#8221; na edição de 12 de janeiro de 1855, e 4 dias depois foi a vez do poema &#8220;<strong>A Palmeira</strong>&#8220;; <strong>Machado de Assis</strong> contava com 16 anos incompletos.</p>
<p>É muito provável que <strong>Machado de Assis</strong> tenha trabalhado como aprendiz de tipógrafo na <strong>Tipografia Nacional</strong>, que ficava na <strong>Rua da Guarda Velha </strong>(atual <strong>Rua 13 de Maio</strong>), mesmo sendo consenso histórico, não se pode ter comprovação documental, pois os aqruivos de registro de pessoal desta repartição pública se perderam em um incêndio, mas, em um artigo publicado por <strong>Artur Barreiros</strong> no periódico &#8220;<strong>Penna e Lapiz</strong>&#8220;, a 10 de junho de 1880 ele afirma que de fato ele trabalhou lá, <strong>Alfredo Pujol</strong> diz que além disso ele era de certa maneira relapso em seus deveres por estar sempre lendo em horário de trabalho. O administrador da <strong>Tipografia Nacional</strong>, <strong>Manuel Antônio de Almeida</strong> (autor de <strong>Memórias de um Sargento de Milícias</strong>), teria recebido reclamações sobre o desempenho de <strong>Machado de Assis</strong>, tendo ido esclarecer a situação, acabou fazendo uma boa amizade com o escritor.</p>
<p>No escritório do advogado<strong> Caetano Filgueiras</strong>, ocorria ás 16:00h as reuniões onde alguns rapazes da época se reuniam, dentre eles: <strong>Casimiro de Abreu</strong>, <strong>Macedo Júnior</strong>, <strong>Gonçalves Braga</strong>, <strong>Emílio Zaluar</strong>, <strong>Teixeira de Melo</strong>, o próprio <strong>Machado de Assis</strong> e, é claro o dono da sala o advogado <strong>Caetano Filgueiras</strong>, nestas reuniões eles se atualizavam, declamavam poesias e contavam suas aventuras ou desventuras românticas. Em um círculo mais íntimo era chamado de &#8220;<strong>Machadinho</strong>&#8220;; considerado um jovem sociável, alegre e brincalhão; como diz <strong>Ubiratam Machado,</strong> o autor de sua biografia no site da <strong>Academia Brasileira de Letras</strong>, &#8220;&#8230;O Carioca típico&#8230;&#8221;</p>
<p><strong>Assis</strong> vai trabalhar no <strong>Correio Mercantil</strong> como revisor,pelas mãos do amigo <strong>Henrique César Muzzio</strong>, como continuava a ganhar muito mal, se desdobrava a escrever artigos como colaborador de vários periódicos, ganhando algum para poder sobreviver.</p>
<p>Na revista &#8220;<strong>O Espelho</strong>&#8221; (de propriedade de <strong>Eleutério de Sousa</strong>), ele consegue sua primeira coluna fixa: &#8220;<strong>Revista dos Teatros</strong>&#8220;, uma coluna de críticas teatrais.</p>
<p>Em 25 de março de 1860, convidado por <strong>Quintino Bocaiúva</strong>, começou a trabalhar como repórter do jornal <strong>Diário do Rio de Janeiro</strong>, órgão pertencente ao <strong>Partido Liberal</strong> (absolutamente nada que ver com o <strong>Partido Liberal</strong> de hoje, ano 2003), nesta função de repórter ele &#8220;cobria&#8221; as atividades do <strong>Senado do Império</strong>. <strong>Assis </strong>estava com 21 anos.</p>
<p>Neste jornal, ocupou várias funções, chegando até mesmo a redigir a publicação inteira algumas vezes.</p>
<p>A partir daí, ele começa a fazer sucesso profissional. É colaborador desde o primeiro número de &#8220;<strong>A Semana Ilustrada</strong>&#8221; (propriedade de <strong>Henrique Fleuiss</strong>), já pode dividir um sobrado na <strong>Rua Mata Cavalos</strong> (atual <strong>Rua do Riachuelo</strong>), com seu colega<strong> Ramos Paz</strong>, pela primeira vez se separando do pai e da madrasta. (ele estava com pouco mais de 21 anos de idade).</p>
<p>Se entrosou com escritores franceses exilados que se reuniam na redação do jornal <strong>Courrier du Brésil</strong>, de <strong>Adolphe Hubert</strong> onde aproveitava para exercitar seu francês. Mais tarde, <strong>Adolphe Hubert</strong>, foi o primeiro a fazer uma crítica teatral de um trabalho de<strong> Assis</strong>.</p>
<p>Ele gostava de freqüentar festas, os chamados saraus, e gostava de declamar em público.</p>
<p>Já adulto, foi diagnosticado como sofredor de epilepsia o que eventualmente lhe causava &#8221; gagueira&#8221; ao recitar em público.</p>
<p><strong> </strong>O primeiro livro de <strong>Machado de Assis</strong> foi impresso, em 1861, na tipografia de <strong>Paula Brito</strong> (provavelmente financiado pelo próprio <strong>Brito</strong>), com o título <strong>Queda que as mulheres têm para os tolos</strong>, mas o nome do <strong>Machado</strong> aparecia como tradutor e não como autor, durante muito tempo se pensava que ele era o autor desse livro, mas depois se descobriu ser uma tradução de um escritor belga de nome <strong>Victor Hénaux</strong>; portanto, devemos tomar muito cuidado ao lermos biografias muito antigas do escritor, pois podemos incorrer em erros históricos graves. No mesmo ano de 1861 em setembro, foi lançada a peça &#8220;<strong>Desencantos</strong>&#8220;, uma fantasia dramática em dois atos, que não chegou a ser encenada; desta época em diante escreveu 6 peças teatrais originais e 4 traduções, recebeu uma crítica um pouco áspera do seu amigo <strong>Quintino Bocaiúva</strong> e interrompeu a produção teatral, se limitando a traduções; muito menos pela crítica de <strong>Bocaiúva</strong> e mais porque peças originais não rendiam muito dinheiro, enquanto as traduções eram bem pagas. Nessa ocasião ele contava com 22 anos.</p>
<p>Em 1862, passou a ser censor teatral para o governo, cargo não remunerado, mas que lhe dava ingresso livre nos teatros. Começou também a colaborar em <strong>O Futuro</strong>, órgão dirigido por <strong>Faustino Xavier de Novais</strong>, seu quase futuro cunhado.</p>
<p>Saiu em 1864 o seu primeiro livro de poesias, <strong>Crisálidas</strong>. Quando tinha apenas 25 anos.</p>
<p>A partir de junho de 1864, começou a escrever prosa de ficção para o <strong>Jornal das Famílias</strong>, revista para um público mais aristocrático, de modas, figurinos e literatura, com uma magnífica impressão litográfica. Bem apropriado para quem a pouco tempo tinha sido agraciado com a insígnia de <strong>Cavaleiro da Ordem da Rosa</strong>, primeiro marco em seu processo de ascensão social; já se iam longe os dias do &#8220;clube dos mentirosos&#8221;. Publicou ali mais de 70 contos e novelas, assinados com seu nome e com pseudônimos.</p>
<p>Em 1867, foi nomeado ajudante do diretor de publicação do <strong>Diário Oficial</strong>.</p>
<p>Nessa época, foi que vivenciou seus próprios romances antes de conhecer <strong>Dona Carolina</strong> sua futura esposa; dizia ele:</p>
<p>&#8220;A minha história passada do coração, resume-se em dois capítulos: Um amor, não correspondido; outro, correspondido. Do primeiro nada tenho que dizer; do outro não me queixo; fui eu o primeiro a rompê-lo&#8221;.</p>
<p>Em agosto de 1869, morreu <strong>Faustino Xavier de Novais</strong> seu amigo e quase cunhado.</p>
<p>No dia 12 de novembro de 1869, casou com <strong>Carolina Augusta Xavier de Novaes</strong>, irmã de seu amigo falecido a apenas 3 meses, o poeta <strong>Faustino Xavier de Novaes</strong>, ela, com 4 anos de idade a mais que ele, que se diziam gostar de mulheres mais velhas. Foi uma excelente companheira durante 35 anos, tendo dado acesso a <strong>Machado</strong> aos clássicos portugueses e vários autores de língua inglesa. Foram morar na <strong>Rua do Fogo nº 119</strong> (<strong>Rua dos Andradas</strong>). Foi o tipo de casamento que se podia chamar de &#8220;Mão na Luva&#8221;, pois os dois se davam muito bem, e, parafraseando <strong>Mario Lago</strong>, ela poderia perfeitamente &#8220;achar bonito não ter o que comer&#8221;. Ele com 31 anos e ela 35.</p>
<p><strong>Carolina</strong> nasceu na <strong>Cidade do Porto</strong> &#8211; <strong>Portugal </strong>a 20  de fevereiro de 1835 era filha de <strong>Custódia Emília Xavier de Novais</strong> e de <strong>Antônio Luís de Novais</strong>; tinha 5 irmãos: <strong>Emília</strong>, <strong>Adelaide</strong>, <strong>Miguel</strong>, <strong>Henrique</strong> e <strong>Faustino</strong> sendo este último que serviu de ponte para o encontro com <strong>Machado</strong>. <strong>Machado</strong> <strong>de</strong> <strong>Assis</strong> muitas vezes se referia a ela carinhosamente de <strong>Carola</strong>.</p>
<p>Por volta de 1867, os pais de <strong>Carolina</strong> faleceram, o seu irmão <strong>Faustino</strong> pede para que venha morar no <strong>Brasil</strong>, pois ele estava sofrendo de certos &#8220;distúrbios mentais&#8221; em 18 de julho de 1868 ela chega ao <strong>Rio de Janeiro</strong>. Existe um outro motivo desconhecido mesmo para biógrafos tarimbados, um certo &#8220;drama familiar íntimo&#8221; que animaria <strong>Carolina</strong> a sair de <strong>Portugal</strong> após a morte dos pais. Seja lá o que for, lendo as poucas cartas que sobrou da época de namoro e noivado percebe-se que <strong>Machado</strong> sabia.</p>
<p>O primeiro romance de <strong>Machado</strong>, <strong>Ressurreição</strong>, saiu em 1872. Pouco depois, o escritor foi nomeado primeiro oficial da <strong>Secretaria de</strong> <strong>Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas</strong>, foi subordinado de <strong>Manuel Buarque de Macedo </strong>iniciando assim a carreira de burocrata que lhe seria até o fim o meio principal de sobrevivência<strong>.</strong></p>
<p>Em 1874, começou a publicar, no Jornal <strong>O Globo</strong> de então (jornal de <strong>Quintino Bocaiúva</strong>, não confundir com o <strong>O Globo</strong> dos dias atuais fundado por <strong>Irineu Marinho </strong>e levado adiante por seu filho <strong>Roberto Marinho</strong>), em folhetins, o romance <strong>A mão e a luva</strong>. Intensificou a colaboração em jornais e revistas, como <strong>O Cruzeiro</strong>, <strong>A Estação</strong>, <strong>Revista Brasileira</strong>, escrevendo crônicas, contos, poesia, romances, que iam saindo em folhetins e depois eram publicados em livros.</p>
<p>Em 7 de dezembro de 1876, a <strong>Princesa Isabel</strong> promove <strong>Machado de Assis</strong> a chefe de seção. Passa a receber 5.400$000 anuais, um salário excelente; somando o que ele ganhava em direitos autorais por seus livros e as colaborações em jornais e revistas, ele passou a ter um padrão de vida acima da média da população pela primeira vez. Assim ele mudou do centro da cidade para um bairro mais luxuoso, o <strong>Bairro do Catete</strong>, na <strong>Rua do Catete nº 206</strong>, onde ficou vivendo por 6 anos. Dos 37 aos 43 anos.</p>
<p>Agora um aristocrata, <strong>Assis</strong>, se vê com muito trabalho no serviço público, bastante estressado, trabalha demais, continua escrevendo, e colaborando em periódicos. As convulsões epiléticas aumentam, teve uma infecção intestinal, problemas de visão que o <strong>Dr. Hilário de Gouvêa</strong> não consegue curar, procura o médico <strong>Dr. Ataliba Lopes de Gomensoro</strong> que diagnostica como ele sendo vítima de amaurose, dessa vez ele ficou curado.</p>
<p>Como suas crises de epilepsia ficaram mais freqüentes e graves, passou a ter um código com <strong>Dona Carolina</strong>; quando sentia que ia entrar em convulsão, ele dizia: &#8220;<strong>Carolina</strong>, vou sentir-me mal&#8221;, e prontamente a <strong>Carolina</strong> o isolava, pois ele se sentia profundamente humilhado ao presenciarem seus ataques; assim como se sentia muito deprimido após cada episódio desses.</p>
<p>Em 1878, pede licença do serviço público. Pela primeira vez em sua vida, com quase 40 anos, sai de férias. O casal fica três meses em <strong>Nova Friburgo</strong> na região serrana do <strong>Estado do Rio de Janeiro</strong>. <strong>Machado</strong> se recupera muito bem e dizia que: &#8220;Só engordei uma vez na vida, foi quando fui convalescer em <strong>Nova Friburgo</strong>&#8220;. Em agradecimento à cidade fluminense, que considerava &#8220;uma terra abençoada&#8221;, faz <strong>Dom Carmo</strong>, personagem da sua obra, <strong>Memorial de Aires</strong>, seu favorito, nascer em <strong>Friburgo</strong>.</p>
<p>Em junho de 1880 uma de suas peças, <strong>Tu</strong>,<strong> só tu</strong>, <strong>puro amo</strong>r, foi levada à cena no <strong>Imperial Teatro Dom Pedro II</strong> (<strong>Theatro Imperial Dom Pedro II </strong>que ficava na <strong>Rua 13 de Maio</strong>, esse teatro ficou mais conhecido como <strong>Theatro Lyrico</strong>,<strong> </strong>nome que recebeu em 25 de abril de 1890), por ocasião das festas organizadas pelo <strong>Real Gabinete Português de Leitura</strong> para comemorar o tricentenário de <strong>Camões</strong>, deve ter sido um bom retorno para a biblioteca que tanto freqüentou; esta peça foi escrita especialmente para essa ocasião.</p>
<p>De 1881 a 1897, publicou na <strong>Gazeta de Notícias</strong> as suas melhores crônicas. Em 1881, o poeta <strong>Pedro Luís Pereira de Sousa </strong>assumiu o cargo de <strong>Ministro interino da Agricultura, Comércio e Obras Públicas</strong> e convidou <strong>Machado de Assis</strong> para seu oficial de gabinete (ele já estivera no posto, antes, no gabinete de <strong>Manuel Buarque de Macedo</strong>). Nesse ano de 1881 saiu também o livro que daria uma nova direção à carreira literária de <strong>Machado de Assis</strong>: <strong>Memórias póstumas de Brás Cubas</strong>,que foi ditado para sua esposa escrever, pois ele se recuperava de uma conjuntivite e que ele publicara em folhetins na <strong>Revista Brasileira</strong> de 15 de março de 1879 a 15 de dezembro de 1880. Revelou-se também extraordinário contista em <strong>Papéis Avulsos</strong> (1882), e nas várias coletâneas de contos que se seguiram.</p>
<p>Em 1882, <strong>Silvio Romero</strong> publica um folheto intitulado &#8220;<strong>O naturalismo em literatura</strong>&#8220;, violento ataque a <strong>Machado de Assis</strong>. <strong>Lafaiete Rodrigues Pereira</strong> foi em defesa do atacado e, sob o pseudônimo de <strong>Labieno</strong>, publicou uma série de artigos no <strong>Jornal do Comércio</strong> do <strong>Rio de Janeiro</strong>, respondendo a <strong>Sílvio Romero</strong> com com um espírito vingativo incrível.</p>
<p><strong>Machado</strong> foi um grande amigo do escritor paraense <strong>José Veríssimo</strong>, que durante uma fase dirigiu a <strong>Revista Brasileira </strong>onde <strong>Assis</strong> foi colaborador. Do grupo de intelectuais que se reunia na redação da revista, e principalmente de <strong>Lúcio de Mendonça</strong>, partiu a idéia da criação da <strong>Academia Brasileira de Letras</strong>, projeto que <strong>Machado de Assis</strong> apoiou desde o início. Comparecia às reuniões preparatórias e, no dia 28 de janeiro de 1879, quando se instalou a Academia, foi eleito presidente da instituição, à qual ele se devotou até o fim da vida.</p>
<p>A obra de <strong>Machado de Assis</strong> abrange, praticamente, todos os gêneros literários. Na poesia, inicia com o Romantismo de <strong>Crisálidas</strong> (1864) e<strong> Falenas</strong> (1870), passando tardiamente pelo indianismo em <strong>Americanas</strong> (1875), e o parnasianismo em<strong> Ocidentais</strong> (1880). Paralelamente, apareciam as coletâneas de <strong>Contos Fluminenses</strong> (1870) e <strong>Histórias da Meia-Noite</strong> (1873); os romances <strong>Ressurreição</strong> (1872), <strong>A mão e a luva</strong> (1874), <strong>Helena</strong> (1876) e <strong>Iaiá Garcia </strong>(1878), considerados como pertencentes ao seu período romântico. A partir daí, <strong>Machado de Assis</strong> entrou na grande fase das obras-primas, que fogem a qualquer denominação de escola literária e que o tornaram o escritor maior das letras brasileiras e um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa.</p>
<p><strong>Machado</strong> e <strong>Carolina</strong>, não tiveram filhos, dedicaram total atenção e carinho para uma cadelinha tenerife chamada <strong>Graziela</strong>, que morreu em 1891; é famoso, o episódio do dia que a cachorrinha <strong>Graziela</strong> desapareceu; o casal colocou o <strong>Bairro do Catete </strong>em polvorosa, acabou aparecendo na <strong>Rua Bento Lisboa</strong>. <strong>Machado de Assis</strong> sentiu tanto a morte da <strong>Graziela </strong>que mandou por em uma moldura um cacho de seu pêlo, pendurando-o no quarto do casal. Mais tarde conseguiram  um substituto a altura de <strong>Graziela</strong>, um pincher preto, que ganhou o nome de<strong> Zero</strong>.</p>
<p>Quando só ou acompanhado da esposa saía à noite, pelas ruas do <strong>Bairro do Catete</strong> o escritor punha o diminuto cachorrinho <strong>Zero</strong> no bolso externo do paletó. Andavam até, às casas das famílias amigas, onde se entretinham em conversas e jogos de xadrez ou dama, ou ainda ouviam música, uma das grandes paixões do poeta.</p>
<p><strong>Machado de Assis</strong> foi sócio e bibliotecário do <strong>Clube Beethoven de Xadrez</strong>, no<strong> Bairro do Catete</strong>; ainda que só os sócios soubessem o que ocorria entre as paredes do seleto clube.</p>
<p>Por esta época acontece de <strong>Machado de Assis</strong> trair <strong>Carolina</strong>; tem um caso com uma atriz canastrona de pés enormes de nome <strong>Inês Gomes</strong> era portuguesa e mais velha do que <strong>Machado</strong>. O romance foi breve, mas o suficiente para manchar o nome do escritor. O jornal de escândalos <strong>O Corsário</strong>, de <strong>Apulco de Castro</strong>, trucidou moralmente o escritor.</p>
<p>Eles se mudam do <strong>Catete</strong> para a <strong>Rua Cosme Velho</strong> <strong>nº 18</strong>, em 1884, o que ajuda a reaproximar <strong>Carolina</strong> de seu marido, visto que sua boníssima mulher ficou abaladíssima com o insulto do marido. Essa mudança para o <strong>Cosme Velho</strong> representa um passo decisivo no processo de aristocratização do escritor. A vizinhança era formada por diplomatas, nobres, políticos, estrangeiros ricos, com os quais <strong>Machado e Carolina</strong> logo se entrosaram.</p>
<p>Em 1889, foi promovido a diretor da <strong>Diretoria do Comércio no Ministério </strong>em que servia.</p>
<p>Desde que começou a melhorar de vida, <strong>Assis </strong>foi assolado pela idéia de ficar louco e esse tema o atormentava de tal maneira, que ele o aborda em um de seus melhores contos, &#8220;<strong>O Alienista</strong>&#8220;, e coloca este assunto como um dos motivos centrais de seu próximo romance, &#8220;<strong>Quincas Borba</strong>&#8220;. A obra começou a ser publicada em folhetim, em junho de 1886, mas só seria concluída em setembro de 1891. O livro é impresso neste mesmo ano, chegando ao mercado no início de 1892.</p>
<p>Sem participar diretamente da propaganda pela abolição, o que contrariava a ética do funcionalismo público, que afinal era o seu ganha pão principal, <strong>Machado</strong> contribuiu para o seu acontecimento mais do que muitos propagandistas que assinavam artigos hipócritas ou gritavam pelas esquinas do <strong>Rio de Janeiro</strong>.</p>
<p>Depois da <strong>Lei do Ventre Livre</strong>, de 28 de setembro de 1871, todas as questões relativas aos escravos, suas matrículas, pecúlios, educação, guarda de menores, etc&#8230; Passaram para a competência da sua secretaria. Como chefe de seção da diretoria de Agricultura, ele fornecia informações e emitia pareceres que pesavam diretamente nas decisões ministeriais. <strong>Machado</strong> saia interpretando o regulamento das matrículas de escravos como se fosse uma &#8220;operação padrão&#8221; de hoje em dia que alguns funcionários públicos fazem para alcançar seus objetivos. Com isenção, porém se restringindo rigorosamente à letra da lei. Dessa forma, quase sempre seus pareceres iam contra aos interesses dos fazendeiros, que era a classe mais poderosa do Império, favorecendo a liberdade de muitos escravos, antes da <strong>Lei Áurea</strong> de 13 de Maio.</p>
<p><strong>Artur Azevedo</strong> conta um episódio que presenciou onde mostra de maneira exemplar a sua maneira de lidar com a coisa pública. Procurado por um senhor, interessado em um processo dependente de seu parecer favorável, <strong>Machado</strong> revela, sem firulas, mas com a mesma tranqüilidade de sempre, que o seu ponto de vista era contrário ao das necessidades do ilustre contribuinte. Na tentativa de modificar a opinião de <strong>Machado</strong>, o infeliz começa a dar mil explicações, sem perceber que já estava sendo inconveniente. <strong>Machado</strong> ouviu tudo com paciência. Terminado o discurso do cidadão, levantou-se e amavelmente convidou o visitante a sentar em seu lugar. Assim que o o tal senhor sentou, <strong>Assis</strong> falou com sarcasmo:</p>
<p>– O senhor diretor tenha a bondade de lavrar o parecer&#8230;</p>
<div id="attachment_104" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/ministeriobuarque1.jpg"><img class="size-medium wp-image-104" title="Prédio do Ministério onde Trabalhou Machado de Assis" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/ministeriobuarque1-300x209.jpg" alt="Prédio do Ministério onde Trabalhou Machado de Assis" width="300" height="209" /></a><p class="wp-caption-text">Prédio do Ministério onde Trabalhou Machado de Assis</p></div>
<p style="text-align: left;" align="center"><strong>Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, prédio onde Machado de Assis e Buarque de Macedo trabalharam (mais tarde também Severino Vieira e Lauro Muller), próximo a Praça XV, ocasionalmente o nome do ministério mudou, assim como hoje ocorre na mudança de um mandato para outro conforme o gosto político dos Presidentes da República.</strong></p>
<p><strong>Machado de Assis</strong> era  a favor da abolição da escravatura, ao seu modo, mas sabia que após esses acontecimento, seria impossível a sustentação do sistema monárquico que ele apoiava. Logo veio a <strong>República</strong> e <strong>Assis</strong> ficou cabreiro, mas não aconteceu nada de imediato, na verdade ele até foi promovido mais uma vez. Mas depois se formou uma caça as bruxas, surgiu um sem número de delações de conspiradores contra a República, listas negras, perseguições de toda a sorte.</p>
<p>Um jornalista chamado <strong>Diocleciano Mártir</strong> chegou a incluir o nome de <strong>Machado de Assis</strong> em uma dessas listas em seu jornal, a lista tinha em seu cabeçalho o seguinte título: &#8220;maus patrícios e hipócritas monarquistas, pagos fartamente pelos cofres da nação para dizerem mal de si próprios e cavarem a ruína da Pátria&#8221;. <strong>Lúcio de Mendonça</strong>, que era um republicano histórico e de prestígio nos meios governamentais, saiu em defesa de <strong>Machado</strong> que apesar de monarquista era seu amigo. <strong>Lúcio</strong> esculachou <strong>Diocleciano</strong> em público, não poupando nem mesmo o fato dele ser deficiente físico e usar muletas.</p>
<p>Quando <strong>Prudente de Moraes</strong> se elegeu presidente, empossou como <strong>Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas</strong> do governo <strong>Sebastião de Lacerda</strong>, que levanta a bandeira da modernização do ministério, a fim de empreender maior dinamismo à administração. Com isso no entanto, toma algumas medidas desastradas para <strong>Machado</strong>. Assim, a 1º de janeiro de 1898, coloca <strong>Assis</strong> em disponibilidade, com vencimentos integrais. <strong>Machado de Assis</strong> se queixa assim para <strong>Artur Azevedo</strong>: &#8220;Fizeram-me um enterro de primeira classe&#8221;.</p>
<p>Mas diante deste dissabor, ele não esmoreceu, e quem acabou ganhando foi a literatura. Desde 1895, <strong>Machado</strong> vinha trabalhando em um novo romance, difícil de escrever, mas com o tempo livre que tinha depois de seu súbito afastamento do funcionalismo público, se dedicou com afinco à obra. e em 1899, <strong>H. Garnier</strong> lançava a primeira edição do <strong>Dom Casmurro</strong>, a obra mais perturbadora até hoje escrita em língua portuguesa e que, no plano universal, encerrava com chave de ouro o século por dos grandes romance.</p>
<div id="attachment_105" class="wp-caption aligncenter" style="width: 246px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/machadonova.jpg"><img class="size-medium wp-image-105" title="Machado de Assis" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/machadonova-236x300.jpg" alt="Machado de Assis" width="236" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Machado de Assis</p></div>
<p>Certa vez, <strong>Graça Aranha </strong>teria dito: &#8220;Como ele faz desejadas as mulheres&#8221;.</p>
<p>Em 1896, <strong>Dona Carolina</strong>, dá os primeiros sinais de estar doente.</p>
<p>Logo nos primórdios da República brasileira, <strong>Medeiros e Albuquerque</strong> sugeriu a criação de uma academia de letras, nos moldes da francesa. <strong>Lúcio de Mendonça</strong>, então <strong>Secretário do Ministro da Justiça</strong>, gostou da idéia, mobilizou escritores e concretizou a empreitada. Surgiu assim a <strong>Academia Brasileira de Letras</strong>, em 1897.</p>
<p>Fundador da Cadeira nº 23 da <strong>Academia Brasileira de Letras</strong>, ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de <strong>Casa de Machado de Assis</strong>. Por iniciativa de <strong>José Veríssimo</strong>, a <strong>A.B.L.</strong> adotou como lema um verso de <strong>Machado</strong>: &#8220;Esta é a glória que fica, eleva, honra e consola&#8221;.</p>
<p>Em 1899, <strong>Machado</strong> sai do estado de disponibilidade em que se encontrava no serviço público, e volta, porém num cargo bem inferior, assume como secretário do novo <strong>Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas</strong>, O Sr. <strong>Severino Vieira</strong>.</p>
<p>A tiragem de 2.000 exemplares, de <strong>Dom Casmurro</strong>, esgotou antes de chegar as livrarias em janeiro de 1900. Foi necessário uma segunda edição no meio do ano para satisfazer a demanda.</p>
<p>Em 1902, quando <strong>Lauro Muller </strong>assume o ministério, <strong>Machado</strong> reassume as funções, como diretor-geral de contabilidade bem superior ao cargo em que estava.</p>
<p>Por essa época, <strong>Sílvio Romero</strong> publica então o seu estudo &#8220;<strong>Machado de Assis</strong>&#8220;, mais uma vez, estupidamente tentando denegrir a obra do <strong>Mestre do Cosme Velho</strong>. Foi intenso, os desdobramentos desta infâmia.</p>
<p>Em agosto de 1904, chegava nas livrarias um novo romance: <strong>Esaú e Jacó</strong>, sobre a dúvida psicológica, a incapacidade de tomar uma decisão, que pode também ser encarado como uma metáfora da transição do Império para o início da República. Foi a obra de Machado que recebeu mais elogiadas pela crítica.</p>
<p><strong>Dona Carolina</strong> piora sensivelmente. O casal viaja para <strong>Nova Friburgo</strong> tentando repetir o que ocorreu com <strong>Machado</strong>, que havia se recuperado maravilhosamente bem de suas doenças nesta cidade a alguns anos atrás. Foi inútil. Era câncer no intestino. <strong>Carolina</strong> confidencia a uma amiga que gostaria de morrer depois dele. Veja que a afinidade entre eles era tanta que <strong>Machado</strong> também esperava a mesma coisa; <strong>Joaquim</strong> <strong>Nabuco</strong> relata o comentário dele:</p>
<p>&#8220;Eu contava morrer antes dela, o que seria um grande favor; primeiro, porque não acharia ninguém que melhor me ajudasse a morrer; segundo, porque ela deixa alguns parentes que a consolariam das saudades, e eu não tenho nenhum&#8221;.</p>
<p>Mas o destino tramou um desfecho diferente. No dia 20 de outubro de 1904 exatamente ao meio-dia, morre <strong>Dona Carolina</strong> com 69 anos de idade na casa do <strong>Cosme Velho</strong>.</p>
<p><strong>Machado</strong> manteve as coisas que lembravam sua amada no interior da casa como ela havia deixado. Os talheres dela continuaram sendo colocados à mesa de jantar, o seu travesseiro permaneceu na cama e a cesta de costura, com o bordado interrompido, ficou no lugar em que ela deixou. Isso demonstra como foi duro o golpe para aquele homem, de 65 anos.</p>
<p>Numa carta escrita a <strong>Joaquim Nabuco</strong>, <strong>Machado de Assis</strong> confessa, prevendo a sua morte para breve: &#8220;Irei vê-la, ela me esperará&#8221;.</p>
<p>Após a morte de sua amada esposa, ele continua trabalhando, tentando enganar a tristeza que o domina.</p>
<p>Diz <strong>Artur Azevedo</strong>:</p>
<p>&#8220;Há quanto tempo o mestre, que dantes falava de tudo, e de tudo sorria, não falava senão da morte, e não sorria mais&#8221;</p>
<p>Continuou cumprindo os seus deveres na repartição pública e mantém o mesmo amor pela literatura.</p>
<p>Em 1906, são lançadas as <strong>Relíquias</strong> <strong>de casa velha</strong>, reunindo 15 trabalhos de vários gêneros, inéditos e impressos, entre os quais algumas obras-primas, como o soneto &#8220;<strong>A Carolina</strong>&#8221; e o conto &#8220;<strong>Pai contra mãe</strong>&#8220;.</p>
<p>Em 1908, pouco antes da sua passagem, publica o <strong>Memorial de Aires</strong>.</p>
<p><strong>Machado</strong> permaneceu lúcido e coerente até morrer. Momentos antes da sua morte, perguntaram a ele se queria se confessar com um padre, o velho respondeu: &#8220;Não quero, seria uma hipocrisia&#8221;.</p>
<p>No dia 29 de setembro de 1908, às 3h 45 da madrugada, na casa do <strong>Cosme Velho</strong>, morreu o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Imortal, na academia e em sua vida e obra, para todos os séculos, <strong>Joaquim Maria Machado de Assis.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Bibliografia:</strong></p>
<ul>
<li><strong>Queda que as mulheres têm para os tolos</strong> (1861), como <strong><span style="text-decoration: underline;">tradutor</span></strong>, sátira em prosa.</li>
<li><strong>Desencantos </strong>(1861), comédia.</li>
<li><strong>O Protocolo </strong>e<strong> O Caminho da Porta</strong> (1863), teatro.</li>
<li><strong>Quase Ministro</strong> (sem data) comédia.</li>
<li><strong>Crisálidas</strong> (1864), poesia.</li>
<li><strong>Os Deuses de Casaca </strong>(1866), comédia.</li>
<li><strong>Falenas</strong> (1870) poesia, romantismo.</li>
<li><strong>Contos Fluminenses</strong> (1870).</li>
<li><strong>Ressurreição</strong> (1872), romance.</li>
<li><strong>Histórias da Meia-Noite</strong> (1873), contos.</li>
<li><strong>A Mão e a Luva</strong> (1874) romance.</li>
<li><strong>Americanas</strong> (1875), poesia, indianismo.</li>
<li><strong>Helena</strong> (1876), romance.</li>
<li><strong>Iaiá Garcia</strong> (1878), romance.</li>
<li><strong>Ocidentais</strong> (1880?)</li>
<li><strong>Memórias Póstumas de Brás Cubas</strong> (1881), romance.</li>
<li><strong>Tu, só tu, puro amor</strong> (1881), comédia.</li>
<li><strong>Papéis Avulsos </strong>(1882), contos.</li>
<li><strong>Histórias Sem Data</strong> (1884).</li>
<li><strong>O Alienista </strong>(?) conto.</li>
<li><strong>Quincas Borba</strong> (1891), romance.</li>
<li><strong>Várias Histórias</strong> (1896).</li>
<li><strong>Páginas recolhidas</strong> (1899), contos, ensaios, teatro.</li>
<li><strong>Dom Casmurro</strong> (1899), romance.</li>
<li><strong>Poesias Completas</strong> (1901).</li>
<li><strong>Esaú e Jacó </strong>(1904), romance.</li>
<li><strong>Relíquias da casa velha</strong> (1906), contos, crítica, teatro.</li>
<li><strong>Memorial de Aires</strong> (1908), romance.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Publicações Póstumas:</strong></p>
<ul>
<li><strong>Crítica</strong> (1910).</li>
<li><strong>Outras Relíquias</strong> (1932), contos, crítica, teatro.</li>
<li><strong>Correspondência</strong> (1932).</li>
<li><strong>Crítica Literária</strong> (1937).</li>
<li><strong>Páginas Escolhidas</strong> (1921).</li>
<li><strong>Casa Velha</strong> (1944).</li>
</ul>
<p>De 1869 até a sua morte, todos os seus livros foram publicados pela <strong>Livraria Garnier</strong>.</p>
<p>Em 1936, a casa <strong>W. M. Jackson</strong>, do <strong>Rio de Janeiro</strong>, publicou as <strong>Obras Completas</strong> de <strong>Machado de Assis</strong>, em 31 volumes.</p>
<p>A <strong>Editora Civilização Brasileira</strong>, com a organização de <strong>Raimundo Magalhães Júnior</strong> publicou os seguintes volumes de <strong>Machado de Assis</strong>:</p>
<ul>
<li><strong>Contos e Crônicas</strong> (1958).</li>
<li><strong>Contos Esparsos</strong> (1966).</li>
<li><strong>Contos Esquecidos </strong>(1966).</li>
<li><strong>Contos Recolhidos</strong> (1966).</li>
<li><strong>Contos Avulsos</strong> (1966).</li>
<li><strong>Contos Sem Data</strong> (1966).</li>
<li><strong>Crônicas de Lélio</strong> (1966).</li>
<li><strong>Diálogos e Reflexões de um Relojoeiro</strong> (1966).</li>
</ul>
<p>Em 1975, a <strong>Comissão Machado de Assis</strong>, instituída pelo <strong>Ministério da Educação e Cultura</strong> e liderada pelo presidente da <strong>Academia Brasileira de Letras</strong> Sr. <strong>Austregésilo de Athayde</strong> organizou e publicou, também pela <strong>Editora Civilização Brasileira</strong>, as Edições críticas de obras de <strong>Machado de Assis</strong>, em 15 volumes, reunindo contos, romances e poesias.</p>
<p><strong>BIBLIOGRAFIA SOBRE A OBRA DE MACHADO DE ASSIS:</strong></p>
<p><strong>Em nome do apelo do nome</strong>. <strong>Duas interrogações sobre Machado de Assis.</strong></p>
<p><strong>Abel Barros Baptista</strong> &#8211; <strong>Litoral Edições</strong>, 1991 &#8211; <strong>Lisboa &#8211; Portugal.</strong></p>
<p><strong> Introdução a Machado de Assis</strong>.</p>
<p><strong>Barreto Filho</strong> &#8211; <strong>Editora Agir</strong>, 1947 &#8211; <strong>Rio de Janeiro.</strong></p>
<p><strong>The Brazilian Othelo of Machado de Assis</strong> (<strong>A Study of Dom Casmurro</strong>).</p>
<p><strong>Helen Caldwell</strong> &#8211; <strong>University of California Press, </strong>1960 &#8211; <strong>Berkeley </strong>- <strong>Los Angeles.</strong></p>
<p><strong>Retired Dreams: Dom Casmurro. Myth and Modernity.</strong></p>
<p><strong>Paul Dixon</strong> &#8211; <strong>Purdue University Press</strong>, 1989 &#8211; <strong>West Lafayette</strong>.</p>
<p><strong>Machado de Assis: A Pirâmide e o Trapézio.</strong></p>
<p><strong>Raymundo Faoro</strong> &#8211; <strong>Companhia Editora Nacional</strong> &#8211; 1976 &#8211; <strong>São Paulo.</strong></p>
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		<title>Rua Cruzeiro do Sul</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 18:46:38 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_97" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/cruzeirodosulmelhor.gif"><img class="size-full wp-image-97" title="Representação gráfica da constelação do Cruzeiro do Sul" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/cruzeirodosulmelhor.gif" alt="Representação gráfica da constelação do Cruzeiro do Sul" width="300" height="285" /></a><p class="wp-caption-text">Representação gráfica da constelação do Cruzeiro do Sul</p></div>
<div id="attachment_98" class="wp-caption aligncenter" style="width: 170px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/tavaresbastos.gif"><img class="size-full wp-image-98" title="Tavares Bastos" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/tavaresbastos.gif" alt="Tavares Bastos" width="160" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Tavares Bastos</p></div>
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		<title>Rua Correa Dutra</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 18:43:07 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A segunda transversal à Rua do Catete, de quem vem do Bairro da Glória para o Largo do Machado, é a atual Rua Correa Dutra, ela homenageia o Dr. Francisco Correa Dutra, político municipal e médico militar, que muito fez &#8230; <a href="http://www.bairrodocatete.com.br/correadutra.html">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A</strong> segunda transversal à <strong>Rua do Catete</strong>, de quem vem do <strong>Bairro da Glória </strong>para o <strong>Largo do Machado</strong>, é a atual <strong>Rua Correa Dutra</strong>, ela homenageia o <strong>Dr. Francisco Correa Dutra</strong>, político municipal e médico militar, que muito fez pela população menos abastada. Por volta de 1890, ajuda a combater uma epidemia de febre amarela na região de <strong>Campinas SP</strong>.</p>
<p>Esta rua teve vários nomes: <strong>Rua do Valdetaro</strong>, depois se chamou <strong>Rua Bela Princesa,</strong> ou <strong>Rua da Princesa</strong> <strong>do Catete </strong>e houve uma época, no trecho que vai da <strong>Rua do Catete</strong> até a <strong>Rua Bento Lisboa</strong> que ela se chamou <strong>Rua Nova de João da Cunha</strong>. Só na república é que ela recebeu o nome definitivo, <strong>Correa Dutra</strong>.</p>
<p>A <strong>Rua Correa Dutra </strong>teve muitos moradores importantes: O <strong>Visconde de Abaeté</strong> (<strong>Sr. Antonio Paulino Limpo de Abreu</strong>, português de Lisboa e que tem rua com seu próprio título no <strong>Bairro de Vila Isabel</strong>, a rua onde fica o famoso bar e restaurante <strong><em>Petisco da Vila</em></strong>)  e <strong>Joaquim Nabuco</strong>, (<strong>Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo</strong> ele morava na esquina com a atual <strong>Praia do Flamengo</strong>). Nela, no antigo número 131 foi fundado o &#8220;<strong><em>Rancho</em></strong>&#8221; (espécie de bloco carnavalesco), <strong>Ameno Resedá</strong>, que disputava folia com outros &#8220;<strong><em>Ranchos</em></strong>&#8221; como <strong>A Flor do Abacate</strong>.</p>
<p>Mais tarde nesta rua também residiu o cançonetista, compositor, humorista e ventríloquo <strong>Batista Júnior</strong>, que foi o pai de <strong>Linda </strong>(foto a direita), <strong>Dircinha e Odete Batista </strong>(a mais velha das três), <strong>Dircinha</strong> mais tarde cursou um grupo escolar na <strong>Praça José de Alencar</strong>.</p>
<div id="attachment_94" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/lindabatista.jpg"><img class="size-medium wp-image-94" title="Linda Batista" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/lindabatista-300x200.jpg" alt="Linda Batista" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Linda Batista</p></div>
<p>Durante 30 anos morou nesta rua no número 73 no apartamento 404 o cantor e compositor <strong>Anísio Silva </strong>(29/7/1920 &#8211; 18/2/1989), ele foi o primeiro brasileiro a ganhar o disco de ouro; apelidado de O Rei do Bolero, conseguiu a incrível façanha de ficar em primeiro lugar nas paradas de sucessos de todo o Brasil de 1959 até 1965; autor de canções inesquecíveis como &#8220;<strong>Tudo Foi Ilusão</strong>&#8221; e <strong>&#8220;Sonhando Contigo&#8221;</strong> vendendo cerca de dois milhões de cópias por disco! Morreu dormindo em seu apartamento em 18 de fevereiro de 1989.</p>
<p>Existem placas na rua, que grafam &#8220;<strong><em>correia</em></strong>&#8220;, como por exemplo, as placas na esquina com a <strong>Praia do Flamengo</strong>; de um lado, &#8220;<strong><em>Correa</em></strong>&#8220;, de outro, &#8220;<strong><em>Correia</em></strong>&#8221; <strong>Dutra</strong>.</p>
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		<title>Rua Buarque de Macedo</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 18:34:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Foto gentilmente cedida pelo pessoal do Colégio Buarque de Macedo de Tupã. A famosa Ponte Buarque de Macedo no Recife que ordenou sua construção no ano de 1880. A obra levou uma década para ser concluída e inaugurada. É considerada &#8230; <a href="http://www.bairrodocatete.com.br/buarquedemacedo.html">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_82" class="wp-caption aligncenter" style="width: 235px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/buarquedemacedo.jpg"><img class="size-medium wp-image-82" title="Buarque de Macedo" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/buarquedemacedo-225x300.jpg" alt="Buarque de Macedo" width="225" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Buarque de Macedo</p></div>
<p>Foto gentilmente cedida pelo pessoal do Colégio Buarque de Macedo de Tupã.</p>
<div id="attachment_83" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/estacaobuarquedemacedo.jpg"><img class="size-medium wp-image-83" title="Estação Buarque de Macedo em Conselheiro Lafaiete - MG" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/estacaobuarquedemacedo-300x177.jpg" alt="Estação Buarque de Macedo em Conselheiro Lafaiete - MG" width="300" height="177" /></a><p class="wp-caption-text">Estação Buarque de Macedo em Conselheiro Lafaiete - MG</p></div>
<div id="attachment_84" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/pontebuarquedemacedo.gif"><img class="size-medium wp-image-84" title="Ponte Buarque de Macedo no Recife" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/pontebuarquedemacedo-300x199.gif" alt="Ponte Buarque de Macedo no Recife" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Ponte Buarque de Macedo no Recife</p></div>
<p>A famosa Ponte Buarque de Macedo no Recife que ordenou sua construção no ano de 1880. A obra levou uma década para ser concluída e inaugurada. É considerada a ponte mais extensa do Recife Antigo.</p>
<div id="attachment_85" class="wp-caption aligncenter" style="width: 235px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/machadodeassis.jpg"><img class="size-medium wp-image-85" title="Machado de Assis" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/machadodeassis-225x300.jpg" alt="Machado de Assis" width="225" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Machado de Assis</p></div>
<div id="attachment_86" class="wp-caption aligncenter" style="width: 195px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/viveirosdecastro.jpg"><img class="size-full wp-image-86" title="Ministro Viveiros de Castro" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/viveirosdecastro.jpg" alt="Ministro Viveiros de Castro" width="185" height="280" /></a><p class="wp-caption-text">Ministro Viveiros de Castro</p></div>
<div id="attachment_87" class="wp-caption aligncenter" style="width: 245px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/palaciosaojoaquim.jpg"><img class="size-medium wp-image-87" title="Palácio São Joaquim" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/palaciosaojoaquim-235x300.jpg" alt="Palácio São Joaquim" width="235" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Palácio São Joaquim</p></div>
<div id="attachment_88" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/ministeriobuarque.jpg"><img class="size-medium wp-image-88" title="Antigo Prédio do Ministério de Obras Públicas" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/ministeriobuarque-300x209.jpg" alt="Antigo Prédio do Ministério de Obras Públicas" width="300" height="209" /></a><p class="wp-caption-text">Antigo Prédio do Ministério de Obras Públicas</p></div>
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		<title>Rua Bento Lisboa</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 18:11:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_74" class="wp-caption aligncenter" style="width: 270px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/dompedroiijovem.jpg"><img class="size-full wp-image-74" title="Dom Pedro II" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/dompedroiijovem.jpg" alt="Dom Pedro II" width="260" height="378" /></a><p class="wp-caption-text">Dom Pedro II</p></div>
<div id="attachment_75" class="wp-caption aligncenter" style="width: 288px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/donateresacristina.gif"><img class="size-full wp-image-75" title="Dona Teresa Cristina" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/donateresacristina.gif" alt="Dona Teresa Cristina" width="278" height="425" /></a><p class="wp-caption-text">Dona Teresa Cristina</p></div>
<div id="attachment_76" class="wp-caption aligncenter" style="width: 249px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/viscondecairu.jpg"><img class="size-full wp-image-76" title="Visconde de Cairu (José da Silva Lisboa), pai de Bento Lisboa " src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/viscondecairu.jpg" alt="Visconde de Cairu (José da Silva Lisboa), pai de Bento Lisboa " width="239" height="537" /></a><p class="wp-caption-text">Visconde de Cairu (José da Silva Lisboa), pai de Bento Lisboa</p></div>
<div id="attachment_77" class="wp-caption aligncenter" style="width: 171px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/pinheiromachado.jpg"><img class="size-full wp-image-77" title="Pinheiro Machado" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/pinheiromachado.jpg" alt="Pinheiro Machado" width="161" height="239" /></a><p class="wp-caption-text">Pinheiro Machado</p></div>
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		<title>Rua Barão de Guaratiba</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 18:05:47 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A Rua Barão de Guaratiba (Sr. Joaquim Antonio Ferreira), nasceu a 4 de Fevereiro de 1777, em Valença do Minho, Portugal e faleceu no Rio de Janeiro em 11 de Março de 1859), tecnicamente esta rua pertence ao Bairro da &#8230; <a href="http://www.bairrodocatete.com.br/baraodeguaratiba.html">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A <strong>Rua Barão de Guaratiba</strong> (<strong>Sr. Joaquim Antonio Ferreira</strong>), nasceu a 4 de Fevereiro de 1777, em <strong>Valença do Minho</strong>, <strong>Portugal </strong>e faleceu no <strong>Rio de Janeiro</strong> em 11 de Março de 1859), tecnicamente esta rua pertence ao <strong>Bairro da Glória</strong>, português de nascimento, viveu no <strong>Brasil</strong>, viveu toda a sua vida praticando atos de benemerência que fizeram seu nome querido dos pobres. Foi <strong>Capitão de Ordenanças do Regimento de Minas Novas </strong>e depois <strong><em>Tenente-Quartel-Mestre</em></strong> graduado em <strong>Capitão do 2º regimento de Milícias da Corte </strong>foi um grande benfeitor da <strong>Santa Casa da Misericórdia</strong> e um homem voltado a obras de caridade em geral. Grande nome do Império,<strong> Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial, Comendador da Imperial Ordem da Rosa, Cavaleiro da Imperial </strong><strong>Ordem da Rosa </strong>(foto a esquerda), <strong>Cavaleiro da Real Ordem de Cristo, Cavaleiro Professo na Imperial Ordem de Cristo  </strong>e <strong>Comendador de N.S. da Conceição de Vila Viçosa, de Portugal. </strong>Em resumo: o cara era coisa pra caramba&#8230;</p>
<div id="attachment_70" class="wp-caption aligncenter" style="width: 254px"><a href="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/broche.jpg"><img class="size-full wp-image-70" title="Insígnia da Ordem da Rosa" src="http://www.bairrodocatete.com.br/wp-content/uploads/2011/12/broche.jpg" alt="Insígnia da Ordem da Rosa" width="244" height="317" /></a><p class="wp-caption-text">Insígnia da Ordem da Rosa</p></div>
<p>Antes esta rua se chamava <strong>Rua do Guarda-Mor</strong> (um <strong>Guarda-Mor</strong>, comandava <em>20 arqueiros</em>). Na <strong>Rua Barão de Guaratiba</strong>, morou o poeta e escritor <strong>Olavo Bilac</strong> (<strong>Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac</strong>), e um famoso personagem da época o <strong>Sr. Antonio Mendes Campos</strong> (que acabou ganhando nome de rua logo ao lado), grande freqüentador das corridas de cavalos, o chamado &#8220;<em>turfman</em>&#8220;, este senhor era conhecido por ser um verdadeiro cavalheiro ou &#8220;<em>gentleman</em>&#8220;, como se dizia na época. Ai, ai, que inveja desta época&#8230;</p>
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