Pequena História do Catete - Biografias

Barão de Nova Friburgo - Antonio Clemente Pinto

 

Barão de Nova Friburgo

Barão de Nova Friburgo

Dom João VI

Dom João VI

 

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Barão de Mauá

Barão de Mauá

Johann Jakob von Tschudi

Johann Jakob von Tschudi

Foto digitalizada da capa do livro Aportes y vigencia de Johann Jakob von Tschudi (1818-1889). Lima - Peru: Fondo Editorial PUCP, 2001. 243pp. Peter Kaulicke (editor).

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Baronesa de Nova Friburgo

Baronesa de Nova Friburgo

Conde de São Clemente (filho do Barão)

Conde de São Clemente

(Antonio Clemente Pinto 1830-1898)

Conde de Nova Friburgo (Filho do Barão)

Conde de Nova Friburgo

(Bernardo Clemente Pinto Sobrinho 1835-1914)

 

Barão e Baronesa de Nova Friburgo

Barão e Baronesa de Nova Friburgo

Óleo sobre tela de Emil Bauch, c. 1867, medindo 3,70 x 2,90 m. Nesta pintura, aparecem o barão e a baronesa em trajes de grande gala. Neste quadro o barão traz na mão esquerda uma planta da estrada de ferro de Cantagalo e por trás de sua cadeira estofada, percebe-se uma maquete do próprio Palácio de Nova Friburgo (futuro Palácio do Catete e atual Museu da República) e ao fundo, fazendo a vez de uma paisagem através de uma janela, a fachada clássica do magnífico solar do Gavião em Cantagalo.

Dom Pedro II

Dom Pedro II

Desembargado Manuel de Jesus Valdetaro

Desembargado Manuel de Jesus Valdetaro

Palácio do Catete, final do século XIX

Palácio do Catete, final do século XIX

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Local e data de nascimento: Ovelha de Matão, Santa Maria de Aboadela, Portugal em 6 de Janeiro de 1795.

Local e data da Morte: Rio de Janeiro, ás 23:30 no dia 4 de outubro de 1869.

Antonio Clemente Pinto, era filho de Manuel José Clemente Pinto e de Luiza de Miranda.

Chega ao Brasil por volta de 1820. No mesmo ano, Dom João VI (veja a biografia completa de Dom João na página inicial do site), através de um alvará a 3 de janeiro, cria a Vila de Nova Friburgo devido a forte imigração desde 1818 de habitantes do Cantão de Fribourg, Suíça.

Em 1821 começa a trabalhar como "moço de recados" em uma loja da cidade do Rio de Janeiro.

Entre os anos de 1821 e 1827, ocorreu o fato de um acidente ocorrido com o Barão de Ubá (João Rodrigues Pereira de Almeida ) onde Antonio Clemente o auxiliou, passando a ser protegido do barão acidentado; como se deu o acidente, e até que ponto ele foi auxiliado pelo barão, não se sabe (provavelmente um acidente em uma carruagem na qual o Barão de Ubá viajava), ele mesmo não tocava no assunto.

Existem muitos lados em uma história como essa, é claro que é incrível que uma pessoa que chegou ao Brasil sem um centavo, se torne uma das pessoas mais ricas da nação em curtíssimo espaço de tempo, algo mais que uma ajuda simples de um homem poderoso deve ter acontecido (talvez uma GRANDE ajuda), agora quanto a ele ser um homem que obteve sua riqueza por meios escusos ou ilícitos, bem, isso já está mais no campo das fofocas e da maledicência de pessoas invejosas de um homem que enriqueceu muito rapidamente. Sabe-se que ele lucrou muito no mercado especulativo de escravos, pode nos parecer abjeto nos dias de hoje, mas era um negócio perfeitamente legal em sua época, é possível que ele tenha atuado no "contrabando" ou "mercado negro" de escravos após a proibição do tráfego negreiro em 1850 que já é uma coisa muito diferente do comércio legal de escravos (eu odeio utilizar a palavra "legal" junto a palavra "escravo", mas...), mas não existe nenhuma confirmação histórica desta hipótese. Na verdade Antonio Clemente não foi a primeira pessoa a ser ajudada pelo Barão de Ubá, que também foi o primeiro a dar uma oportunidade de trabalho digno para o futuro Barão de Mauá (Irineu Evangelista de Sousa), quando este chegou ao Rio de Janeiro.

Certamente ele tinha um grande senso organizacional e administrativo além de um tino comercial apurado; tinha o hábito de contratar estrangeiros para administrar suas fazendas os quais depois transformava em sócios, e que lhe traziam os benefícios de técnicas e costumes das sociedades mais desenvolvidas como as européias; Um desses "europeus, que tinha por sócio", era Jacobus Gijsbertus Paulus van Erven. O Barão Johann Jakob von Tschudi, que era diplomata suíço e foi um cientista, realizou várias viagens de estudo a alguns países da América do Sul, inclusive o Brasil; a partir de 1857, tendo estado no Distrito de Cantagalo.

Em 1860 Tschudi esteve no Brasil (pela segunda vez), como ministro plenipotenciário da República Helvética (Suíça) para tratar, em missão especial, de problemas relacionados à imigração suíça. Seu livro, intitulado "Reisen durch Süd-Amerika" foi publicado em Leipzig em 1866. Nele há uma menção explícita a Jacobus:

"...A agricultura brasileira parece ser exercida no distrito de Cantagalo pelos métodos mais racionais. Existem algumas fazendas instaladas em moldes modernos e práticos, que dão resultados satisfatórios, em desacordo com a apatia e indiferença geral que reina no meio brasileiro. Muitos dos fazendeiros ali residentes são europeus de grande inteligência. Se não me engano, foi o sr. Jakob van Erven o primeiro a trilhar pela agricultura racional, tendo introduzido várias inovações na tecnologia agrícola. Jakob van Erven administrava nada menos do que 11 fazendas do Barão de Nova Friburgo, sendo co-proprietário de algumas delas. Os grandes recursos monetários e o número elevado de operários facilitavam sua tarefa, e o levavam a êxitos completos nos seus empreendimentos modernizadores. Tais resultados não deixavam naturalmente de ter sua influência benéfica sobre os demais fazendeiros da região e agricultores do distrito todo."

Portanto, é claro, que além de sorte o Barão de Nova Friburgo teve muita competência e visão. Mais tarde o engenheiro Jacobus casou-se pela terceira e última vez, com Josefa Maria Pereira de Sampaio Sandoval, na Fazenda do Macuco, em Cantagalo. Eles tiveram apenas um filho, Antônio de Sampaio van Erven , nascido na Fazenda Santa Rita, também em Cantagalo, e teve por padrinho e tutor o Barão de Nova Friburgo, este seu afilhado mais tarde administrou a Fazenda Santa Clara durante a sua menoridade, ou seja além de "braço direito" o sócio também se tornou compadre do barão.

No auge de sua prosperidade Antônio Clemente Pinto, chegou a ser proprietário de 15 fazendas na região compreendida entre Cantagalo, São Fidélis e Nova Friburgo, foram elas:

Em Cantagalo - Fazenda Santa Rita (nesta ele chegou a possuir 324 escravos), Boa Vista, Boa Sorte (como se ele necessitasse disso), Fazenda das Areias, Jacotinga, Itaoca, Laranjeiras, Gavião, Fazenda da Aldeia, Cafés e Água Quente. Em São Fidélis possuía a Fazenda Macapá. Em Nova Friburgo - Fazenda São Lourenço, Fazenda do Córrego e Fazenda Córrego Dantas.

Além do Palácio de Nova Friburgo (leia mais sobre o Palácio de Nova Friburgo/Catete na coluna Museus & etc na página inicial deste site), o barão possuía no Rio de Janeiro 10 prédios, na ruas Municipal (atual Avenida Barão de Teffé na zona portuária), Beneditinos, das Violas (atual Rua Teófilo Otoni), Rua Direita (atual 1º de Março). Na antiga Rua Municipal ele fundou a empresa Friburgo & Filhos.

Em 1829, obteve uma concessão de terras nas vizinhanças do então ainda selvagem Distrito de Cantagalo. A concessão tinha como objeto a lavra de ouro, porém os resultados foram quase nulos.

Também em 1829 casou com sua prima Laura Clementina da Silva Pinto. Tiveram 4 filhos, sendo que dois faleceram ainda muito jovens.

Em 15 de Setembro de 1830, nasceu no Rio Janeiro, seu filho Antonio Clemente Pinto Filho, que viria a ser,o 1º barão, visconde e Conde de São Clemente.

Em 11 de Novembro de 1835 nasce em em Cantagalo, seu filho Bernardo Clemente Pinto Sobrinho, que mais tarde seria 2º barão, visconde e Conde de Nova Friburgo.

Em 28 de março de 1854 por decreto do Imperador Dom Pedro II (leia a biografia completa de Dom Pedro na página inicial deste site), recebeu o título de Barão de Nova Friburgo.

Em 1858 o Sr. Antonio Clemente Pinto, comprou uma parte das terras (que fora dos Valdetaros, Rua do Catete, 159 na época) da Sra. Violante Ribeiro da Fonseca que por sua vez havia herdado de seu filho o Comendador Manuel Pinto da Fonseca, por 120 contos de réis (escritura de 14 de maio de 1858); e começou ali a construção do palácio. Dois anos após a compra do terreno principal, onde já havia começado a construção da mansão por assim dizer, a Sra. Ana de Jesus Maria de Lacerda, precisou de um empréstimo (de 26 contos de réis) e deu como garantia as casas de número 161 e 163 da Rua do Catete, ou seja, as casas ao lado da obra da mansão (ô sorte!), como a Sra. Ana teve dificuldades para pagar o empréstimo; os dois (ela e o barão) assinaram um compromisso de venda das casas no mesmo valor da hipoteca. Nesta época nesses dois números moravam o Sr. Guilherme Berg e sua família, logo que o contrato de locação (arrendamento) terminou o barão tomou posse dos prédios e colocou-os abaixo, ampliando a área não edificada do palácio; o Palácio de Nova Friburgo, que hoje é o Palácio do Catete (Museu da República). O palácio, também foi conhecido pelo nome de Palácio do Largo do Valdetaro e Palácio das Águias. (leia a biografia do Desembargador Valdetaro clicando no link "Mais Biografias" na página inicial deste site e também não deixe de ler a história completa do Bairro e da Rua do Catete que começa na página inicial deste site na coluna "Pequena História do Catete").

A partir de maio de 1858 começa o projeto pelo arquiteto Carl Friedrich Gustav Waehneldt do Palácio de Nova Friburgo no Rio de Janeiro, que mais tarde viria a ser o Palácio do Catete e posteriormente o Museu da República.

Em julho de 1858, começam a extração de pedras da pedreira da Rua da Candelária, atual Rua Bento Lisboa (leia o significado desta e de outras ruas do Bairro do Catete na coluna "Significado do Nome das Ruas" na página inicial deste site), no próprio Bairro do Catete. (a Rua Bento Lisboa tinha este nome por ali existir a pedreira na qual também se retiravam as pedras para a construção da Igreja da Candelária no Centro do Rio de Janeiro.

Em 1860, foram hipotecadas ao barão as casas de números, 161 e 163 da Rua do Catete, pertencentes a Ana de Jesus Maria de Lacerda, ampliando assim a área do palácio.

Em abril 1860, liderando um grupo de fazendeiros inaugura o trecho inicial, da ferrovia com 34 km, entre Porto das Caixas (atual distrito do Município de Itaboraí) até Cachoeiras (atual Cachoeiras do Macacu), tendo sido a quarta estrada de ferro construída no Brasil unindo suas fazendas cafeeiras Boa Sorte, Gavião e Laranjeiras, localizadas na região que a época eram conhecidas como Sertões do Macuco, de forma a facilitar o escoamento das grandes safras para a capital, Rio de Janeiro. Esta ferrovia de início era movida a tração animal, só em 1883, passou a ser operado por locomotiva a vapor.

Também em 1860 se inicia a construção da sede Fazenda Gavião, com seu palacete em Cantagalo, região serrana do Rio de Janeiro. A fazenda propriamente dita já existia, a data só se refere a construção do palacete.

Em 23 de abril de 1860 é elevado a Barão com Grandeza.

Em 1866 termina oficialmente a construção do Palácio de Nova Friburgo, em julho de 1866 o barão e sua família passaram a residir no imóvel, porém por mais de 10 anos as obras de acabamento, continuaram.

Palácio do Catete, final do século XIX

Palácio de Nova Friburgo, mais tarde chamado de Palácio do Catete e atualmente Museu da República.

 Em 1863 viaja a França com o intuito principal de comprar peças decorativas para o Palácio.

 Em 1864, é assinado um compromisso de venda entre o barão e a Sra. Violante, das casas de números 161 e 163 da Rua do Catete, pelo mesmo preço da hipoteca a qual ainda estavam submetidas. Assim os terrenos passariam a ser de propriedade do barão logo que terminasse o arrendamento ao Sr. Guilherme Berg, feito pela proprietária.

A primeiro de julho de 1866, a família ocupa finalmente o Palácio.

Em 15 de fevereiro de 1869, escreve uma carta com seus últimos desejos no caso de sua morte.

Menos de 8 meses depois falece o Sr. Antonio Clemente Pinto o Barão de Nova Friburgo o homem que foi possivelmente foi o mais rico do Brasil em sua época.

O médico Barão de Petrópolis, atestou em seu óbito, ter morrido devido a "dilatação do coração".

Por vontade sua, expressa em carta de próprio punho o barão foi enterrado em cova rasa, envolto em qualquer pano de cor preta e em caixão o mais barato possível também envolto em qualquer pano preto. Que seu corpo fosse acompanhado apenas por um padre, que encomendaria a sua alma no momento de seu corpo baixar a sepultura; pediu também que ninguém além da família estivesse presente na missa de sétimo dia ou na missa de aniversário de seu falecimento.

 

 

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