Nome: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.
Local e data de nascimento: Paço de São Cristóvão (Quinta da Boa Vista) – Rio de Janeiro às 2:30 da madrugada do dia 2 de dezembro de 1825.
Local e data da Morte: No quarto nº 18 do Hotel Bedford em Paris - 5 de dezembro de 1891.
Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga era o 7º filho de Dom Pedro I (Dom Pedro IV de Portugal) e da imperatriz Dona Maria Leopoldina,
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Domingos Borges de Barros, Visconde de Pedra Branca, pai da Condessa de Barral |
herdou o direito ao trono brasileiro devido a morte de dois irmãos mais velhos, Dom Miguel e Dom Carlos. Mais tarde o dia de seu nascimento se torna Dia Nacional da Astronomia por ser ele um amante das ciências e astrônomo amador.
Em dezembro de 1826 com 1 ano de idade, perde sua mãe a Imperatriz Dona Maria Leopoldina.
Em 10 de Março de 1826, morre seu avô Dom João VI, estando sepultado no Mosteiro de São Vicente de Fora.
Em 7 de Janeiro de 1830 sua avó Dona Carlota Joaquina de Bourbon, esposa de Dom João VI de Portugal, falece em Queluz, Portugal, aos 55 anos. (veja a biografia completa de Carlota Joaquina na página inicial do site na coluna “Biografias Relacionadas com o Bairro“)
Em 5 de abril de 1831 Dom Pedro I demite todo o ministério considerado liberal e formado apenas por brasileiros natos.
Na madrugada do dia 7 de abril de 1831 Dom Pedro I entrega ao Major Miguel de Frias o decreto onde abdica do trono a favor de seu filho, porém ele conta com apenas 5 anos de idade (completaria 6 anos em dezembro deste ano), A Constituição determinava que para ocupar o trono brasileiro o imperador deveria ter 18 anos ou então país deveria ser governado por um príncipe da família imperial de no mínimo 25 anos. O problema é que as princesas Dona Januária tinha 9 anos, Dona Paula estava com 8 anos de idade e Dona Francisca tinha apenas 6 anos. Como opção, constava também da Constituição a alternativa de uma Regência Trina, eleita pela Assembléia-Geral, visto que o príncipe herdeiro, Dom Pedro II era menor de idade; desta forma ele é tutorado primeiramente por José Bonifácio de Andrada e Silva chamado de “O Patriarca da Independência“. A família do ex-imperador se recolhe a bordo do navio inglês Warspite, que estava ancorado na Baía de Guanabara. Pouco a pouco pequenas embarcações saídas do Cais de São Cristóvão levaram a bordo O Duque de Santa Cruz, Dona Maria da Glória e a irmã de Dom Pedro, Marquesa de Loulé.
Em 13 de abril de 1831 seu pai Dom Pedro I e sua madrasta Dona Amélia partem definitivamente para Portugal na fragata inglesa Volage, navio para o qual se haviam transferido no dia 11 de abril.
O nome de José Bonifácio foi determinado por Pedro I ele foi seu tutor de 1831 a 1833.
Ainda em 1831 Brasil é governado por uma Regência Trina Provisória. Que era composta por: Nicolau de Campos Vergueiro (o Senador Vergueiro), José Joaquim Carneiro de Campos (Marques de Caravelas) e o Brigadeiro Francisco de Lima e Silva.
Em 3 de junho de 1831 a Assembléia-Geral elege a Regência Trina Permanente. Que era composta de: José da Costa Carvalho, João Bráulio Muniz e novamente o Brigadeiro Francisco de Lima e Silva que permaneceu no cargo.
Conta-se que quando seu pai abdicou ao trono Pedro estava a alguns quilômetros de distância do Rio de Janeiro, Bonifácio, foi ao seu encontro e anunciou solenemente que já faziam algumas horas ele passara a ser sua majestade o imperador do Brasil. No trajeto de volta ao Rio, começou a chover, Pedro uma criança correu até um casebre em busca de abrigo, bateu a porta e uma velhinha gritou de dentro da casa:
- Quem está aí?
- Abra logo vovó, eu sou Pedro, João, Carlos, Leopoldo, Salvador, Bibiano, Francisco, Xavier, de Paula, Leocádio, Miguel, Gabriel, Rafael, Gonzaga, de Alcântara!
- Cruuuuzes! Como é que eu vou arranjar lugar aqui para tanta gente?!
Em 12 de julho de 1831 o 26º Batalhão de Infantaria que estava aquartelado no Mosteiro de São Bento, os soldados se sublevaram, porém o então Ministro de Justiça Padre Diogo Antonio Feijó, mandou a Guarda Municipal cercar o convento, os soldados se renderam e foram enviados para a Bahia.
Em agosto de 1831 devido a diversas e diversas revoltas, confusões e badernas o Padre Feijó cria a Guarda Nacional, que passou servi-lhe muitas vezes para controlar as situações.
Em 1º de abril de 1832, o Major Miguel de Frias, que estava preso na Fortaleza de Villegagnon por já ter se revoltado anteriormente, consegue sublevar a guarnição da prisão. Junto com outros oficiais que lá estavam presos, deixou a fortaleza e desembarcaram em na Praia de Botafogo, rapidamente chegaram ao Campo de Santana, que na época era praticamente o centro de cidade. Lançou um manifesto onde declarava deposto o governo, nomeava novos regentes e convocou uma Assembléia Constituinte. O governo enviou para detê-lo o Tenente-Coronel Francisco Teobaldo Sanches Brandão, que tinha sob seu comando Luís Alves de Lima, Francisco de Lima e Silva e Polidoro Quintanilha Jordão, que a frente das tropas regulares do governo não tiveram maiores problemas de controlar a situação.
Em 1832 o Brasil é visitado pela primeira vez por Charles Darwin.
Em 15 de dezembro de 1833, José Bonifácio foi destituído como tutor de Dom Pedro II, sendo designado pela Assembléia-Geral do Império para substituí-lo o Marquês de Itanhaém (Manuel Inácio de Andrade Souto Maior) que ficou no cargo até 1840.
Em 12 de agosto de 1834 as reformas feitas pela Assembléia Legislativa chamada de Ato Adicional à Constituição Política do Império, instituí a Regência Una que é entregue ao Padre Diogo Antonio Feijó. Este Ato Adicional decretou várias mudanças na política brasileira, mas eu vou destacar apenas uma, que foi a criação do Município Neutro do Rio de Janeiro separando-se assim da Província do Rio de Janeiro. Que mais tarde com a proclamação da república se tornaria o Distrito Federal.
José Bonifácio é acusado de tentar promover a volta de Dom Pedro I, com intuito de tornar-lo regente durante a adolescência de Dom Pedro II, foi preso em 15 de dezembro de 1833, e deportado para a Ilha de Paquetá.
Em 24 de setembro de 1834, morre em Portugal seu pai Dom Pedro I.
Em 1834, a condenação de José Bonifácio foi confirmada pela Assembléia Geral, sendo absolvido mais tarde, passando a residir na Cidade de Niterói – RJ.
Em abril de 1835 cumprindo as determinações do Ato Adicional de 1834 foram realizadas eleições para escolher o regente único. Concorreram ao cargo o Padre Antonio Feijó (à época senador pelo Rio de Janeiro), Francisco de Paula e Holanda Cavalcanti de Albuquerque, Pedro de Araújo Lima e Bernardo Pereira de Vasconcelos. Com 2.826 votos foi venceu o Padre Feijó. Também nesta sessão foi reconhecida pela Assembléia, Dona Januária, como Princesa Imperial.
Em 20 de setembro de 1835 eclode na Ponte da Azenha (próximo a Porto Alegre) a Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul. O Coronel Bento Gonçalves da Silva vence as forças regulares e entra na capital.
Em 12 de outubro de 1835 o Padre Diogo Antonio Feijó, toma posse como regente único do império do Brasil.
Entre 1835 e 1840 ocorreu no Pará a rebelião conhecida como Cabanagem, contra o centralismo do Império.
Em 10 de setembro de 1836, nos Campos dos Menezes os farroupilhas proclamam a República Rio-Grande.
Em novembro de 1836 o Padre Feijó demonstra publicamente sua insatisfação com nada mais nada menos que o Papa, por ele não aprovar a indicação do Padre Antonio Maria de Moura para o bispado do Rio de Janeiro. Ambos eram a favor do fim do celibato para os sacerdotes e Feijó ainda ia mais longe, desejando separar a Igreja Católica Brasileira da de Roma.
Também em 1836 o Brasil foi visitado pela segunda vez por Charles Darwin.
Em 19 de setembro de 1837 o Padre Feijó renuncia a seu cargo de regente único; assume interinamente Pedro de Araújo Lima.
Em 7 de novembro 1837, acontece a Sabinada na Bahia.
Em 2 de dezembro de 1837 no Rio de Janeiro é Inaugurado o Imperial Colégio Pedro II, sob a inspiração de Bernardo Vasconcelos.
Em 22 de abril de 1838 Araújo Lima é confirmado (por eleição da assembléia) no cargo de regente único. Começa assim a segunda regência una.
Em 1838 eclode a Balaiada no Maranhão.
Seus estudos prosseguem no Brasil.
Com diversos mestres ilustres de seu tempo, o jovem imperador instruiu-se em português e literatura, francês, inglês, alemão, geografia, ciências naturais, música, dança, pintura, esgrima e equitação. Mais tarde, adulto estudou muitas outras disciplinas como hebraico e astronomia e posteriormente estudou grego, árabe, tupi, sânscrito, hebraico e provençal.
Dentre seus professores estavam:
A Camareira-mor Dona Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho, mais tarde Condessa de Belmonte com quem começou a estudar.
O carmelita Frei Pedro de Santa Mariana e Souza mais tarde Bispo de Crisópolis, que Ihe ensinou a doutrina católica, latim e matemática. Às vezes Frei Pedro tinha que apagar a luz para impedir que Pedro ficasse lendo a noite toda.
Seu professor de francês era o Padre Renato Boiret. De Alemão era Roque Schuch. De Inglês era Nathaniel Lucas. De Dança foram Joseph Lacombe e Lourenço Lacombe. Desenho e Pintura respectivamente Simplício Rodrigues de Sá e Félix Émile Taunay e de esgrima, nada mais nada menos que o futuro Duque de Caxias! (nesta época ele ainda era o Coronel Luís Alves de Lima)
Cândido José de Araújo Viana, professor de português e literatura. Mais tarde ele se tornaria o Marques de Sapucaí, titulo conhecidíssimo em virtude da avenida de mesmo nome na qual se realizam os desfiles das Escolas de Samba no carnaval do Rio de Janeiro.
Veja as determinações do Marques de Itanhaém para a educação de Dom Pedro II:
(Obs: são 12 artigos, caso fique cansativo, pule essa parte.)
“Instruções para serem observadas pelos Mestres do Imperador
na Educação Literária e Moral do Mesmo Augusto Senhor.”
Artigo 1.
Conhece-te a ti mesmo. Esta máxima… servirá de base ao sistema de educação do Imperador, e uma base da qual os Mestres deverão tirar precisamente todos os corolários, que formem um corpo completo de doutrinas, cujo estudo possa dar ao Imperador idéias exatas de todas as coisas, a fim de que Ele, discernindo sempre do falso o verdadeiro, venha em último resultado a compreender bem o que é a dignidade da espécie humana, ante a qual o Monarca é sempre homem, sem diferença natural de qualquer outro indivíduo humano, posto que sua categoria civil o eleve acima de todas as condições sociais.
Artigo 2.
Em seguimento, os Mestres, apresentando ao Seu Augusto Discípulo este planeta que se chama terra, onde nasce, vive e morre o homem, lhe irão indicando ao mesmo tempo as relações que existem entre a humanidade e a natureza em geral, para que o Imperador, conhecendo perfeitamente a força da natureza social, venha a sentir, sem o querer mesmo, aquela necessidade absoluta de ser um Monarca bom, sábio e justo, fazendo-se garbo de ser o amigo fiel dos Representantes da Nação e o companheiro de todas as influências e homens de bem do Pais.
Artigo 3.
Farão igualmente os Mestres ver ao Imperador que a tirania, a violência da espada e o derramamento de sangue nunca fizeram bem a pessoa alguma…
Artigo 4.
Aqui deverão os Mestres se desvelar para mostrarem ao Imperador palpavelmente o acordo e harmonia da Religião com a Política, e de ambas com todas as ciências; porquanto, se a física estabelece a famosa lei da resistência na impenetrabilidade dos corpos, é verdade também que a moral funda ao mesmo tempo a tolerância e o mútuo perdão das injúrias, defeitos e erros; essa tolerância ou mútuo perdão, sobre revelar a perfeição do Cristianismo, revela também os quilates das almas boas nas relações de civilidade entre todos os povos, seja qual for sua religião e a forma do seu governo…
Artigo 5.
Lembrem-se pois os Mestres que o Imperador é homem; e partindo sempre dessa idéia fixa, tratem de lhe dar conhecimentos exatos e reais das coisas, sem gastarem o tempo com palavras e palavrões que ostentam uma erudição estéril e prejudicial, pois de outra forma virá o seu discípulo a cair no vicio que o Nosso Divino Redentor tanto combateu no Evangelho, quando clamava contra os doutores que invertiam e desfiguravam a lei, enganando as viúvas e aos homens ignorantes com discursos compridos e longas orações, e se impondo de sábios, embora sendo apenas uns pedantes faladores.
Artigo 6.
Em conseqüência os Mestres não façam o Imperador decorar um montão de palavras ou um dicionário de vocábulos sem significação, porque a educação literária não consiste decerto nas regras da gramática nem na arte de saber por meio das letras; em conseqüência os Mestres devem limitar-se a fazer com que o Imperador conheça perfeitamente cada objeto de qualquer idéia enunciada na pronunciação de cada vocábulo…
Artigo 7.
Julgo portanto inútil dizer que as preliminares de qualquer ciência devem conter-se em muito poucas regras, assim como os axiomas e doutrinas gerais. Os Mestres não gastem o tempo com teses nem mortifiquem a memória do seu discípulo com sentenças abstratas; mas descendo logo às hipóteses, classifiquem as coisas e idéias, de maneira que o Imperador, sem abraçar nunca a nuvem por Juno, compreenda bem que o pão é pão e o queijo é queijo.
Assim, por exemplo, tratando das virtudes e vícios, o Mestre de Ciências Morais deverá classificar todas as ações filhas da soberba distinguindo-as sempre de todas as ações opostas que são filhas da humildade. E não basta ensinar ao Imperador que o homem não deve ser soberbo, mas é preciso indicar-lhe cada ação, onda exista a soberba, pois se assim não o fizer, bem pode acontecer que o Monarca venha para o futuro a praticar muitos atos de arrogância e altivez, supondo mesmo que tenha feito ações meritórias e dignas de louvor, e isto por não ter, em tempo, sabido conhecer a diferença entre a soberba e a humildade.
Artigo 8.
Da mesma sorte, tratando-se das potências e das forças delas, o Mestre de ciências físicas fará uma resenha de todos os corpos computando os grãos de força que tem cada um deles, para que venha o Imperador a compreender que o poder monárquico se limita ao estudo e observância das leis da Natureza… e que o Monarca é sempre homem e um homem tão sujeito, que nada pode contra as leis da Natureza feitas por Deus em todos os corpos, e em todos os espíritos.
Artigo 9.
Em seguimento ensinarão os Mestres ao Imperador que todos os deveres do Monarca se reduzem a sempre animar a Indústria, a Agricultura, o Comércio e as Artes; e que tudo isto só se pode conseguir estudando o mesmo Imperador, de dia e de noite, as ciências todas, das quais o primeiro e principal objeto é sempre o corpo e a alma do homem; vindo portanto a achar-se a Política e a Religião no amor dos homens. E o amor dos homens é que é o fim de todas as ciências; pois sem elas, em vez de promoverem a existência feliz da humanidade, ao contrário promovem a morte.
Artigo 10.
Entendam-me porém os Mestres do Imperador. Eu quero que o meu Augusto Pupilo seja um sábio consumado e profundamente versado em todas as ciências e artes e até mesmo nos ofícios mecânicos, para que ele saiba amar o trabalho como principio de todas as virtudes, e saiba igualmente honrar os homens laboriosos e úteis ao Estado. Mas não quererei decerto que Ele se faça um literato supersticioso para não gastar o tempo em discussões teológicas como o Imperador Justiniano; nem que seja um político frenético para não prodigalizar o dinheiro e o sangue dos brasileiros em conquistas e guerras e construção de edifícios de luxo, como fazia Luís XIV na França, todo absorvido nas idéias de grandeza; pois bem pode ser um grande Monarca o Senhor D. Pedro II sendo justo, sábio, honrado e virtuoso e amante da felicidade de seus súditos, sem ter precisão alguma de vexar os povos com tiranias e violentas extorsões de dinheiro e sangue.
Artigo 11.
Sobretudo, recomendo muito aos Mestres do Imperador, hajam de observar quanto Ele é talentoso e dócil de gênio e de muita boa índole. Assim não custa nada encaminhar-lhe o entendimento sempre para o bem e verdade, uma vez que os Mestres em suas classes respectivas tenham com efeito idéias exatas da verdade e do bem, para que as possam transmitir e inspirar ao seu Augusto Discípulo.
Eu não cessarei de repetir aos Mestres que não olhem para os livros das Escolas, mas tão somente para o livro da Natureza, corpo e alma do homem; porque fora disto só pode haver ciência de papagaio ou de menino de escola, mas não verdade nem conhecimento exato das coisas, dos homens, e de Deus.
Artigo 12.
Finalmente, não deixarão os Mestres do Imperador de lhe repetir todos os dias que um Monarca, toda a vez que não cuida seriamente dos deveres do trono, vem sempre a ser vitima dos erros, caprichos e iniqüidades dos seus ministros, cujos erros, caprichos e iniqüidades são sempre a origem das revoluções e guerras civis; e então paga o justo pelos pecadores, e o Monarca é que padece, enquanto que seus ministros sempre ficam rindo-se e cheios de dinheiro e de toda sorte de comodidades. Por isso cumpre absolutamente ao Monarca ler com atenção todos os jornais e periódicos da Corte e das Províncias e, além disto, receber com atenção todas as queixas e representações que qualquer pessoa lhe fizer contra os ministros de Estado, pois só tendo conhecimento da vida pública e privada de cada um dos seus ministros e Agentes é que cuidará da Nação. Eu cuido que não é necessário desenvolver mais amplamente estas Instruções na certeza de que cada um dos Mestres do Imperador lhe adicionará tudo quanto lhe ditarem as circunstâncias à proporção das doutrinas que no momento ensinarem. E confio grandemente na sabedoria e prudência do Muito Respeitável Senhor Padre Mestre Frei Pedro de Santa Mariana, que devendo ele presidir sempre a todos os atos letivos de Imperador como seu Aio e Primeiro Preceptor, seja o encarregado de pôr em prática estas Instruções, uniformizando o sistema da educação do Senhor Dom Pedro II, de acordo com todos os outros Mestres do Mesmo Augusto Senhor”.
Paço da Boa Vista no Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1838.
Marquês de Itanhaém – Tutor da Família Imperial
Falece na Cidade de Niterói (RJ) José Bonifácio no dia 6 de março de 1838.
Devido aos problemas políticos da época, sugeriram a antecipação da maioridade de Pedro, tendo ele sido formalmente consultado se desejava ser emancipado ou esperar mais 3 anos ele respondeu “Quero já!”.
Em 1840 adquire um aparelho de daguerreotipia (a futura máquina fotográfica), em março do mesmo ano, motivado pelas demonstrações que o abade francês Louis Compte lhe fizera em janeiro, quando introduzia a fotografia no Brasil, adquiriu seu próprio equipamento, oito meses antes que outros similares fossem finalmente comercializados no país sendo então o primeiro brasileiro a praticar fotografia. Também foi grande como mecenas e colecionador de fotografias, exercendo papel essencial para o florescimento da fotografia no Brasil. Posteriormente foi o primeiro soberano do mundo a conceder uma honraria a um fotógrafo, ao atribuir o título de Photographos da Casa Imperial à dupla Buvelot & Prat, a 8 de março de 1851. Como colecionador, constituiu o maior acervo privado das Américas durante o século XIX, a base para o estudo da história da fotografia no Brasil, reunindo ainda imagens de grandes pioneiros internacionais. Quando de seu exílio do país, após a Proclamação da República, doou seu acervo fotográfico para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, que o preserva, desde 1892, com o título de Coleção Thereza Christina Maria; são 21.742 fotos que Dom Pedro II juntou durante todo o seu reinado.
Uma pequena explicação sobre a Coleção Tereza Cristina:
A coleção fotográfica mencionada no parágrafo acima é uma coisa, outra coisa é a “Coleção Tereza Cristina” exposta quase permanentemente no Museu Nacional (Museu Nacional/UFRJ – Quinta da Boa Vista, São Cristóvão – Rio de Janeiro), esta coleção foi organizada no século XIX a partir de duas origens distintas:
Uma parte do acervo veio do Real Museo Borbonico (hoje Museo Nazionale DI Napoli), com peças presenteadas pelo irmão da imperatriz Tereza Cristina, Fernando II Rei das Duas Sicílias.
Outra parte veio da própria imperatriz que financiou e promoveu escavações arqueológicas na localidade de Veio, outrora município romano de origem etrusca.
Proclamado maior de idade as 15:30mim de 23 de julho de 1840, encerrando longo processo de confrontos regenciais, o senado antecipou a maioridade de Dom Pedro II ao proclamá-lo imperador aos 14 anos. Para uns, foi a reafirmação da “força do parlamento”; para outros, uma manobra política: o “golpe da maioridade”.
Em 24 de julho de 1840 Dom Pedro II escolhe seu primeiro ministério.
Dom Pedro II é coroado em 18 de julho de 1841, um ano depois de ser emancipado.
Em 19 de janeiro de 1841 o Maranhão finalmente foi pacificado pelas mãos do Coronel Luís Alves de Lima que em função deste acontecimento recebeu o título de Barão de Caxias.
Desde 1841, e pelos próximos 48 anos, foi fixada a renda para a Família Imperial saída dos cofres públicos que seria de 67 contos de réis por mês. Curiosamente, uma das primeiras medidas do Marechal Deodoro da Fonseca foi aumentar o salário do presidente da república (ou seja ele mesmo) para 120 contos de réis por mês, quase o dobro do que recebia toda a Família Imperial.
Em 1841 é criado o primeiro hospital psiquiátrico do país, o Dom Pedro II, no Rio de Janeiro.
Em 1842, nomeou o português Padre Antônio Ferreira Viçoso para bispo de Mariana e o paulista Padre Antônio Joaquim de Melo para São Paulo, dois sacerdotes extremamente fiéis à monarquia, mas que tinham outra formação: eram reformistas e fieis ao Papa.
Em 16 de Março de 1843 a Cidade de Petrópolis foi fundada pelo Imperador Dom Pedro II.
Em 1843, o Brasil se tornou o segundo país a adotar um selo como forma de taxa de serviço postal, uma invenção inglesa de 1840.
Em 30 de maio de 1843 casa-se por procuração em Nápoles, com a princesa napolitana Teresa Cristina Maria Giuseppa Gaspare Baltassare Melchiore Gennara Francesca de Padova Donata Bonosa Andrea d?Avellino Rita Luitgarda Geltruda Venancia Taddea Spiridione Rocca Matilde de Bourbon, filha do rei Francisco I Rei das Duas Sicílias.
Em 2 de setembro de 1843 chega ao Brasil, Dona Teresa Cristina. Ela veio a bordo da fragata Constituição.
Tiveram quatro filhos, mas só sobrevivem Dona Isabel (Princesa Isabel) e Dona Leopoldina Teresa.
Bento Lisboa foi o encarregado de tratar do casamento de Dom Pedro II com o auxílio do futuro cunhado Luis, várias tentativas foram realizadas em busca de uma esposa, como na Áustria, Espanha e Rússia mas não haviam muitas princesas disponíveis afim de vir morar no Brasil.
Alguns contemporâneos de Dom Pedro II contaram da sua decepção diante da Imperatriz que veio na base de contrato da Europa e que em nada parecia com os retratos que foram enviados ao Brasil para a apreciação de Dom Pedro. Dona Teresa Cristina seria feia, baixa, gorda e mancava de uma perna; além disso quase 4 anos mais velha que ele. Sob o impacto do primeiro encontro (e se for verdade o que contam, bota impacto nisso) o jovem monarca desolado chorou nos braços de sua aia/professora, a Condessa de Belmonte. Ela, a condessa estava com 63 anos.
Teria dito a condessa ao imperador: “Cumpra seu dever, meu filho”.
Só para esclarecer: O título oficial dela era Condessa de Belmonte, porém hoje em dia em ruas, praças e avenidas é mais comum encontrar Condessa Belmonte, sem a preposição.
Seu mordomo Paulo Barbosa da Silva teria dito: “Lembre-se da dignidade de seu cargo”.
Paulo Barbosa foi a pessoa que sugeriu o nome de Petrópolis para a cidade serrana do Estado do Rio de Janeiro, cidade essa que a família imperial amava. Ele também participou de atividades políticas como o Clube da Joana, uma associação de pessoas com o intuito de exercer influência sobre Dom Pedro; este Clube tina este nome por suas reuniões serem feitas na casa do mordomo Paulo Barbosa que ficava as margens do Rio Joana no atual Bairro do Maracanã – Rio de Janeiro. (este rio também passa pelos bairros do Rio comprido e Vila Isabel)
Em 10 de agosto de 1843 morre o Padre Feijó.
Em 1844 chega ao Brasil o Conde de Áquila, irmão mais jovem de Dona Teresa Cristina que deveria casar-se com a Princesa Dona Januária.
Em 1845 nasce seu filho Dom Afonso.
Também em 1845, junto com Davi Canabarro, Luís Alves de Lima consegue por ordem no Rio Grande do Sul após a Revolução Farroupilha, o que lhe valeu o título de Conde de Caxias.
Ainda em 1845 iniciou a construção da residência de verão da família imperial em Petrópolis (o atual Museu imperial), um sonho de seu pai Pedro I. Três anos depois, o imperador e sua família já desfrutavam os ares da serra. Mas só em 1860 o palácio foi concluído. Depois da proclamação da República, em 1889, o Palácio de Verão foi alugado a colégios religiosos. Muito de sua rica mobília sumiu e, hoje, boa parte dos móveis que lá estão expostos são de outras residências do imperador. Em 1943, Getúlio Vargas adquiriu o prédio e abriu o museu.
Em 1845 o imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina assistiram ao primeiro rodeio que se tem notícia no Brasil, nos alagados de Campinas São José – SC, onde Dom Pedro chegou até a dançar num fandango.
Em 1845 foi decretada pelo Imperador Dom Pedro II a lei “Regimento das Missões“, que criou os cargos de Diretores de Índios. Este cargo era administrado por um fazendeiro político, e aliado ao Imperador, deixando cada vez mais fácil o roubo das terras indígenas.
Em 30 de março de 1846 visita a Cidade de Jundiaí (SP) com grande comitiva.
Em 1846, surgiu no extinto Largo do Valdetaro no Bairro do Catete (Rio de Janeiro), a “Sociedade Recreativa Dançante Cassino Fluminense“, lá haviam bailes, e conta-se que o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina costumavam freqüentar, como se pode notar, eles não eram tão jovens assim como vários autores contam em seus livros, ele o imperador estava com 21 anos e a imperatriz com 25; inclusive já eram casados, dificilmente eles freqüentariam neste mesmo ano, pois a imperatriz estava grávida, ou seja eles provavelmente freqüentaram o local mais tarde entre uma gravidez e outra da imperatriz.
Às 18:26h da tarde do dia 29 de julho de 1846 os canhões do Morro do Castelo, no Rio de Janeiro, anunciaram o nascimento no palácio de São Cristóvão – Rio de Janeiro da Princesa Isabel (Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança). Ela viria a ser a primeira e única mulher que governou o Brasil.
As filhas de Dom Pedro, Isabel e Leopoldina, tiveram como professora a Condessa de Barral (Luisa Margarida Portugal de Barros), que muitos pesquisadores consideram o grande e verdadeiro amor do imperador. Além de cartas de amor com referências a “noites especialíssimas” os dois trocavam seus diários entre si. Infelizmente só sobraram os textos escritos pelo imperador, os da condessa desapareceram e admite-se a hipótese de terem sido queimados por Dom Pedro. Nunca houve identificação intelectual entre o imperador e a imperatriz, já com a Condessa de Barral era diferente, ambos eram amantes das artes e letras, algumas vezes Pedro escrevia a ela em francês e a condessa fazia correções nos textos do imperador.
Registrando em seu diário, a primeira vez em que viu a condessa, e se referindo a forma como ela fez a reverência a frente dele, Pedro diz: “…ela fez a reverência de forma soberanamente submissa… transformava a reverência em obra de arte”.
A Condessa de Barral, Condessa da Pedra Branca por parte de pai, Marquesa de Monferrat por casamento, era baiana, porém foi criada na Europa, filha do diplomata Domingos Borges de Barros (Visconde de Pedra Branca) e no Brasil foram famosos suas festas (saraus) regados a boa música e conversas intelectuais.
Foi casada com o fidalgo francês, o Chevalier de Barral que também era Visconde de Barral, filho do Conde de Barral que também era o Marquês de Monferrat; casou por amor, pois já havia recusado um casamento por conveniência arranjado pela família.
Provavelmente só após a morte do marido, em 1868, que a condessa se tornou amante do imperador. Até então, o tom das cartas mostra um relacionamento platônico.
Em sua casa na Rue D’Anjou em Paris freqüentaram grandes nomes da cultura, dentre eles nada mais nada menos que Frederic Chopin.
Dom Pedro II no Brasil trocava correspondência com Louis Pasteur, Alexander Graham Bell, Richard Wagner dentre outros, ou seja a afinidade entre eles era enorme.
Esta relação entre Dom Pedro e a Condessa de Barral, rendeu uma peça teatral chamada Os Olhos Verdes do Ciúme, texto de Caio de Andrade; e Jô Soares utiliza Dom Pedro e a condessa como argumento histórico para o livro e o filme O Xangô de Baker Street. (no livro e no filme ele trata a personagem como Maria Luiza e lhe atribui o título de baronesa). Graças a intervenção junto ao imperador, é que Carlos Gomes conseguiu matrícula no Conservatório de Música de Francisco Manuel da Silva o compositor do Hino Nacional Brasileiro, este conservatório é que deu origem a atual Escola Nacional de Música.
Em 20 de julho de1847 através do decreto 523 o Brasil teve o sistema Monárquico Parlamentar de governo elaborado e definido, criando o cargo de Presidente do Conselho de Ministros. O que seria hoje como o cargo de Primeiro Ministro.
1847 faleceu seu filho Dom Afonso.
Também em 1847 nasce sua filha Dona Leopoldina Tereza. (é muito importante, não confundir esta com a Imperatriz Leopoldina, esposa de Dom Pedro I). Dona Leopoldina, casou em 1864, com o Duque de Saxe.
Em 30 de abril de 1854, inaugura a Estrada de Ferro Petrópolis, fundada por Irineu Evangelista de Souza, Barão e depois Visconde de Mauá, patrono do Ministério dos Transportes. Foi no ato de inauguração da nossa primeira ferrovia que o Imperador Dom Pedro II batizou a primeira locomotiva a vapor do Brasil de “Baronesa” , em homenagem à esposa do Barão de Mauá, Dona Maria Joaquina, a Baronesa de Mauá. Após servir o Imperador Pedro II, por muitos anos, foi retirada de tráfego em 1884, voltando ao serviço algum tempo depois, para transportar um visitante ilustre, o Rei Alberto da Bélgica.
Em 1855 o Rio de Janeiro é atingido violentamente pelo “Cólera Morbus” o mesmo ocorreu em Portugal neste mesmo ano. Em todo o país mais de 200.000 pessoas foram vitimadas por esta terrível doença; no Rio, muitos infectados ficaram na Enfermaria São Sebastião da Santa Casa da Misericórdia que foi visitada por Dom Pedro II.
Em 1856 manda importar dromedários e camelos para o Ceará, coisa que não deu certo.
No dia 2 de outubro de 1857, um decreto emitido pelo Conselheiro Tolentino, por ordem do Imperador, Magé tornou-se Cidade.
Em 1857 chega ao Brasil a convite do imperador o Padre Huet, um professor surdo que trouxe um método de ensino, fundando a primeira escola de surdos o INES – Instituto Nacional de Educação de Surdos, no Rio de Janeiro.
Das inúmera viagens por todo o território nacional que o imperador fez, a propósito de suas posições sobre a escravidão, registro aqui a seguinte passagem:
Numa viagem ao interior de Minas Gerais, o Imperador observou, no meio da multidão que o cercava, uma negra que fazia grande esforço para se aproximar dele, mas as pessoas à sua volta não deixavam. Compadecido, ordenou que a deixassem passar.
- Meu senhor, meu nome é Eva, uma escrava fugida, e vim aqui pedir a Vossa Majestade a minha liberdade.
O Imperador mandou tomar nota dos dados necessários, e prometeu que a libertaria quando regressasse a corte. E realmente mandou entregar à negra o documento de alforria.
Algum tempo depois, estando em uma das janelas do Palácio de São Cristóvão, viu um guarda tentando impedir que uma negra idosa entrasse. Sua memória incrível reconheceu imediatamente a ex-escrava mineira, e ordenou:
- Entre aqui, Eva!
A negra seguiu, entrou, e entregou ao imperador um saco de abacaxis, colhidos na roça que plantara depois de liberta.
No início de seu reinado, faz viagens diplomáticas às províncias mais conflitadas.
Protege artistas e escritores e mantém correspondência com cientistas e artistas de várias partes do mundo.
Em 1858 é inaugurada a estrada de ferro Dom Pedro II.
Entre os anos de 1859 e 1860, faz uma viagem antológica pelo nordeste brasileiro incluindo o Rio São Francisco. Atravessou grande parte do território nacional, do Rio de Janeiro à Paraíba, muitas vezes montado em lombo de burro ou a bordo embarcações rudimentares e frágeis. Quando passou pela Bahia, escreveu em seu diário: “Na Fazenda dos Olhos D’agua fiquei mal acomodado na senzala – nome que convém à casa que aí há – mas sempre arranjei cama em lugar de rede e dormiria bem, apesar das pulgas, cujas mordeduras só senti outro dia de manhã, se não fosse o calor, e a falta de água que é péssima aí, tardando a de Vichy, que vinha na bagagem pela falta de condução.”
Em 1860 Dom Pedro II visita o Espírito Santo.
Em 12 de janeiro de 1861, Dom Pedro II criou a casa de penhor Monte Socorro da Corte e a Caixa Econômica da Corte, duas instituições financeiras que acabaram se fundindo. Desde a época imperial, portanto, damas brasileiras e alguns nobres sem fortuna passaram a recorrer à essa modalidade de empréstimo; empenhando jóias. Esta instituição, mais tarde se tornaria a Caixa Econômica Federal.
A Caixa Econômica, teve como primeiro cliente do novo banco, garantido pela Corte de Dom Pedro II, Antônio Alvarez Pereira Coruja, o gaúcho Comendador Coruja, que abriu poupança para seus filhos e virou nome de agência da Caixa Econômica no Rio Grande do Sul (por lá ele também tem nome de rua). Desde o primeiro depósito do Comendador Coruja, a Caixa foi sinônimo de garantia por 129 anos consecutivos, até a chegada ao poder de Fernando Collor de Mello que confiscou os ativos financeiros de toda a população incluindo as cadernetas de poupança.
Em 1861, o navio inglês Príncipe de Gales afundou na costa do Rio Grande do Sul, sendo sua carga pilhada pelos brasileiros. O governo inglês, através de seu representante no Brasil o diplomata William Christie, exigiu uma indenização de 3.200 libras esterlinas.
As coisas pioraram quando três oficiais ingleses, embriagados e à paisana, foram presos por promoverem desordens. William Christie exigiu a soltura dos oficiais e a punição dos policiais que os prenderam. Tinha início nesse momento o episódio que ficou conhecido como a “Questão Christie“.
Dom Pedro aceitou indenizar os ingleses pelos prejuízos na pilhagem do navio inglês no litoral gaúcho e soltar os oficiais. Mas, recusou-se a punir os policiais brasileiros. Christie ordenou o aprisionamento de cinco navios brasileiros, o que gerou indignação e atitudes de hostilidade dos brasileiros em relação aos ingleses aqui radicados. As relações diplomáticas e comerciais entre Inglaterra e Brasil foram rompidas em 1863 por iniciativa de Dom Pedro, sendo reatadas dois anos mais tarde. O imperador aceitou receber o embaixador da Rainha Vitória, que veio apresentar desculpas formais e pedir o reatamento das relações diplomáticas, diante do fortalecimento do Paraguai na região platina.
Em 26 de junho de 1862, Dom Pedro II promulgava a Lei Imperial nº 1157 que oficializou em todo o território nacional, o sistema métrico decimal francês. O Brasil foi uma das primeiras nações a adotar o novo sistema, que seria utilizado em todo o mundo.
Também em 1862, ordenou o replantio de toda a vegetação nativa onde hoje é a Floresta da Tijuca no Rio de Janeiro a maior floresta urbana do mundo. Totalmente devastada em função do plantio de café, comprometeu as nascentes dos rios e alterou o equilíbrio climático da época.
A Princesa Isabel casou, dizem, totalmente apaixonada em 1864 com Luiz Felipe Gastão Orléans, o Conde d’Eu, ela contava com 18 anos.
Em fevereiro de 1864, Dom Pedro II inaugurou, no Bairro da Glória, a Estação Elevatória de Tratamento de Esgotos do Rio de Janeiro. (leia um pouco mais sobre este assunto na página inicial do site, na coluna “Biografias Relacionadas com o Bairro“, na biografia de Frederico Russel).
Em 1864 estoura a Guerra do Paraguai que se estende até 1870.
Em 7 de maio de 1865 após uma obra que se arrastou lentamente por 106 anos, foi inaugurado com a presença de Dom Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina a Igreja de São Francisco de Paula, no atual Largo de São Francisco pertencente a Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula fundada no Rio em 1752.
Em 1866, um decreto imperial de Dom Pedro II autorizava o funcionamento da Companhia de Seguros Marítimos e Terrestres Garantia, que muito mais tarde após fusões e mudanças de razão social veio a se tornar o UNIBANCO. A seguradora se propunha a cobrir riscos marítimos e fluviais, de incêndios produzidos por raios e de inundações, mas a ênfase era sobre os seguros de navegação.
No dia 11 de dezembro de 1868 sob o comando do General Osório o Brasil vence o Paraguai na Batalha do Avaí.
Em 1868, a Princesa Isabel resolveu fazer um milagroso tratamento a base de água mineral, a ultima novidade na Europa para tratamento de infertilidade, pois até então ela não havia engravidado o que abalava o seu casamento. Viajou para Minas Gerais com seu marido o Conde d’Eu, o Dr. N. Feijó, e alguns amigos para experimentar as águas minerais da Cidade de Caxambu, ninguém sabe como, mas a cura chegou logo; pouco depois ela geraria três filhos para garantir a perpetuação dos Orléans e Bragança: Dom Pedro de Alcântara Príncipe de Grão Pará (titulo do herdeiro do trono imperial do Brasil), Dom Antonio e Dom Luiz, bonitos, corados e saudáveis.
E 1869 o Conde d’Eu foi nomeado por Dom Pedro comandante-em-chefe das tropas brasileiras na Guerra do Paraguai.
Em 1870, fazendeiros, políticos, jornalistas e intelectuais lançam no Rio de Janeiro o Manifesto Republicano.
Também em 1870, foi redigido o Manifesto Republicano na cidade de Itu – SP.
No mesmo ano de 1870 a enfermeira baiana Ana Néri (Ana Justina Néri) recebe do imperador Dom Pedro II uma pensão vitalícia, com a qual educa quatro órfãos recolhidos no Paraguai.
Em 1870, surgiu o Partido Republicano, o Marques de São Vicente (José Antônio Pimenta Bueno) presidia o Conselho de Ministros, comentou com o imperador, não achar adequado que republicanos ocupassem cargos públicos Dom Pedro II falou ao ministro: “O país que se governe como entender e dê razão a quem tiver”. E, como Pimenta Bueno insistiu, encerrou a questão com a seguinte frase: “Ora, se os brasileiros não me quiserem como imperador, irei ser professor”.
Em 1871 morre aos 24 anos de idade sua filha Dona Leopoldina Teresa.
A 25 de maio de 1871 faz sua primeira viagem internacional; não era muito simples para ele se ausentar do Brasil, ele tinha que pedir autorização a Câmara, e os políticos relutavam em conceder, pois temiam deixar o trono nas mãos da Princesa Isabel, que contava com apenas 24 anos.
A 12 de junho, quando desembarcou em Lisboa, ocorreu o seguinte episódio, havia a necessidade de quarentena para todos os viajantes provenientes das Américas, ele foi informado que essa medida não se aplicava a ele, então teria dito: Porque não? a ordem não é para todos? E assim ele ficou sob quarentena como todos os demais passageiros.
Em 28 de setembro de 1871, é aprovada a Lei do Ventre Livre, libertando os filhos dos escravos que nascessem a partir desta data. A lei é assinada pela Princesa Isabel, porém a promulgação historicamente é atribuída a Dom Pedro.
Em 1872, mandou prender os bispos Dom Vital e Dom Macedo Costa, por desafiarem o poder real no episódio conhecido como “Questão Religiosa“. Julgados e condenados pelo Supremo Tribunal (1875), depois foram anistiados pelo imperador.
Também em 1872 foi feito o primeiro recenseamento no Brasil, que contava com uma população total de 9.930.478 sendo 5.123.869 de homens e 4.806.609 de mulheres e cerca de 1.500.000 de escravos. Os resultados não incluem 181.583 habitantes, estimados para 32 paróquias, nas quais não foi feito o recenseamento na data determinada. (dados do IBGE).
Entre 1871 e 1887, faz várias viagens ao exterior visitando América do Norte, a Rússia, a Grécia e vários outros países da Europa, sempre pagando suas próprias despesas.
Em Alexandria, Egito, existe uma Igreja Greco-Melquita Católica (Rito Bizantino) dedicada a São Pedro, construída por um emigrante libanês no Egito, Conde Miguel Debbane (1806-1872) e Cônsul Honorário do Brasil em Alexandria. A igreja foi construída em 1868 em honra de Dom Pedro II, e em 1871 o Imperador visitou Alexandria e a igreja. Ainda nos dias de hoje são celebradas missas em memória do Imperador e do Conde Miguel Debbane.
Em 26 de janeiro de 1873 falece Dona Amélia de Leuchtenberg, 2ª esposa de Dom Pedro I, Imperatriz do Brasil e Duquesa de Bragança em Queluz, Portugal, aos 61 anos.
Surgiu em 16 de abril de 1873 na Cidade de Itu – SP, o Partido Republicano Paulista (PRP).
Em 1874 foi inaugurado o cabo submarino entre o Brasil e a Europa, usado nas comunicações telegráficas.
Em 1876 fez a sua segunda e mais longa das viagens ao exterior, durou 18 meses, a Imperatriz Teresa Cristina teve problemas de saúde e foi atendida na Europa pelo famoso médico neurologista Jean Martin Charcot, que foi professor de Freud. Nessa mesma viagem, Dom Pedro II aproveitou para passear pelos Estados Unidos, onde se encantou com os arranha-céus, os trens e o desenvolvimento da agricultura; esteve na companhia do presidente americano Rutherford Hayes e escreveu no seu diário: “Seu aspecto é grosseiro. Pouco fala. A nora é muito amável. A mulher feia e vesga faz o que pode para ser amável. O filho parece rapaz muito inteligente.” Nessa mesma viagem visitou Rússia, Criméia, Constantinopla e Atenas. Visitou também o Líbano, Síria e Palestina, a bordo do navio de bandeira brasileira “Aquiíla Imperial“; mesmo estando com uma comitiva de cerca de 200 pessoas, não foi gasto um centavo do dinheiro público. Segundo o livro “Líbano – Guia Turístico e Cultural“, em sua estada no Líbano, de 11 a 15 de novembro de 1876 em Beirute ficou hospedado no “Hotel Belle Vue“. Pedro o Imperador escreveu a seu amigo, o Embaixador Francês Joseph Gobineau, que ficara em Atenas, Grécia: “Tudo vai bem… A partir de hoje começa um mundo novo. O Líbano ergue-se diante de mim com seus cimos nevados, seu aspecto severo, como convém a essa sentinela da Terra Santa…”
Uma curiosidade: Durante 127 anos nenhum outro chefe de estado brasileiro esteve no Oriente Médio, só em 2003 o Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva esteve por lá para viagens com o propósito de realizar acordos comerciais.
Em 1876, o artesão cervejeiro Henrique Kremer já como fornecedor oficial do Palácio Imperial, resolve batizar seu estabelecimento como Imperial Fábrica de Cerveja Nacional, o nome nunca “pegou”, sua cerveja sempre foi chamada de Bohemia pela população e Bohemia continua até hoje. Ninguém sabe porque o povo chamava esta cerveja de Bohemia.
Em maio de 1876 Dom Pedro compareceu a Exposição Internacional Comemorativa ao Centenário da Independência dos Estados Unidos na Filadélfia (EUA), comprou passagem em navio de linha regular, como sempre fazia quando viajava; recusava o cruzador como escolta que o Parlamento lhe oferecia, e viajava em navio de passageiros. Quando o navio se aproximou das águas territoriais norte-americanas, uma esquadra americana o esperava, para escoltá-lo até o porto. O presidente americano Ulisses Grant fez questão de que o Imperador brasileiro cortasse junto com ele a fita de abertura, inaugurando a exposição.
Visitando a exposição foi até a mesa onde estava o professor Graham Bell e seu invento, uma coisa chamada telefone. Dom Pedro II começou a fazer perguntas sobre a novidade, assim ele conseguiu despertar interesse e aceitação dos juizes do concurso de invenções da exposição para o aparelho. (não é claro, mas parece que Dom Pedro era um dos juizes).
Ele já conhecia o professor, tendo assistido uma palestra sobre surdos-mudos ministrada por Graham Bell.
Os juízes da exposição (que ao final auferiam prêmios aos vencedores), começaram a se interessar.
O telefone foi examinado. Graham Bell estendeu um fio de um lado a outro da sala, e colocou Dom Pedro na extremidade onde ficava a parte receptora do aparelho e dirigiu-se ao transmissor, após um momento de total silêncio o Imperador do Brasil que tinha o receptor ao ouvido exclamou de repente:
- Meu Deus, isto fala!
Ficou fascinado e encomendou alguns aparelhos para poder se comunicar entre as suas residências. Na Cidade de Petrópolis (Região Serrana do Rio de Janeiro) existe, um pouco antes de se chegar ao centro da cidade, uma ponte chamada de “Ponte Fones” este nome existe em função de Dom Pedro ter mandado instalar ali uma caixa com um aparelho telefônico rudimentar.
Em 1877 o Brasil adere ao tratado de criação da União Postal Universal, selado em Berna, na Suíça, três anos antes.
Em 1877 se inicia uma seca no Nordeste brasileiro de proporções nunca antes relatada, que perdura até 1879, nesse período a falta de chuvas causou aproximadamente 300.000 vítimas.
A 1º de janeiro de 1878 nasce Dom Luís, seu neto o Príncipe Perfeito, 2º filho e herdeiro da Princesa Isabel.
No primeiro sábado de cada mês, recebia, todo o corpo diplomático.
Todos os sábados concedia audiência pública, recebendo a todos, ricos e pobres, nobres e plebeus.
Todas às quintas-feiras o Imperador tinha o hábito de jantar com a Princesa Isabel, no Palácio Guanabara (no Bairro das Laranjeiras, Rio de Janeiro), para onde seguia com a Imperatriz às 4 horas da tarde, escoltado pela guarda imperial.
Não era previsto no protocolo que os guardas seriam alimentados pela cozinha do palácio, acontece que o Imperador desconhecia este fato.
Foto de Dom Pedro “idoso” de Joaquim Pacheco Rio de janeiro S.D.
Certo dia, um soldado da guarda estava com fome e resolveu arranjar alguma coisa para comer. Foi aos fundos do palácio e entrou na sala de jantar. Pegou umas bananas, e quando ia apanhar também uma garrafa de vinho deu de cara com o Imperador. Colocou sobre a mesa as bananas, fez continência e disse:
- Vossa Majestade me perdoe. Estava com fome, vi estas bananas e não me contive.
- Por que não esperou o jantar, seu guarda?
- Saiba Vossa Majestade que aqui não nos fornecem jantar, e os que não têm dinheiro para comprar alguma coisa passam fome.
O Imperador ficou consternado mas nada disse. Pouco depois veio o jantar do palácio para os guardas, e daí em diante nunca mais isto se repetiu.
Em 1879 o Imperador decretou a Lei de Extinção dos Aldeamentos solicitada pela Câmara de Cimbres para resolver os conflitos gerados pelas invasões das terras indígenas.
Em 6 de setembro de 1881, o Imperador Dom Pedro II recebeu uma comissão de espíritas do Rio de Janeiros, pedindo o fim das perseguições e injustiças contra os seguidores desta religião.
Em 1883 Dom Pedro II inaugura os serviços da Estrada de Ferro Carangola, a cerimônia se realiza na Cidade de Itaperuna.
Em outubro de 1884 inaugura a Estrada de Ferro do Corcovado que foi a primeira ferrovia eletrificada do Brasil.
Em 1884 a partir de um decreto do imperador, a odontologia brasileira tornou-se profissão de nível universitário.
Em 1885 é promulgada a Lei Saraiva-Cotegipe (lei dos sexagenários), que torna livres os escravos com mais de 60 anos de idade.
Em 1886, Dom Pedro II e Dona Tereza Cristina, inauguram o ramal Cascavel – Poços de Caldas, da Estrada de Ferro Mogiana.
A 27 de junho de 1887, por decisão do Imperador Dom Pedro II, surgia a Imperial Estação Agronômica, mais tarde chamada de Instituto Agronômico.
Em sua última viagem como imperador (1887), com muitos problemas de saúde, partiu para a França, Alemanha e Itália. Em Milão, foi acometido de uma pleurite (inflamação da pleura, tecido que envolve os pulmões) é levado para Aix-les-Bains, onde permaneceu em tratamento. Antes de poder voltar ao Brasil, na sua ausência, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea que acabou com a escravidão no Brasil a 13 de maio de 1888; a princesa contava com 42 anos de idade.
No dia 13 de maio de 1888 ao ouvir a notícia da assinatura da Lei Áurea, Dom Pedro II enviou um telegrama a filha:
“Abraço a Redentora. Seu pai, Pedro“.
José do Patrocínio, orador popular da libertação, escreveu em seu livro:
“Os reis criam princesas. O imperador criou uma mulher”.
Na noite de 15 de junho de 1889 Dom Pedro II saia do Teatro Sant’Ana, na Praça Tiradentes nº 19 (Rio de Janeiro) após um concerto. Um homem, o português de Coimbra chamado Adriano do Vale, grita: “Viva a República!” e disparou um tiro contra o imperador, o tiro não atingiu ninguém; todos ficaram indignados com o episódio, segundo consta até os republicanos acharam o acontecido lamentável. Dom Pedro não deu muita importância ao caso, inclusive pedindo calma a sua guarda pessoal ao deter o agressor. Adriano foi absolvido de todas as acusações uma semana após a proclamação da república. (O Teatro Santana é o mesmo Teatro Carlos Gomes dos dias atuais, ele foi inaugurado em 1º de fevereiro de 1872, o nome é uma homenagem a esposa do seu proprietário Pedro Ferreira de Oliveira Amorim, mais tarde foi remodelado e reinaugurado com o nome de Carlos Gomes).
Em setembro de 1889, Deodoro da Fonseca, que servia em Mato Grosso, voltou ao Rio de Janeiro, no momento em que ocorria novos choques entre o governo e os militares.
Em 9 de novembro de 1889, a oficialidade do Rio de Janeiro, se reunia no Clube Militar, confiaram a Benjamin Constant a chefia do movimento destinado a combater as medidas governamentais do Visconde de Ouro Preto (Affonso Celso de Assis Figueiredo) chefe do gabinete de ministros, considerados ofensivas ao exército. Teria estado presente nesta reunião um certo Alferes Cardoso (alferes seria o equivalente ao posto de tenente nos dias de hoje) que ao aventarem a possibilidade do imperador se recusar a ir para o exílio ele teria dado a sugestão de fuzilar Dom Pedro II; detalhe: Este Alferes Cardoso era o avô do ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso.
O Visconde de Ouro Preto, além de ter sido o chefe do gabinete de ministros era um lançador de “modinhas”, ele é freqüentemente citado na história da musica popular brasileira, principalmente nas origens do “choro” ou “chorinho”.
Na noite de 9 de novembro de 1889 ocorre na Ilha Fiscal ilha da Baía de Guanabara o último baile do império, com cerca de 3.000 convidados. O baile era homenagem do império aos tripulantes do couraçado chileno Almirante Cochrane. O espaço não foi projetado para esta quantidade de pessoas e o aperto foi enorme, para dançar foi um sacrifício e ao final da festa ficaram ao chão muita coisa; segundo a Revista Ilustrada foram deixados para trás no assoalho do castelo e no solo da ilha os seguintes apetrechos: “17 travesseiros, 6 almofadinhas, oito raminhos de corpete, 13 lenços de seda, 9 de linho, 15 de cambraia, 9 dragonas, 3 coletes de senhoras, 17 ligas, 8 claques, 16 chapéus de cabeça e grande quantidade de algodão em rama”. Nas quatro grandes mesas montadas para a ceia do Baile da Ilha Fiscal, os convidados encontraram nove copos de diferentes tamanhos. Destinavam-se aos 39 tipos de vinhos oferecidos pelo Visconde de Ouro Preto, presidente do Conselho de Ministros e responsável pela festa.
Último Baile da Monarquia Aurélio Figueiredo – Museu Histórico Nacional – RJ
Na noite do dia 10, após uma longa discussão, Constant convenceu Deodoro, então gravemente enfermo, a participar de uma conspiração para a deposição do Gabinete do Visconde de Ouro Preto. Na ocasião, foi acertado que o golpe seria dado na noite de 17 de novembro.
Quando servia no Rio Grande do Sul, o Marechal Deodoro disputou com Gaspar Silveira Martins os favores de uma lindíssima gaúcha, e perdeu a parada. Por isso nutria um ódio de morte por Silveira Martins. E, só se dispôs a assinar o Decreto Nº 1 que implantava a República, na tarde de 15 de novembro quando Benjamin Constant Botelho de Magalhães lhe segredou (era tudo mentira) que Dom Pedro II ia nomear Silveira Martins como Primeiro-Ministro, em substituição ao Visconde de Ouro Preto. (veja na página inicial do site na coluna “Significado do Nome das ruas, mais informações sobre Silveira Martins).
Dom Pedro II foi deposto a 15 de novembro de 1889 com a Proclamação da República; o governo provisório deu-lhe 24 horas para deixar o país, e assim ele fez; foi com a família para Portugal no dia 17.
Foi enviada uma carta/telegrama pelos republicanos através do Coronel Mallet exigindo seu exílio, abaixo um trecho da mesma:
“… o governo provisório espera de vosso patriotismo o sacrifício de deixardes o território brasileiro, com a vossa família, no mais breve possível. Para esse fim se estabelece o prazo máximo de vinte e quatro horas que contamos não tentareis exceder”.
Mesmo depois de proclamada a república, ninguém quis levar a carta para Dom Pedro, com a notícia de que ele não era mais imperador do Brasil. A família imperial estava no palácio de Petrópolis, ao tomar conhecimento dos fatos ocorridos no dia 15, vieram para o Palácio do Paço na atual Praça XV (Rio).
Às 14:30h do dia 16 de novembro, o Major Sólon Ribeiro (Frederico Sólon Sampaio Ribeiro, pai de Ana de Assis a esposa de Euclides da Cunha), foi ao encontro do imperador no Paço da Cidade, que teve que ser acordado. Dizem os relatos que a Imperatriz Tereza Cristina chorou, que a Princesa Isabel ficou muda e que o imperador apenas desabafou: “estão todos loucos”.
Uma curiosidade: Antes desta carta enviada já pelos republicanos o Visconde de Ouro Preto enviou um telegrama ao imperador, porém, o telegrama em que o Chefe do Gabinete de Ministros noticiava a Dom Pedro II o golpe de 15 de novembro foi “atrasado” nos correios, por ordem de Floriano Peixoto. Mais tarde, no exílio sabendo deste fato Dom Pedro II declarou que se tivesse recebido no prazo correto o telegrama, teria saído de Petrópolis e ido para o Sul de Minas, e dali resistiria ao golpe.
Escreveu um bilhete pedindo que lhe trouxessem um exemplar de Os Lusíadas que ganhara do Senador Mafra, este livro se encontrava no Palácio de São Cristovão. A obra era uma raridade; além de ser uma primeira edição, tinha um autógrafo de nada mais nada menos de Luís de Camões, que tinha sido proprietário do livro. Foi a única coisa que pediu que viesse de São Cristóvão. (mais tarde já na Europa, ele mandou buscar alguns objetos pessoais e na iminência de ver documentos e livros importantes e raros serem leiloados ou destruídos ele doa tudo para a Biblioteca Nacional).
O Coronel Mallet exigiu que a família imperial embarcasse no meio da noite, o que provocou protestos de Dom Pedro II, que pretendia assistir à missa pela manhã, antes de partir: “Não sou negro fugido. Não embarco a essa hora!” mas, de nada adiantou. O Major Sólon Ribeiro evacuou o Paço Imperial que estava cheio de populares e a família imperial foi obrigada a embarcar em plena madrugada.
Antes de viajar, no dia 17 de novembro, Dom Pedro II escreveu uma mensagem para o povo brasileiro:
“Cedendo o império as circunstâncias, resolvo partir com toda a minha família para a Europa amanhã, deixando esta pátria de nós estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranhado amor e dedicação durante quase meio século, em que desempenhei o cargo de chefe de estado. Ausentando-me, eu com todas as pessoas de minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo votos por sua grandeza e prosperidade”.
Antes mesmo da chegada da família à Europa diante da recusa de Dom Pedro em aceitar uma pensão de cinco mil contos, o governo baixou o decreto 78A, banindo o ex-imperador com toda a sua família do território nacional, com a proibição de ter bens no Brasil e dando-lhes um prazo para liquidar os que aqui possuíssem.
De 8 de agosto a 5 de dezembro de 1890, foi realizado o infeliz leilão de arte do Paço de São Cristóvão, feito com os bens da família imperial durando 5 meses, ao todo, foram realizados 18 pregões, incluindo os três leilões efetuados na Fazenda Imperial de Santa Cruz, todos os bens leiloados foram avaliados em 190:000$000, esta quantia não era suficiente para comprar duas carruagens do Imperador.
A Família Imperial exilada chegava a Lisboa. Antes de desembarcar, o Imperador quis despedir-se de todos os oficiais de bordo, entregando uma lembrança pessoal aos três oficiais mais graduados, o resto da tripulação, presenteou com uma quantia em dinheiro, tendo tido o cuidado de mandar organizar uma lista com os nomes de todos os marinheiros e empregados de bordo.
Como sempre, nenhum detalhe escapou:
– Falta o homem que trata dos bois. Não o esqueça.
Em 28 de dezembro de 1889 em um hotel da Cidade de Porto – Portugal morre a Imperatriz Teresa Cristina. Nos seus últimos instantes de vida, confidenciou à Baronesa de Japurá:
- Maria Isabel, eu não morro de doença. Morro de dor e de desgosto.
Após a morte da esposa 40 dias após chegar a Europa vive então entre Cannes, Versalhes e Paris, onde freqüentava concertos, conferências e o Instituto de França, ao qual se associara.
Passou a viver no Hotel Bedford em Paris, com o tempo, foi se acostumando a sua nova vida de Sr. Alcântara como passou a ser chamado e também se acostumou à cidade, adquirindo um hábito; saía do hotel e alugava um coche, seguia até próximo à universidade. Ali ficava na Biblioteca Nacional Nazarino, que se tornou seu recanto preferido na cidade. Nesta biblioteca passou por um pequeno contra tempo, necessitou preencher a ficha de sócio da biblioteca que lhe daria direito ao empréstimo de livros, nela devia declarar seu nome e sua profissão, porém seu nome era comprido demais e não cabia na pequena ficha. Quanto à profissão, era difícil explica-la.
Em 1889 termina o livro Poesias de Sua Majestade O Senhor D. Pedro II.
Em novembro de 1891, uma ferida no pé fez com que não pudesse mais sair do hotel. No final do mês, contraiu uma pneumonia, e a 5 de dezembro morria o Imperador do Brasil.
Faleceu no quarto número 18 do mesmo Hotel Bedford, antes pediu um travesseiro onde havia terra brasileira para servir de apoio a sua cabeça.
Seus restos, trasladados de Paris para Lisboa, foram depositados no Convento de São Vicente de Fora, junto aos da esposa.
Em 1898 é publicado seu livro Sonetos do Exílio.
Em 1920 foi revogada a lei do banimento que impedia até mesmo o retorno de seus restos mortais para o Brasil.
Em 1921, o Conde D’Eu retorna ao Brasil para trazer os restos mortais do casal de ex-imperadores para serem depositados na Catedral do Rio de Janeiro depois foram transferidos para a Catedral de Petrópolis (1925) e definitivamente enterrados em 1939.
Em 28 de dezembro de 1921 o decreto 4.419 determina o translado para o Brasil dos restos mortais da Princesa Isabel.
Em 1932 foram publicadas as Poesias Completas de Dom Pedro II.
Transcrevo aqui as palavras de Priscila Morales no Novo Dicionário Dinâmico da Língua Portuguesa:
“Nenhum monarca desceu do trono com tanta dignidade e moral tão elevada quanto Pedro II. Foi um soberano inatacável, cultivava o direito, a justiça e a tolerância como pontos básicos de seu governo. Recusou uma pensão que a República lhe oferecera, jamais acusou aos que o traíam e nunca, no exílio, deixou um só momento de interessar-se pelos problemas da pátria distante. Protetor das artes e das letras, fomentador da imigração, difusor da instrução pública, amigo do progresso, Pedro II ainda hoje merece o respeito e a admiração dos brasileiros.”





