Pequena História do Catete - Biografias

Dom Pedro II

 

Dom Pedro II, foto de 1880 com 55 anos

Dom Pedro II, foto de 1880 com 55 anos

 

Dom pedro I, pai de Pedro II

Dom Pedro I

Dom Pedro II com 5 anos de idade

Dom Pedro II com 5 anos de idade.

Museu de Arte Sacra - São Paulo - SP

Senador Vergueiro

Senador Vergueiro

Dona Maria Leopoldina

Dona Maria Leopoldina

 

Dom pedro II ainda criança

Dom Pedro II, quando criança

 

Carlota Joaquina avó de Pedro II

Dona Carlota Joaquina, sua avó

 

José Bonifácio

José Bonifácio

 

Marquês de Itanhaém

Marquês de Itanhaém

Coronel Bento Gonçalves da Silva

Coronel Bento Gonçalves da Silva 

Marques de Sapucaí

Marques de Sapucaí

Cândido José de Araújo Viana, o Marques de Sapucaí, foi professor, jurista,compositor e poeta dentre outras coisas, nasceu em Sabará (MG), a 15 de setembro de 1793. Formou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra, em 1821. Exerceu vários cargos na área jurídica, até chegar a ministro do Supremo Tribunal de Justiça, no Rio de Janeiro. Foi deputado à Constituinte de 1823 e exerceu vários cargos públicos, tendo sido ministro do Império em 1841. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 25 de janeiro de 1875. Mais de 100 anos após sua morte, em 1984, Darcy Ribeiro inaugurou na avenida que tem seu nome (Av. Marquês de Sapucaí), no Rio de Janeiro, o "Sambódromo", projetado por Oscar Niemayer. A partir de então, por acolher todos os desfiles oficiais de escolas de samba no carnaval, o Marquês tem sido citado em inúmeros sambas de enredo.

 

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Dom Pedro II

Dom Pedro II

Retrato de Dom Pedro II, 1837- óleo sobre tela - 090 x 066 cm Félix-Émile Taunay (1795-1881) Museu Imperial de Petrópolis - RJ

 

Proclamação da maioridade de Dom Pedro II

Proclamação da maioridade de Dom Pedro II

 

Coroação de Dom Pedro II

Coroação de Dom Pedro II

Sagração de D. Pedro II, 1840
Manuel de Araújo Porto-alegre
 
Paço da Cidade - Rio de Janeiro, esta foi a 1ª fotografia tirada na América do Sul
 
Paço da Cidade - Rio de Janeiro - Primeiro daguerrótipo - feito na América do Sul a 17 de janeiro de 1840 pelo abade francês Louis Compte.
 
Auto-Retrato de Dom pedro II
 

Dom Pedro II, auto-retrato, este é uma das poucas fotos feitas pelo próprio imperador no caso dele mesmo.

 
Padre Antônio Joaquim de Mello
 
Padre Antônio Joaquim de Mello
 

Teresa Cristina Maria de Bourbon

Teresa Cristina Maria de Bourbon

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Princesa Isabel

Princesa Isabel

Pedro II em 1840 - Museu Histórico Nacional - RJ

Pedro II em 1840 - Museu Histórico Nacional - RJ

Princesa Leopoldina e o Duque de Saxe

Princesa Leopoldina e o Duque de Saxe, seu marido

 

Condessa de Barral

Condessa de Barral

Frederic Chopin

Frederic Chopin

Louis Pasteur

Louis Pasteur

Alexander Graham Bell

Alexander Graham Bell

Davi Canabarro

Davi Canabarro

Duque de Caxias

Duque de Caxias

Richard Wagner

Richard Wagner

Visconde de Pedra Branca

Domingos Borges de Barros, Visconde de Pedra Branca, pai da Condessa de Barral

 

 

Local e data de nascimento: Paço de São Cristóvão (Quinta da Boa Vista) - Rio de Janeiro às 2:30 da madrugada do dia 2 de dezembro de 1825.

Local e data da morte: No quarto nº 18 do Hotel Bedford em Paris -5 de dezembro de 1891.

Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga era o 7º filho de Dom Pedro I (Dom Pedro IV de Portugal) e da imperatriz Dona Maria Leopoldina, herdou o direito ao trono brasileiro devido a morte de dois irmãos mais velhos, Dom Miguel e Dom Carlos. Mais tarde o dia de seu nascimento se torna Dia Nacional da Astronomia por ser ele um amante das ciências e astrônomo amador.

Em dezembro de 1826 com 1 ano de idade, perde sua mãe a Imperatriz Dona Maria Leopoldina.

Em 10 de Março de 1826, morre seu avô Dom João VI, estando sepultado no Mosteiro de São Vicente de Fora.

Em 7 de Janeiro de 1830 sua avó Dona Carlota Joaquina de Bourbon, esposa de Dom João VI de Portugal, falece em Queluz, Portugal, aos 55 anos. (veja a biografia completa de Carlota Joaquina na página inicial do site na coluna "Biografias Relacionadas com o Bairro")

Em 5 de abril de 1831 Dom Pedro I demite todo o ministério considerado liberal e formado apenas por brasileiros natos.

Na madrugada do dia 7 de abril de 1831 Dom Pedro I entrega ao Major Miguel de Frias o decreto onde abdica do trono a favor de seu filho, porém ele conta com apenas 5 anos de idade (completaria 6 anos em dezembro deste ano), A Constituição determinava que para ocupar o trono brasileiro o imperador deveria ter 18 anos ou então país deveria ser governado por um príncipe da família imperial de no mínimo 25 anos. O problema é que as princesas Dona Januária tinha 9 anos, Dona Paula estava com 8 anos de idade e Dona Francisca tinha apenas 6 anos. Como opção, constava também da Constituição a alternativa de uma Regência Trina, eleita pela Assembléia-Geral, visto que o príncipe herdeiro, Dom Pedro II era menor de idade; desta forma ele é tutorado primeiramente por José Bonifácio de Andrada e Silva chamado de "O Patriarca da Independência". A família do ex-imperador se recolhe a bordo do navio inglês Warspite, que estava ancorado na Baía de Guanabara.  Pouco a pouco pequenas embarcações saídas do Cais de São Cristóvão levaram a bordo O Duque de Santa Cruz, Dona Maria da Glória e a irmã de Dom Pedro, Marquesa de  Loulé.

Em 13 de abril de 1831 seu pai Dom Pedro I e sua madrasta Dona Amélia partem definitivamente para Portugal na fragata inglesa Volage, navio para o qual se haviam transferido no dia 11 de abril.

O nome de José Bonifácio foi determinado por Pedro I ele foi seu tutor de 1831 a 1833.

Ainda em 1831 Brasil é governado por uma Regência Trina Provisória. Que era composta por: Nicolau de Campos Vergueiro (o Senador Vergueiro), José Joaquim Carneiro de Campos (Marques de Caravelas) e o Brigadeiro Francisco de Lima e Silva.

Em 3 de junho de 1831 a Assembléia-Geral elege a Regência Trina Permanente. Que era composta de: José da Costa Carvalho, João Bráulio Muniz e novamente o Brigadeiro Francisco de Lima e Silva que permaneceu no cargo.

Conta-se que quando seu pai abdicou ao trono Pedro estava a alguns quilômetros de distância do Rio de Janeiro, Bonifácio, foi ao seu encontro e anunciou solenemente que já faziam algumas horas ele passara a ser sua majestade o imperador do Brasil. No trajeto de volta ao Rio, começou a chover, Pedro uma criança correu até um casebre em busca de abrigo, bateu a porta e uma velhinha gritou de dentro da casa:

- Quem está aí?

- Abra logo vovó, eu sou Pedro, João, Carlos, Leopoldo, Salvador, Bibiano, Francisco, Xavier, de Paula, Leocádio, Miguel, Gabriel, Rafael, Gonzaga, de Alcântara!

- Cruuuuzes! Como é que eu vou arranjar lugar aqui para tanta gente?!

Em 12 de julho de 1831 o 26º Batalhão de Infantaria que estava aquartelado no Mosteiro de São Bento, os soldados se sublevaram, porém o então Ministro de Justiça Padre Diogo Antonio Feijó, mandou a Guarda Municipal cercar o convento, os soldados se renderam e foram enviados para a Bahia.

Em agosto de 1831 devido a diversas e diversas revoltas, confusões e badernas o Padre Feijó cria a Guarda Nacional, que passou servi-lhe muitas vezes para controlar as situações.

Em 1º de abril de 1832, o Major Miguel de Frias, que estava preso na Fortaleza de Villegagnon por já ter se revoltado anteriormente, consegue sublevar a guarnição da prisão. Junto com outros oficiais que lá estavam presos, deixou a fortaleza e desembarcaram em na Praia de Botafogo, rapidamente chegaram ao Campo de Santana, que na época era praticamente o centro de cidade. Lançou um manifesto onde declarava deposto o governo, nomeava novos regentes e convocou uma Assembléia Constituinte. O governo enviou para detê-lo o Tenente-Coronel Francisco Teobaldo Sanches Brandão, que tinha sob seu comando Luís Alves de Lima, Francisco de Lima e Silva e Polidoro Quintanilha Jordão, que a frente das tropas regulares do governo não tiveram maiores problemas de controlar a situação.

Em 1832 o Brasil é visitado pela primeira vez por Charles Darwin.

Em 15 de dezembro de 1833, José Bonifácio foi destituído como tutor de Dom Pedro II, sendo designado pela Assembléia-Geral do Império para substituí-lo o Marquês de Itanhaém (Manuel Inácio de Andrade Souto Maior) que ficou no cargo até 1840.

Em 12 de agosto de 1834 as reformas feitas pela Assembléia Legislativa chamada de  Ato Adicional à Constituição Política do Império, instituí a Regência Una que é entregue ao Padre Diogo Antonio Feijó. Este Ato Adicional decretou várias mudanças na política brasileira, mas eu vou destacar apenas uma, que foi a criação do Município Neutro do Rio de Janeiro separando-se assim da Província do Rio de Janeiro. Que mais tarde com a proclamação da república se tornaria o Distrito Federal.

José Bonifácio é acusado de tentar promover a volta de Dom Pedro I, com intuito de tornar-lo regente durante a adolescência de Dom Pedro II, foi preso em 15 de dezembro de 1833, e deportado para a Ilha de Paquetá.

Em  24 de setembro de 1834, morre em Portugal seu pai Dom Pedro I.

Morte de Dom Pedro I - Palácio do Grão-Pará

Morte de Dom Pedro I - Palácio do Grão-Pará - Petrópolis - RJ

Em 1834, a condenação de José Bonifácio foi confirmada pela Assembléia Geral, sendo absolvido mais tarde, passando a residir na Cidade de Niterói - RJ.

Em abril de 1835 cumprindo as determinações do Ato Adicional de 1834 foram realizadas eleições para escolher o regente único. Concorreram ao cargo o Padre Antonio Feijó (à época senador pelo Rio de Janeiro), Francisco de Paula e Holanda Cavalcanti de Albuquerque, Pedro de Araújo Lima e Bernardo Pereira de Vasconcelos. Com 2.826 votos foi venceu o Padre Feijó. Também nesta sessão foi reconhecida pela Assembléia, Dona Januária, como Princesa Imperial.

Em 20 de setembro de 1835 eclode na Ponte da Azenha (próximo a Porto Alegre) a Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul. O Coronel Bento Gonçalves da Silva vence as forças regulares e entra na capital.

Em 12 de outubro de 1835 o Padre Diogo Antonio Feijó, toma posse como regente único do império do Brasil.

Entre 1835 e 1840 ocorreu no Pará a rebelião conhecida como Cabanagem, contra o centralismo do Império.

Em 10 de setembro de 1836, nos Campos dos Menezes os farroupilhas proclamam a República Rio-Grande.

Em novembro de 1836 o Padre Feijó demonstra publicamente sua insatisfação com nada mais nada menos que o Papa, por ele não aprovar a indicação do Padre Antonio Maria de Moura para o bispado do Rio de Janeiro. Ambos eram a favor do fim do celibato para os sacerdotes e Feijó ainda ia mais longe, desejando separa a Igreja Católica Brasileira da de Roma.

Em 1836 também o Brasil foi visitado pela segunda vez por Charles Darwin.

Em 19 de setembro de 1837 o Padre Feijó renuncia a seu cargo de regente único; assume interinamente Pedro de Araújo Lima.

Em 7 de novembro 1837, acontece a Sabinada na Bahia.

Em 2 de dezembro de 1837 no Rio de Janeiro é Inaugurado o Imperial Colégio Pedro II, sob a inspiração de Bernardo Vasconcelos.

Imperial Colégio Pedro II no Rio de Janeiro

Em 22 de abril de 1838 Araújo Lima é confirmado (por eleição da assembléia) no cargo de regente único. Começa assim a segunda regência una.

Em 1838 eclode a Balaiada no Maranhão.

Seus estudos prosseguem no Brasil.

Com diversos mestres ilustres de seu tempo, o jovem imperador instruiu-se em português e literatura, francês, inglês, alemão, geografia, ciências naturais, música, dança, pintura, esgrima e equitação. Mais tarde, adulto estudou muitas outras disciplinas como hebraico e astronomia e posteriormente estudou grego, árabe, tupi, sânscrito, hebraico e provençal.

Dentre seus professores estavam:

A Camareira-mor Dona Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho, mais tarde Condessa de Belmonte com quem começou a estudar.

O carmelita Frei Pedro de Santa Mariana e Souza mais tarde Bispo de Crisópolis, que Ihe ensinou a doutrina católica, latim e matemática. Às vezes Frei Pedro tinha que apagar a luz para impedir que Pedro ficasse lendo a noite toda.

Seu professor de francês era o Padre Renato Boiret. De Alemão era Roque Schuch. De Inglês era Nathaniel Lucas. De Dança foram Joseph Lacombe e Lourenço Lacombe. Desenho e Pintura respectivamente Simplício Rodrigues de Sá e Félix Émile Taunay e de esgrima, nada mais nada menos que o futuro Duque de Caxias! (nesta época ele ainda era o Coronel Luís Alves de Lima)

Cândido José de Araújo Viana, professor de português e literatura. Mais tarde ele se tornaria o Marques de Sapucaí, titulo conhecidíssimo em virtude da avenida de mesmo nome na qual se realizam os desfiles das Escolas de Samba no carnaval do Rio de Janeiro.

Veja as determinações do Marques de Itanhaém para a educação de Dom Pedro II:

(Obs: são 12 artigos, caso fique cansativo, pule essa parte.)

"Instruções para serem observadas pelos Mestres do Imperador
na Educação Literária e Moral do Mesmo Augusto Senhor."

Artigo 1.

Conhece-te a ti mesmo. Esta máxima... servirá de base ao sistema de educação do Imperador, e uma base da qual os Mestres deverão tirar precisamente todos os corolários, que formem um corpo completo de doutrinas, cujo estudo possa dar ao Imperador idéias exatas de todas as coisas, a fim de que Ele, discernindo sempre do falso o verdadeiro, venha em último resultado a compreender bem o que é a dignidade da espécie humana, ante a qual o Monarca é sempre homem, sem diferença natural de qualquer outro indivíduo humano, posto que sua categoria civil o eleve acima de todas as condições sociais.

Artigo 2.

Em seguimento, os Mestres, apresentando ao Seu Augusto Discípulo este planeta que se chama terra, onde nasce, vive e morre o homem, lhe irão indicando ao mesmo tempo as relações que existem entre a humanidade e a natureza em geral, para que o Imperador, conhecendo perfeitamente a força da natureza social, venha a sentir, sem o querer mesmo, aquela necessidade absoluta de ser um Monarca bom, sábio e justo, fazendo-se garbo de ser o amigo fiel dos Representantes da Nação e o companheiro de todas as influências e homens de bem do Pais.

Artigo 3.

Farão igualmente os Mestres ver ao Imperador que a tirania, a violência da espada e o derramamento de sangue nunca fizeram bem a pessoa alguma...

Artigo 4.

Aqui deverão os Mestres se desvelar para mostrarem ao Imperador palpavelmente o acordo e harmonia da Religião com a Política, e de ambas com todas as ciências; porquanto, se a física estabelece a famosa lei da resistência na impenetrabilidade dos corpos, é verdade também que a moral funda ao mesmo tempo a tolerância e o mútuo perdão das injúrias, defeitos e erros; essa tolerância ou mútuo perdão, sobre revelar a perfeição do Cristianismo, revela também os quilates das almas boas nas relações de civilidade entre todos os povos, seja qual for sua religião e a forma do seu governo...

Artigo 5.

Lembrem-se pois os Mestres que o Imperador é homem; e partindo sempre dessa idéia fixa, tratem de lhe dar conhecimentos exatos e reais das coisas, sem gastarem o tempo com palavras e palavrões que ostentam uma erudição estéril e prejudicial, pois de outra forma virá o seu discípulo a cair no vicio que o Nosso Divino Redentor tanto combateu no Evangelho, quando clamava contra os doutores que invertiam e desfiguravam a lei, enganando as viúvas e aos homens ignorantes com discursos compridos e longas orações, e se impondo de sábios, embora sendo apenas uns pedantes faladores.

Artigo 6.

Em conseqüência os Mestres não façam o Imperador decorar um montão de palavras ou um dicionário de vocábulos sem significação, porque a educação literária não consiste decerto nas regras da gramática nem na arte de saber por meio das letras; em conseqüência os Mestres devem limitar-se a fazer com que o Imperador conheça perfeitamente cada objeto de qualquer idéia enunciada na pronunciação de cada vocábulo...

Artigo 7.

Julgo portanto inútil dizer que as preliminares de qualquer ciência devem conter-se em muito poucas regras, assim como os axiomas e doutrinas gerais. Os Mestres não gastem o tempo com teses nem mortifiquem a memória do seu discípulo com sentenças abstratas; mas descendo logo às hipóteses, classifiquem as coisas e idéias, de maneira que o Imperador, sem abraçar nunca a nuvem por Juno, compreenda bem que o pão é pão e o queijo é queijo.

Assim, por exemplo, tratando das virtudes e vícios, o Mestre de Ciências Morais deverá classificar todas as ações filhas da soberba distinguindo-as sempre de todas as ações opostas que são filhas da humildade. E não basta ensinar ao Imperador que o homem não deve ser soberbo, mas é preciso indicar-lhe cada ação, onda exista a soberba, pois se assim não o fizer, bem pode acontecer que o Monarca venha para o futuro a praticar muitos atos de arrogância e altivez, supondo mesmo que tenha feito ações meritórias e dignas de louvor, e isto por não ter, em tempo, sabido conhecer a diferença entre a soberba e a humildade.

Artigo 8.

Da mesma sorte, tratando-se das potências e das forças delas, o Mestre de ciências físicas fará uma resenha de todos os corpos computando os grãos de força que tem cada um deles, para que venha o Imperador a compreender que o poder monárquico se limita ao estudo e observância das leis da Natureza... e que o Monarca é sempre homem e um homem tão sujeito, que nada pode contra as leis da Natureza feitas por Deus em todos os corpos, e em todos os espíritos.

Artigo 9.

Em seguimento ensinarão os Mestres ao Imperador que todos os deveres do Monarca se reduzem a sempre animar a Indústria, a Agricultura, o Comércio e as Artes; e que tudo isto só se pode conseguir estudando o mesmo Imperador, de dia e de noite, as ciências todas, das quais o primeiro e principal objeto é sempre o corpo e a alma do homem; vindo portanto a achar-se a Política e a Religião no amor dos homens. E o amor dos homens é que é o fim de todas as ciências; pois sem elas, em vez de promoverem a existência feliz da humanidade, ao contrário promovem a morte.

Artigo 10.

Entendam-me porém os Mestres do Imperador. Eu quero que o meu Augusto Pupilo seja um sábio consumado e profundamente versado em todas as ciências e artes e até mesmo nos ofícios mecânicos, para que ele saiba amar o trabalho como principio de todas as virtudes, e saiba igualmente honrar os homens laboriosos e úteis ao Estado. Mas não quererei decerto que Ele se faça um literato supersticioso para não gastar o tempo em discussões teológicas como o Imperador Justiniano; nem que seja um político frenético para não prodigalizar o dinheiro e o sangue dos brasileiros em conquistas e guerras e construção de edifícios de luxo, como fazia Luís XIV na França, todo absorvido nas idéias de grandeza; pois bem pode ser um grande Monarca o Senhor D. Pedro II sendo justo, sábio, honrado e virtuoso e amante da felicidade de seus súditos, sem ter precisão alguma de vexar os povos com tiranias e violentas extorsões de dinheiro e sangue.

Artigo 11.

Sobretudo, recomendo muito aos Mestres do Imperador, hajam de observar quanto Ele é talentoso e dócil de gênio e de muita boa índole. Assim não custa nada encaminhar-lhe o entendimento sempre para o bem e verdade, uma vez que os Mestres em suas classes respectivas tenham com efeito idéias exatas da verdade e do bem, para que as possam transmitir e inspirar ao seu Augusto Discípulo.

Eu não cessarei de repetir aos Mestres que não olhem para os livros das Escolas, mas tão somente para o livro da Natureza, corpo e alma do homem; porque fora disto só pode haver ciência de papagaio ou de menino de escola, mas não verdade nem conhecimento exato das coisas, dos homens, e de Deus.

Artigo 12.

Finalmente, não deixarão os Mestres do Imperador de lhe repetir todos os dias que um Monarca, toda a vez que não cuida seriamente dos deveres do trono, vem sempre a ser vitima dos erros, caprichos e iniqüidades dos seus ministros, cujos erros, caprichos e iniqüidades são sempre a origem das revoluções e guerras civis; e então paga o justo pelos pecadores, e o Monarca é que padece, enquanto que seus ministros sempre ficam rindo-se e cheios de dinheiro e de toda sorte de comodidades. Por isso cumpre absolutamente ao Monarca ler com atenção todos os jornais e periódicos da Corte e das Províncias e, além disto, receber com atenção todas as queixas e representações que qualquer pessoa lhe fizer contra os ministros de Estado, pois só tendo conhecimento da vida pública e privada de cada um dos seus ministros e Agentes é que cuidará da Nação. Eu cuido que não é necessário desenvolver mais amplamente estas Instruções na certeza de que cada um dos Mestres do Imperador lhe adicionará tudo quanto lhe ditarem as circunstâncias à proporção das doutrinas que no momento ensinarem. E confio grandemente na sabedoria e prudência do Muito Respeitável Senhor Padre Mestre Frei Pedro de Santa Mariana, que devendo ele presidir sempre a todos os atos letivos de Imperador como seu Aio e Primeiro Preceptor, seja o encarregado de pôr em prática estas Instruções, uniformizando o sistema da educação do Senhor Dom Pedro II, de acordo com todos os outros Mestres do Mesmo Augusto Senhor".

Paço da Boa Vista no Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1838.

Marquês de Itanhaém - Tutor da Família Imperial

Falece na Cidade de Niterói (RJ) José Bonifácio no dia 6 de março de 1838.

Devido aos problemas políticos da época, sugeriram a antecipação da maioridade de Pedro, tendo ele sido formalmente consultado se desejava ser emancipado ou esperar mais 3 anos ele respondeu "Quero já!".

Em 1840 adquire um aparelho de daguerreotipia (a futura máquina fotográfica), em março do mesmo ano, motivado pelas demonstrações que o abade francês Louis Compte lhe fizera em janeiro, quando introduzia a fotografia no Brasil, adquiriu seu próprio equipamento, oito meses antes que outros similares fossem finalmente comercializados no país sendo então o primeiro brasileiro a praticar fotografia. Também foi grande como mecenas e colecionador de fotografias, exercendo papel essencial para o florescimento da fotografia no Brasil. Posteriormente foi o primeiro soberano do mundo a conceder uma honraria a um fotógrafo, ao atribuir o título de Photographos da Casa Imperial à dupla Buvelot & Prat, a 8 de março de 1851. Como colecionador, constituiu o maior acervo privado das Américas durante o século XIX, a base para o estudo da história da fotografia no Brasil, reunindo ainda imagens de grandes pioneiros internacionais. Quando de seu exílio do país, após a Proclamação da República, doou seu acervo fotográfico para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, que o preserva, desde 1892, com o título de Coleção Thereza Christina Maria; são 21.742 fotos que Dom Pedro II juntou durante todo o seu reinado.

Uma pequena explicação sobre a Coleção Tereza Cristina:

A coleção fotográfica mencionada no parágrafo acima é uma coisa, outra coisa é a "Coleção Tereza Cristina" exposta quase permanentemente no Museu Nacional (Museu Nacional/UFRJ - Quinta da Boa Vista, São Cristóvão - Rio de Janeiro), esta coleção foi organizada no século XIX a partir de duas origens distintas:

Uma parte do acervo veio do Real Museo Borbonico (hoje Museo Nazionale DI Napoli), com peças presenteadas pelo irmão da imperatriz Tereza Cristina, Fernando II Rei das Duas Sicílias.

Outra parte veio da própria imperatriz que financiou e promoveu escavações arqueológicas na localidade de Veio, outrora município romano de origem etrusca.

Proclamado maior de idade as 15:30mim de 23 de julho de 1840, encerrando longo processo de confrontos regenciais, o senado antecipou a maioridade de Dom Pedro II ao proclamá-lo imperador aos 14 anos. Para uns, foi a reafirmação da "força do parlamento"; para outros, uma manobra política – o "golpe da maioridade".

Em 24 de julho de 1840 Dom Pedro II escolhe seu primeiro ministério.

Dom Pedro II é coroado em 18 de julho de 1841, um ano depois de ser emancipado.

Em 19 de janeiro de 1841 o Maranhão finalmente foi pacificado pelas mãos do Coronel Luís Alves de Lima que em função deste acontecimento recebeu o título de Barão de Caxias.

Desde 1841, e pelos próximos 48 anos, foi fixada a renda para a Família Imperial saída dos cofres públicos que seria de 67 contos de réis por mês. Curiosamente, uma das primeiras medidas do Marechal Deodoro da Fonseca foi aumentar o salário do presidente da república (ou seja ele mesmo) para 120 contos de réis por mês, quase o dobro do que recebia toda a Família Imperial.

Em 1841 é criado o primeiro hospital psiquiátrico do país, o Dom Pedro II, no Rio de Janeiro.

Em 1842, nomeou o português Padre Antônio Ferreira Viçoso para bispo de Mariana e o paulista Padre Antônio Joaquim de Melo para São Paulo, dois sacerdotes extremamente fiéis à monarquia, mas que tinham outra formação: eram reformistas e fieis ao Papa.

Em 16 de Março de 1843 a Cidade de Petrópolis foi fundada pelo Imperador Dom Pedro II.

Em 1843, o Brasil se tornou o segundo país a adotar um selo como forma de taxa de serviço postal, uma invenção inglesa de 1840.

Em 30 de maio de 1843 casa-se por procuração em Nápoles, com a princesa napolitana Teresa Cristina Maria Giuseppa Gaspare Baltassare Melchiore Gennara Francesca de Padova Donata Bonosa Andrea d’Avellino Rita Luitgarda Geltruda Venancia Taddea Spiridione Rocca Matilde de Bourbon, filha do rei Francisco I Rei das Duas Sicílias.

Em 2 de setembro de 1843 chega ao Brasil, Dona Teresa Cristina. Ela veio a bordo da fragata Constituição.

Tiveram quatro filhos, mas só sobrevivem Dona Isabel (Princesa Isabel) e Dona Leopoldina Teresa.

Bento Lisboa foi o encarregado de tratar do casamento de Dom Pedro II com o auxílio do futuro cunhado Luis, várias tentativas foram realizadas em busca de uma esposa, como na Áustria, Espanha e Rússia mas não haviam muitas princesas disponíveis afim de vir morar no Brasil.

Alguns contemporâneos de Dom Pedro II contaram da sua decepção diante da Imperatriz que veio na base de contrato da Europa e que em nada parecia com os retratos que foram enviados ao Brasil para a apreciação de Dom Pedro. Dona Teresa Cristina seria feia, baixa, gorda e mancava de uma perna; além disso quase 4 anos mais velha que ele. Sob o impacto do primeiro encontro (e se for verdade o que contam, bota impacto nisso) o jovem monarca desolado chorou nos braços de sua aia/professora, a Condessa de Belmonte. Ela, a condessa estava com 63 anos.

Teria dito a condessa ao imperador: "Cumpra seu dever, meu filho".

Só para esclarecer: O título oficial dela era Condessa de Belmonte, porém hoje em dia em ruas, praças e avenidas é mais comum encontrar Condessa Belmonte, sem a preposição.

Seu mordomo Paulo Barbosa da Silva teria dito: "Lembre-se da dignidade de seu cargo".

Paulo Barbosa foi a pessoa que sugeriu o nome de Petrópolis para a cidade serrana do Estado do Rio de Janeiro, cidade essa que a família imperial amava. Ele também participou de atividades políticas como o Clube da Joana, uma associação de pessoas com o intuito de exercer influência sobre Dom Pedro; este Clube tina este nome por suas reuniões serem feitas na casa do mordomo Paulo Barbosa que ficava as margens do Rio Joana no atual Bairro do Maracanã - Rio de Janeiro. (este rio também passa pelos bairros do Rio comprido e Vila Isabel)

Em 10 de agosto de 1843 morre o Padre Feijó.

Em 1844 chega ao Brasil o Conde de Áquila, irmão mais jovem de Dona Teresa Cristina que deveria casar-se com a Princesa Dona Januária.

Em 1845 nasce seu filho Dom Afonso.

Também em 1845, junto com Davi Canabarro, Luís Alves de Lima consegue por ordem no Rio Grande do Sul após a Revolução Farroupilha, o que lhe valeu o título de Conde de Caxias.

Ainda em 1845 iniciou a construção da residência de verão da família imperial em Petrópolis (o atual Museu imperial), um sonho de seu pai Pedro I. Três anos depois, o imperador e sua família já desfrutavam os ares da serra. Mas só em 1860 o palácio foi concluído. Depois da proclamação da República, em 1889, o Palácio de Verão foi alugado a colégios religiosos. Muito de sua rica mobília sumiu e, hoje, boa parte dos móveis que lá estão expostos são de outras residências do imperador. Em 1943, Getúlio Vargas adquiriu o prédio e abriu o museu.

Em 1845 o imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina assistiram ao primeiro rodeio que se tem notícia no Brasil, nos alagados de Campinas São José - SC, onde Dom Pedro chegou até a dançar num fandango.

Em 1845 foi decretada pelo Imperador Dom Pedro II a lei "Regimento das Missões", que criou os cargos de Diretores de Índios. Este cargo era administrado por um fazendeiro político, e aliado ao Imperador, deixando cada vez mais fácil o roubo das terras indígenas.

Em 30 de março de 1846 visita a Cidade de Jundiaí (SP) com grande comitiva.

Em 1846, surgiu no extinto Largo do Valdetaro no Bairro do Catete (Rio de Janeiro), a "Sociedade Recreativa Dançante Cassino Fluminense", lá haviam bailes, e conta-se que o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina costumavam freqüentar, como se pode notar, eles não eram tão jovens assim como vários autores contam em seus livros, ele o imperador estava com 21 anos e a imperatriz com 25; inclusive já eram casados, dificilmente eles freqüentariam neste mesmo ano, pois a imperatriz estava grávida, ou seja eles provavelmente freqüentaram o local mais tarde entre uma gravidez e outra da imperatriz.

Às 18:26H da tarde do dia 29 de julho de 1846 os canhões do Morro do Castelo, no Rio de Janeiro, anunciaram o nascimento no palácio de São Cristóvão - Rio de Janeiro da Princesa Isabel (Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança). Ela viria a ser a primeira e única mulher que governou o Brasil.

As filhas de Dom Pedro, Isabel e Leopoldina, tiveram como professora a Condessa de Barral (Luisa Margarida Portugal de Barros), que muitos pesquisadores consideram o grande e verdadeiro amor do imperador. Além de cartas de amor com referências a "noites especialíssimas" os dois trocavam seus diários entre si. Infelizmente só sobraram os textos escritos pelo imperador, os da condessa desapareceram e admite-se a hipótese de terem sido queimados por Dom Pedro. Nunca houve identificação intelectual entre o imperador e a imperatriz, já com a Condessa de Barral era diferente, ambos eram amantes das artes e letras, algumas vezes Pedro escrevia a ela em francês e a condessa fazia correções nos textos do imperador.

Registrando em seu diário, a primeira vez em que viu a condessa, e se referindo a forma como ela fez a reverência a frente dele, Pedro diz: "...ela fez a reverência de forma soberanamente submissa... transformava a reverência em obra de arte"

A Condessa de Barral, Condessa da Pedra Branca por parte de pai, Marquesa de Monferrat por casamento, era baiana, porém foi criada na Europa, filha do diplomata Domingos Borges de Barros (Visconde de Pedra Branca) e no Brasil foram famosos suas festas (saraus) regados a boa música e conversas intelectuais.

Foi casada com o fidalgo francês, o Chevalier de Barral que também era Visconde de Barral, filho do Conde de Barral que também era o Marquês de Monferrat; casou por amor, pois já havia recusado um casamento por conveniência arranjado pela família.

Provavelmente só após a morte do marido, em 1868, que a condessa se tornou amante do imperador. Até então, o tom das cartas mostra um relacionamento platônico.

Em sua casa na Rue D'Anjou em Paris freqüentaram grandes nomes da cultura, dentre eles nada mais nada menos que Frederic Chopin.

Dom Pedro II no Brasil trocava correspondência com Louis Pasteur, Alexander Graham Bell, Richard Wagner dentre outros, ou seja a afinidade entre eles era enorme.

Esta relação entre Dom Pedro e a Condessa de Barral, rendeu uma peça teatral chamada Os Olhos Verdes do Ciúme, texto de Caio de Andrade; e Jô Soares utiliza Dom Pedro e a condessa como argumento histórico para o livro e o filme O Xangô de Baker Street. (no livro e no filme ele trata a personagem como Maria Luiza e lhe atribui o título de baronesa). Graças a intervenção junto ao imperador, é que Carlos Gomes conseguiu matrícula no Conservatório de Música de Francisco Manuel da Silva o compositor do Hino Nacional Brasileiro, este conservatório é que deu origem a atual Escola Nacional de Música.

Em 20 de julho de1847 através do decreto 523 o Brasil teve o sistema Monárquico Parlamentar de governo elaborado e definido, criando o cargo de Presidente do Conselho de Ministros. O que seria hoje como o cargo de Primeiro Ministro.

1847 faleceu seu filho Dom Afonso.

Também em 1847 nasce sua filha Dona Leopoldina Tereza. (é muito importante, não confundir esta com a Imperatriz Leopoldina, esposa de Dom Pedro I). Dona Leopoldina, casou em 1864, com o Duque de Saxe.

 

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