O Caminho do Catete
O Caminho do Catete, já existia antes da chegada dos portugueses e franceses no Rio de Janeiro, pois relatos muito antigos descrevendo as batalhas entre Portugal e França (os franceses lutavam com o auxílio dos índios Tamoios), já se referem ao Catete de uma maneira corriqueira. O local era habitado pelos índios da aldeia Uruçumirim (Uruçu=Abelha; Mirim=pequeno), chefiada pelo temido Cacique Biraçu Merin.
O Rio Catete
É certo também que junto ao Caminho do Catete havia um braço do Rio Carioca (Cari=Branca, Oca=Casa); nascia no Morro do Corcovado (onde fica a estátua do Cristo Redentor) e desce pelo Bairro das Laranjeiras, chegando onde hoje é o Largo do Machado e a Praça José de Alencar, (veja o significado do nome dessas ruas na página inicial), formava uma espécie de lago, de onde, saia o Rio Catete, paralelo ao Caminho do Catete. O rio ficava do lado esquerdo do então Caminho do Catete de quem vai para a Zona Sul; mas se o rio logo foi aterrado, o Caminho do Catete continuou. Entenda bem, que quando me refiro ao “Caminho do Catete” estou me referindo ao mesmo traçado onde hoje fica a Rua do Catete.
A foto acima feita em 1893/94 mostra o Largo do Machado e adjacências, veja o Pão de Açúcar, sem o bondinho, note que a Rua Tavares Lira ainda não existia. A foto foi feita de cima do Morro de Nova Cintra.
O Rio Carioca desembocava onde atualmente fica o Monumento a Estácio de Sá, uma pequena pirâmide no Parque do Flamengo; ali os marinheiros carregavam água doce e fresca para os navios que ancoravam na atual Praia do Flamengo; por esse motivo, durante um tempo esta praia foi chamada de Praia da Aguada dos Marinheiros. O Rio Catete, desembocava na Praia do Russel, que foi completamente aterrada por ocasião das obras, primeiro da abertura da Avenida Beira Mar e depois com as obras para a construção do Parque do Flamengo.
A primeira foto acima mostra uma das inspeções para a construção da Avenida Beira Mar em 1905; as muretas a direita da foto estavam localizadas na altura da avenida que atualmente leva o nome de Praia do Flamengo; uma quadra (quarteirão), mais a direita fica a Rua do Catete. O quebra-mar onde os cavalheiros estão pisando foi demolido por ocasião das obras para a construção do Aterro e respectivo Parque do Flamengo;
a área de terra batida na imagem é a Avenida Beira Mar propriamente dita (ainda existe um pedacinho dela no Bairro do Castelo), que antes do Aterro do Flamengo começava na Praia de Santa Luzia (como disse acima no atual Castelo) e terminava na Praia de Botafogo. A atual Praia do Flamengo de hoje, fica quase um quilometro a esquerda na foto paralela ao quebra mar exibido na foto bem avançada nas águas da Baia de Guanabara, portanto a atual Praia do Flamengo é completamente artificial. É bom lembrar, pois às vezes estamos na areia da praia observando a Baía de Guanabara e imaginamos como seria a praia a 100 ou 200 anos no atrás e não percebemos que as águas iam até a altura onde estão os prédios da avenida que leva o nome de Praia do Flamengo quando estamos olhando a baía conforme ilustra a segunda foto.
A Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro
A Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, como se sabe foi fundada entre os Morros Cara-de-Cão e Pão de Açúcar, mas logo depois a cidade foi transferida para o Morro de São Januário, que era mais conhecido pelo nome de Morro do Descanso, esse nome se devia ao sacrifício que era subir este morro para as missas diárias, e ao término desta subida, era… Um descanso. Mudou de nome para Morro do Castelo (foto abaixo do final do século XIX), apelidado assim, pelo fato de a Igreja Matriz de São Sebastião, ali construída pelos padres jesuítas ter sua torre principal semelhante aos castelos medievais europeus. (olha, alguns autores afirmam que eram as torres do forte e não da igreja).
José de Anchieta, escreve nesta época (final do século XVI), que a população do Rio de Janeiro e arredores era de 3.850 habitantes, sendo 3.000 índios, 750 brancos e 100 negros. No século XVII a população já era de 12.000 habitantes. Ao chegar o fim do século XVIII a população era de 50.000 habitantes.
O Morro do Castelo foi demolido para obras de urbanização, mas onde havia o morro, hoje há o “Bairro do Castelo”, que inclui a Av. Marechal Câmara (bem próximo ao Aeroporto Santos Dumont), Rua Santa Luzia (foto/Igreja de Santa Luzia) e adjacências.
O Rio de Janeiro nos anos 1500
Na segunda metade dos anos 1500, o Rio de Janeiro nem deveria ser chamado de “cidade”, pois não passava de algumas casas de pau-a-pique, havia uma ou duas casas com telhas, a do Governador da Capitania com certeza e de um ou outro homem importante.
A única que poderia ser chamada verdadeiramente de “rua” seria a Rua da Misericórdia, ela foi destruída junto com o Morro do Castelo, ainda existe a Ladeira da Misericórdia próxima a Santa Casa da Misericórdia, havia alguns casebres na Praia Nossa Senhora do Ó, onde hoje fica a Praça XV e algumas casas onde hoje é a Rua 1º de Março (foto abaixo).
Na arte acima você pode ver o Paço Real, mais tarde denominado Paço Imperial e atualmente como Praça XV de Novembro, de início as águas da Baia de Guanabara chegavam à beira do chafariz servindo o seu arredor como porto de atracação para pequenas embarcações.
Quanto à rua ao fundo, a Rua Direita, atual Rua Primeiro de Março, lendo os dados referentes à cerimônia de “crisma” desta rua, descubro que curiosamente, a data comemora o término da Guerra do Paraguai; mas hoje em dia ela marca o dia oficial da fundação da Cidade do Rio de Janeiro, a confusão se explica, pois as datas são idênticas.







