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Nome:
Dom João Maria José Francisco Xavier de
Paula Luis Antonio Domingos Rafael de Bragança.
Local
e data de nascimento:
13 de Maio de 1767,
no Palácio Real da Ajuda, próximo a Lisboa - Portugal
Local
e data da Morte: Palácio da Bemposta,- Lisboa - Portugal, a
10 de Março de 1826, estando sepultado no Mosteiro de São Vicente
de Fora.
Dom
João VI (O Clemente), 27º Rei de Portugal, era o segundo filho do Rei de Portugal,
Dom Pedro
III de Bragança (1717-1786) e a da Rainha, Dona Maria lzabel
I de Bragança (1734 -1816 - a louca), que era sobrinha do
próprio marido, (casaram em 1760), tendo por padrinho de batismo o rei
da França, Luís XV.
Em 13
de maio de 1777 Dona Maria I sua mãe, com a morte do pai Dom José
I, foi aclamada rainha.
Em 1779 ocupa o cargo
de vice-rei no Brasil Dom Luís de Vasconcelos e Souza. No
final de sua gestão foram feitas as denúncias sobre a Conjuração
Mineira, e foi ele que tomou as primeiras providências de repressão ao
movimento. Também em sua gestão o Rio de Janeiro recebeu a visita
do poeta português Bocage que ficou lisonjeado com a atenção
recebida pelo vice-rei. Em função disto Bocage escreveu:
Eu,
finalmente como respeito interno
Meus
frouxos olhos nos teus olhos
pondo,
Teu amável
governo
Tua
justiça, teus costumes sondo
eu
digo então: - Senhor, só tu podias
Tornar
brilhantes os meus turvos dias.
Em
9 Junho 1785, casou com Dona Carlota Joaquina
de
Espanha filha do Rei Carlos IV de Espanha e de Maria
Luísa Teresa de Parma ele, com 18 anos e ela com 10
aninhos. (Os detalhes do casamento estão na biografia de Dona
Carlota a partir da página inicial deste site.), Dona Carlota nasceu em 25 Abril de 1775 em Aranjuez - Madrid
e morreu em 7 dezembro 1830 em Queluz - Portugal.
Em 25
de Maio de 1786 em Lisboa - Portugal, morre o seu pai Dom Pedro
III (veja a biografia a partir da página inicial deste site).
Em
1788 morre seu irmão mais velho Dom José de Bragança o Príncipe
da Beira, vítima de varíola, fato que fez com que Dom João se
tornasse o primeiro na linha de sucessão. Na verdade em
1788 Dona Maria I perde dois dos seus filhos: Dom José e Dona
Maria Ana.
Em
1789 explodiu a Revolução Francesa, que espalhou pela Europa
seu ideário liberal, e alguns anos mais tarde, o terror da ocupação pelos
exércitos napoleônicos.
Por
motivo do problema mental de sua mãe, passou a governar desde 1792, porém
só se tornou Príncipe Regente a partir de 15 de julho de 1799. Dom
João só foi coroado em 6 de fevereiro de 1818 dois anos após a
morte da sua mãe. A partir da coroação,
seu título ficou sendo Dom João VI, Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil
e Algarves. A cerimônia aconteceu no Rio de Janeiro. É bom
lembrar que Dom João VI foi o único rei coroado nas Américas.
Pai de nove filhos, um deles Pedro que seria imperador do Brasil.
Olha,
outro dia eu recebi uma crítica através de um e-mail, de que todo
mundo fala nos filhos desses personagens históricos, mas ninguém dá
"nome aos bois", argumentando que parece que todos os
pesquisadores lêem os mesmos livros; bom, eu ia argumentar que a
leitura ficaria muito "pesada", cansativa e enfadonha, mas o sujeito
se antecipou e disse: "...Quem não quiser ler, pula essa
parte...", eu pensei melhor e resolvi acatar a crítica; portanto,
aí vai o nome e detalhes dos filhos do casal Dom João e Dona
Carlota, se você achar muito cansativo, aceite o conselho do cara
que me criticou; pule essa parte:
Dona Maria
Teresa Francisca de Assis Antonia Carlota Joana Josefa Xavier de Paula
Micaela Rafaela Isabel Gonzaga de Bragança. Nasceu a 29 Abril 1793
em Queluz - Portugal, se casou com seu primo Pedro Carlos
Antonio de Bourbon e Bragança (que faleceu em 26 de Maio de 1812) a
13 Maio de 1810 no Rio de Janeiro, em segundas núpcias
casou com com o seu cunhado e tio, o Infante Dom Carlos Maria
Isidro, Duque de Madrid e Conde de Montemolin e Molina,
que em 1834 enviuvara da Infanta Dona Maria Francisca de Assis. Dona
Maria Teresa morreu a 17 Janeiro de 1874 em Trieste.
Dom Antonio
de Bragança e Bourbon (Dom Antonio Pio). Foi Príncipe da
Beira. Nasceu a 21 Março de 1795 em Queluz -
Portugal e morreu a 11 Junho de 1801.
Dona Maria
Isabel Francisca de Bragança, nasceu no Palácio de Queluz a 19 Maio de
1797 em Queluz
- Portugal, Casou com o Rei Dom Fernando VII de Espanha seu
tio, que já enviuvara de Dona Maria Antonia de Bourbon y Lorena,
Princesa de Nápoles;a 29 Setembro
de 1816 e morreu a 29 Dezembro de 1818 em Madrid - Espanha.
Dom Pedro
I (IV de Portugal) de Bragança, nasceu a 12 Outubro de 1798 em Portugal,
casou em 1817 com Maria Leopoldina von Habsburg-Lothringen e
morreu a 24 Outubro de 1834 em Portugal. Teve um segundo
casamento com Amélia de Beauharnais. Foi esse aí que proclamou
a independência do Brasil e foi o seu primeiro imperador.
Dona Maria
Francisca Assis de Bragança, nasceu no Palácio de Queluz em
22 de Abril de 1800, casou em 1816, com o seu tio, Dom Carlos Maria
Isidro, Infante de Espanha, falecido em 1815 e morreu em Gosport
- Inglaterra, a 4 de Setembro de 1834, estando sepultada na
capela-mor da igreja católica da mesma cidade inglesa.
Dona
Isabel Maria de Bragança, nasceu no Palácio de Queluz -
Portugal, a 4 de Julho de 1801; faleceu em Benfica - Portugal,
a 22 de Abril de 1876, estando sepultada no Panteão de São Vicente
de Fora. Nunca casou, tendo sido regente do reino, de 6 de Março de
1826 a 26 de Fevereiro de 1828. Após a vitória da causa liberal
manteve-se afastada da vida política.
Dom Miguel
I de Bragança, nasceu a 26 Outubro de 1802 em Queluz - Portugal,
casou em 1851 com Adelheid zu Löwenstein-Wertheim Rosenberg
e morreu a 14 Novembro de 1866 em Carlsruhe, junto a Bronnbach
- Viena.
Foi esse cara aí que tentou depor o próprio pai.
Dona
Maria da Assunção. Nasceu no Palácio de Queluz, a 25 de
Junho de 1805; faleceu em Santarém - Portugal a 7 de Janeiro de
1834; sepultada na Igreja do Milagre, de Santarém, e
depois no Panteão de São Vicente de Fora.
Dona Ana
de Jesus Maria Luíza Gonzaga Joaquina Micaela Rafaela Sérvula
Francisca Antônia Xavier de Paula Bragança e Bourbon, nasceu no
Palácio de Mafra a 23
Outubro de 1806, casou em 5 Dezembro de 1827 com Nuno José Severo de
Mendonça Rolim de Moura Barreto (2.º marquês de Loulé). e morreu a 22 Junho de 1857 em Roma
- Itália.
Em
virtude do conflito entre França e Inglaterra, seu
governo teve um período de grande intranqüilidade. Afim de prejudicar
a Inglaterra, Napoleão decretou o bloqueio continental.
Quando Portugal foi invadida pelas tropas do Marechal francês Junot, a família
real portuguesa com toda a corte embarcou para o Rio de Janeiro.
Ao chegar ao Brasil, Dom João declarou livres as indústrias
brasileiras e abriu os portos do Brasil ao comércio estrangeiro.
Passou depois a residir no Rio de Janeiro. A Dom João VI
deve-se a fundação da Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro,
registrando-se também importantes movimentos militares que
proporcionaram a ampliação de nossas fronteiras.
Recentemente
(ano 2000), uma equipe de 2 arqueólogos e um médico-legista chefiada
pelo cientista português Fernando Rodrigues Ferreira, descobriu
que na realidade Dom João foi envenenado com arsênico e não
morto por causa de problemas digestivos após um jantar em família como
sempre se anunciou. Os rumores de assassinato sempre houveram, mas nunca
passou disso. As análises das vísceras do monarca detectaram uma
quantidade de veneno quase quatro vezes maior que a necessária para matá-lo.
Se você
gosta de mistério, aí está um que nunca foi esclarecido: Quem matou Dom
João VI? Eu não sei, mas sua mulher Dona Carlota Joaquina o
desprezava e seu filho Dom Miguel tentou depô-lo, portanto não
faltaram pessoas a sua volta com oportunidade para o intento.
Em
1790 assume no Rio de Janeiro o cargo de vice-rei do Brasil,
Dom José Luís de Castro (2º conde de Resende), ele deu
prosseguimento ao processo nos implicados na Conjuração Mineira,
ameaçou com severas punições quem não acendesse luminárias na
frente das casa, como sinal de apoio ao enforcamento e esquartejamento
de Tiradentes.
Em
1792, Dona Maria foi declarada incapaz mentalmente
Em
10 de fevereiro de 1792 seu filho Dom João assume oficiosamente o trono.
Em
16 de julho de 1799 Dom João VI assume oficialmente a regência.
Em
1801 a Espanha declara guerra a Portugal e chega a invadir
seu território, ocupando Trás-os-Montes, Algarves e Alentejo.
Foi uma "guerra de ocasião" deflagrada com o intuito de
intimidar Portugal e forçar a quebra da aliança anglo-lusa;
durou apenas algumas semanas; terminou com o Tratado de Badajoz
assinado em 6 de junho de 1801, neste tratado constou uma cláusula que
a partir desta data os portos lusitanos estariam fechados à Inglaterra.
Em
1802 França e Inglaterra celebram o tratado de Amiens,
toda a Europa respira aliviada.
Em
1804 as relações entre França e Inglaterra volta a
ficar tensa.
Em
19 de março de 1804 Portugal assina um tratado em Lisboa
onde a França reconhece o seu estado de neutralidade nos
conflitos entre Napoleão e a Inglaterra. Foi mais uma
tentativa de suborno do que um tratado político-militar, pois Portugal
pagou a enorme quantia de 16 milhões de francos para ver este acordo
assinado.
Em
1806 assume o cargo de vice-rei do Brasil Dom Marcos de Noronha e
Brito (8º conde dos Arcos), o último vice-rei do Brasil,
ele é que se incumbiu de preparar a recepção da família real
portuguesa.
Em
julho de 1807 França e Rússia assinam o Tratado de Tilsit.
Segundo algumas das cláusulas deste acordo ficava ajustado entre os dois
paises que se a Inglaterra não devolvesse as conquistas marítimas
realizadas em 1805, Rússia e França enviariam uma
intimação a Portugal, Suécia e Dinamarca, ordenando
que esses reinos fechassem seus portos a Grã-Bretanha, e, no caso de
não cumprirem essa ordem esses paises seriam considerados inimigos.
Nesta mesma época Napoleão através de um funcionário subalterno
do Ministério dos Estrangeiros enviou uma mensagem ao governo português,
mais tarde transmitida ao Ministro de Portugal em Paris,
mensagem esta que exigia que Portugal declarasse guerra a Inglaterra
no prazo máximo de 20 dias. O embaixador português em Madri,
Conde da Ega, escreve para Lisboa alertando Dom João, das
péssimas intenções de Napoleão. Nesta carta, o Conde de Ega
recomenda duas alternativas para Dom João: Fechar os portos portugueses
a Inglaterra, correndo o risco de perder as suas colonias
ultramarinas ou abandonar Portugal e tentar a sorte no Brasil.
Em
12 de agosto de 1807 o encarregado dos negócios franceses em Portugal
entrega pela segunda vez um ultimato dando um prazo até o dia 1º de
setembro para que Dom João declarasse guerra a Grã-Bretanha.
Nesta altura os enviados portugueses a Londres para por a corte
inglesa a par das pressões que Portugal vinha sofrendo, relatam que
a coroa inglesa compreendia que a situação de Dom João era
insustentável e começaram negociações entre Londres e Lisboa
para facilitar a fuga da família real portuguesa para o Brasil. O
Ministro do Exterior inglês Canning, que várias vezes havia
aconselhado Dom João a transferir a corte para o Brasil
declara finalmente que a Inglaterra estava pronta a escoltar a corte
portuguesa para o Brasil.
Em
25 de setembro os embaixadores espanhol e francês insistem mais uma vez que
Dom João declare guerra a Inglaterra. como não obtiveram
nenhuma resposta concreta, deixam Portugal no dia 30.
Em
22 de outubro de 1807 Dom João e os ingleses finalizam um acordo
para enganar Napoleão Bonaparte assinando o decreto que fecha
os portos portugueses para a Inglaterra. No texto havia a seguinte
alegação "... visto como o governo português havia por bem aceder à
causa continental, unindo-se a Sua Majestade o Imperador dos Franceses
e a Sua Majestade Católica, com o fim de contribuir para aceleração
da paz marítima..." Londres fingiu tomar esse decreto como
declaração de guerra e mandou retirar os seus ministros e embaixadores de Lisboa.
Para completar a farsa, os ingleses atiraram contra algumas naus portuguesas
e invadiu a Ilha da Madeira. Por esta época Napoleão
manda o General Junot adentrar em 24 horas em território espanhol e
aguardar a ordem de invadir Portugal.
Em
27 de outubro de 1807 secretamente é celebrado o Tratado de
Fontainebleau, onde, França e Espanha fazem a partilha de Portugal: as Províncias
de Entre-Douro e do Minho, com capital na Cidade do Porto,
formariam a Lusitânia Setentrional, a ser doada à Rainha Maria
Luísa em troca da Etrúria, que havia sido incorporado a França; as Províncias do Alentejo e do Algarves comporiam o Principado
do Algarves, que passaria pertencer ao Príncipe Manuel de
Godoy (o Príncipe da Paz); as Províncias da Beira, Trás-os-Montes
e Estremadura (região central), se fundiriam na Lusitânia do
Sul que ficaria diretamente ligada a Napoleão. Veja que por essa
ocasião, tecnicamente Portugal tinha satisfeito todas as humilhantes
exigências de Napoleão.
Em
4 de novembro de 1807 o exercito francês comandado pelo então General
Junot penetra em território português, seus exércitos maltrapilhos,
esfarrapados, descalços, com muito frio e famintos descansam e se recompõem
na Cidade de Abrantes.
A
invasão francesa a Portugal foi um inferno, não para os cidadãos
portugueses, e sim para os soldados franceses. Eles deveriam se encontrar
com tropas espanholas na Cidade de Alcântara porém neste caminho,
chovia uma barbaridade, os rios estavam transbordando, o que tornava suas
travessias quase impossíveis, as estradas ficaram péssimas, o exército
espanhol que deveria levar alimento para os franceses não chegava; assim,
em 4 de novembro os franceses entraram em território português, com fome,
frio, descalços; para não morrerem de fome os soldados saquearam tudo que
encontravam pelo caminho, inclusive igrejas e sepulturas; na realidade, eles
pareciam mais um bando de bandidos que um exército. Na Cidade de Castelo
Branco, encontraram alguns víveres, cada homem recebeu 60 gramas de
pão, legumes secos, arroz e um pouco de vinho, pouco adiantava, as chuvas
eram torrenciais, os soldados verdadeiramente se arrastavam na lama, quando
chegaram na Cidade de Sobreira, a lama era tanta que tiveram que
dormir em pé com lama até o meio do corpo, pois era impossível deitar ou
sentar. Só quando chegaram a Cidade de Abrantes, eles conseguiram
mantimentos em certa quantidade e requisitaram da população da cidade 10 mil
pares de sapatos.
Em
8 de novembro de 1807, Dom João assina um decreto que manda
prender todos os cidadãos britânicos que se encontravam em Portugal
e o seqüestro de seus bens. (tudo de comum acordo com o governo de Londres).
Em
27 de novembro de 1807, Dom João é formalmente comunicado pelo Tenente-Coronel
Lécor que o General Junot estava com seus exércitos na Cidade
de Abrantes (a poucos quilômetros de Lisboa).
Em
26 de novembro de 1807 Dom João publica um decreto declarando:
"Tenho procurado por todos os meios possíveis conservar a
neutralidade de que até agora tem gozado os meus fiéis e amados
vassalos e apesar de ter exaurido o meu Real Erário, e de todos os
sacrifícios a que me tenho sujeitado, chegando ao excesso de fechar os
portos dos meus reinos aos vassalos do meu antigo e leal aliado, o rei
da Grã-Bretanha, expondo o comércio dos meus vassalos a total
ruína, e a sofrer por este motivo grave prejuízo nos rendimentos de
minha coroa. Vejo que pelo interior do meu reino marcham tropas do
imperador dos franceses e rei da Itália, a quem eu me havia
unido no continente, na persuasão de não ser mais inquietado(...)
e querendo evitar as funestas conseqüências que se podem seguir de uma
defesa, que seria mais nociva que proveitosa, servindo só de derramar
sangue em prejuízo da humanidade, (...) tenho resolvido, em benefício
dos mesmos meus vassalos, passar com a rainha minha senhora e mãe, e
com toda a real família, para os estados da América, e
estabelecer-me na Cidade do Rio de Janeiro até a paz
geral."
O
Príncipe Dom João nomeou uma junta para administrar Portugal
em sua ausência, foram eles: o Marques de Abrantes, o Tenente-General
Dom Francisco de Noronha (presidente da Mesa da Consciência),
e na falta de qualquer um destes deveria assumir o Conde de Castro
Marim, todos prestaram juramento ao cardeal patriarca e o príncipe
regente deu instruções em separado a cada um deles, para o caso de serem
presos ou mortos quando as tropas de Napoleão tomassem Lisboa.
Na
madrugada do dia 27 de novembro de 1807 os
membros da Família Real saíram de Lisboa. chovia
muito em todos os dias que antecederam o embarque da família real, porém
no dia 27 não choveu como alguns autores afirmam, o dia amanheceu claro
e com céu azul.
O
primeiro a chegar ao cais foi o Príncipe Dom João e o infante
da Espanha Dom Carlos, primo de Dona Carlota que
já fazia algum tempo residia em Lisboa. Sem nenhum súdito para
saudá-lo embarcou em uma galeota que o conduziria ao navio Príncipe
Real onde viajariam com ele sua mãe Dona Maria e seu filho Dom
Pedro. Dom João não chegou acompanhado de guardas, soldados
ou criados, chegou sim, muito emocionado.
Dona
Carlota Joaquina chegou depois que Dom João havia embarcado,
veio acompanhada de suas filhas, e do Infante Dom Miguel,
embarcaram em outro navio, o Dom Afonso d'Albuquerque.
O
último a chegar foi Dom Pedro que foi saudado carinhosamente pela
população, chegou acompanhado de seus servidores.
Dona
Maria I (a louca) gritava dizendo que estava sendo roubada e
querendo ficar e enfrentar seus inimigos.
A
partida não foi rápida nem fácil, devido ao clima instável dos
últimos dias (havia chovido torrencialmente em Portugal), o mar
além da barra do Rio Tejo, estava muito agitado, além disso o General
Junot havia mandado um destacamento tomar o Forte de São Julião
e apontar os canhões para o a foz do Rio Tejo em virtude desses
acontecimentos a partida das embarcações demorou 40 horas.
Às
duas horas da madrugada do dia 29 de novembro um vento favorável
permitiu que a esquadra zarpasse rumo ao Brasil, o almirante Sidney
Smith e Lorde Strangford foram a bordo do navio Príncipe Real e ofereceram hospedagem ao Príncipe Regente na nau
capitânia da frota da escolta inglesa, Dom João recusou.
Às
9 horas da manhã do dia 30 de novembro o General Junot entra em Lisboa
liderando um exército de 26 mil homens, tendo a frente um destacamento de
cavalaria portuguesa que se rendeu e se puseram às suas ordens.
Enquanto
isso as esquadras portuguesa e inglesa, são surpreendidas por uma forte
tempestade que dispersa os navios.
Em
5 de dezembro de 1807 os navios se reagruparam.
Em
8 de dezembro uma nova tempestade formada por ventos do sul dispersa
novamente os navios.
Dia
10 de dezembro eles conseguem a muito custo se reagrupar novamente.
Em
11 de dezembro a frota avista a Ilha da Madeira.
No dia 18 de janeiro de
1808 chegam à costa da Bahia.
No
dia 22 são avistados pelos habitantes de da Cidade de Salvador
os primeiros navios da esquadra.
Às
quatro horas da tarde do dia 22 de janeiro de 1808 todos finalmente todos os
navios da esquadra estavam fundeados e o Conde da Ponte, governador
da Bahia vão a bordo do navio Príncipe Real.
No
dia 23 é a vez dos membros da da Câmara de irem a bordo do navio Príncipe
Real.
Às
cinco horas da tarde do dia 24 a comitiva real desembarcou, com imensa pompa
e solenidade.
Em 1808 ele abriu os portos as nações amigas, aqui está
uma transcrição da Carta Régia que celebra esse fato assinada uma semana após a
chegada da Europa da família imperial:
Carta
Régia de 28 de janeiro de 1808:
“Conde da Ponte, do meu Conselho, Governador e Capitão
General da Capitania da Bahia. Amigo: Eu, o Príncipe Regente
vos envia muito saudar, como aquele que amo. Atendendo à representação,
que fizestes subir à minha Real Presença, sobre se achar
interrompido e suspenso o comércio desta Capitania, com grave prejuízo
dos meus vassalos e da minha Real Fazenda, em razão das críticas
e públicas circunstâncias da Europa; e querendo dar sobre este
importante objeto alguma providência pronta e capaz de melhorar o
progresso de tais danos: sou servido ordenar interina e provisoriamente,
enquanto não consolido um sistema geral que efetivamente regule
semelhantes matérias, o seguinte”:
Primo: Que sejam admissíveis nas Alfândegas do Brasil todos e
quaisquer gêneros, fazendas e mercadorias transportadas, em navios
estrangeiros das Potências, que se conservam em paz e harmonia com
minha Real Coroa, ou em navios dos meus vassalos, pagando por
entrada vinte e quatro por cento, a saber: vinte de direito grossos, e
quatro do donativo já estabelecido, regulando-se a cobrança destes
direitos pelas pautas, ou aforamento, porque até o presente se regulam
cada uma das ditas Alfândegas, ficando os vinhos, águas ardentes e
azeites doces, que se denominam molhados, pagando o dobro dos direitos,
que até agora nelas satisfaziam.
Segundo: Que não só os meus vassalos, mas também os sobreditos
estrangeiros possam exportar para os Portos, que bem lhes parecer a
benefício do comércio e agricultura, que tanto desejo promover, todos
e quaisquer gêneros e produções coloniais, a exceção do pau-brasil,
ou outros notoriamente estancados, pagando por saída os mesmos direitos
já estabelecidos nas respectivas Capitanias, ficando entretanto como
suspenso e sem vigor todas as leis, cartas régias, ou outras ordens que
até aqui proibiam neste Estado do Brasil o recíproco comércio
e navegação entre meus vassalos e estrangeiros. O que tudo assim
fareis executar com zelo e atividade que de vós espero".
Fonte:
Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo Vol. IX.
Para
assinar esta carta régia, João baseou-se fundamentalmente em
conselhos econômicos de brasileiros mormente do Visconde de Cairú,
visto que ele estava sem contato com seus conselheiros da corte portuguesa;
os navios se separaram e se perderam uns dos outros durante uma tempestade
na travessia do Oceano Atlântico.
Basicamente
a carta trata das entradas e saídas de mercadorias das capitanias do Brasil.
Ou seja desta data em diante quaisquer produtos transportadas por
embarcações em navios que estivessem em paz com Portugal, eram
admitidas na alfândega brasileira desde que pagassem uma taxa de 24% sobre
o valor das mercadorias. Súditos portugueses e comerciantes estrangeiros
também poderiam exportar suas mercadorias para qualquer porto amigo de Portugal.
Ainda na
Bahia, antes da família real vir para o Rio de Janeiro
foi criada em 18 de fevereiro de 1808 a primeira Escola de Medicina
(Escola de Cirurgia e Obstetrícia). Criou facilidades para a
fundação de uma fábrica de vidros. Autorizou a criação da primeira
companhia de seguros do Brasil.
Enquanto
isso em Portugal, Napoleão trata os portugueses com
pesadíssimos impostos, muitas humilhações, e uma enorme taxa foi exigida
a título de "resgate".
Em
26 de fevereiro de 1808, a esquadra zarpou para o Rio de Janeiro.
Os
portugueses organizam uma resistência, para combater Napoleão; com
o auxílio de tropas inglesas e espanholas conseguem em alguns meses
expulsar as tropas napoleônicas do território português.
Em
7 de março de 1808 chegam ao Rio de Janeiro.
Chegada
Dom João a Igreja do Rosário no Rio de Janeiro
Pintura
de Armando Viana Museu da Cidade - RJ
Termina
assim a época dos vice-reis do Brasil. Mais tarde Dom João VI eleva a colônia ao nível de Reino
Unido a Portugal e Algarves os títulos de vice-reis eram para na
prática dar mais autoridade ao cargo, antes essa posição tinha o nome de Governador Geral do Brasil.
Às
quatro horas da tarde do dia 8 de março de 1808 a família real
desembarcou. Dom João desceu do navio Príncipe Real e passou
para um bergantim (uma embarcação de pequeno porte) e assim pode aportar
ao cais. Ao mesmo tempo Dona Carlota e os filhos desceram do navio Afonso
d´Albuquerque, apenas Dona Maria permaneceu a bordo. Só no dia
10 de março Dom João volta ao navio Príncipe Real para acompanhar o
desembarque da mãe; logo após seu desembarque a Rainha mãe Dona Maria
I, ouviu um baque de uma portinhola e misturado com os ruídos de tiros
de canhão e o alarido da população, ela se assustou e começou a gritar:
Não me matem! Não me matem! Foi imediatamente recolhida ao Paço.
A
família real portuguesa desembarcou no antigo cais do Largo do Paço
na atual Praça XV no Rio de Janeiro, é bom lembrar, que o
cais ficava onde hoje existe a construção em forma de pirâmide (Chafariz
da Pirâmide), mais tarde
toda essa parte foi aterrada levando o atual cais das barcas Rio-Niterói
para mais longe. Em tempo, a esquadra fundeou na Ilha das Cobras.
Após
a chegada, Dom João e Dona Carlota se dirigiram para a Sé,
onde foram recebidos pelos membros da Irmandade do Rosário; onde
deram graças a Deus por haverem chegado em segurança ao Rio de
Janeiro.
A
Rua Direita, atual Rua Primeiro de Março, tornou-se uma das mais
importantes do Brasil, em função da proximidade com o Paço Real e por
abrigar a Igreja do Carmo que se tornou a Capela Real - Rua direita -
Pintura de Lauvergne - Museu Histórico Nacional - RJ
Logo
na chegada o milionário português que vivia no Rio de Janeiro,
Elias Antônio Lopes presenteou o regente com a Quinta da Boa Vista
no Bairro de São Cristóvão, que passou a ser o Paço de São
Cristóvão. A Quinta da Boa Vista passou a ser a residência
oficial de Dom João, mais tarde de Dom Pedro I e depois de Dom
Pedro II. Abaixo, a gravura mostra o aspecto da Quinta da Boa Vista
em 1816, note que é uma vista lateral do Paço. Hoje a Quinta, como
é carinhosamente chamada pelos cariocas é o Museu Nacional, e além
do museu, em sua área está abrigado o Jardim Zoológico do Rio de
Janeiro e um parque espetacular.
Paço de São Cristóvão em 1816
J.B. Debret - Biblioteca Nacional RJ
Em
1º de abril de 1808 influenciado
pelo Visconde de Cairú (José da Silva Lisboa, pai de Bento
Lisboa), decreta a liberdade de comércio no Brasil e revoga
a proibição da construção de fábricas.
Em 28 de
abril de 1808 criou o ensino médico no Rio de Janeiro.
Em
10 de maio de 1808, através de um alvará, a Casa da Relação é
elevada a categoria de Casa de Suplicação tendo as mesmas funções
da de Lisboa, ou seja, a de tribunal superior, de última instância
cabendo ao Desembargador do Paço a missão de legislar e interpretar
leis.
Em
13 de maio de 1808 por decreto Inaugura o surgimento da imprensa brasileira com a fundação da Imprensa Régia. Mais tarde passa a chamar-se
Imprensa Nacional. Atualmente é sediada em Brasília, vinculada ao Ministério da Justiça e possui uma gráfica responsável pela impressão de todos documentos oficiais do governo brasileiro.
Também
em 1808 criou o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (no bairro de
mesmo nome), que está lá até hoje firme e forte, contando no herbário,
com 380.000 amostras de plantas, um acervo vivo de 8.200 espécies
registradas, 6.100 amostras de frutos, 6.400 amostras de madeiras, 150 de
plantas medicinais e uma biblioteca com mais de 66.000 volumes se
firmando assim internacionalmente como centro científico.
Ainda
em 1808 surge o primeiro jornal brasileiro, a Gazeta do Rio de Janeiro.
Em
4 de agosto de 1808 através de um alvará, cria o Banco Público com
a finalidade de trocar barras de ouro ou ouro em pó, por moedas.
Em
15 de setembro de 1808 os administradores portugueses proclamam aos
habitantes de Lisboa, que o país estava livre de Napoleão e
que "a bandeira nacional flutua em toda a parte do reino" e pedem
a todos darem vivas ao Príncipe Regente. Dom João, levou
meses para receber essa notícia.
Dom
João, envia tropas para invadir a Guiana Francesa, 700 homens
vindos do Pará comandados pelo Tenente-Coronel Manuel Marques;
pelo mar receberam o apoio da esquadra inglesa sob o comando de James
Lucas Yeo a bordo da Corveta Confiance foi o chefe das
forças navais.
Em
12 de outubro de 1808 cria o primeiro Banco do Brasil, com um capital
inicial de 1,200 contos.
Em
1º de dezembro de 1808 as tropas navais desembarcam na costa da Guiana
Francesa.
Em
15 de dezembro de 1808 as tropas lusitanas travam seu primeiro combate na Guiana
às margens do Rio Aproak. ao mesmo tempo duas embarcações
francesas são apreendidas.
Aproximadamente
em 27 de dezembro de 1808 as tropas inglesas e portuguesas partem para
conquistar as principais fortificações francesas no Rio Maroni.
Em
1809 Napoleão invade novamente Portugal, mais uma vez as
tropas francesas foram expulsas.
Em
6 de janeiro de 1809 as tropas de ocupação conquistam o Forte Diamante na
Guiana.
Em
7 de janeiro de 1809 as tropas conquistam o Forte Degrad-des-Cannes.
Em
8 de janeiro de 1809 conquistam o Forte Trió.
Em
12 de janeiro de 1809, o governador francês da Guiana, assina na Cidade
de Bourda a rendição.
Em
14 de janeiro de 1809 tropas inglesas e portuguesas marcham pela capital Caiena.
Como
mandava as boas maneiras da guerra na época o o ex-governador francês da Guiana
foi conduzido pela embarcação Dom Pedro comandada pelo
capitão-de-fragata Luís da Cunha Moreira.
A
Guiana passa a ser administrada por João Severiano da Costa
(mais tarde Marques de Queluz). Durante os 8 anos de sua
administração mandou para o Brasil diversas especiarias e frutos, como a
noz moscada, o cravo-da-índia, a fruta pão, mudas de nogueira, da
camboeira, do abacateiro e da cana caiena, muito superior a cana cultivada
na época no Brasil.
Assim
como Dona Carlota, muitos consideram que Dom João VI foi
uma pessoa muito vacilante, mas o que todos esquecem, é que quem foi
educado para ser rei, foi o seu irmão mais velho Dom José que faleceu
vítima de varíola, João havia sido relegado a segundo plano dentro da
família, não sendo mais que uma figura decorativa, assim como em quase
todos os clãs, é no filho mais velho em quem se deposita as esperanças e expectativas.
É certo que ele era glutão e desajeitado,feio e ao que parece, com
péssimos hábitos de higiene; mas não com o exagero que
se mostra hoje em dia em filmes no cinema e programas na TV. Isso foi
fruto dos liberais portugueses no século 19, inspirados na Revolução
Francesa que queria denegrir a imagem da realeza; e no Brasil
dos republicanos que queriam desmoralizar tudo que viesse da família
real. Entenda bem, que ele além da morte prematura do irmão mais
velho, tinha uma mãe louca e uma esposa devassa e ardilosa, que
inclusive tentou depô-lo do poder duas vezes. Somando-se ainda as guerras
napoleônicas que devastaram a Europa do seu tempo. A idéia
também de que a família real saiu de Portugal fugindo as
pressas cheia de medo, é bom ser reconsiderada; é certo que eles
tinham que sair de Portugal, Napoleão não perdoaria a
negativa de Dom João VI de parar com os negócios com a Inglaterra
e certamente o deporia e/ou mataria, mas daí a sair as pressas de
Lisboa já é outra coisa. Imagine alguém saindo as pressas com
12.000 pessoas numa esquadra, composta de 8 naus, 3 fragatas, 2
briques, uma escuna e uma charrua de mantimentos, além de 21 navios
comerciais e levando consigo uma gigantesca biblioteca, como a que Dom
João trouxe para o Rio de Janeiro e que hoje é a Biblioteca Nacional;
não foi as pressas, foi planejada ainda que necessária e que algumas
coisas na viajem acontecessem como naufrágios e tempestades que fizeram
as naus perderem o rumo e serem desviadas para a Bahia
onde chegaram a 23 de janeiro de 1808. A estada na Bahia,
foi marcada pela assinatura, em 28 de janeiro, da carta régia que
determinava a abertura dos portos brasileiros ao comércio exterior.
Ele é
rotulado como sendo um monarca que "queria deixar tudo como sempre
esteve"; mas o que dizer de um monarca que tem como seu intelectual
favorito o Visconde de Cairú (José da Silva Lisboa), que traduziu o Livro/Compendio
da Riqueza das Nações de Adam Smith do original em inglês?
Esse livro quase 200 anos depois se tornou o livro de cabeceira de Ronald
Reagan e Margareth Thacher, nas primeira discussões sobre a
globalização da economia. Me parece uma coisa bem moderna para quem
não quer mudanças. Ele poderia não ser brilhante ou bonito, mas
também não era o palhaço medroso que todos gostam de enfatizar.
Em
1820 o inglês John Luccok parece confirmar essa
"esperteza" do soberano:
"O
Príncipe Regente tem sido muitas vezes tachado de apático, a mim, me
pareceu possuir ele muito mais sentimento e energia de caráter do que
ordinariamente lhe atribuem amigos e inimigos. Viu-se colocado em
circunstâncias singulares e de prova e submeteu-se com paciência, mas
nos momentos críticos soube obrar com vigor e prontidão".
Este foi o
depoimento de um inglês; a Inglaterra era aliada dos portugueses na época.
Agora um
depoimento de um francês, a França era inimiga de Portugal,
e aliada da Espanha, pais de origem de Dona Carlota Joaquina,
que no decorrer de seu casamento se demonstrou uma inimiga formidável
de Dom João:
"O Príncipe Regente há muito tempo sujeito às hemorróidas, é visto
continuamente com vertigens e acessos de melancolia; em 1805 sua doença
habitual se agravou tanto ... a ponto de lhe obrigar a deixar de montar
a cavalo... Ele deixou a temporada no Palácio de Queluz, fraco
das idéias... O mistério em sua volta, que não deixa ninguém se
aproximar dele, contribui a fazer acreditar nas fofocas sobre sua
loucura... Olha-se então para a Princesa Carlota que há muito
tempo perdeu a afeição de seu esposo e alguns pretendem colocá-la na
cabeça do governo, na qualidade de regente". (Historie de Jean
VI, publicada em Paris, em 1827).
Agora
uma carta de Carlota Joaquina para seu pai o Rei de Espanha bem
antes de tentar derrubar o Rei seu marido:
"Señor:
Papa mio de mi corazon, mi vida y de mi alma. Voi a los pies de V.M en
la maior consternacion, para decir a V.M que el Príncipe esta cada dia
peor de cabeza, y por consecuencia esto va todo perdido... y es llegada
la ocasion de V.M acudirme a mi y a sus nietos, como V. M. vera por la
carta inclusa del Marquez de Ponte Lima, porque la priesa y el segreto
no da lugar a mandar un papel firmado por toda, o quasi toda la
corte...".
Tradução:
"Senhor: Papai meu, de meu coração, minha vida e de minha alma.
Vou aos pés de Vossa majestade na maior consternação, para dizer a
Vossa Majestade que o Príncipe está cada dia pior da cabeça e por conseqüência
tudo está se perdendo... E, é chegada a ocasião de Vossa Majestade me
acudir, a mim e a seus netos, como Vossa Majestade verá por carta
inclusa do Marques de Ponte Lima, porque, a pressa e o sigilo
não me permitem enviar um papel assinado por toda ou quase toda a
coorte...". Logo após a tentativa de golpe ela foi presa.
Na
tal carta citada acima por Carlota Joaquina e entregue ao Rei
de Espanha o Marques de Ponte Lima diz o seguinte:
"O
nosso homem está cada dia pior e pouco falta para se declarar
completamente alienado... Todas as saídas que inventa é para ter
motivos de estar mais tempo ausente. Nenhum negócio sério vai à
presença do dito Senhor".
É
sabido que o rei falava pouco, mas gostava de ouvir. Quando ele estava
ainda em Lisboa estabeleceu o costume diário do povo ir
beijar-lhe a mão. Já no Rio de Janeiro, ele manteve também
esse ritual cotidiano, que se realizava à noite, no Palácio de São
Cristovão.
O
Rei se demonstrava muito religioso e prestigiava demais os padres,
principalmente os que pregavam. O púlpito das igrejas nessa época
servia como local ideal para propaganda. Falava-se neles, não só de
religião, mas, também de política e da vida social da corte. O
equivalente daquele tempo, ao que hoje é o rádio ou a televisão, ou
os jornais, enfim, funcionava como um dos meios de comunicação mais
eficazes da época. Servia para "realçar o esplendor e a majestade
do culto" e o rei como "hábil político...Sabia que só à
religião era dado sustentar os impérios e fortificar as instituições",
como se dizia na época; mas quando uma de suas filhas adoeceu com um
grave problema nos olhos, ele fez uma promessa de ir até a Igreja de
Santa Luzia (no atual Bairro do Castelo - Rio de Janeiro) em
agradecimento caso sua filha melhorasse; a filha melhorou; mas o Rei
Dom João VI não foi lá na Igreja pagar a sua promessa; a
carruagem dele não conseguia passar pelas estreitas vielas que o
levariam do Paço Real (na atual Praça XV), a
igreja que está lá até hoje, apesar das ruas hoje serem mais largas
que naquela época. Pode ser até engraçado; mas parece atitude de um perturbado
mental? Me parece uma atitude comum a qualquer político de hoje em dia
com as suas promessas.
Igreja
de Santa Luzia.
Foto
do final do século XIX.
Igreja
de Santa Luzia.
Foto
do final do século XX.
Em 1810, mais uma tentativa
de invasão a Portugal por parte de Napoleão, desta vez
eles nem conseguem chegar a Lisboa, sendo perseguidos até a
fronteira pelas tropas portuguesas e inglesas.
Em
1810 publica um alvará liberando, no Brasil, a venda de mercadorias
pelas ruas e casas. Quer dizer, se você não gosta de camelôs e
marreteiros...
No
dia 4 de dezembro de 1810 através de uma Carta de Lei, cria a Academia
Real Militar na Corte e Cidade do Rio de Janeiro, atual Academia
Militar das Agulhas Negras.
Em
1811 surge o jornal a Idade d`Ouro do Brasil. (editada na Bahia).
Em
1812, surge a revista As Variedades ou Ensaio de Literatura.
(editada na Bahia).
Criou
o que hoje seria hoje a Policia Militar.
Em
1813 é inaugurado no Rio de Janeiro, o Teatro São João,
(atual Teatro João Caetano), palco de grandes acontecimentos da
época.
Em
1813 surge a primeira revista brasileira O Patriota.
Em
1814 foi fundada no Recife a Loja Maçonica Patriotismo;
dentre os seus fundadores estava Domingos José Martins, que veio de Portugal
com a missão de fundar lojas maçônicas no Maranhão, Ceará
e Bahia.
Em
16 de dezembro de 1815 o Brasil é elevado ao status de Reino
Unido a Portugal e Algarves.
Em
20 de março de 1816 morre aos 81 anos
no
Convento das Carmelitas - Rio de Janeiro sua mãe
Dona Maria I
(a louca). É enterrada no Convento
da Ajuda no Rio de Janeiro, 5 anos mais tarde seus restos mortais
seguem para Portugal transportadas pela fragata Princesa Real e
estão na Basílica do Coração de Jesus, na Estrela, em Lisboa.
Em
29 de novembro de 1816 é assinado entre Dom João VI e o Imperador
Francisco I da Áustria em Viena o acerto para o casamento de Dom
Pedro (nesta época ele usava o título de príncipe real) com a Arquiduquesa
da Áustria, Dona Maria Leopoldina Josefa Carolina. Não foi
fácil para Dom João VI conseguir este casamento, os assim chamados
dotes, contradotes e as garantias exigidas pelo Imperador da Áustria
eram tão vultosas que o rei precisou hipotecar as rendas da Casa de
Bragança.
Também
em 1816 chega ao Brasil a Missão Artística Francesa trazendo
entre outros artistas, Jean-Baptiste Debret e Nicolas Antoine
Taunay.
Ainda
em 1816, permite que o Banco do Brasil abra filiais em várias províncias.
Em
maio de 1816 as tropas luso-brasileiras embarcam para a conquista de Montevidéu
no Uruguai.
Em
6 de março de 1817 liderado por Domingos José Martins, eclode o
movimente republicano em Pernambuco. A Revolução Pernambucana,
fortemente apoiada pela maçonaria, só foi possível devido: primeiro a
Pernambuco ser uma província riquíssima em função dos engenhos de cana
de açúcar, e em segundo lugar ao sentimento nativista fortíssimo. Em Pernambuco,
o sentimento nativista era tão forte, que os pernambucanos da época
chegavam até a retirar da mesa, produtos europeus, substituindo a farinha
de trigo por farinha de mandioca e trocando o vinho pela cachaça.
Ainda
em março de 1817 o Governador de Pernambuco, Caetano Pinto
Miranda Montenegro, recebia denúncias de sublevação em sua província
contra a coroa portuguesa, inclusive com os nomes de alguns líderes.
Em
9 de março de 1817 os revoltosos tomam o poder em Pernambuco. (o
episódio fica conhecido como a República de Pernambuco)
Em
2 de maio de 1817 os revolucionários pernambucanos sofrem sua primeira
derrota no Engenho Utinga.
Em
13 de maio de 1817 ocorre por procuração na Áustria o casamento de
Dom Pedro
Em
15 de maio 1817 os revolucionários pernambucanos sofrem mais um grande
derrota em Pindobas.
Em
18 de maio de 1817 após a derrota no trapiche de Ipojuca os
revolucionários da República de Pernambuco, deixam seus cargos e
nomeiam ditador Domingos Teotônio Jorge, na tentativa de quando se
entregassem as forças leais a coroa, conseguissem anistia.
Em
19 de maio de 1817 o "ditador" Domingos Jorge, abandona o
recife indo refugiar-se no Engenho Paulista onde capitulou. Os
revolucionários foram enviados a Bahia para serem julgados pelo
crime de lesa-majestade.
Em
1817 ocorre em Portugal um conjuração com o objetivo de acabar com a regência
de Dom João e a retirada do comando dos exércitos português o Marechal
Beresford que era inglês. Os revoltosos foram presos e levados para a Fortaleza
de São Julião onde foram julgados e enforcados.
Em
5 de novembro de 1817 chega ao Brasil a esposa de Dom Pedro, a
Arquiduquesa da Áustria Dona Leopoldina. Dona Leopoldina chega ao
Brasil, com grande pompa e sua comitiva era simplesmente suntuosa, com ela desembarcaram
suas damas de honra, criados de todos os tipos e funções, artistas,
médicos e naturalistas, entre eles o Dr. Mickan, (Professor de
Botânica), Dr. Natterer (zoólogo), Dr. Pohl (mineralogista)
e o bibliotecário Roque Schuch.
Em
21 de novembro de 1817, obedecendo aos acordos do Congresso de Viena,
João Severiano Maciel da Costa, entrega o Governo de Caiena
ao conde Carra de Saint-Cyr, general de Luís XVIII.
Em
24 de agosto de 1820 ocorre na Cidade do Porto a revolução que
implanta o constitucionalismo em Portugal.
Em
outubro de 1820 chega a notícia da Revolução do Porto a Dom
João VI no Rio de Janeiro.
Em
1821 Dom João VI anistia os remanescentes da República de
Pernambuco. (os principais líderes já haviam sendo executados)
Em
1º de janeiro de 1821 a Província do Grão Pará se pronuncia a
favor da constituição portuguesa que retira muitos poderes de Dom João
VI.
Em
10 de fevereiro de 1821 foi a vez da Bahia tomar conhecimento das
novas regras adotadas em Portugal, o Governador Conde de Palma
é convidado a aceitar os princípios da nova constituição portuguesa.
Convidado a assumir a chefia de uma junta governativa, recusa-se e retira-se
da cidade de Salvador.
Em
18 de fevereiro de 1821, Dom João tentando minimizar os
acontecimentos, assina um decreto (que só foi visto a primeira vez no dia
23), resolvendo enviar Dom Pedro para Portugal.
Em
26 de fevereiro de 1821, os militares se reúnem no Largo do Rocio (próximo
onde hoje é o Campo de Santana no Rio de Janeiro), exigindo
de Dom João VI medidas mais fortes. Dom João não queria por
essa ocasião ser visto em público e enviou seu filho Dom Pedro pra
tomar pé da situação no local e se fosse necessário jurar em nome do rei
seu pai a constituição que estava sendo elaborada em Portugal.
No
dia 27 de fevereiro de 1821 Dom João "solta" um decreto
que já estava pronto desde o dia 24 onde se compromete a jurar a
constituição que ainda nem estava pronta em Portugal. Jurou esta
constituição que ainda estava sendo elaborada em Lisboa, sendo
seguido pelos outros membros da família real, menos Dona Carlota.
Em
20 de abril de 1821 convoca uma reunião para serem escolhidos brasileiros
para a assembléia constituinte em Lisboa, porém a reunião que
ocorreu no dia 21), foi
muito conturbada, pois os presentes exigiram que ele jurasse a
constituição espanhola de 1812 e secretamente deram ordens para os
militares apontarem os canhões para a entrada da Baía de Guanabara,
afim de impedir que qualquer membro da família real deixasse o Rio de
Janeiro sem antes devolver os cofres que estavam em seu poder repletos
de dinheiro brasileiro. Uma companhia de soldados fiéis a Dom João VI porém
com Dom Pedro a frente (a Companhia de Caçadores, chefiada pelo Major Peixoto),
acabou a base de muita violência com a reunião que estava acontecendo no prédio da Praça do
Comércio; Dom João, aproveitando a confusão, anulou todos os
decretos assinados nos últimos dias e assinou um outro nomeando Dom
Pedro regente do Brasil.
Em
24 de abril de 1821, Dom João chama seu filho Dom Pedro ao
seu quarto no Paço de São Cristóvão e comenta: "Pedro,
se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar,
do que para algum desses aventureiros".
Em 26 de abril de
1821, partiu levando sua esposa, Carlota Joaquina, e sete dos
oito filhos vivos. Só Dom Pedro, o mais velho, ficou no Brasil
como príncipe regente. Sua comitiva foi composta de 14 navios, que
levaram também 4.000 cortesãos e serviçais; e é claro os cofres lotados
do dinheiro brasileiro. Em Portugal, Dom João foi
obrigado a jurar a Constituição Liberal, ou jurava ou era
deposto e possivelmente morto. Isto provocou a indignação de sua mulher e
do filho Dom Miguel, ambos de olho no trono real pois a constituição
liberal assinada por ele, retirava muitos de seus poderes absolutistas; Carlota
Joaquina, que considerava o marido excessivamente tolerante, uniu-se
a Dom Miguel e passou a conspirar contra o marido.
Em
31 de julho de 1821 após guerras sangrentas e batalhas diplomáticas
intensas e demoradas, é assinado o tratado onde a "Banda Oriental
do Uruguai" foi anexado ao Brasil com o nome de Província
da Cisplatina.
Em
7 de setembro de 1822 Dom Pedro I proclama a independência do Brasil.
Em
1º de dezembro de 1822 Dom Pedro I é coroado Imperador do Brasil.
Dom
João só
reconhece a independência do Brasil 3 anos após proclamada
depois de muitas concessões feitas por Dom Pedro I, já como Imperador do
Brasil
e o pagamento do equivalente a 500 mil libras esterlinas em ouro.
Em 1823 com o auxílio de seu filho o Infante
Dom Miguel readquire seus poderes absolutista, mas no ano seguinte o
próprio filho tenta depô-lo.
Em 1824, após
uma tentativa fracassada de golpe para derrubar o rei, Carlota
foi confinada no Paço de Queluz (Portugal), e Dom
Miguel, foi exilado em Viena. Dois anos depois o rei morreria
misteriosamente. Será que a rainha está por trás do crime? Carlota
devotava total desprezo ao marido, e as más línguas na corte diziam
que ele não era o pai dos últimos filhos dela. Pena que na época não
havia exame de DNA...
O corpo
de Dom João VI foi embalsamado e levado para o Panteão dos
Reis de Bragança, no mosteiro de São Vicente de Fora, em
Lisboa. As vísceras e o coração foram postos em um pote de
porcelana, foram depositados em uma caixa de madeira e enterrados no chão
da Capela dos Meninos de Palhavã, no mesmo mosteiro. Em 1993,
durante a restauração do mosteiro, o arqueólogo Fernando Rodrigues
Ferreira encontrou dois potes similares aos que continham os restos
mortais do rei; notando que o material daqueles potes estava em bom
estado de conservação, teve a idéia de procurar pelos restos do rei
com o propósito de desvendar o mistério sobre sua morte. As vísceras
do monarca estavam quase reduzidas a cinzas, mas, segundo os
pesquisadores, em condições de ser analisadas. O arsênico era muito
utilizado como veneno, pois ele na maioria das vezes não tem cor nem
cheiro; misturado a água, fica imperceptível.
Entre
erros e defeitos, críticas e mal entendidos eu deixo aqui as palavras do
Marquês de Caravelas que em 1826, discursando no Senado por
ocasião da morte do Rei disse:
"...Nós
todos que, aqui estamos temos muitas razões para nos lembrarmos da memória
de Dom João VI, todos lhe devemos ser gratos, pelos benefícios
que nos fez: elevou o Brasil a reino, procurou por todos o seu
bem, tratou-nos sempre com muito carinho e todos os brasileiros lhe são
obrigados...".
 
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