Nome: Dom João Maria José Francisco Xavier de Paula Luis Antonio Domingos Rafael de Bragança.
Local e data de nascimento: 13 de Maio de 1767, no Palácio Real da Ajuda, próximo a Lisboa – Portugal
Local e data da Morte: Palácio da Bemposta,- Lisboa – Portugal, a 10 de Março de 1826, estando sepultado no Mosteiro de São Vicente de Fora.
Dom João VI (O Clemente), 27º Rei de Portugal, era o segundo filho do Rei de Portugal, Dom Pedro III de Bragança (1717-1786) e a da Rainha, Dona Maria lzabel I de Bragança (1734 -1816 – a louca), que era sobrinha do próprio marido, (casaram em 1760), tendo por padrinho de batismo o rei da França, Luís XV.
Com 25 anos de idade tornou-se herdeiro do trono com a morte por varíola do irmão, Dom José de Bragança o Príncipe da Beira (1762-1788), em 1792, órfão de pai e com a mãe completamente louca, tornou-se regente de Portugal.
Por motivo do problema mental de sua mãe, passou a governar desde 1792, porém só se tornou Príncipe Regente a partir de 15 de julho de 1799. Dom João só foi coroado em 6 de fevereiro de 1818. A partir da coroação seu título foi Dom João VI, Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A cerimônia aconteceu no Rio de Janeiro. É bom lembrar que Dom João VI foi o único rei coroado nas Américas.
Casou com Dona Carlota Joaquina de Espanha (ela nasceu em 25 Abril de 1775 em Aranjuez - Madrid e morreu em 7 dezembro 1830 em Queluz – Portugal); ele, com 18 anos e ela com 10 aninhos. (casaram em 9 Junho 1785).
Pai de nove filhos, um deles Pedro que seria imperador do Brasil.
Dona Carlota era filha do Rei Carlos IV de Espanha e de Maria Luísa Teresa de Parma.
Olha, outro dia eu recebi uma crítica através de um e-mail, de que todo mundo fala nos filhos desses personagens históricos, mas ninguém dá “nome aos bois“, argumentando que parece que todos os pesquisadores lêem os mesmos livros; bom, eu ia argumentar que a leitura ficaria muito “pesada”, cansativa e enfadonha, mas o sujeito se antecipou e disse: “…Quem não quiser ler, pula essa parte…”, eu pensei melhor e resolvi acatar a crítica; portanto, aí vai o nome e detalhes dos filhos do Casal Dom João e Dona Carlota, se você achar muito cansativo, aceite o conselho do cara que me criticou: Pule essa parte:
Dona Maria Teresa Francisca de Assis Antonia Carlota Joana Josefa Xavier de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga de Bragança. Nasceu a 29 Abril 1793 em Queluz – Portugal, se casou com seu primo Pedro Carlos Antonio de Bourbon e Bragança (que faleceu em 26 de Maio de 1812) a 13 Maio de 1810 no Rio de Janeiro, em segundas núpcias casou com com o seu cunhado e tio, o Infante Dom Carlos Maria Isidro, Duque de Madrid e Conde de Montemolin e Molina, que em 1834 enviuvara da Infanta Dona Maria Francisca de Assis. Dona Maria Teresa morreu a 17 Janeiro de 1874 em Trieste.
Dom Antonio de Bragança e Bourbon (Dom Antonio Pio). Foi Príncipe da Beira. Nasceu a 21 Março de 1795 em Queluz – Portugal e morreu a 11 Junho de 1801.
Dona Maria Isabel Francisca de Bragança, nasceu no Palácio de Queluz a 19 Maio de 1797 em Queluz – Portugal, Casou com o Rei Dom Fernando VII de Espanha seu tio, que já enviuvara de Dona Maria Antonia de Bourbon y Lorena, Princesa de Nápoles;a 29 Setembro de 1816 e morreu a 29 Dezembro de 1818 em Madrid – Espanha.
Dom Pedro I (IV de Portugal) de Bragança, nasceu a 12 Outubro de 1798 em Portugal, casou em 1817 com Maria Leopoldina von Habsburg-Lothringen e morreu a 24 Outubro de 1834 em Portugal. Teve um segundo casamento com Amélia de Beauharnais. Foi esse aí que proclamou a independência do Brasil e foi o seu primeiro imperador.
Dona Maria Francisca Assis de Bragança, nasceu no Palácio de Queluz em 22 de Abril de 1800, casou em 1816, com o seu tio, Dom Carlos Maria Isidro, Infante de Espanha, falecido em 1815 e morreu em Gosport – Inglaterra, a 4 de Setembro de 1834, estando sepultada na capela-mor da igreja católica da mesma cidade inglesa.
Dona Isabel Maria de Bragança, nasceu no Palácio de Queluz – Portugal, a 4 de Julho de 1801; faleceu em Benfica – Portugal, a 22 de Abril de 1876, estando sepultada no Panteão de São Vicente de Fora. Nunca casou, tendo sido regente do reino, de 6 de Março de 1826 a 26 de Fevereiro de 1828. Após a vitória da causa liberal manteve-se afastada da vida política.
Dom Miguel I de Bragança, nasceu a 26 Outubro de 1802 em Queluz – Portugal, casou em 1851 com Adelheid zu Löwenstein-Wertheim Rosenberg e morreu a 14 Novembro de 1866 em Carlsruhe, junto a Bronnbach – Viena. Foi esse cara aí que tentou depor o próprio pai.
Dona Maria da Assunção. Nasceu no Palácio de Queluz, a 25 de Junho de 1805; faleceu em Santarém – Portugal a 7 de Janeiro de 1834; sepultada na Igreja do Milagre, de Santarém, e depois no Panteão de São Vicente de Fora.
Dona Ana de Jesus Maria Luíza Gonzaga Joaquina Micaela Rafaela Sérvula Francisca Antônia Xavier de Paula Bragança e Bourbon, nasceu no Palácio de Mafra a 23 Outubro de 1806, casou em 5 Dezembro de 1827 com Nuno José Severo de Mendonça Rolim de Moura Barreto (2.º marquês de Loulé). e morreu a 22 Junho de 1857 em Roma – Itália.
Em virtude do conflito entre França e Inglaterra, seu governo teve um período de grande intranqüilidade. Afim de prejudicar a Inglaterra, Napoleão decretou o bloqueio continental. Quando Portugal foi invadida pelas tropas do Marechal francês Junot, a família real portuguesa com toda a corte embarcou para o Rio de Janeiro. Ao chegar ao Brasil, Dom João declarou livres as indústrias brasileiras e abriu os portos do Brasil ao comércio estrangeiro. Passou depois a residir no Rio de Janeiro. A Dom João VI deve-se a fundação da Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro, registrando-se também importantes movimentos militares que proporcionaram a ampliação de nossas fronteiras.
Recentemente (ano 2000), uma equipe de 2 arqueólogos e um médico-legista chefiada pelo cientista português Fernando Rodrigues Ferreira, descobriu que na realidade Dom João foi envenenado com arsênico e não morto por causa de problemas digestivos após um jantar em família como sempre se anunciou. Os rumores de assassinato sempre houveram, mas nunca passou disso. As análises das vísceras do monarca detectaram uma quantidade de veneno quase quatro vezes maior que a necessária para matá-lo.
Se você gosta de mistério, aí está um que nunca foi esclarecido: Quem matou Dom João VI? Eu não sei, mas sua mulher Dona Carlota Joaquina o desprezava e seu filho Dom Miguel tentou depô-lo, portanto não faltaram pessoas a sua volta com oportunidade para o intento.
Os membros da Família Real saíram de Lisboa na madrugada do dia 27 de novembro de 1807 e chegaram à Bahia no dia 18 de janeiro de 1808. (só depois vieram para o Rio de Janeiro).
A frota real veio escoltada por navios de guerra ingleses. A decisão de vir para o Brasil, foi tomada em 1807 (e já havia sido pensada 50 anos antes pelo Marques de Pombal); evitando serem presos pelas tropas de Napoleão que invadiram Portugal, então, Dom João transferiu toda a corte para o Brasil. Por aqui ficou até 1821, quando uma revolta na cidade do Porto o obrigou a retornar. Partiu levando sua esposa, Carlota Joaquina, e sete dos oito filhos vivos. Só Dom Pedro, o mais velho, ficou no Brasil como príncipe regente. Em Portugal, o Dom João foi obrigado a jurar a Constituição liberal, ou jurava ou era deposto e possivelmente morto. Isto provocou a indignação de sua mulher e do filho Dom Miguel, ambos de olho no trono real pois a constituição liberal assinada por ele, retirava muitos de seus poderes absolutistas; Carlota Joaquina, que considerava o marido excessivamente tolerante, uniu-se a Dom Miguel e passou a conspirar contra o marido. Em 1824, após uma tentativa fracassada de golpe para derrubar o rei, Carlota foi confinada no Paço de Queluz (Portugal), e Dom Miguel, foi exilado em Viena. Dois anos depois o rei morreria misteriosamente. Será que a rainha está por trás do crime? Carlota devotava total desprezo ao marido, e as más línguas na corte diziam que ele não era o pai dos últimos filhos dela. Pena que na época não havia exame de DNA…
Assim como Dona Carlota, muitos consideram que Dom João VI foi uma pessoa muito vacilante, mas o que todos esquecem, é que quem foi educado para ser rei, foi o seu irmão mais velho Dom José que faleceu vítima de varíola, João havia sido relegado a segundo plano dentro da família, não sendo mais que uma figura decorativa, assim como em quase todos os clãs, é no filho mais velho em quem se deposita as esperanças e expectativas. É certo que ele era glutão e desajeitado,feio e ao que parece, com péssimos hábitos de higiene; mas não com o exagero que se mostra hoje em dia em filmes no cinema e programas na TV. Isso foi fruto dos liberais portugueses no século 19, inspirados na Revolução Francesa que queria denegrir a imagem da realeza; e no Brasil dos republicanos que queriam desmoralizar tudo que viesse da família real. Entenda bem, que ele além da morte prematura do irmão mais velho, tinha uma mãe louca e uma esposa devassa e ardilosa, que inclusive tentou depô-lo do poder duas vezes. Somando-se ainda as guerras napoleônicas que devastaram a Europa do seu tempo. A idéia também de que a família real saiu de Portugal fugindo as pressas cheia de medo, é bom ser reconsiderada; é certo que eles tinham que sair de Portugal, Napoleão não perdoaria a negativa de Dom João VI de parar com os negócios com a Inglaterra e certamente o deporia e/ou mataria, mas daí a sair as pressas de Lisboa já é outra coisa. Imagine alguém saindo as pressas com 12.000 pessoas numa esquadra, composta de 8 naus, 3 fragatas, 2 briques, uma escuna e uma charrua de mantimentos, além de 21 navios comerciais e levando consigo uma gigantesca biblioteca, como a que Dom João trouxe para o Rio de Janeiro e que hoje é a Biblioteca Nacional; não foi as pressas, foi planejada ainda que necessária e que algumas coisas na viajem acontecessem como naufrágios e tempestades que fizeram as naus perderem o rumo e serem desviadas para a Bahia onde chegaram a 23 de janeiro de 1808. A estada na Bahia, foi marcada pela assinatura, em 28 de janeiro, da carta régia que determinava a abertura dos portos brasileiros ao comércio exterior. Em 7 de março de 1808 desembarcam no Rio de Janeiro, onde permaneceram até 26 de abril de 1821.
Ele é rotulado como sendo um monarca que “queria deixar tudo como sempre esteve”; mas o que dizer de um monarca que tem como seu intelectual favorito o Visconde de Cairú (José da Silva Lisboa), que traduziu o Livro/Compendio da Riqueza das Nações de Adam Smith do original em inglês? Esse livro quase 200 anos depois se tornou o livro de cabeceira de Ronald Reagan e Margareth Thacher, nas primeira discussões sobre a globalização da economia. Me parece uma coisa bem moderna para quem não quer mudanças. Ele poderia não ser brilhante ou bonito, mas também não era o palhaço medroso que todos gostam de enfatizar.
Em 1820 o inglês John Luccok parece confirmar essa “esperteza” do soberano:
“O Príncipe Regente tem sido muitas vezes tachado de apático, a mim, me pareceu possuir ele muito mais sentimento e energia de caráter do que ordinariamente lhe atribuem amigos e inimigos. Viu-se colocado em circunstâncias singulares e de prova e submeteu-se com paciência, mas nos momentos críticos soube obrar com vigor e prontidão”.
Este foi o depoimento de um inglês, a Inglaterra era aliada dos portugueses na época.
Agora um depoimento de um francês, a França era inimiga de Portugal, e aliada da Espanha, pais de origem de Dona Carlota Joaquina, que no decorrer de seu casamento se demonstrou uma inimiga formidável de Dom João:
“O Príncipe Regente há muito tempo sujeito às hemorróidas, é visto continuamente com vertigens e acessos de melancolia; em 1805 sua doença habitual se agravou tanto … a ponto de lhe obrigar a deixar de montar a cavalo… Ele deixou a temporada no Palácio de Queluz, fraco das idéias… O mistério em sua volta, que não deixa ninguém se aproximar dele, contribui a fazer acreditar nas fofocas sobre sua loucura… Olha-se então para a Princesa Carlota que há muito tempo perdeu a afeição de seu esposo e alguns pretendem colocá-la na cabeça do governo, na qualidade de regente”. (Historie de Jean VI, publicada em Paris, em 1827).
Agora uma carta de Carlota Joaquina para seu pai o Rei de Espanha bem antes de tentar derrubar o Rei seu marido:
“Señor: Papa mio de mi corazon, mi vida y de mi alma. Voi a los pies de V.M en la maior consternacion, para decir a V.M que el Príncipe esta cada dia peor de cabeza, y por consecuencia esto va todo perdido… y es llegada la ocasion de V.M acudirme a mi y a sus nietos, como V. M. vera por la carta inclusa del Marquez de Ponte Lima, porque la priesa y el segreto no da lugar a mandar un papel firmado por toda, o quasi toda la corte…”.
Tradução: “Senhor: Papai meu, de meu coração, minha vida e de minha alma. Vou aos pés de Vossa majestade na maior consternação, para dizer a Vossa Majestade que o Príncipe está cada dia pior da cabeça e por conseqüência tudo está se perdendo… E, é chegada a ocasião de Vossa Majestade me acudir, a mim e a seus netos, como Vossa Majestade verá por carta inclusa do Marques de Ponte Lima, porque, a pressa e o sigilo não me permitem enviar um papel assinado por toda ou quase toda a coorte…”. Logo após a tentativa de golpe ela foi presa.
Na tal carta citada acima por Carlota Joaquina e entregue ao Rei de Espanha o Marques de Ponte Lima diz o seguinte:
“O nosso homem está cada dia pior e pouco falta para se declarar completamente alienado… Todas as saídas que inventa é para ter motivos de estar mais tempo ausente. Nenhum negócio sério vai à presença do dito Senhor”.
É sabido que o rei falava pouco, mas gostava de ouvir. Quando ele estava ainda em Lisboa estabeleceu o costume diário do povo ir beijar-lhe a mão. Já no Rio de Janeiro, ele manteve também esse ritual cotidiano, que se realizava à noite, no Palácio de São Cristovão.
O Rei se demonstrava muito religioso e prestigiava demais os padres, principalmente os que pregavam. O púlpito das igrejas nessa época servia como local ideal para propaganda. Falava-se neles, não só de religião, mas, também de política e da vida social da corte. O equivalente daquele tempo, ao que hoje é o rádio ou a televisão, ou os jornais, enfim, funcionava como um dos meios de comunicação mais eficazes da época. Servia para “realçar o esplendor e a majestade do culto” e o rei como “hábil político…Sabia que só à religião era dado sustentar os impérios e fortificar as instituições”, como se dizia na época; mas quando uma de suas filhas adoeceu com um grave problema nos olhos, ele fez uma promessa de ir até a Igreja de Santa Luzia (no atual Bairro do Castelo) em agradecimento caso sua filha melhorasse; a filha melhorou; mas o Rei Dom João VI não foi lá na Igreja pagar a sua promessa; a carruagem dele não conseguia passar pelas estreitas vielas que o levariam do Paço Real (na atual Praça XV), até a igreja que está lá até hoje, apesar das ruas hoje serem mais largas que naquela época. Pode ser até engraçado; mas parece atitude de um perturbado mental? Me parece uma atitude comum a qualquer político de hoje em dia com as suas promessas.
Criou em 1808 o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (no bairro de mesmo nome), que está lá até hoje firme e forte, contando no herbário, com 380.000 amostras de plantas, um acervo vivo de 8.200 espécies registradas, 6.100 amostras de frutos, 6.400 amostras de madeiras, 150 de plantas medicinais e uma biblioteca com mais de 66.000 volumes se firmando assim internacionalmente como centro científico.
Trouxe para o Brasil, cientistas e artistas.
Ainda na Bahia, antes da família real vir para o Rio de Janeiro foi criada em 18 de fevereiro de 1808 a primeira Escola de Medicina.
Em 28 de abril de 1808 criou o ensino médico no Rio de Janeiro.
Eleva a Colônia a Reino.
Criou o que hoje seria a Polícia Militar.
Cria estabelecimentos bancários e diversas escolas.
Instituiu tribunais.
Criou o primeiro Banco do Brasil.
Influenciado pelo Visconde de Cairú (José da Silva Lisboa, pai de Bento Lisboa), decreta a liberdade de comércio no Brasil.
Inaugura o surgimento da imprensa brasileira
com a fundação da Imprensa Régia, em maio de 1808. Mais tarde passa a chamar-se Imprensa Nacional. Atualmente é sediada Brasília, vinculada ao Ministério da Justiça e possui uma gráfica responsável pela impressão de todos documentos oficiais do governo brasileiro.
Como já mencionado, em 1808 ele abriu os portos as nações amigas, aqui está a Carta Régia que celebra esse fato:
Carta Régia de 28 de janeiro de 1808:
“Conde da Ponte, do meu Conselho, Governador e Capitão General da Capitania da Bahia. Amigo: Eu, o Príncipe Regente vos envia muito saudar, como aquele que amo. Atendendo à representação, que fizestes subir à minha Real Presença, sobre se achar interrompido e suspenso o comércio desta Capitania, com grave prejuízo dos meus vassalos e da minha Real Fazenda, em razão das críticas e públicas circunstâncias da Europa; e querendo dar sobre este importante objeto alguma providência pronta e capaz de melhorar o progresso de tais danos: sou servido ordenar interina e provisoriamente, enquanto não consolido um sistema geral que efetivamente regule semelhantes matérias, o seguinte”:
Primo: Que sejam admissíveis nas Alfândegas do Brasil todos e quaisquer gêneros, fazendas e mercadorias transportadas, em navios estrangeiros das Potências, que se conservam em paz e harmonia com minha Real Coroa, ou em navios dos meus vassalos, pagando por entrada vinte e quatro por cento, a saber: vinte de direito grossos, e quatro do donativo já estabelecido, regulando-se a cobrança destes direitos pelas pautas, ou aforamento, porque até o presente se regulam cada uma das ditas Alfândegas, ficando os vinhos, águas ardentes e azeites doces, que se denominam molhados, pagando o dobro dos direitos, que até agora nelas satisfaziam.
Segundo: Que não só os meus vassalos, mas também os sobreditos estrangeiros possam exportar para os Portos, que bem lhes parecer a benefício do comércio e agricultura, que tanto desejo promover, todos e quaisquer gêneros e produções coloniais, a exceção do pau-brasil, ou outros notoriamente estancados, pagando por saída os mesmos direitos já estabelecidos nas respectivas Capitanias, ficando entretanto como suspenso e sem vigor todas as leis, cartas régias, ou outras ordens que até aqui proibiam neste Estado do Brasil o recíproco comércio e navegação entre meus vassalos e estrangeiros. O que tudo assim fareis executar com zelo e atividade que de vós espero”.
Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo
Volume IX.
Pressionado pela corte portuguesa, retorna a Portugal em 1821, para enfrentar o movimento constitucionalista. É obrigado a assinar a constituição que lhe retira muitos poderes, em 1823 com o auxílio de seu filho o Infante Dom Miguel readquire seus poderes absolutista, mas no ano seguinte é próprio filho tenta depô-lo.
Só reconhece a independência do Brasil 3 anos após proclamada depois de muitas concessões feitas por seu outro filho Dom Pedro I, Imperador do Brasil e o pagamento do equivalente a 500 mil libras esterlinas em ouro.
O corpo de Dom João VI foi embalsamado e levado para o Panteão dos Reis de Bragança, no mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. As vísceras e o coração foram postos em um pote de porcelana, foram depositados em uma caixa de madeira e enterrados no chão da Capela dos Meninos de Palhavã, no mesmo mosteiro. Em 1993, durante a restauração do mosteiro, o arqueólogo Fernando Rodrigues Ferreira encontrou dois potes similares aos que continham os restos mortais do rei; notando que o material daqueles potes estava em bom estado de conservação, teve a idéia de procurar pelos restos do rei com o propósito de desvendar o mistério sobre sua morte. As vísceras do monarca estavam quase reduzidas a cinzas, mas, segundo os pesquisadores, em condições de ser analisadas. O arsênico era muito utilizado como veneno, pois ele na maioria das vezes não tem cor nem cheiro; misturado a água, fica imperceptível.
Entre erros e defeitos, críticas e mal entendidos eu deixo aqui as palavras do Marquês de Caravelas que em 1826, discursando no Senado por ocasião da morte do Rei disse:
“…Nós todos que, aqui estamos temos muitas razões para nos lembrarmos da memória de Dom João VI, todos lhe devemos ser gratos, pelos benefícios que nos fez: elevou o Brasil a reino, procurou por todos o seu bem, tratou-nos sempre com muito carinho e todos os brasileiros lhe são obrigados…”.


