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Local
e data de nascimento: Ovelha de Matão, Santa Maria de Aboadela, Portugal
em
6 de Janeiro de 1795.
Local
e data da Morte: Rio de Janeiro, ás 23:30 no dia 4 de outubro de 1869.
Antonio
Clemente Pinto, era filho de Manuel José Clemente Pinto e de Luiza
de Miranda.
Chega
ao Brasil por volta de 1820. No mesmo ano, Dom João VI (veja
a biografia completa de Dom João na página inicial do site), através de um alvará a 3 de janeiro, cria a Vila de Nova Friburgo
devido a forte imigração desde 1818 de habitantes do Cantão de
Fribourg, Suíça.
Em
1821 começa a trabalhar como "moço de recados" em uma loja da
cidade do Rio de Janeiro.
Entre
os anos de 1821 e 1827, ocorreu o fato de um acidente ocorrido com o Barão
de Ubá (João Rodrigues Pereira de Almeida
) onde Antonio Clemente o auxiliou, passando a ser
protegido do barão acidentado; como se deu o acidente, e até que ponto
ele foi auxiliado
pelo barão, não se sabe (provavelmente um acidente em uma carruagem na
qual o Barão de Ubá viajava), ele mesmo não tocava no assunto.
Existem
muitos lados em uma história como essa, é claro que é incrível que uma
pessoa que chegou ao Brasil sem um centavo, se torne uma das pessoas
mais ricas da nação em curtíssimo espaço de tempo, algo mais que uma
ajuda simples de um homem poderoso deve ter acontecido (talvez uma GRANDE
ajuda), agora quanto a ele ser um homem que obteve sua riqueza por meios escusos
ou ilícitos, bem, isso já está mais no campo das fofocas e da
maledicência de pessoas invejosas de um homem que enriqueceu muito
rapidamente. Sabe-se que ele lucrou muito no mercado especulativo de
escravos, pode nos parecer abjeto nos dias de hoje, mas era um negócio
perfeitamente legal em sua época, é possível que ele tenha atuado no
"contrabando" ou "mercado negro" de escravos após a proibição
do tráfego negreiro em 1850 que já é uma coisa muito diferente do
comércio legal de escravos (eu odeio utilizar a palavra "legal"
junto a palavra "escravo", mas...), mas não existe nenhuma confirmação
histórica desta hipótese. Na verdade Antonio Clemente não foi a
primeira pessoa a ser ajudada pelo Barão de Ubá, que também foi o
primeiro a dar uma oportunidade de trabalho digno para o futuro Barão de
Mauá (Irineu Evangelista de Sousa), quando este chegou ao Rio
de Janeiro.
Certamente
ele tinha um grande senso organizacional e administrativo além de um tino
comercial apurado; tinha o hábito de contratar estrangeiros para administrar
suas fazendas os quais depois transformava em sócios, e que lhe traziam os
benefícios de técnicas e costumes das sociedades mais desenvolvidas como
as européias; Um
desses "europeus, que tinha por sócio", era Jacobus
Gijsbertus Paulus van Erven. O Barão Johann Jakob von Tschudi,
que era diplomata suíço e foi um cientista, realizou várias viagens de
estudo a alguns países da América do Sul, inclusive o Brasil;
a partir de 1857, tendo estado no Distrito de Cantagalo.
Em
1860 Tschudi esteve no Brasil (pela segunda vez), como ministro plenipotenciário
da República Helvética (Suíça) para tratar, em missão
especial, de problemas relacionados à imigração suíça. Seu livro,
intitulado "Reisen durch Süd-Amerika" foi publicado em Leipzig
em 1866. Nele há uma menção explícita a Jacobus:
"...A agricultura brasileira
parece ser exercida no distrito de Cantagalo pelos métodos mais
racionais. Existem algumas fazendas instaladas em moldes modernos e práticos,
que dão resultados satisfatórios, em desacordo com a apatia e indiferença
geral que reina no meio brasileiro. Muitos dos fazendeiros ali residentes são
europeus de grande inteligência. Se não me engano, foi o sr. Jakob van
Erven o primeiro a trilhar pela agricultura racional, tendo introduzido
várias inovações na tecnologia agrícola. Jakob van Erven administrava
nada menos do que 11 fazendas do Barão de Nova Friburgo, sendo
co-proprietário de algumas delas. Os grandes recursos monetários e o número
elevado de operários facilitavam sua tarefa, e o levavam a êxitos
completos nos seus empreendimentos modernizadores. Tais resultados não
deixavam naturalmente de ter sua influência benéfica sobre os demais
fazendeiros da região e agricultores do distrito todo."
Portanto, é claro, que além de
sorte o Barão de Nova Friburgo teve muita competência e visão.
Mais tarde o engenheiro Jacobus casou-se pela terceira e última vez, com
Josefa Maria Pereira de Sampaio Sandoval, na Fazenda do Macuco, em
Cantagalo. Eles tiveram apenas um filho, Antônio de Sampaio van Erven ,
nascido na Fazenda Santa Rita, também em Cantagalo, e teve por padrinho e
tutor o Barão de Nova Friburgo, este seu afilhado mais tarde administrou a
Fazenda Santa Clara
durante a sua menoridade, ou seja além de "braço direito" o
sócio também se tornou compadre do barão.
No auge
de sua prosperidade Antônio Clemente Pinto, chegou a ser
proprietário de 15 fazendas na região compreendida entre Cantagalo,
São Fidélis e Nova Friburgo, foram elas:
Em Cantagalo
- Fazenda Santa Rita (nesta ele chegou a possuir 324 escravos), Boa
Vista, Boa Sorte (como se ele necessitasse disso), Fazenda das Areias, Jacotinga, Itaoca,
Laranjeiras, Gavião, Fazenda da Aldeia, Cafés
e Água Quente. Em São Fidélis possuía a Fazenda Macapá.
Em Nova Friburgo - Fazenda São Lourenço, Fazenda do
Córrego e Fazenda Córrego Dantas.
Além
do Palácio de Nova Friburgo (leia mais sobre o Palácio de Nova
Friburgo/Catete na coluna Museus & etc na página inicial
deste site), o barão possuía no Rio de Janeiro
10 prédios, na ruas Municipal (atual Avenida Barão de Teffé na
zona portuária), Beneditinos, das Violas (atual Rua
Teófilo Otoni), Rua Direita (atual 1º de Março). Na
antiga Rua Municipal ele fundou a empresa Friburgo & Filhos.
Em 1829, obteve uma concessão de
terras nas vizinhanças do então ainda selvagem Distrito de Cantagalo.
A concessão tinha como objeto a lavra de ouro, porém os resultados foram quase
nulos.
Também
em 1829 casou com sua prima Laura Clementina da Silva Pinto. Tiveram
4 filhos, sendo que dois faleceram ainda muito jovens.
Em 15
de Setembro de 1830, nasceu no Rio Janeiro, seu filho Antonio
Clemente Pinto Filho, que viria a ser,o 1º barão, visconde e Conde
de São Clemente.
Em 11
de Novembro de 1835 nasce em em Cantagalo, seu filho Bernardo
Clemente Pinto Sobrinho, que mais tarde seria 2º barão, visconde e
Conde de Nova Friburgo.
Em 28 de março de 1854 por
decreto do Imperador Dom Pedro II (leia a biografia completa de Dom
Pedro na página inicial deste site), recebeu o título de Barão de Nova
Friburgo.
Em 1858
o Sr.
Antonio Clemente Pinto, comprou uma parte das terras (que fora dos
Valdetaros, Rua do Catete, 159 na época) da Sra. Violante
Ribeiro da Fonseca que por sua vez havia herdado de seu filho o Comendador
Manuel Pinto da Fonseca, por 120 contos de réis (escritura de 14
de maio de 1858); e começou ali a construção do palácio. Dois anos após
a compra do terreno principal, onde já havia começado a construção da
mansão por assim dizer, a Sra. Ana de Jesus Maria de Lacerda,
precisou de um empréstimo (de 26 contos de réis) e deu como
garantia as casas de número 161 e 163 da Rua do Catete, ou seja, as
casas ao lado da obra da mansão (ô sorte!), como a Sra. Ana teve
dificuldades para pagar o empréstimo; os dois (ela e o barão) assinaram um
compromisso de venda das casas no mesmo valor da hipoteca. Nesta época
nesses dois números moravam o Sr. Guilherme Berg e sua família,
logo que o contrato de locação (arrendamento) terminou o barão tomou
posse dos prédios e colocou-os abaixo, ampliando a área não edificada do
palácio; o Palácio de Nova Friburgo, que hoje é o Palácio do
Catete (Museu da República). O palácio, também foi conhecido
pelo nome de Palácio do Largo do Valdetaro e Palácio das Águias.
(leia a biografia do Desembargador
Valdetaro clicando no link "Mais Biografias" na página
inicial deste site e também não
deixe de ler a história completa do Bairro e da Rua do Catete que
começa na página inicial deste site na coluna "Pequena História
do Catete").
A partir de maio de 1858 começa
o projeto pelo arquiteto Carl Friedrich Gustav Waehneldt do Palácio
de Nova Friburgo no Rio de Janeiro, que mais tarde viria a ser o Palácio
do Catete e posteriormente o Museu da República.
Em
julho de 1858, começam a extração de pedras da pedreira da Rua da
Candelária, atual Rua Bento Lisboa (leia o significado desta e
de outras ruas do Bairro do Catete na coluna "Significado do
Nome das Ruas" na página inicial deste site), no próprio Bairro do
Catete. (a Rua Bento Lisboa tinha este nome por ali existir a
pedreira na qual também se retiravam as pedras para a construção da Igreja
da Candelária no Centro do Rio de Janeiro.
Em 1860, foram hipotecadas ao
barão as casas de números, 161 e 163 da Rua do Catete, pertencentes
a Ana de Jesus Maria de Lacerda, ampliando assim a área do palácio.
Em
abril 1860, liderando um grupo de fazendeiros inaugura o trecho inicial,
da ferrovia com 34 km, entre Porto das Caixas (atual distrito do Município
de Itaboraí) até Cachoeiras (atual Cachoeiras do Macacu), tendo
sido a quarta estrada de ferro construída no Brasil unindo suas fazendas
cafeeiras Boa Sorte, Gavião e Laranjeiras, localizadas
na região que a época eram conhecidas como Sertões do Macuco, de
forma a facilitar o escoamento das grandes safras para a capital, Rio de
Janeiro. Esta ferrovia de início era movida a tração animal, só em
1883, passou a ser operado por locomotiva a vapor.
Também em
1860 se inicia a
construção da sede Fazenda Gavião, com seu palacete em Cantagalo,
região serrana do Rio de Janeiro. A fazenda propriamente dita já
existia, a data só se refere a construção do palacete.
Em 23 de abril de 1860 é elevado
a Barão com Grandeza.
Em
1866 termina oficialmente a construção do Palácio de Nova Friburgo,
em julho de 1866 o barão e sua família passaram a residir no imóvel,
porém por mais de 10 anos as
obras de acabamento, continuaram.

Palácio
de Nova Friburgo, mais tarde chamado de Palácio do Catete e
atualmente Museu da República.
Em
1863 viaja a França com o intuito principal de comprar peças
decorativas para o Palácio.
Em
1864, é assinado um compromisso de venda entre o barão e a Sra.
Violante, das casas de números 161 e 163 da Rua do Catete, pelo
mesmo preço da hipoteca a qual ainda estavam submetidas. Assim os terrenos
passariam a ser de propriedade do barão logo que terminasse o arrendamento
ao Sr. Guilherme Berg, feito pela proprietária.
A
primeiro de julho de 1866, a família ocupa finalmente o Palácio.
Em 15
de fevereiro de 1869, escreve uma carta com seus últimos desejos no caso de
sua morte.
Menos
de 8 meses depois falece o Sr. Antonio Clemente Pinto o Barão de
Nova Friburgo o homem que foi possivelmente foi o mais rico do Brasil
em sua época.
O
médico Barão de Petrópolis, atestou em seu óbito, ter morrido
devido a "dilatação do coração".
Por
vontade sua, expressa em carta de próprio punho o barão foi enterrado em
cova rasa, envolto em qualquer pano de cor preta e em caixão o mais barato
possível também envolto em qualquer pano preto. Que seu corpo fosse
acompanhado apenas por um padre, que encomendaria a sua alma no momento de
seu corpo baixar a sepultura; pediu também que ninguém além da família
estivesse presente na missa de sétimo dia ou na missa de aniversário de
seu falecimento.
 
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