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Local
e data de nascimento: Paço de São Cristóvão (Quinta da Boa Vista) - Rio
de Janeiro às 2:30 da madrugada do dia 2 de dezembro de 1825.
Local
e data da morte: No quarto nº 18 do Hotel Bedford em Paris -5 de dezembro de 1891.
Pedro de Alcântara João
Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel
Gabriel Rafael Gonzaga era o 7º filho de Dom Pedro I (Dom
Pedro IV de Portugal) e da
imperatriz Dona Maria Leopoldina, herdou o direito ao trono brasileiro
devido a morte de dois irmãos mais velhos, Dom Miguel e Dom
Carlos. Mais tarde o dia de seu nascimento se torna Dia Nacional da Astronomia
por ser ele um amante das ciências e astrônomo amador.
Em
dezembro de 1826 com 1 ano de idade, perde
sua mãe a Imperatriz Dona Maria Leopoldina.
Em 10
de Março de 1826, morre seu avô Dom João VI, estando sepultado no Mosteiro
de São Vicente de Fora.
Em 7
de Janeiro de 1830 sua avó Dona Carlota Joaquina de Bourbon, esposa de Dom
João VI de Portugal, falece em Queluz, Portugal, aos 55
anos. (veja a biografia completa de Carlota Joaquina na página inicial
do site na coluna "Biografias Relacionadas com o Bairro")
Em 5
de abril de 1831 Dom Pedro I demite todo o ministério considerado
liberal e formado apenas por brasileiros natos.
Na
madrugada do dia 7 de abril de 1831 Dom Pedro I entrega ao Major
Miguel de Frias o decreto onde abdica do trono
a favor de seu filho, porém ele conta com apenas 5 anos de idade (completaria 6 anos em
dezembro deste ano), A Constituição determinava que para ocupar o trono
brasileiro o imperador deveria ter 18 anos ou então país
deveria ser governado por um príncipe da família imperial de no mínimo 25
anos. O problema é que as princesas Dona Januária tinha 9 anos, Dona
Paula estava com 8 anos de idade e Dona Francisca tinha apenas 6
anos. Como opção, constava também da Constituição a alternativa de uma Regência
Trina, eleita pela Assembléia-Geral, visto
que o príncipe herdeiro, Dom Pedro II era menor de idade; desta forma ele é tutorado primeiramente por José Bonifácio de
Andrada e Silva chamado de "O Patriarca da Independência".
A família do ex-imperador se recolhe a bordo do navio inglês Warspite,
que estava ancorado na Baía de Guanabara. Pouco a pouco
pequenas embarcações saídas do Cais de São Cristóvão levaram a
bordo O Duque de Santa Cruz, Dona Maria da Glória e a irmã
de Dom Pedro, Marquesa de Loulé.
Em 13
de abril de 1831 seu pai Dom Pedro I e sua madrasta Dona Amélia
partem definitivamente para Portugal na fragata inglesa Volage,
navio para o qual se haviam transferido no dia 11 de abril.
O nome de José
Bonifácio foi determinado por Pedro I ele foi seu tutor de 1831
a 1833.
Ainda
em 1831 Brasil é governado por uma Regência Trina Provisória.
Que era composta por: Nicolau de Campos Vergueiro (o Senador
Vergueiro), José Joaquim Carneiro de Campos (Marques de
Caravelas) e o Brigadeiro Francisco de Lima e Silva.
Em 3
de junho de 1831 a Assembléia-Geral elege a Regência Trina
Permanente. Que era composta de: José da Costa Carvalho, João
Bráulio Muniz e novamente o Brigadeiro Francisco de Lima e Silva
que permaneceu no cargo.
Conta-se
que quando seu pai abdicou ao trono Pedro estava a alguns quilômetros
de distância do Rio de Janeiro, Bonifácio, foi ao seu
encontro e anunciou solenemente que já faziam algumas horas ele passara a
ser sua majestade o imperador do Brasil. No trajeto de volta ao
Rio, começou a chover, Pedro uma criança correu até um casebre
em busca de abrigo, bateu a porta e uma velhinha gritou de dentro da casa:
-
Quem está aí?
-
Abra logo vovó, eu sou Pedro, João, Carlos, Leopoldo, Salvador,
Bibiano, Francisco, Xavier, de Paula, Leocádio, Miguel, Gabriel, Rafael,
Gonzaga, de Alcântara!
-
Cruuuuzes! Como é que eu vou arranjar lugar aqui para tanta gente?!
Em
12 de julho de 1831 o 26º Batalhão de Infantaria que estava
aquartelado no Mosteiro de São Bento, os soldados se sublevaram,
porém o então Ministro de Justiça Padre Diogo Antonio Feijó,
mandou a Guarda Municipal cercar o convento, os soldados se renderam
e foram enviados para a Bahia.
Em
agosto de 1831 devido a diversas e diversas revoltas, confusões e badernas
o Padre Feijó cria a Guarda Nacional, que passou servi-lhe
muitas vezes para controlar as situações.
Em
1º de abril de 1832, o Major Miguel de Frias, que estava preso na Fortaleza
de Villegagnon por já ter se revoltado anteriormente, consegue sublevar
a guarnição da prisão. Junto com outros oficiais que lá estavam presos,
deixou a fortaleza e desembarcaram em na Praia de Botafogo,
rapidamente chegaram ao Campo de Santana, que na época era
praticamente o centro de cidade. Lançou um manifesto onde declarava deposto
o governo, nomeava novos regentes e convocou uma Assembléia Constituinte.
O governo enviou para detê-lo o Tenente-Coronel Francisco Teobaldo
Sanches Brandão, que tinha sob seu comando Luís Alves de Lima, Francisco
de Lima e Silva e Polidoro Quintanilha Jordão, que a frente das
tropas regulares do governo não tiveram maiores problemas de controlar a
situação.
Em
1832 o Brasil é visitado pela primeira vez por Charles Darwin.
Em 15
de dezembro de 1833, José
Bonifácio foi destituído como tutor de Dom Pedro II, sendo designado pela
Assembléia-Geral do Império
para substituí-lo o Marquês de Itanhaém (Manuel Inácio de
Andrade Souto Maior) que ficou no cargo até 1840.
Em 12
de agosto de 1834 as reformas feitas pela Assembléia Legislativa chamada
de Ato Adicional à Constituição Política do Império, instituí
a Regência Una que é entregue ao Padre
Diogo Antonio Feijó. Este Ato
Adicional decretou várias mudanças na política brasileira, mas eu vou
destacar apenas uma, que foi a criação do Município Neutro do Rio de
Janeiro separando-se assim da Província do Rio de Janeiro. Que
mais tarde com a proclamação da república se tornaria o Distrito
Federal.
José Bonifácio é acusado
de tentar promover a volta de Dom Pedro I, com intuito de tornar-lo
regente durante a adolescência de Dom Pedro II, foi preso em 15 de
dezembro de 1833, e deportado para a Ilha de Paquetá.
Em
24 de setembro de 1834, morre em Portugal seu pai Dom Pedro I.

Morte
de Dom Pedro I - Palácio do Grão-Pará - Petrópolis - RJ
Em 1834, a condenação de José
Bonifácio foi confirmada pela Assembléia Geral, sendo absolvido mais
tarde, passando a residir na Cidade de Niterói - RJ.
Em
abril de 1835 cumprindo as determinações do Ato Adicional de 1834
foram realizadas eleições para escolher o regente único. Concorreram ao
cargo o Padre Antonio Feijó (à época senador pelo Rio de
Janeiro), Francisco de Paula e Holanda Cavalcanti de Albuquerque,
Pedro de Araújo Lima e Bernardo Pereira de Vasconcelos. Com
2.826 votos foi venceu o Padre Feijó. Também nesta sessão foi
reconhecida pela Assembléia, Dona Januária, como Princesa Imperial.
Em 20
de setembro de 1835 eclode na Ponte da Azenha (próximo a Porto
Alegre) a Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul. O Coronel
Bento Gonçalves da Silva vence as forças regulares e entra na capital.
Em 12
de outubro de 1835 o Padre
Diogo Antonio Feijó, toma posse como regente único do império do Brasil.
Entre 1835 e 1840 ocorreu no Pará
a rebelião conhecida como Cabanagem, contra o centralismo do
Império.
Em 10
de setembro de 1836, nos Campos dos Menezes os farroupilhas proclamam
a República Rio-Grande.
Em
novembro de 1836 o Padre Feijó demonstra publicamente sua
insatisfação com nada mais nada menos que o Papa, por ele não
aprovar a indicação do Padre Antonio Maria de Moura para o bispado
do Rio de Janeiro. Ambos eram a favor do fim do celibato para os
sacerdotes e Feijó ainda ia mais longe, desejando separa a Igreja
Católica Brasileira da de Roma.
Em 1836 também o Brasil
foi visitado pela segunda vez por Charles Darwin.
Em 19
de setembro de 1837 o Padre Feijó renuncia a seu cargo de regente
único; assume interinamente Pedro de Araújo Lima.
Em 7
de novembro 1837, acontece a Sabinada na
Bahia.
Em 2
de dezembro de 1837 no Rio de Janeiro
é Inaugurado o Imperial Colégio Pedro II, sob a inspiração
de Bernardo Vasconcelos.

Imperial
Colégio Pedro II no Rio de Janeiro
Em 22
de abril de 1838 Araújo Lima é confirmado (por eleição da
assembléia) no cargo de regente único. Começa assim a segunda regência
una.
Em
1838 eclode a Balaiada no Maranhão.
Seus
estudos prosseguem no Brasil.
Com
diversos mestres ilustres de seu tempo, o jovem imperador instruiu-se em
português e literatura, francês, inglês, alemão, geografia, ciências
naturais, música, dança, pintura, esgrima e equitação. Mais tarde,
adulto estudou muitas outras disciplinas como hebraico e astronomia e
posteriormente estudou grego, árabe, tupi, sânscrito, hebraico e provençal.
Dentre seus professores
estavam:
A Camareira-mor
Dona Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho, mais tarde Condessa
de Belmonte com quem começou a estudar.
O carmelita Frei Pedro de
Santa Mariana e Souza mais tarde Bispo de Crisópolis, que Ihe
ensinou a doutrina católica, latim e matemática. Às vezes Frei Pedro
tinha que apagar a luz para impedir que Pedro ficasse lendo a noite
toda.
Seu
professor de francês era o Padre Renato Boiret. De Alemão era Roque
Schuch. De Inglês era Nathaniel Lucas. De Dança foram Joseph
Lacombe e Lourenço Lacombe. Desenho e Pintura respectivamente
Simplício Rodrigues de Sá e Félix Émile Taunay e de esgrima,
nada mais nada menos que o futuro Duque de Caxias! (nesta época ele
ainda era o Coronel Luís Alves de Lima)
Cândido José de Araújo
Viana, professor de português e literatura. Mais tarde ele se tornaria
o Marques de Sapucaí, titulo conhecidíssimo em virtude da avenida
de mesmo nome na qual se realizam os desfiles das Escolas de Samba no
carnaval do Rio de Janeiro.
Veja as determinações do Marques
de Itanhaém para a educação de Dom Pedro II:
(Obs:
são 12 artigos, caso fique cansativo, pule essa parte.)
"Instruções para serem observadas pelos Mestres
do Imperador
na Educação Literária e Moral do Mesmo Augusto Senhor."
Artigo 1.
Conhece-te a ti mesmo. Esta máxima...
servirá de base ao sistema de educação do Imperador, e uma base da qual
os Mestres deverão tirar precisamente todos os corolários, que formem um
corpo completo de doutrinas, cujo estudo possa dar ao Imperador idéias
exatas de todas as coisas, a fim de que Ele, discernindo sempre do falso o
verdadeiro, venha em último resultado a compreender bem o que é a
dignidade da espécie humana, ante a qual o Monarca é sempre homem, sem
diferença natural de qualquer outro indivíduo humano, posto que sua
categoria civil o eleve acima de todas as condições sociais.
Artigo 2.
Em seguimento, os Mestres,
apresentando ao Seu Augusto Discípulo este planeta que se chama terra, onde
nasce, vive e morre o homem, lhe irão indicando ao mesmo tempo as relações
que existem entre a humanidade e a natureza em geral, para que o Imperador,
conhecendo perfeitamente a força da natureza social, venha a sentir, sem o
querer mesmo, aquela necessidade absoluta de ser um Monarca bom, sábio e
justo, fazendo-se garbo de ser o amigo fiel dos Representantes da Nação e
o companheiro de todas as influências e homens de bem do Pais.
Artigo 3.
Farão igualmente os Mestres ver
ao Imperador que a tirania, a violência da espada e o derramamento de
sangue nunca fizeram bem a pessoa alguma...
Artigo 4.
Aqui deverão os Mestres se
desvelar para mostrarem ao Imperador palpavelmente o acordo e harmonia da
Religião com a Política, e de ambas com todas as ciências; porquanto, se
a física estabelece a famosa lei da resistência na impenetrabilidade dos
corpos, é verdade também que a moral funda ao mesmo tempo a tolerância e
o mútuo perdão das injúrias, defeitos e erros; essa tolerância ou mútuo
perdão, sobre revelar a perfeição do Cristianismo, revela também os
quilates das almas boas nas relações de civilidade entre todos os povos,
seja qual for sua religião e a forma do seu governo...
Artigo 5.
Lembrem-se pois os Mestres que o
Imperador é homem; e partindo sempre dessa idéia fixa, tratem de lhe dar
conhecimentos exatos e reais das coisas, sem gastarem o tempo com palavras e
palavrões que ostentam uma erudição estéril e prejudicial, pois de outra
forma virá o seu discípulo a cair no vicio que o Nosso Divino Redentor
tanto combateu no Evangelho, quando clamava contra os doutores que invertiam
e desfiguravam a lei, enganando as viúvas e aos homens ignorantes com
discursos compridos e longas orações, e se impondo de sábios, embora
sendo apenas uns pedantes faladores.
Artigo 6.
Em conseqüência os Mestres não
façam o Imperador decorar um montão de palavras ou um dicionário de vocábulos
sem significação, porque a educação literária não consiste decerto nas
regras da gramática nem na arte de saber por meio das letras; em conseqüência
os Mestres devem limitar-se a fazer com que o Imperador conheça
perfeitamente cada objeto de qualquer idéia enunciada na pronunciação de
cada vocábulo...
Artigo 7.
Julgo portanto inútil dizer que
as preliminares de qualquer ciência devem conter-se em muito poucas regras,
assim como os axiomas e doutrinas gerais. Os Mestres não gastem o tempo com
teses nem mortifiquem a memória do seu discípulo com sentenças abstratas;
mas descendo logo às hipóteses, classifiquem as coisas e idéias, de
maneira que o Imperador, sem abraçar nunca a nuvem por Juno, compreenda bem
que o pão é pão e o queijo é queijo.
Assim, por exemplo, tratando das virtudes e vícios, o
Mestre de Ciências Morais deverá classificar todas as ações filhas da
soberba distinguindo-as sempre de todas as ações opostas que são filhas
da humildade. E não basta ensinar ao Imperador que o homem não deve ser
soberbo, mas é preciso indicar-lhe cada ação, onda exista a soberba, pois
se assim não o fizer, bem pode acontecer que o Monarca venha para o futuro
a praticar muitos atos de arrogância e altivez, supondo mesmo que tenha
feito ações meritórias e dignas de louvor, e isto por não ter, em tempo,
sabido conhecer a diferença entre a soberba e a humildade.
Artigo 8.
Da mesma sorte, tratando-se das
potências e das forças delas, o Mestre de ciências físicas fará uma
resenha de todos os corpos computando os grãos de força que tem cada um
deles, para que venha o Imperador a compreender que o poder monárquico se
limita ao estudo e observância das leis da Natureza... e que o Monarca é
sempre homem e um homem tão sujeito, que nada pode contra as leis da
Natureza feitas por Deus em todos os corpos, e em todos os espíritos.
Artigo 9.
Em seguimento ensinarão os
Mestres ao Imperador que todos os deveres do Monarca se reduzem a sempre
animar a Indústria, a Agricultura, o Comércio e as Artes; e que tudo isto
só se pode conseguir estudando o mesmo Imperador, de dia e de noite, as ciências
todas, das quais o primeiro e principal objeto é sempre o corpo e a alma do
homem; vindo portanto a achar-se a Política e a Religião no amor dos
homens. E o amor dos homens é que é o fim de todas as ciências; pois sem
elas, em vez de promoverem a existência feliz da humanidade, ao contrário
promovem a morte.
Artigo 10.
Entendam-me porém os Mestres do
Imperador. Eu quero que o meu Augusto Pupilo seja um sábio consumado e
profundamente versado em todas as ciências e artes e até mesmo nos ofícios
mecânicos, para que ele saiba amar o trabalho como principio de todas as
virtudes, e saiba igualmente honrar os homens laboriosos e úteis ao Estado.
Mas não quererei decerto que Ele se faça um literato supersticioso para não
gastar o tempo em discussões teológicas como o Imperador Justiniano; nem
que seja um político frenético para não prodigalizar o dinheiro e o
sangue dos brasileiros em conquistas e guerras e construção de edifícios
de luxo, como fazia Luís XIV na França, todo absorvido nas idéias de
grandeza; pois bem pode ser um grande Monarca o Senhor D. Pedro II sendo
justo, sábio, honrado e virtuoso e amante da felicidade de seus súditos,
sem ter precisão alguma de vexar os povos com tiranias e violentas extorsões
de dinheiro e sangue.
Artigo 11.
Sobretudo, recomendo muito aos
Mestres do Imperador, hajam de observar quanto Ele é talentoso e dócil de
gênio e de muita boa índole. Assim não custa nada encaminhar-lhe o
entendimento sempre para o bem e verdade, uma vez que os Mestres em suas
classes respectivas tenham com efeito idéias exatas da verdade e do bem,
para que as possam transmitir e inspirar ao seu Augusto Discípulo.
Eu não cessarei de repetir aos Mestres que não olhem
para os livros das Escolas, mas tão somente para o livro da Natureza, corpo
e alma do homem; porque fora disto só pode haver ciência de papagaio ou de
menino de escola, mas não verdade nem conhecimento exato das coisas, dos
homens, e de Deus.
Artigo 12.
Finalmente, não deixarão os
Mestres do Imperador de lhe repetir todos os dias que um Monarca, toda a vez
que não cuida seriamente dos deveres do trono, vem sempre a ser vitima dos
erros, caprichos e iniqüidades dos seus ministros, cujos erros, caprichos e
iniqüidades são sempre a origem das revoluções e guerras civis; e então
paga o justo pelos pecadores, e o Monarca é que padece, enquanto que seus
ministros sempre ficam rindo-se e cheios de dinheiro e de toda sorte de
comodidades. Por isso cumpre absolutamente ao Monarca ler com atenção
todos os jornais e periódicos da Corte e das Províncias e, além disto,
receber com atenção todas as queixas e representações que qualquer
pessoa lhe fizer contra os ministros de Estado, pois só tendo conhecimento
da vida pública e privada de cada um dos seus ministros e Agentes é que
cuidará da Nação. Eu cuido que não é necessário desenvolver mais
amplamente estas Instruções na certeza de que cada um dos Mestres do
Imperador lhe adicionará tudo quanto lhe ditarem as circunstâncias à
proporção das doutrinas que no momento ensinarem. E confio grandemente na
sabedoria e prudência do Muito Respeitável Senhor Padre Mestre Frei Pedro
de Santa Mariana, que devendo ele presidir sempre a todos os atos letivos de
Imperador como seu Aio e Primeiro Preceptor, seja o encarregado de pôr em
prática estas Instruções, uniformizando o sistema da educação do Senhor
Dom Pedro II, de acordo com todos os outros Mestres do Mesmo Augusto
Senhor".
Paço da Boa Vista no Rio de Janeiro, 2 de dezembro de
1838.
Marquês de Itanhaém - Tutor da Família Imperial
Falece na Cidade de Niterói
(RJ) José Bonifácio no dia 6 de março de 1838.
Devido aos problemas políticos
da época, sugeriram a antecipação da maioridade de Pedro, tendo
ele sido formalmente consultado se desejava ser emancipado ou esperar mais 3
anos ele respondeu "Quero já!".
Em 1840 adquire um aparelho de
daguerreotipia (a futura máquina fotográfica), em março do mesmo ano,
motivado pelas demonstrações que o abade francês Louis Compte lhe
fizera em janeiro, quando introduzia a fotografia no Brasil, adquiriu
seu próprio equipamento, oito meses antes que outros similares fossem finalmente
comercializados no país sendo então o primeiro brasileiro a
praticar fotografia. Também foi grande como mecenas e colecionador de
fotografias, exercendo papel essencial para o florescimento da fotografia no
Brasil. Posteriormente foi o primeiro
soberano do mundo a conceder uma honraria a um fotógrafo, ao atribuir o título
de Photographos da Casa Imperial à dupla Buvelot & Prat,
a 8 de março de 1851. Como colecionador, constituiu o maior acervo privado
das Américas durante o século XIX, a base para o estudo da história
da fotografia no Brasil, reunindo ainda imagens de grandes pioneiros
internacionais. Quando de seu exílio do país, após a Proclamação
da República, doou seu acervo fotográfico para a Biblioteca Nacional,
no Rio de Janeiro, que o preserva, desde 1892, com o título
de Coleção Thereza Christina Maria; são 21.742 fotos que Dom
Pedro II juntou durante todo o seu reinado.
Uma
pequena explicação sobre a Coleção Tereza Cristina:
A
coleção fotográfica mencionada no parágrafo acima é uma coisa, outra
coisa é a "Coleção Tereza Cristina" exposta quase
permanentemente no Museu Nacional (Museu Nacional/UFRJ - Quinta
da Boa Vista, São Cristóvão - Rio de Janeiro), esta
coleção foi organizada no século XIX a partir de duas origens distintas:
Uma
parte do acervo veio do Real Museo Borbonico (hoje Museo Nazionale
DI Napoli), com peças presenteadas pelo irmão da imperatriz Tereza
Cristina, Fernando II Rei das Duas Sicílias.
Outra
parte veio da própria imperatriz que financiou e promoveu escavações
arqueológicas na localidade de Veio, outrora município romano de
origem etrusca.
Proclamado maior
de idade as 15:30mim de 23 de julho de
1840, encerrando longo processo
de confrontos regenciais, o senado antecipou a maioridade de Dom Pedro II
ao proclamá-lo imperador aos 14 anos. Para uns, foi a reafirmação da
"força do parlamento"; para outros, uma manobra política – o
"golpe da maioridade".
Em
24 de julho de 1840 Dom Pedro II escolhe seu primeiro ministério.
Dom
Pedro II é coroado
em 18 de julho
de 1841, um ano depois de ser emancipado.
Em 19
de janeiro de 1841 o Maranhão finalmente foi pacificado pelas mãos do
Coronel Luís Alves de Lima que em função deste acontecimento recebeu
o título de Barão de Caxias.
Desde 1841, e pelos próximos 48
anos, foi fixada a renda para a Família Imperial saída dos cofres
públicos que seria de 67 contos de réis por mês. Curiosamente, uma das
primeiras medidas do Marechal Deodoro da Fonseca foi aumentar o salário
do presidente da república (ou seja ele mesmo) para 120 contos de réis por mês, quase o dobro
do que recebia toda a Família Imperial.
Em
1841 é criado o primeiro hospital psiquiátrico do país, o Dom Pedro II,
no Rio de Janeiro.
Em
1842, nomeou o português Padre Antônio Ferreira Viçoso para bispo
de Mariana e o paulista Padre Antônio Joaquim de Melo para São
Paulo, dois sacerdotes extremamente fiéis à monarquia, mas que tinham
outra formação: eram reformistas e fieis ao Papa.
Em 16
de Março de 1843 a Cidade de Petrópolis foi fundada pelo Imperador Dom Pedro
II.
Em
1843, o Brasil se tornou o segundo país a adotar um selo como forma
de taxa
de serviço postal, uma invenção inglesa de 1840.
Em 30 de maio de 1843 casa-se
por procuração em Nápoles, com
a princesa napolitana Teresa Cristina Maria Giuseppa Gaspare Baltassare
Melchiore Gennara Francesca de Padova Donata Bonosa Andrea d’Avellino Rita
Luitgarda Geltruda Venancia Taddea Spiridione Rocca Matilde de Bourbon, filha
do rei Francisco I Rei das Duas Sicílias.
Em 2 de
setembro de 1843 chega ao Brasil, Dona Teresa Cristina. Ela veio
a bordo da fragata Constituição.
Tiveram quatro filhos, mas só sobrevivem
Dona Isabel (Princesa
Isabel) e
Dona Leopoldina Teresa.
Bento Lisboa foi o
encarregado de tratar do casamento de Dom Pedro II com o auxílio do futuro
cunhado Luis, várias
tentativas foram realizadas em busca de uma esposa, como na Áustria,
Espanha e Rússia mas não haviam muitas princesas disponíveis afim de
vir morar no Brasil.
Alguns
contemporâneos de Dom Pedro II contaram da sua decepção diante da Imperatriz que veio na
base de contrato da Europa e que em nada parecia com os retratos que foram
enviados ao Brasil para a apreciação de Dom Pedro. Dona
Teresa Cristina seria feia, baixa, gorda e mancava de uma perna; além
disso quase 4
anos mais velha que ele. Sob o impacto do primeiro encontro (e se for
verdade o que contam, bota impacto nisso) o jovem monarca desolado chorou
nos braços de sua aia/professora, a Condessa de Belmonte. Ela, a
condessa estava com 63 anos.
Teria
dito a condessa ao imperador: "Cumpra seu dever, meu filho".
Só
para esclarecer: O título oficial dela era Condessa de Belmonte, porém
hoje em dia em ruas, praças e avenidas é mais comum encontrar Condessa
Belmonte, sem a preposição.
Seu
mordomo Paulo Barbosa da Silva teria dito: "Lembre-se da dignidade de seu
cargo".
Paulo
Barbosa foi a pessoa que sugeriu o nome de Petrópolis para a
cidade serrana do Estado do Rio de Janeiro, cidade essa que a família
imperial amava. Ele também participou de atividades políticas como o Clube
da Joana, uma associação de pessoas com o intuito de exercer influência
sobre Dom Pedro; este Clube tina este nome por suas reuniões
serem feitas na casa do mordomo Paulo Barbosa que ficava as margens do Rio
Joana no atual Bairro do Maracanã - Rio de Janeiro. (este
rio também passa pelos bairros do Rio comprido e Vila Isabel)
Em 10
de agosto de 1843 morre o Padre Feijó.
Em
1844 chega ao Brasil o Conde de Áquila, irmão mais jovem de Dona
Teresa Cristina que deveria casar-se com a Princesa Dona Januária.
Em 1845
nasce seu filho Dom Afonso.
Também
em 1845, junto com Davi Canabarro, Luís Alves de Lima consegue
por ordem no Rio Grande do Sul após a Revolução Farroupilha,
o que lhe valeu o título de Conde de Caxias.
Ainda
em 1845 iniciou a construção da residência de verão da família imperial em Petrópolis (o atual Museu
imperial), um sonho de seu pai Pedro I. Três
anos depois, o imperador e sua família já desfrutavam os ares da serra.
Mas só em 1860 o palácio foi concluído. Depois da proclamação da República,
em 1889, o Palácio de Verão foi alugado a colégios religiosos.
Muito de sua rica mobília sumiu e, hoje, boa parte dos móveis que lá estão
expostos são de outras residências do imperador. Em 1943, Getúlio
Vargas adquiriu o prédio e abriu o museu.
Em
1845 o imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina
assistiram ao primeiro rodeio que se tem notícia no Brasil, nos
alagados de Campinas São José - SC, onde Dom Pedro
chegou até a dançar num fandango.
Em
1845 foi decretada pelo Imperador Dom Pedro II a lei "Regimento
das Missões", que criou os cargos de Diretores de Índios.
Este cargo era administrado por um fazendeiro político, e aliado ao
Imperador, deixando cada vez mais fácil o roubo das terras indígenas.
Em 30
de março de 1846 visita a Cidade de Jundiaí (SP) com grande comitiva.
Em
1846, surgiu no extinto Largo do Valdetaro no Bairro do Catete (Rio
de Janeiro),
a "Sociedade Recreativa Dançante Cassino Fluminense", lá
haviam bailes, e conta-se que o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz
Tereza Cristina costumavam freqüentar, como se pode notar, eles não
eram tão jovens assim como vários autores contam em seus livros, ele o
imperador estava com 21 anos e a imperatriz com 25; inclusive já eram
casados, dificilmente eles freqüentariam neste mesmo ano, pois a imperatriz
estava grávida, ou seja eles provavelmente freqüentaram o local mais tarde
entre uma gravidez e outra da imperatriz.
Às 18:26H da tarde do dia 29 de julho de 1846 os canhões do Morro do Castelo,
no Rio de Janeiro, anunciaram o nascimento no palácio de São Cristóvão
- Rio de Janeiro da Princesa Isabel (Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga
de Bragança). Ela viria a ser a primeira e única mulher que
governou o Brasil.
As filhas
de Dom Pedro, Isabel e
Leopoldina, tiveram como professora a Condessa de Barral (Luisa
Margarida Portugal de Barros), que muitos pesquisadores consideram o
grande e verdadeiro amor do imperador. Além de cartas de amor com
referências a "noites especialíssimas" os dois trocavam seus
diários entre si. Infelizmente só sobraram os textos escritos pelo
imperador, os da condessa desapareceram e admite-se a hipótese de terem
sido queimados por Dom Pedro. Nunca houve identificação intelectual
entre o imperador e a imperatriz, já com a Condessa de Barral era
diferente, ambos eram amantes das artes e letras, algumas vezes Pedro
escrevia a ela em francês e a condessa fazia correções nos textos do
imperador.
Registrando em seu diário, a
primeira vez em que viu a condessa, e se referindo a forma como ela fez a
reverência a frente dele, Pedro diz: "...ela fez a
reverência de forma soberanamente submissa... transformava a reverência
em obra de arte"
A Condessa de
Barral, Condessa
da Pedra Branca por parte de pai, Marquesa de Monferrat por
casamento, era baiana, porém foi criada na Europa, filha do diplomata
Domingos Borges de Barros (Visconde de Pedra Branca) e no
Brasil foram famosos suas festas (saraus) regados a boa música e conversas
intelectuais.
Foi casada com o fidalgo francês,
o Chevalier de Barral que também era Visconde de Barral, filho do Conde de
Barral que também era o Marquês de Monferrat; casou por amor, pois já havia
recusado um casamento por conveniência arranjado pela família.
Provavelmente só após a morte
do marido, em 1868, que a condessa se tornou amante do imperador. Até então,
o tom das cartas mostra um relacionamento platônico.
Em sua casa na Rue D'Anjou
em Paris freqüentaram grandes nomes da cultura, dentre eles nada mais
nada menos que Frederic Chopin.
Dom Pedro II no Brasil trocava
correspondência com Louis Pasteur, Alexander Graham Bell, Richard Wagner dentre
outros, ou seja a afinidade entre eles era enorme.
Esta relação entre Dom Pedro
e a Condessa de Barral, rendeu uma peça teatral chamada Os Olhos
Verdes do Ciúme, texto de Caio de Andrade; e Jô Soares
utiliza Dom Pedro e a condessa como argumento
histórico para o livro e o filme O Xangô de Baker Street. (no livro e
no filme ele trata a personagem
como Maria Luiza e lhe atribui o título de baronesa). Graças a
intervenção junto ao imperador, é que Carlos Gomes conseguiu
matrícula no Conservatório de Música de Francisco Manuel da Silva
o compositor do Hino Nacional Brasileiro, este conservatório é que
deu origem a atual Escola Nacional de Música.
Em 20 de julho de1847 através do
decreto 523 o Brasil teve o sistema Monárquico Parlamentar de governo elaborado e
definido, criando o cargo de Presidente do Conselho de Ministros. O que
seria hoje como o cargo de Primeiro Ministro.
1847 faleceu seu filho Dom
Afonso.
Também
em 1847 nasce sua filha Dona
Leopoldina Tereza. (é muito
importante, não confundir esta com a Imperatriz Leopoldina, esposa
de Dom Pedro I). Dona Leopoldina, casou em
1864, com o Duque de Saxe.
 
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